{"id":8150,"date":"2025-04-17T19:54:36","date_gmt":"2025-04-17T19:54:36","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8150"},"modified":"2025-04-17T19:54:36","modified_gmt":"2025-04-17T19:54:36","slug":"palestina-genocidio-e-guerra-de-libertacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/04\/17\/palestina-genocidio-e-guerra-de-libertacao\/","title":{"rendered":"Palestina: Genoc\u00eddio e guerra de liberta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando esse artigo estava sendo escrito (novembro de 2024), completavam-se 420 dias do genoc\u00eddio promovido pelo Estado nazista de Israel contra a popula\u00e7\u00e3o de Gaza resultando em 44 mil mortos e 104 mil feridos. A estes crimes podemos acrescentar 800 mortos na Cisjord\u00e2nia, 3.600 no L\u00edbano; 11.700 palestinos presos por Israel na Cisjord\u00e2nia e muitos milhares mais em Gaza (n\u00e3o existe uma contagem conhecida).<\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong> e <strong>Bernardo Cerdeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O genoc\u00eddio atual (o genoc\u00eddio hist\u00f3rico contra os palestinos j\u00e1 dura mais de 70 anos) \u00e9 fruto de uma guerra que come\u00e7ou com o ataque do Hamas a Israel em 7 de Outubro de 2023, mas que Israel aproveitou para desencadear o massacre da popula\u00e7\u00e3o civil em Gaza e uma guerra regional atacando em 7 frentes, algumas com mais intensidade e confrontos di\u00e1rios (Gaza, L\u00edbano e Cisjord\u00e2nia) outras com bombardeios mais espor\u00e1dicos de parte a parte (I\u00eamen, Iraque e Ir\u00e3) e ataques \u00e0 S\u00edria por parte de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em artigos anteriores, a LIT havia assinalado alguns elementos centrais da situa\u00e7\u00e3o da guerra em curso:<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro que havia \u201c\u2026<em>um relativo fortalecimento de Netanyahu e Israel imediatamente ap\u00f3s a ofensiva no L\u00edbano, o assassinato de Nasrallah e a maior parte da lideran\u00e7a do Hezbollah e de Sinwar, o principal l\u00edder do Ham\u00e1s\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, prevenia que:&nbsp;\u00ab<em>(\u2026) esse fortalecimento \u00e9 relativo, porque a resist\u00eancia palestina e do Hezbollah n\u00e3o foi derrotada. Embora as vit\u00f3rias israelenses tenham sido o produto de sua superioridade militar, particularmente no ar e no campo da intelig\u00eancia, Israel tamb\u00e9m est\u00e1 sofrendo perdas (mais do que afirma)\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Al\u00e9m disso, Israel n\u00e3o conseguiu estabilizar sua ocupa\u00e7\u00e3o terrestre em Gaza e no sul do L\u00edbano. A hist\u00f3ria j\u00e1 mostrou que as guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional envolvendo milh\u00f5es de pessoas podem derrotar as ocupa\u00e7\u00f5es terrestres at\u00e9 mesmo pelos ex\u00e9rcitos mais fortes, como no caso do Vietn\u00e3, Iraque, Afeganist\u00e3o ou mesmo a derrota de Israel pelo Hezbollah no L\u00edbano em 2000 e 2006.<\/em>\u00ab<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, alertava que<em>: \u201c(\u2026) as vit\u00f3rias israelenses exigem uma pol\u00edtica de contrarrevolu\u00e7\u00e3o permanente, de expans\u00e3o da Nakba no plano da \u201cGrande Israel\u201d. Externamente, Israel continua a perder a batalha pelos cora\u00e7\u00f5es e mentes das classes trabalhadoras e da juventude, com uma crescente rejei\u00e7\u00e3o de Israel entre uma parte significativa das massas do mundo e tens\u00f5es entre as massas \u00e1rabes contra a capitula\u00e7\u00e3o dos governos da regi\u00e3o ao genoc\u00eddio sionista<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas 15 dias depois desses acontecimentos, confirmou-se o acerto da caracteriza\u00e7\u00e3o de que o fortalecimento do governo de Netanyahu era&nbsp;<strong>relativo<\/strong>&nbsp;e que as vit\u00f3rias de Israel com o assassinato da maior parte da lideran\u00e7a do Hezbollah e de Sinwar do Hamas, embora muito importantes, eram t\u00e1ticas e n\u00e3o superavam as agudas contradi\u00e7\u00f5es de Israel. Na verdade, a realidade mostrou que essas contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais profundas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Recupera\u00e7\u00e3o do Hezbollah e guerra regional<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Como em toda guerra, \u00e9 preciso analisar, em primeiro lugar, a situa\u00e7\u00e3o no campo de batalha. O ataque de Israel ao L\u00edbano e a tentativa de invadir e ocupar o Sul deste pa\u00eds, marcaram um novo patamar para a guerra, que j\u00e1 pode ser caracterizada como uma guerra regional. Apesar do Hezbollah ter sofrido um duro golpe com o assassinato de seu secret\u00e1rio-geral e da maior parte da sua lideran\u00e7a, os dias seguintes mostraram que isso n\u00e3o destruiu suas capacidades militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio, o Hezbollah intensificou sua a\u00e7\u00e3o militar nos dois terrenos: bombardeios no norte e no centro de Israel e o confronto terrestre com as divis\u00f5es de Israel que tentaram ocupar o sul do L\u00edbano, mostrando uma alta capacidade de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na guerra a\u00e9rea, os drones e m\u00edsseis est\u00e3o cumprindo um papel fundamental. O&nbsp;Canal 12&nbsp;da TV israelense destacou que, desde o in\u00edcio de novembro de 2024, foi lan\u00e7ado um n\u00famero recorde de drones em dire\u00e7\u00e3o a Israel, em meio a uma guerra em v\u00e1rias frentes, observando que \u201cnas \u00faltimas semanas, os lan\u00e7amentos de drones tornaram-se rotina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O canal relatou que, nos primeiros 13 dias deste m\u00eas, houve 40 ataques de drones, uma m\u00e9dia de 3,3 ataques por dia, com v\u00e1rios drones em cada ataque totalizando \u201c1.300 drones lan\u00e7ados de todas as frentes\u201d em dire\u00e7\u00e3o a Israel desde o final de outubro de 2024. O canal ainda observou que 61% dos drones lan\u00e7ados em dire\u00e7\u00e3o a Israel em novembro tiveram origem no L\u00edbano, com um grande n\u00famero tamb\u00e9m vindo do I\u00eamen e do Iraque.