{"id":8393,"date":"2025-03-31T12:50:11","date_gmt":"2025-03-31T12:50:11","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8393"},"modified":"2025-03-31T12:50:11","modified_gmt":"2025-03-31T12:50:11","slug":"consequencias-programaticasdas-diversas-criticas-a-obra-de-engels","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/03\/31\/consequencias-programaticasdas-diversas-criticas-a-obra-de-engels\/","title":{"rendered":"Consequ\u00eancias program\u00e1ticas das cr\u00edticas \u00e0 obra de Engels"},"content":{"rendered":"\n<p>Como analisamos, uma mir\u00edade de tend\u00eancias questiona o legado de Engels. Alguns acusam-no de ser respons\u00e1vel pela deriva reformista na social-democracia do s\u00e9culo XX; outros veem nele a justifica\u00e7\u00e3o dos totalitarismos estalinistas e da crise que estes provocaram no seio do marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Temos um exemplo desta \u00faltima vis\u00e3o no texto de H\u00e9ctor Benoit, \u201cDa dial\u00e9tica da natureza \u00e0 exagerada estrat\u00e9gia pol\u00edtica de Engels\u201d, publicado no livro <em>A obra te\u00f3rica de Marx<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e9ctor Benoit foi um dos fundadores e refer\u00eancia te\u00f3rica do grupo brasileiro Nega\u00e7\u00e3o da Nega\u00e7\u00e3o, que atualmente tem o nome Transi\u00e7\u00e3o Socialista. Embora se trate de um grupo de pequena influ\u00eancia pol\u00edtica, Benoit, que leciona na Universidade Estadual de Campinas, possui certa influ\u00eancia no \u201cmarxismo acad\u00e9mico\u201d, na \u00e1rea da filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Benoit, dessa obra de Engels partiria a vis\u00e3o determinista \u2013 que se teria expresso na Introdu\u00e7\u00e3o de 1895 a <em>As Lutas de Classes na Fran\u00e7a<\/em>, de Marx \u2013 que constituiria a base te\u00f3rica n\u00e3o s\u00f3 de toda a orienta\u00e7\u00e3o reformista e revisionista subsequente do SPD, como tamb\u00e9m do estalinismo. O materialismo dial\u00e9tico e o materialismo hist\u00f3rico seriam cria\u00e7\u00f5es de Engels, que serviram aos des\u00edgnios do estalinismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Nesta obra, Dial\u00e9tica da Natureza, assim como em algumas p\u00e1ginas de Anti-D\u00fchring, de fato citando muitas vezes Hegel, Engels desenvolve precisamente a teoria de que existe uma dial\u00e9tica objetiva presente na natureza. Essa dial\u00e9tica apareceria refletida nas leis gerais descobertas pelas modernas ci\u00eancias naturais, nas leis do pensamento e seria reencontrada e confirmada na concep\u00e7\u00e3o dita \u201ccient\u00edfica\u201d da hist\u00f3ria humana (aquela desenvolvida por Marx e por ele pr\u00f3prio). Engels esbo\u00e7a assim a hip\u00f3tese de que existiria uma certa legisla\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica \u00fanica que governa a hist\u00f3ria da natureza, do pensamento e da hist\u00f3ria humana, estas \u00faltimas subjugadas \u00e0quela. Essa hip\u00f3tese apoiava-se fundamentalmente em tr\u00eas fontes te\u00f3ricas: a dial\u00e9tica hegeliana, a conce\u00e7\u00e3o marxista da Hist\u00f3ria e as modernas ci\u00eancias naturais (\u2026) Por outro lado, onde encontraremos seguidores dessas conce\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do \u00faltimo Engels? Exatamente naqueles que tamb\u00e9m se distinguiram por adotar uma vers\u00e3o cientificista do marxismo: Bernstein, Kautsky e o stalinismo (\u2026) Ambos, Bernstein e Kautsky, s\u00e3o