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo canal&nbsp;relatou que, desde o in\u00edcio da guerra, mais de 200 drones penetraram com sucesso nas defesas a\u00e9reas e atingiram alvos, confirmando que esses drones causaram grandes perdas e danos nos \u00faltimos meses. Em outubro, por exemplo, um drone do Hezbollah atingiu o campo de treinamento da Brigada Golani em Binyamina, cidade ao norte de Telaviv, matando 4 soldados e ferindo 61 integrantes da tropa.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 14\/11, o Hezbollah anunciou que, pela primeira vez, lan\u00e7aram um enxame de drones unidirecionais contra a base de Kirya, na cidade de Tel Aviv, que abriga a sede do Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a de Israel, o Estado-Maior, a Sala de Gerenciamento de Guerra e a autoridade de monitoramento e controle de guerra da For\u00e7a A\u00e9rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 16\/11 o Hezbollah atacou Haifa, a terceira maior cidade de Israel, com m\u00edsseis e drones atingindo v\u00e1rias bases militares, entre as quais o quartel-general do comando naval Shayetet 13 em Atlit, ao sul de Haifa, a Base Naval Stella Maris, as Bases T\u00e9cnica e Naval de Haifa, a Base Tirat Carmel e, pela primeira vez, a Base de Combust\u00edvel Nesher.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da frente de guerra libanesa mudou. Israel tentou ocupar o Sul do L\u00edbano para criar uma zona de exclus\u00e3o que impedisse o Hezbollah de lan\u00e7ar m\u00edsseis e drones contra objetivos militares e cidades do norte e centro de Israel, que provocaram o deslocamento de 100 mil refugiados internos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso enviou 50 mil soldados e suas melhores divis\u00f5es, entre elas a Brigada Golani, para tentar invadir e ocupar o Sul do L\u00edbano. A tentativa de invas\u00e3o foi confrontada por uma forte resist\u00eancia do Hezbollah, gerando combates diretos. Israel foi repelido com fortes perdas e n\u00e3o conseguiu ocupar, limitando-se a incurs\u00f5es sobre alguns vilarejos. A partir da\u00ed, recuaram para Israel e at\u00e9 a data em que esse artigo foi escrito n\u00e3o conseguiram mais ocupar e somente bombardear o L\u00edbano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Guerra no solo: mortos e feridos no ex\u00e9rcito de Israel<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora frequentemente o comando das For\u00e7as armadas de Israel oculte n\u00fameros de baixas como parte de uma pol\u00edtica sistem\u00e1tica sob o pretexto de \u201ccensura militar\u201d, o ex\u00e9rcito israelense reconhece a morte de 793 soldados desde o in\u00edcio da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados tamb\u00e9m revelam que 192 oficiais israelenses foram mortos, indicando que um em cada quatro oficiais mortos era um comandante. Entre os mortos est\u00e3o 67 comandantes de pelot\u00e3o, 63 comandantes de companhia, 20 vice-comandantes de companhia, 7 vice-comandantes de batalh\u00e3o, 5 comandantes de batalh\u00e3o e 4 comandantes de brigada. Do total de fatalidades, 48% eram recrutas, 18% serviram em \u201cservi\u00e7o permanente\u201d e 34% eram reservistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 14\/11,&nbsp;o Canal 14&nbsp;informou que, em 48 horas, 11 oficiais e soldados israelenses foram mortos e mais de 10 ficaram feridos em batalhas em Gaza e no L\u00edbano. A tend\u00eancia a um aumento de baixas com a nova frente do Sul do L\u00edbano \u00e9 demonstrada pela decis\u00e3o das For\u00e7as Armadas de Israel de abrir 600 novas sepulturas no cemit\u00e9rio militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelos dados fornecidos pela imprensa israelense e por algumas midias \u00e1rabes, como o <em>Al Mayadeen<\/em> e o <em>Al Jazeera<\/em>, as baixas na frente do sul do L\u00edbano j\u00e1 passaram de 98 mortos e mil feridos somente nas primeiras 4 semanas da tentativa de invas\u00e3o terrestre das for\u00e7as militares sionistas, atingindo fortemente seu dispositivo militar.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o ou mais importante que o n\u00famero de baixas fatais \u00e9 o&nbsp;n\u00famero de feridos das For\u00e7as Armadas de Israel nesse ano de guerra,&nbsp;porque afetam a sua capacidade operacional e o moral da tropa. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de Israel anunciou, em 14 de novembro, que o n\u00famero total de interna\u00e7\u00f5es hospitalares desde 10 de outubro de 2023 chegou a 22.047.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse total, o Departamento de Reabilita\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a de Israel revelou recentemente que recebeu para reabilita\u00e7\u00e3o pelo menos 12.000 soldados desde o in\u00edcio da guerra em outubro de 2023, incluindo aqueles diagnosticados e sofrendo de Transtorno de Estresse P\u00f3s-Traum\u00e1tico (TEPT).<\/p>\n\n\n\n<p>Aproximadamente&nbsp;43% dos 12.000 soldados sofrem de TEPT, enquanto 14% sofreram ferimentos moderados a graves, incluindo 23 casos de traumatismo craniano grave, 60 casos de amputa\u00e7\u00e3o e 12 que perderam permanentemente a vis\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas durante a semana de 7 a 14 de novembro, o minist\u00e9rio registrou 321 feridos. Entre estes, 21 casos foram registrados no norte de Israel (em 24 horas), e 202 feridos foram registrados desde essa \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As interna\u00e7\u00f5es atingem pouco mais de 5% do IOF composto por aproximadamente 450 mil efetivos \u2013 150 mil efetivos permanentes e 300 mil reservistas, ou seja, 66% dos soldados da ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o reservistas sendo que dezenas de milhares s\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o de apoio, n\u00e3o de combate.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre mortos e feridos durante esse ano de guerra, a For\u00e7a de Defesa de Israel perdeu quase duas divis\u00f5es, enfrentando uma grave escassez de soldados. Segundo o alto comando, o ex\u00e9rcito necessita urgentemente de 7.000 recrutas<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um n\u00edtido desgaste e descontentamento entre as fileiras do ex\u00e9rcito motivados pela dura\u00e7\u00e3o da guerra (1 ano e 1 m\u00eas), a mais longa da exist\u00eancia de Israel; pelas falhas no dispositivo militar israelense e pela extens\u00e3o dos combates no solo em 3 frentes (Gaza, L\u00edbano e Cisjord\u00e2nia). Essa realidade obriga os reservistas a se revezarem continuamente para cobrir as lacunas nas distintas frentes. Come\u00e7ou a haver um movimento de reservistas para&nbsp;<strong>n\u00e3o<\/strong>&nbsp;retornar ao front (em Israel todos s\u00e3o reservistas at\u00e9 os 50 anos). Tudo isso pressiona fortemente o pr\u00f3prio comando militar para que fa\u00e7a uma pausa na guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Avi Ashkenazi, correspondente militar do jornal israelense&nbsp;Maariv, destacou uma crise crescente no ex\u00e9rcito israelense que pode minar os esfor\u00e7os para pressionar o Hezbollah. Ele enfatizou que a&nbsp;escassez de combatentes da reserva&nbsp;enfraqueceria a capacidade do ex\u00e9rcito israelense de aplicar press\u00e3o militar sobre o Hezbollah, potencialmente dificultando quaisquer esfor\u00e7os para resolver a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ashkenazi citou uma conversa com soldados da reserva na Brigada Golani, que falaram sobre as \u201c<em>dificuldades econ\u00f4micas e familiares<\/em>\u201d que enfrentaram ap\u00f3s mais de um ano de combate, com alguns j\u00e1 tendo servido mais de 250 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os soldados expressaram frustra\u00e7\u00e3o com a forma como os l\u00edderes israelenses os tratam:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Estamos enfrentando ru\u00edna financeira, os neg\u00f3cios est\u00e3o \u00e0 beira do colapso e os soldados est\u00e3o sobrecarregados com dificuldades pessoais e profissionais. N\u00f3s nos alistamos por um senso de dever, mas parece que o&nbsp;governo demonstra pouca considera\u00e7\u00e3o por nossos sacrif\u00edcios&nbsp;ou bem-estar<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o jornal israelense <em>Yedioth Ahronoth<\/em>&nbsp;relatou que os militares est\u00e3o preocupados com um&nbsp;decl\u00ednio de 15% a 25% na&nbsp;participa\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o de reserva.<\/p>\n\n\n\n<p>A essa situa\u00e7\u00e3o soma-se o problema dos Haredim, judeus ortodoxos dispensados por lei de servir o Ex\u00e9rcito e de trabalhar, para dedicar-se ao estudo da Tor\u00e1, recebendo subven\u00e7\u00f5es permanentes do Estado para isso. Todos os anos, muitos tamb\u00e9m viajam para Uman, na Ucr\u00e2nia, para celebrar o Ano Novo Judaico.<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade Haredim tem um grande peso em Israel, constituindo aproximadamente 13% da popula\u00e7\u00e3o de Israel. Em uma situa\u00e7\u00e3o grave como esta, uma parcela cada vez maior dos israelenses indigna-se contra esses privil\u00e9gios dos religiosos. Em junho de 2023, a Suprema Corte de Israel decidiu que os judeus ultraortodoxos devem ser submetidos ao recrutamento como outros cidad\u00e3os israelenses, intensificando as tens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s essa decis\u00e3o, o regime come\u00e7ou a emitir ordens de recrutamento para homens Haredim com idades entre 18 e 26 anos. Relat\u00f3rios iniciais indicaram resist\u00eancia significativa, com muitos indiv\u00edduos n\u00e3o respondendo aos comunicados de notifica\u00e7\u00f5es.&nbsp;Na sexta-feira, o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a&nbsp;de Israel&nbsp;anunciou planos para o alistamento gradual de&nbsp;7.000 judeus ultraortodoxos&nbsp;nas for\u00e7as armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema para o governo \u00e9 que os partidos que representam os Haredim s\u00e3o fundamentais para sustentar a coaliz\u00e3o governamental. Por isso, Netanyahu est\u00e1 articulando uma lei que permita manter essa isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Yair Lapid, o l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o israelense, pediu \u00e0 lideran\u00e7a e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do regime que neguem financiamento p\u00fablico, passaportes e privil\u00e9gios de viagem aos&nbsp;haredim que se recusem a servir nas for\u00e7as armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 r\u00e1dio do Ex\u00e9rcito&nbsp;de Israel, Lapid exigiu: \u201c<em>O recrutamento dos Haredins \u00e9 uma quest\u00e3o de valores, e eles devem se alistar. (\u2026) Se n\u00e3o o fizerem, n\u00e3o devem receber verbas, n\u00e3o devem obter passaportes e n\u00e3o devem ser autorizados a viajar para Uman (Ucr\u00e2nia)<\/em>\u201d. Mas at\u00e9 agora os haredim t\u00eam recusado a se alistar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Genoc\u00eddio e guerra de resist\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o genoc\u00eddio perpetrado por Israel em Gaza, a resist\u00eancia palestina liderada pelo Hamas e a resist\u00eancia do Hezbollah, est\u00e3o no centro da luta de classes mundial e tem atra\u00eddo um movimento internacional de rep\u00fadio a Israel e apoio aos palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, entre os que denunciam o genoc\u00eddio praticado por Israel, existem muitos setores pacifistas, inclusive setores da esquerda, que opinam que o atual conflito que se desenvolve na Palestina \u00e9 essencialmente um genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o palestina e n\u00e3o uma guerra, porque somente um lado (o de Israel) ataca e a despropor\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 brutal.