declaradamente seguidores de um materialismo evolucionista e, n\u00e3o por acaso, foram inspiradores te\u00f3ricos diretos do reformismo que desembarcou em agosto de 1914, e que se desenvolveu posteriormente provocando sucessivas derrotas da classe oper\u00e1ria europeia, derrotas que levaram, finalmente, ao fascismo e ao nazismo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Paralelamente, encontramos a doutrina engelsiana, sobretudo nos manuais do marxismo stalinista. Os quais repetem, de fato, os grandes esquemas de Engels relativamente \u00e0 dial\u00e9tica da natureza, \u00e0s leis l\u00f3gicas gerais que se presumiriam v\u00e1lidas no dom\u00ednio da natureza e da Hist\u00f3ria, e que assim fundariam, de um lado, o materialismo dial\u00e9tico (uma esp\u00e9cie de epistemologia marxista que conteria as leis da teoria do conhecimento marxista) e, de outro lado, o materialismo hist\u00f3rico (uma sociologia din\u00e2mica e antropol\u00f3gica que conteria as leis do desenvolvimento humano). Estar\u00edamos, assim, com o materialismo dial\u00e9tico e com o materialismo hist\u00f3rico, em contraposi\u00e7\u00e3o ao \u201csistema de mundo marxista\u201d, um sistema naturalista-positivista que permitiria prever, com um rigor cient\u00edfico ineg\u00e1vel, o curso da natureza e da Hist\u00f3ria.<\/em>\u00bb <sup data-fn=\"bb18045a-6dd4-478f-8dfd-08f10d3f5ce0\" class=\"fn\"><a href=\"\/#bb18045a-6dd4-478f-8dfd-08f10d3f5ce0\" id=\"bb18045a-6dd4-478f-8dfd-08f10d3f5ce0-link\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, Benoit reproduz uma vers\u00e3o vulgarizada da compreens\u00e3o de Engels sobre a dial\u00e9tica da natureza, \u201c<em>uma certa legisla\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica \u00fanica que governa a hist\u00f3ria da natureza, o pensamento e a hist\u00f3ria humana, estas \u00faltimas imersas nessa mesma legisla\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, e repete as acusa\u00e7\u00f5es infundadas de que Engels simplesmente aplica essas leis gerais \u00e0 natureza e \u00e0 hist\u00f3ria como se fossem um todo id\u00eantico, numa vis\u00e3o mec\u00e2nica e evolucionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, procura as ra\u00edzes do reformismo da II Internacional apenas nas ideias e n\u00e3o nas contradi\u00e7\u00f5es concretas que atravessaram a social-democracia face \u00e0 ascens\u00e3o do imperialismo e, mais adiante, as bases do stalinismo. Considera que todo o desenvolvimento do reformismo e do stalinismo j\u00e1 estava impl\u00edcito na tese do \u00faltimo per\u00edodo de Engels, sucedendo-se numa evolu\u00e7\u00e3o linear: do \u00faltimo Engels a Bernstein, depois a Kautsky, depois\u2026 ao stalinismo. Eis a explica\u00e7\u00e3o, segundo essa vers\u00e3o, da bancarrota da II Internacional e do papel contrarrevolucion\u00e1rio do estalinismo. Por essa vers\u00e3o, o \u201cpecado original\u201d estaria em Engels, pelo menos desde o <em>Anti-D\u00fchring<\/em> (1877-1878) e a <em>Dial\u00e9tica da Natureza<\/em> (p\u00f3stumo).<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo de Benoit associa os \u00faltimos anos de Engels diretamente ao revisionismo e ao reformismo, aceitando a falsifica\u00e7\u00e3o de Bernstein, que considera a Introdu\u00e7\u00e3o de 1895 de Engels em <em>As Lutas de Classes na Fran\u00e7a<\/em>, de Marx, como o seu Testamento. Um artigo de Francesco Ricci <sup data-fn=\"bbad446e-8af9-49ec-9033-664c3588d3e8\" class=\"fn\"><a id=\"bbad446e-8af9-49ec-9033-664c3588d3e8-link\" href=\"\/#bbad446e-8af9-49ec-9033-664c3588d3e8\">2<\/a><\/sup> j\u00e1 demonstrou que a vers\u00e3o popularizada \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o deturpada do texto original de Engels. O artigo de Marcos Margarido neste dossi\u00ea mostra que outro artigo <sup data-fn=\"75d8f22b-c084-4efc-b611-c9e46fe1cce1\" class=\"fn\"><a id=\"75d8f22b-c084-4efc-b611-c9e46fe1cce1-link\" href=\"\/#75d8f22b-c084-4efc-b611-c9e46fe1cce1\">3<\/a><\/sup> utilizado por Benoit n\u00e3o resiste a uma an\u00e1lise s\u00e9ria. Como mostra Lenin em <em>O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em> <sup data-fn=\"2bd2e7a2-3158-4d67-b123-fb33cf7d0cf6\" class=\"fn\"><a id=\"2bd2e7a2-3158-4d67-b123-fb33cf7d0cf6-link\" href=\"\/#2bd2e7a2-3158-4d67-b123-fb33cf7d0cf6\">4<\/a><\/sup>, entre 1878 e 1895 Engels escreveu v\u00e1rias obras nas quais reafirma as conce\u00e7\u00f5es marxistas do Estado e da necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o violenta, extra\u00eddas das li\u00e7\u00f5es da Comuna de Paris de 1871.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1879 (isto \u00e9, depois da publica\u00e7\u00e3o do <em>Anti-D\u00fchring<\/em>), Marx e Engels escrevem uma circular ao partido alem\u00e3o <sup data-fn=\"a8df6ddb-fefa-466d-8aa9-495e9b3b2e4a\" class=\"fn\"><a id=\"a8df6ddb-fefa-466d-8aa9-495e9b3b2e4a-link\" href=\"\/#a8df6ddb-fefa-466d-8aa9-495e9b3b2e4a\">5<\/a><\/sup>, atacando impiedosamente um grupo sediado em Zurique, do qual fazia parte Bernstein, como pequenos-burgueses que pretendiam retornar ao <em>socialismo verdadeiro<\/em> <sup data-fn=\"fdb9e505-d214-40ca-bbbc-c82ecebc52e8\" class=\"fn\"><a id=\"fdb9e505-d214-40ca-bbbc-c82ecebc52e8-link\" href=\"\/#fdb9e505-d214-40ca-bbbc-c82ecebc52e8\">6<\/a><\/sup> e contagiar o SPD com ideias reformistas <sup data-fn=\"ddfe6ae0-a2c8-4139-8aa9-0301d1f304a0\" class=\"fn\"><a id=\"ddfe6ae0-a2c8-4139-8aa9-0301d1f304a0-link\" href=\"\/#ddfe6ae0-a2c8-4139-8aa9-0301d1f304a0\">7<\/a><\/sup>, repudiando-os energicamente. Alguns dos textos desse per\u00edodo s\u00e3o cl\u00e1ssicos, como <em>A Origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado<\/em>, de 1884, do qual Lenin extraiu boa parte das cita\u00e7\u00f5es para escrever <em>O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, para demonstrar que o Estado \u00e9 constitu\u00eddo essencialmente pelo aparato represivo militar, cujo objetivo \u00e9 impor o poder burgu\u00eas e explorar as classes dominadas, e que \u00e9 necess\u00e1rio quebrar a m\u00e1quina do Estado burgu\u00eas, mesmo nas suas formas republicanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1891, Engels, por ocasi\u00e3o do 20\u00ba anivers\u00e1rio da Comuna, publica um pref\u00e1cio ao texto de Marx, <em>A Guerra Civil na Fran\u00e7a<\/em> <sup data-fn=\"6315b5ac-56b8-4d17-ba2f-efda8bf977d9\" class=\"fn\"><a id=\"6315b5ac-56b8-4d17-ba2f-efda8bf977d9-link\" href=\"\/#6315b5ac-56b8-4d17-ba2f-efda8bf977d9\">8<\/a><\/sup>, de 1871, e reflete sobre o \u201cfilisteu social-democrata\u201d que expressava \u201chorror\u201d \u00e0 \u201cditadura do proletariado\u201d. Em 1894, escreve uma carta a Paul Lafargue, combatendo a interven\u00e7\u00e3o reformista de Jean Jaur\u00e8s no parlamento franc\u00eas. Lenin referiu-se a todos esses textos nas suas anota\u00e7\u00f5es para escrever <em>O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, publicados nas suas obras completas, no tomo 33, como <em>Cadernos sobre Marxismo e o Estado<\/em>. Mas, para justificar o argumento da \u201cexagerada fase de Engels\u201d, era necess\u00e1rio ignorar esses textos, inclu\u00eddos trechos do pr\u00f3prio <em>Anti-D\u00fchring<\/em>, citados por Lenin.