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, o genoc\u00eddio praticado por Israel \u00e9 um fato. O objetivo de Israel \u00e9 aterrorizar a popula\u00e7\u00e3o civil, destruir o Hamas e o Hezbollah, avan\u00e7ar na limpeza \u00e9tnica para se apropriar dos territ\u00f3rios de Gaza e da Cisjord\u00e2nia e criar uma zona tamp\u00e3o no Sul do L\u00edbano. E claro, a despropor\u00e7\u00e3o militar de for\u00e7as \u00e9 enorme. Isso tamb\u00e9m \u00e9 um fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas s\u00f3 dizer que h\u00e1 um genoc\u00eddio \u00e9 unilateral. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma forte guerra de resist\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 do Hamas, mas de toda a Resist\u00eancia palestina unificada: Jihad isl\u00e2mica, Al Fatah, FPLP, FDPLP, Movimento Mujahideen Palestino e v\u00e1rios outros grupos menores. Quais s\u00e3o os elementos que demonstram que h\u00e1 um enfrentamento militar?<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 enfrentamentos di\u00e1rios, documentados em v\u00eddeos e divulgados nas redes sociais, entre as for\u00e7as da Resist\u00eancia e as tropas israelenses. \u00c9 uma guerra de guerrilhas onde a Resist\u00eancia sai dos t\u00faneis, arma emboscadas para as tropas de Israel e retorna aos t\u00faneis. S\u00f3 nos primeiros quinze dias de novembro, a Resist\u00eancia matou 24 soldados israelenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa resist\u00eancia militar \u00e9 um elemento decisivo para que Israel n\u00e3o tenha conseguido derrotar, e muito menos erradicar, o Hamas e a Resist\u00eancia depois de mais de um ano de uma a\u00e7\u00e3o militar brutal em Gaza, bombardeios constantes, destrui\u00e7\u00e3o de 70% das resid\u00eancias, invas\u00e3o, cerco e press\u00e3o pela fome, falta de eletricidade, \u00e1gua, esgotamento sanit\u00e1rio, etc. O simples fato de n\u00e3o ter conseguido eliminar a Resist\u00eancia depois de mais de um ano de guerra \u00e9 uma derrota para Israel<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, se fosse certo o que Israel apregoa, que o Hamas e a Resist\u00eancia j\u00e1 perderam 80% ou 90% dos seus efetivos e n\u00e3o podem opor resist\u00eancia, por que o Hamas sente-se com for\u00e7as para recusar o cessar-fogo nas condi\u00e7\u00f5es de Israel, que pretende impor a continuidade da ocupa\u00e7\u00e3o militar? Evidentemente porque pode sustentar a guerra de guerrilhas por mais um tempo consider\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Se fosse certo que quase n\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancia armada, por que Israel n\u00e3o consegue acabar de vez com a guerra?&nbsp; H\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o de aspectos pol\u00edticos internacionais e nacionais que abordaremos mais adiante e que impediram, at\u00e9 agora, o triunfo de Israel, mas, do ponto de vista militar, a resist\u00eancia palestina \u00e9 um elemento decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Hamas e a Resist\u00eancia palestina encontram-se em uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar defensiva, o que lhes permite manter a luta. N\u00e3o s\u00f3 os combatentes se protegem nos t\u00faneis, mas defendem sua terra e seu povo de um agressor genocida e est\u00e3o indissociavelmente mesclados com a popula\u00e7\u00e3o de onde recebem apoio e a ades\u00e3o de novos contingentes de combatentes. Isso \u00e9 t\u00edpico das guerras de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vit\u00f3ria militar de Israel exigiria que o ex\u00e9rcito israelense invadisse e ocupasse definitivamente Gaza e simultaneamente destru\u00edsse os 700 km de t\u00faneis para ca\u00e7ar e eliminar os soldados da Resist\u00eancia. O problema \u00e9 que, al\u00e9m do resultado dessa a\u00e7\u00e3o implicar em um alto custo militar, certamente provocaria a morte dos aproximadamente 100 ref\u00e9ns em poder do Hamas e mais dezenas ou at\u00e9 centenas de milhares de baixas civis palestinas, o que exacerbaria a indigna\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica internacional e a preocupa\u00e7\u00e3o crescente de parte da opini\u00e3o p\u00fablica interna de Israel com o resgate dos ref\u00e9ns.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse elemento agrega-se o problema do baix\u00edssimo moral de uma tropa de ocupa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 est\u00e1 acostumada a reprimir covarde e cruelmente manifestantes desarmados, crian\u00e7as e adolescentes, protegidos por intensos bombardeios. Entrar em um t\u00fanel para enfrentar combatentes altamente motivados, dispostos a morrer como m\u00e1rtires porque n\u00e3o t\u00eam outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 algo muito diferente e exigiria um moral que o ex\u00e9rcito israelense, que j\u00e1 se encontra esgotado depois de um ano de guerra, est\u00e1 longe de ter.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema crescente para Netanyahu \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias dos ref\u00e9ns, furiosas porque ele n\u00e3o aceita nenhuma proposta de cessar-fogo e trocas dos ref\u00e9ns pelos prisioneiros palestinos nos c\u00e1rceres de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, existe uma situa\u00e7\u00e3o de guerra tamb\u00e9m na&nbsp;<strong>Cisjord\u00e2nia<\/strong>. Em resposta \u00e0s opera\u00e7\u00f5es militares do ex\u00e9rcito israelense, cresce a resist\u00eancia armada, principalmente no norte da regi\u00e3o em cidades como Jenin, Tulkarm, Nablus, Tubas e nos campos de refugiados ao redor, mas que tamb\u00e9m est\u00e1 se estendendo a cidades do centro e do sul como Hebron, Ramallah e Bel\u00e9m. &nbsp;\u00c9 uma resist\u00eancia diferente e superior \u00e0s Intifadas, porque dessa vez h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios grupos de combatentes armados com armas leves e dispositivos explosivos improvisados.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas dificuldades de Israel nessa, repetimos, mais longa guerra de sua hist\u00f3ria, n\u00e3o demoveram o governo Netanyahu de seu plano sinistro: promover uma limpeza \u00e9tnica no norte de Gaza para permitir uma ocupa\u00e7\u00e3o militar permanente do Ex\u00e9rcito; construir uma faixa militarizada com fortifica\u00e7\u00f5es no corredor de Netzarim que cruza a Faixa de Gaza de leste a oeste dividindo Gaza ao meio e ocupar tamb\u00e9m o corredor Filad\u00e9lfia na fronteira do Egito. Tudo isso est\u00e1 em curso, mas sua implementa\u00e7\u00e3o depende do desfecho da guerra e da luta de classes internacional e nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A mobiliza\u00e7\u00e3o internacional e a crise de Israel<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na primeira parte desse artigo nos preocupamos em demonstrar que a a\u00e7\u00e3o militar de Israel est\u00e1 longe de ser um passeio que n\u00e3o encontra resist\u00eancia, ao contr\u00e1rio. Mas agora temos que ver o que est\u00e1 passando em Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Carl von Clausewitz, o general prussiano que foi um dos mais importantes te\u00f3ricos militares, \u201ca guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica por outros meios\u201d. Concordando com essa frase, n\u00e3o podemos isolar o genoc\u00eddio em Gaza e a resist\u00eancia armada dos palestinos do contexto internacional e da situa\u00e7\u00e3o interna em Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>O massacre praticado por Israel desencadeou mobiliza\u00e7\u00f5es ao redor de todo o mundo contra o genoc\u00eddio, em defesa dos palestinos e por um cessar-fogo. Os protestos foram muito al\u00e9m dos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos e ganharam import\u00e2ncia principalmente nos Estados Unidos e Europa. Israel nunca esteve t\u00e3o desprestigiado internacionalmente em toda sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Israel reage ao ataque do Hamas e come\u00e7a a guerra, o governo Netanyahu estipulou 3 objetivos: trazer de volta os ref\u00e9ns; acabar com as \u201ccapacidades militares e de governo\u201d do Hamas e \u201cgarantir que Gaza n\u00e3o represente uma amea\u00e7a local a Israel\u201d no futuro, ou seja, ocupando ou controlando o territ\u00f3rio. Mais recentemente, o governo passou a falar em um quarto objetivo que seria garantir o retorno seguro dos habitantes do norte de Israel que tiveram que abandonar a regi\u00e3o por causa dos ataques do Hezbollah.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ressaltar que, ao princ\u00edpio, o ataque do Hamas provocou uma rea\u00e7\u00e3o violenta da popula\u00e7\u00e3o e que a maioria absoluta apoiou a guerra, a destrui\u00e7\u00e3o do Hamas e da resist\u00eancia palestina e inclusive o genoc\u00eddio. Os partidos pol\u00edticos, a burguesia e as for\u00e7as armadas uniram-se em torno de um governo de unidade nacional com Netanyahu \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Netanyahu falava em acabar com o Hamas em dias ou, no m\u00e1ximo semanas.&nbsp;<strong>\u00c9 evidente que, se os objetivos de guerra estivessem sendo alcan\u00e7ados, ou seja, se houvesse apenas o genoc\u00eddio, um passeio militar e houvesse a liberta\u00e7\u00e3o progressiva de v\u00e1rios ref\u00e9ns, produto da ofensiva militar, a popula\u00e7\u00e3o, os partidos pol\u00edticos e a burguesia continuariam unidos em torno do governo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas est\u00e1 acontecendo exatamente o contr\u00e1rio: h\u00e1 uma profunda crise em Israel provocada pelo impasse depois de um ano de guerra e o governo Netanyahu continua questionado por todos os lados. Os assassinatos de Sinwar, de Nasrallah e do alto comando do Hesbollah fortaleceram temporariamente o governo, mas a realidade \u00e9 que nem um dos objetivos tra\u00e7ados por Netanyahu foi alcan\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ref\u00e9ns n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foram resgatados como a morte de 6 ref\u00e9ns provocou mobiliza\u00e7\u00f5es massivas de centenas de milhares de manifestantes, inclusive uma greve geral, contra o governo de Netanyahu e a favor de um acordo de cessar-fogo que permita a sua liberta\u00e7\u00e3o. Fato in\u00e9dito em Israel no meio de uma guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>O Hamas est\u00e1 longe de ser destru\u00eddo e a ofensiva israelense no sul do L\u00edbano, tentando ocupar uma zona tamp\u00e3o que impe\u00e7a o lan\u00e7amento de m\u00edsseis e drones pelo Hezbollah, depois de mais de um m\u00eas de tentativas, n\u00e3o conseguiu qualquer ganho territorial de import\u00e2ncia e o bombardeio a Israel aumentou. Chegou a atingir Telavive e Haifa sem que as defesas de Israel conseguissem evit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os gastos militares de uma guerra prolongada e que n\u00e3o alcan\u00e7a nenhum dos seus objetivos, a infla\u00e7\u00e3o e a crise econ\u00f4mica, somados \u00e0 pol\u00edtica do governo Netanyahu, abriram uma crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica. H\u00e1 uma divis\u00e3o na burguesia israelense (entre os setores burgueses e partidos dos centros econ\u00f4micos do pa\u00eds e os partidos das col\u00f4nias da Cisjord\u00e2nia) e atritos entre o governo e as For\u00e7as Armadas, Mossad e Shin Bet.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos temas centrais de diverg\u00eancia \u00e9 o acordo de cessar-fogo com o Hamas e uma troca de ref\u00e9ns por prisioneiros ou a continuidade da guerra. Netanyahu quer continuar a guerra e \u00e9 apoiado pelos partidos dos colonos que pressionam para estender a ofensiva militar \u00e0 Cisjord\u00e2nia. Alguns dos seus ministros, como Itamar Ben Gvir, ministro da Seguran\u00e7a Interna, falam em anexar a regi\u00e3o, que ele chama de Judeia e Samaria.