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a incoer\u00eancia \u00e9 de tal magnitude que n\u00e3o se percebe uma contradi\u00e7\u00e3o evidente no seu racioc\u00ednio: como \u00e9 que os dirigentes marxistas revolucion\u00e1rios mais importantes do s\u00e9culo XX, como Rosa Luxemburgo, Lenin e Trotsky, continuaram a reivindicar toda a obra de Engels? Lenin e Trotsky reivindicavam, explicitamente, a elabora\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica dos textos de Engels, que Benoit ataca como mecanicistas e base para o reformismo. Todos eles foram categ\u00f3ricos em defender, at\u00e9 ao fim das suas vidas, Marx e Engels como os seus mestres. Ou ser\u00e1 que os tr\u00eas n\u00e3o conseguiram perceber o grau de revisionismo presente em Engels nessa fase? Mesmo nessa vis\u00e3o de sucess\u00e3o linear e esquem\u00e1tica, que vai de Engels a Bernstein e a Kautsky, Benoit est\u00e1 equivocado, pois v\u00ea Kautsky como um revisionista desde o in\u00edcio do seu papel como te\u00f3rico no SPD. Contudo, a realidade \u00e9 dial\u00e9tica. Kautsky foi reivindicado tanto por Lenin como por Trotsky at\u00e9 a Primeira Guerra Mundial, quando se produziu a grande trai\u00e7\u00e3o que marcou a bancarrota da Segunda Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, essa tese de uma sucess\u00e3o evolutiva de teorias carece de base na realidade no que diz respeito \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria social-democracia e ignora todo o complexo processo de luta de classes e da sua adapta\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria \u00e0 democracia burguesa, que, segundo Lenin <sup data-fn=\"2d6596fc-792f-4cac-81b4-ab1cdfd1496d\" class=\"fn\"><a id=\"2d6596fc-792f-4cac-81b4-ab1cdfd1496d-link\" href=\"\/#2d6596fc-792f-4cac-81b4-ab1cdfd1496d\">9<\/a><\/sup>, foi produto do surgimento de uma base social \u2013 a aristocracia oper\u00e1ria \u2013 que sustentou a revis\u00e3o social-democrata. Ignora um duro processo de luta pol\u00edtica interna, sob a press\u00e3o da burguesia imperialista e dos Estados burgueses sobre os partidos social-democratas e a burocracia sindical, que levou a Segunda Internacional \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o surgimento da burocracia sovi\u00e9tica e de St\u00e1lin ocorreu devido ao processo objetivo de isolamento da revolu\u00e7\u00e3o russa num pa\u00eds atrasado e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma base social na pr\u00f3pria burocracia do Estado oper\u00e1rio sovi\u00e9tico. Para controlar o poder, a burocracia entablou uma feroz luta contrarrevolucion\u00e1ria, renunciando ao programa e \u00e0 teoria marxistas, \u00e0 heran\u00e7a te\u00f3rica de Marx e Engels.<\/p>\n\n\n\n<p>St\u00e1lin rejeitou explicitamente princ\u00edpios como o internacionalismo que Marx e Engels expressaram claramente tanto no <em>Manifesto Comunista<\/em> como na Primeira e Segunda Internacionais, de que o socialismo se realizaria numa escala mundial \u2013 uma ideia oposta \u00e0 do socialismo num s\u00f3 pa\u00eds, t\u00edpica do stalinismo. Para Marx e Engels, o desenvolvimento internacional do capitalismo determina o car\u00e1ter internacional da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. Isto demonstra como o stalinismo se op\u00f5e a Marx e Engels e o retrocesso que a teoria do \u201csocialismo num s\u00f3 pa\u00eds\u201d significou.