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 um choque crescente entre o governo Netanyahu e a c\u00fapula militar e de seguran\u00e7a. A demiss\u00e3o do ministro Gallant e as not\u00edcias sa\u00eddas na imprensa sobre uma poss\u00edvel demiss\u00e3o dos chefes do Shin Beth e do Estado Maior as For\u00e7as Armadas (IDF) aprofundaram a crise em plena guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, o F\u00f3rum Empresarial Israelense, que re\u00fane as 200 empresas l\u00edderes do pa\u00eds, pronunciou-se contra a demiss\u00e3o do ministro da Seguran\u00e7a (Ministro da Defesa), Yoav Gallant pouco antes que ela acontecesse:&nbsp;<em>\u201cO Primeiro-Ministro sabe melhor do que ningu\u00e9m que todos os indicadores econ\u00f4micos mostram que Israel est\u00e1 caminhando para um abismo econ\u00f4mico e afundando em uma recess\u00e3o profunda. A \u00faltima coisa de que Israel precisa agora \u00e9 da demiss\u00e3o de um ministro [de seguran\u00e7a], o que desestabilizaria o [pa\u00eds].\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo pressiona para um acordo de cessar-fogo e continua acenando com alguma forma de solu\u00e7\u00e3o de \u201cdois estados\u201d, mas o governo, os partidos dos colonos e inclusive a ampla maioria dos setores da oposi\u00e7\u00e3o est\u00e3o radicalmente contra um estado palestino, mesmo que sem nenhuma autonomia. A \u00fanica pol\u00edtica de todos esses setores \u00e9 manter mais de 5 milh\u00f5es de palestinos sob uma ditadura e um regime de confinamento em enormes guetos. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com um regime de guerra permanente que, depois de um ano, mostra claramente seu esgotamento. O custo econ\u00f4mico da guerra j\u00e1 atinge US$ 68 bilh\u00f5es e a continuidade da a\u00e7\u00e3o militar de Israel depende do fornecimento militar dos EUA e dos pa\u00edses europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que o tempo passa e a guerra continua, a situa\u00e7\u00e3o vai ficando mais dif\u00edcil de sustentar por Israel, cuja economia e a atividade produtiva tiveram uma redu\u00e7\u00e3o significativa, gerando, juntamente com a inseguran\u00e7a crescente devido \u00e0 guerra, uma onda de migra\u00e7\u00f5es de profissionais de n\u00edvel superior. O historiador Ilan Papp\u00e9 afirmou que o \u00eaxodo \u00e9 de aproximadamente 600 mil israelenses, inclusive de m\u00e9dicos judeus das cidades mais pr\u00f3speras, como Tel Aviv, para a Europa Ocidental e EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, Israel realizou uma nova agress\u00e3o militar ao Ir\u00e3, com um ataque a\u00e9reo a suas bases militares. O ataque foi cuidadosamente planejado com o imperialismo norte-americano, que refor\u00e7ou a defesa antia\u00e9rea israelense e definiu os objetivos limitados dos ataques, mas agora j\u00e1 estamos em uma guerra regional. Esta regionaliza\u00e7\u00e3o da guerra \u00e9 uma pol\u00edtica de Netanyahu, que tem a ver com o projeto da Grande Israel e com o papel de pol\u00edcia do imperialismo norte-americano, embora haja diferen\u00e7as t\u00e1ticas com o governo Biden sobre at\u00e9 onde a guerra deve ir.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o desse quadro \u00e9 que h\u00e1 uma polariza\u00e7\u00e3o: Israel alimenta a guerra e a agress\u00e3o buscando redefinir o mapa do Oriente M\u00e9dio, mas com isso aumenta brutalmente as tens\u00f5es e o pa\u00eds vive a maior crise da sua hist\u00f3ria. N\u00e3o s\u00f3 sua imagem est\u00e1 questionada diante do mundo, mas a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Estado de Israel, um projeto colonialista e racista. E isso questiona e p\u00f5e em risco o controle dos imperialismos estadunidense e europeu na regi\u00e3o. A guerra na Palestina \u00e9 o centro da luta de classes mundial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O ataque do Hamas em 7 de outubro foi um acerto e um marco na luta pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Se houvesse somente um genoc\u00eddio e n\u00e3o existisse uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o, ter\u00edamos que chegar \u00e0 conclus\u00e3o que o ataque do Hamas em 7 de outubro foi uma provoca\u00e7\u00e3o contra um inimigo poderos\u00edssimo. Essa provoca\u00e7\u00e3o seria correspons\u00e1vel pela brutal retalia\u00e7\u00e3o de Israel e pelo genoc\u00eddio, como tamb\u00e9m potencialmente por uma derrota hist\u00f3rica da causa palestina. Isso \u00e9 verdade? Pensamos que a conclus\u00e3o \u00e9 oposta, mesmo que com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de mais nada, \u00e9 preciso ter claro que o Hamas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o nacionalista burguesa com todas as limita\u00e7\u00f5es do seu car\u00e1ter de classe. No entanto, no momento atual \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o que as massas palestinas e principalmente sua vanguarda se apropriam para organizar sua luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da luta nacional pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, o ataque do Hamas foi um acerto pol\u00edtico e militar. Conseguiu capturar 250 ref\u00e9ns. Colocou a luta do povo palestino de novo na ordem do dia. Unificou as for\u00e7as da Resist\u00eancia. Mostrou o verdadeiro car\u00e1ter fascista e genocida do Estado de Israel. Mobilizou massas do mundo inteiro em favor dos palestinos. Obrigou Israel a travar a mais longa e custosa guerra da sua hist\u00f3ria, colocou em crise o Estado sionista e questionou a sua viabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00c9 poss\u00edvel a derrota militar\/pol\u00edtica de Israel<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o de uma guerra n\u00e3o se d\u00e1 somente pelos n\u00fameros de baixas e a destrui\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio. Se fosse assim, o resultado j\u00e1 estaria definido a favor de Israel ou do imperialismo antes da guerra come\u00e7ar. No caso de guerras de liberta\u00e7\u00e3o anticoloniais, as vit\u00f3rias e derrotas se medem pela capacidade do invasor ou pot\u00eancia de impor uma ordem est\u00e1vel aos colonizados e que eles deixem de lutar para que o ex\u00e9rcito colonial n\u00e3o tenha que manter uma guerra permanente com perdas humanas que ameacem sua coes\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Vietnam, mais de um milh\u00e3o de vietnamitas perderam a vida e os EUA \u201capenas\u201d cerca de 50 mil soldados al\u00e9m de dezenas de milhares de lesionados e portadores de transtornos mentais. No entanto, quem saiu derrotado foram os EUA. O papel dos grandes movimentos contra a guerra no interior dos EUA foi decisivo para essa derrota.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso atual, um dos maiores problemas de Israel \u00e9 o movimento mundial contra o exterm\u00ednio dos palestinos. Em especial a perda de apoio a Israel da juventude da maior col\u00f4nia judaica, a norte-americana. As organiza\u00e7\u00f5es <em>Jewish Voices for Peace<\/em> (Vozes Judaicas pela Paz), e <em>If Not Now<\/em> (Se n\u00e3o agora\u2026) agrupam mais de 700 mil seguidores em suas p\u00e1ginas e dezenas de milhares de ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Israel nunca esteve t\u00e3o desprestigiado internacionalmente em toda sua hist\u00f3ria. O BDS (nome da campanha internacional de boicote a investimentos e por san\u00e7\u00f5es ao estado sionista, nos moldes da que foi realizada em rela\u00e7\u00e3o ao apartheid sul-africano nas d\u00e9cadas de 80 e 90 do s\u00e9culo passado) est\u00e1 tendo uma repercuss\u00e3o cada vez maior. Empresas importantes, como a INTEL, suspenderam investimentos econ\u00f4micos em Israel. 4.500 escritores como Arundhati Roy, Sally Rooney e outros decidiram fazer um boicote \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de suas obras por editoras israelenses que apoiem o genoc\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na guerra atual, assim como na guerra do Vietnam, a superioridade de armamentos de Israel \u00e9 avassaladora no que diz respeito \u00e0 for\u00e7a a\u00e9rea, naval, m\u00edsseis e carros blindados. E o apoio do imperialismo estadunidense permite um suprimento de armamentos quase inesgot\u00e1vel. Por isso, a derrota de Israel \u00e9 muito dif\u00edcil, mas como a derrota dos Estados Unidos, o chefe do imperialismo no mundo, demonstrou no Vietnam, isso n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a essa luta desigual, n\u00e3o podemos descartar que o Hezbollah negocie um acordo de cessar-fogo por separado, abandonando a resist\u00eancia palestina. No momento em que escrevemos esse artigo, o imperialismo est\u00e1 pressionando a dire\u00e7\u00e3o do Hezbollah nesse sentido e, aparentemente, o governo de Israel aceitaria negociar uma proposta desse tipo. Apesar da combatividade demonstrada at\u00e9 agora pelo Hezbollah, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confiar em uma dire\u00e7\u00e3o nacional burguesa que tem interesses pr\u00f3prios como classe propriet\u00e1ria no L\u00edbano e na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se aplica ao Ir\u00e2. Apesar do Ir\u00e3 ter evitado um confronto generalizado com Israel, sem d\u00favida por temor \u00e0 rea\u00e7\u00e3o do imperialismo estadunidense, \u00e9 ineg\u00e1vel que seu governo tem fornecido todo tipo de armamento ao Hezbollah, aos Huthis e anteriormente ao Hamas. Mas, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar que a burguesia iraniana que sustenta o regime dos aiatol\u00e1s tem objetivos nacionais pr\u00f3prios como pot\u00eancia regional e pode a qualquer momento subordinar a causa palestina a seus pr\u00f3prios interesses, negociando ou pressionando para um acordo que obrigue os palestinos a aceitar concess\u00f5es maiores ao imperialismo, sob pena de que fiquem mais isolados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a proposta que est\u00e1 na mesa de negocia\u00e7\u00e3o, de um cessar-fogo de 60 dias entre Israel e o Hezbollah, com o estabelecimento de uma for\u00e7a multinacional no Sul do L\u00edbano, est\u00e1 longe de resolver a situa\u00e7\u00e3o. Todas as contradi\u00e7\u00f5es levantadas acima continuar\u00e3o colocadas enquanto a quest\u00e3o palestina estiver no centro do problema. E a crise de Israel ir\u00e1 seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 definida, mas reafirmamos que a derrota do Estado sionista \u00e9 poss\u00edvel e que o problema \u00e9 pol\u00edtico-militar e depende n\u00e3o s\u00f3 da sua superioridade militar, mas da resist\u00eancia palestina e libanesa, da situa\u00e7\u00e3o interna em Israel e da luta de classes internacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Revolu\u00e7\u00e3o socialista e guerra nacional de liberta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, como socialistas revolucion\u00e1rios, temos diferen\u00e7as fundamentais com o Hamas. Como dissemos, \u00e9 um partido nacionalista, isl\u00e2mico, que defende a concep\u00e7\u00e3o de um estado capitalista. N\u00f3s, ao contr\u00e1rio, defendemos que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o definitiva para a humanidade, e inclusive para o problema da liberta\u00e7\u00e3o nacional do jugo do imperialismo e da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos \u00e9 o socialismo internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Isso n\u00e3o significa que ignoramos o problema da liberta\u00e7\u00e3o nacional da Palestina. &nbsp;Ao contr\u00e1rio. A luta por uma Palestina livre, laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o-racista do rio ao mar \u00e9 uma demanda democr\u00e1tica cujo significado vai al\u00e9m da aspira\u00e7\u00e3o dos 11 milh\u00f5es de palestinos a retomar o territ\u00f3rio do qual foram expulsos e constituir uma na\u00e7\u00e3o soberana. Tamb\u00e9m se transformou no s\u00edmbolo da luta dos povos \u00e1rabes contra a