<\/p>\n\n\n\n<p>St\u00e1lin teve de liquidar fisicamente a ala revolucion\u00e1ria que lutava por manter as bases program\u00e1ticas e te\u00f3ricas de Marx e Engels: a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda na URSS e o seu principal dirigente, Trotsky.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre aqueles que consideravam os textos de Engels como os precursores do stalinismo, existe outra vertente: aquela que critica a proposta de se chegar ao socialismo apenas atrav\u00e9s da tomada do poder pela classe oper\u00e1ria e da destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas. Segundo estes, seria uma vis\u00e3o reducionista, por ser de classe, que levaria necessariamente a uma vis\u00e3o destrutiva e autorit\u00e1ria, expressa na defesa da ditadura do proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para este tipo de posi\u00e7\u00e3o, Engels cometia o pecado de n\u00e3o ver o papel da pol\u00edtica, das media\u00e7\u00f5es no terreno do Estado \u2013 variantes de medidas de corte \u201cdemocr\u00e1tico radical\u201d. Essa corrente de pensamento teve grande divulga\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7ou uma s\u00e9rie de setores que se reivindicavam marxistas, at\u00e9 mesmo uma corrente que surgiu do trotskismo, a maioria do Secretariado Unificado da IV Internacional, cujo maior dirigente e te\u00f3rico foi Ernest Mandel. J\u00e1 nos anos 70-80, este refletia a press\u00e3o do eurocomunismo para abandonar a defesa da ditadura do proletariado. Posteriormente, com a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo no Leste europeu, te\u00f3ricos como Daniel Bensa\u00efd e Michael Lowy levaram a uma din\u00e2mica na dire\u00e7\u00e3o do reformismo. No Brasil, Juarez Guimar\u00e3es, dirigente e te\u00f3rico da DS, uma tend\u00eancia do PT, no seu livro <em>Democracia e Marxismo<\/em> <sup data-fn=\"d5028be9-3ede-4d52-bc62-b84205abeaf9\" class=\"fn\"><a href=\"\/#d5028be9-3ede-4d52-bc62-b84205abeaf9\" id=\"d5028be9-3ede-4d52-bc62-b84205abeaf9-link\">10<\/a><\/sup>, acusa Engels de ver apenas como sa\u00edda socialista a ditadura do proletariado, numa perspetiva clasista (para ele, equivocada). Herdeiro dessa interpreta\u00e7\u00e3o, Guimar\u00e3es passou a defender uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d e a combater a \u201cditadura do proletariado\u201d. <sup data-fn=\"fbb92d5c-ea6a-481b-92bf-6de401639940\" class=\"fn\"><a href=\"\/#fbb92d5c-ea6a-481b-92bf-6de401639940\" id=\"fbb92d5c-ea6a-481b-92bf-6de401639940-link\">11<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que Guimar\u00e3es identifica a origem dos problemas em Marx, onde j\u00e1 haveria \u201ctens\u00f5es constitutivas\u201d. Ou seja, haveria contradi\u00e7\u00f5es entre o determinismo presente em obras como <em>O Capital<\/em> e o Pr\u00f3logo \u00e0 <em>Contribui\u00e7\u00e3o para a Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/em> e uma vis\u00e3o \u201cpraxiol\u00f3gica da hist\u00f3ria\u201d, presente em obras anteriores, como O <em>18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em> <sup data-fn=\"e84737ba-2bd6-476d-bf36-130131ede4e9\" class=\"fn\"><a id=\"e84737ba-2bd6-476d-bf36-130131ede4e9-link\" href=\"\/#e84737ba-2bd6-476d-bf36-130131ede4e9\">12<\/a><\/sup>. Engels seria respons\u00e1vel pela \u201cprimeira onda determinista\u201d, que acabaria por preparar o terreno para o determinismo de Kautsky e do \u201cDIAMAT\u201d <sup data-fn=\"972086d3-c3b0-45b0-b71e-bbdcf1819071\" class=\"fn\"><a id=\"972086d3-c3b0-45b0-b71e-bbdcf1819071-link\" href=\"\/#972086d3-c3b0-45b0-b71e-bbdcf1819071\">13<\/a><\/sup> de St\u00e1lin.