opress\u00e3o do imperialismo estadunidense e europeu cujo agente armado \u00e9 o Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina s\u00f3 pode ser vitoriosa se houver clareza que, para conquistar esse objetivo, \u00e9 preciso destruir o Estado colonialista de Israel, que se sustenta em bases racistas e de amea\u00e7as e guerras permanentes sobre os povos do Oriente M\u00e9dio. S\u00f3 o fim do Estado de Israel pode dar uma sa\u00edda permanente para o povo palestino e para os povos da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que amea\u00e7a hoje a Resist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Israel, mas, principalmente, a pol\u00edtica de dois Estados \u00e0 qual o Hamas aderiu recentemente, e que \u00e9 promovida tanto pelas burguesias \u00e1rabes pr\u00f3-EUA e Israel (Ar\u00e1bia Saudita, Egito, Jord\u00e2nia) quanto as que t\u00eam conflitos com Israel (Ir\u00e3 e o chamado Eixo de Resist\u00eancia).<\/p>\n\n\n\n<p>Os Acordos de Oslo j\u00e1 mostraram que essa falsa solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o garante nem o territ\u00f3rio nem a soberania de um Estado palestino e, muito menos, o retorno dos refugiados. S\u00f3 serviu para que o Estado de Israel e o imperialismo cooptassem uma parte das organiza\u00e7\u00f5es palestinas, principalmente o Fatah, que controla a Autoridade Nacional Palestina (ANP).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a posi\u00e7\u00e3o dos pacifistas e dos reformistas n\u00e3o s\u00f3 nega a efetividade e at\u00e9 a exist\u00eancia da luta de Resist\u00eancia palestina e libanesa, mas, na pr\u00e1tica, coloca-se contra a a\u00e7\u00e3o militar da resist\u00eancia palestina e dos movimentos \u00e1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a realidade, evidenciada pela hist\u00f3ria de mais de 100 anos do projeto imperialista e colonialista que culminou na ocupa\u00e7\u00e3o sionista da Palestina, assim como pela longa luta da resist\u00eancia palestina, mostrou que a luta pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada pela via militar e revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E hoje, o caminho que leva \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e, no desenvolvimento da luta de classes revolucion\u00e1ria e a uma din\u00e2mica de revolu\u00e7\u00e3o permanente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista,&nbsp;<strong>passa pela resist\u00eancia armada que confronta o Estado de Israel<\/strong>. Por isso, estamos&nbsp;<strong>incondicionalmente<\/strong>&nbsp;ao lado da resist\u00eancia militar palestina e libanesa, independentemente das diverg\u00eancias e cr\u00edticas que tenhamos \u00e0s suas dire\u00e7\u00f5es nacionalistas como o Hamas, Hezbollah e outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos que essa resist\u00eancia armada se estenda internacionalmente a outros pa\u00edses. As a\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses contra Israel s\u00e3o fundamentais para derrotar o estado de Israel. Um exemplo s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es dos Huthis do I\u00eamen, com drones e m\u00edsseis que t\u00eam golpeado o com\u00e9rcio no Mar Vermelho, o que aumenta o isolamento econ\u00f4mico de Israel. Tamb\u00e9m houve a\u00e7\u00f5es de grupos presentes no Iraque e na S\u00edria. J\u00e1 houve drones que ca\u00edram em Eilat no extremo sul de Israel o que golpeia o moral do ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso \u00e9 preciso denunciar e confrontar os governos \u00e1rabes que colaboram com o imperialismo e Israel como a Ar\u00e1bia Saudita, a Jord\u00e2nia, os Emirados, Marrocos e o Egito. Esses governos limitam-se a fazer protestos verbais contra o genoc\u00eddio, mas mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es comerciais com o estado genocida. A monarquia marroquina permitiu a passagem por seus portos de um navio carregado de armas e muni\u00e7\u00f5es para Israel, sob protestos dos apoiadores da causa palestina no porto de T\u00e2nger. \u00c9 a mesma posi\u00e7\u00e3o do governo jordaniano, mas contra o sentimento do seu povo que apoia massivamente a resist\u00eancia palestina. Na recente elei\u00e7\u00e3o para o parlamento, a Irmandade Mu\u00e7ulmana que defendia a ruptura dos acordos com Israel, chegou a quase 30% dos votos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso chamar as massas desses pa\u00edses a exigir de seus governos a ruptura imediata de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, econ\u00f4micas e militares com Israel, apoio militar \u00e0 resist\u00eancia palestina e que permitam que os apoiadores da luta contra o sionismo possam se somar \u00e0 resist\u00eancia palestina e libanesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo em que \u00e9 necess\u00e1rio essa unidade militar com a resist\u00eancia palestina e libanesa, inclusive com suas dire\u00e7\u00f5es nacionalistas, \u00e9 fundamental que as novas camadas de combatentes da Resist\u00eancia palestina e de outros pa\u00edses se atentem&nbsp;<strong>para a necessidade da classe trabalhadora se organizar de forma independente das dire\u00e7\u00f5es nacionalistas e religiosas, buscando construir o seu pr\u00f3prio partido socialista e revolucion\u00e1rio que lute por transformar a guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional por uma Palestina Livre do Rio ao Mar em uma Revolu\u00e7\u00e3o Socialista em toda a regi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em novembro de 2024 no site da LIT-QI &lt;https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/11\/27\/palestina-genocidio-e-guerra-de-libertacao\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando esse artigo estava sendo escrito (novembro de 2024), completavam-se 420 dias do genoc\u00eddio promovido pelo Estado nazista de Israel contra a popula\u00e7\u00e3o de Gaza resultando em 44 mil mortos e 104 mil feridos. 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