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma muito superficial, com cita\u00e7\u00f5es fora de contexto e interpretadas de modo unilateral, Guimar\u00e3es afirma que, a partir do <em>Anti-D\u00fchring<\/em>, Engels teria uma vis\u00e3o em que \u201c<em>o marxismo seria, ent\u00e3o, compreendido de forma dual: materialismo hist\u00f3rico (a ci\u00eancia da sociedade e da natureza) e materialismo dial\u00e9tico (o estudo das leis do conhecimento). O Capital seria a express\u00e3o m\u00e1xima do primeiro e a sistematiza\u00e7\u00e3o contida na obra filos\u00f3fica de Engels, a refer\u00eancia fundamental para a edifica\u00e7\u00e3o do segundo. O edif\u00edcio dogm\u00e1tico do marxismo estava de p\u00e9, subordinando ou restringindo o mundo polim\u00f3rfico e variante da pol\u00edtica \u00e0s r\u00edgidas certezas das ci\u00eancias, paradoxalmente ancorando toda essa constru\u00e7\u00e3o num m\u00e9todo exterior e dotado do paradigma das ci\u00eancias naturais da \u00e9poca.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De forma semelhante a Benoit, Guimar\u00e3es coloca-se contra o materialismo dial\u00e9tico e hist\u00f3rico e acusa Engels de ser o respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do \u201cedif\u00edcio dogm\u00e1tico\u201d do marxismo, que seria depois assumido pelo estalinismo. Guimar\u00e3es cita as cartas de Engels a Joseph Bloch e C. Schmidt de 1890, comentando que o seu conte\u00fado mal \u201c<em>revela as inconsist\u00eancias l\u00f3gicas contidas no sistema formulado por Engels<\/em>\u201d <sup data-fn=\"78d625b9-02f9-4808-ad7d-f6eba1cd1a1a\" class=\"fn\"><a id=\"78d625b9-02f9-4808-ad7d-f6eba1cd1a1a-link\" href=\"\/#78d625b9-02f9-4808-ad7d-f6eba1cd1a1a\">14<\/a><\/sup>, embora, justamente, nessas cartas Engels alertasse contra a distor\u00e7\u00e3o de suas ideias por alguns seguidores, a ponto de tornar \u201cabsurda\u201d a conce\u00e7\u00e3o marxista.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, o que Guimar\u00e3es questiona \u00e9 que a pol\u00edtica tenha de se basear numa conce\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, elaborando a sua proposta a partir da defini\u00e7\u00e3o das bases econ\u00f4micas e sociais concretas da sociedade, numa perspetiva de classe. Para ele, isso seria \u201c<em>subordinar ou restringir o mundo polim\u00f3rfico e variante da pol\u00edtica<\/em>\u201d, embora Engels alertasse justamente contra alguns seguidores que tentassem extrair das suas elabora\u00e7\u00f5es e das de Marx conclus\u00f5es materialistas vulgares e deterministas, baseadas exclusivamente na estrutura econ\u00f4mica da sociedade \u2013 algo que Engels refuta com firmeza, afirmando que \u00e9 necess\u00e1rio compreender a rela\u00e7\u00e3o entre a economia e as formas pol\u00edticas, jur\u00eddicas e culturais, n\u00e3o de forma mec\u00e2nica, mas reconhecendo a exist\u00eancia de uma a\u00e7\u00e3o rec\u00edproca entre os factores superestruturais, culturais ou ideol\u00f3gicos da sociedade e a economia, deixando claro que esses seguidores n\u00e3o compreenderam que a determina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica prevalece, em \u00faltima an\u00e1lise, n\u00e3o como uma rela\u00e7\u00e3o direta e mec\u00e2nica. <sup data-fn=\"e071cde7-9daa-4d3d-8622-3395cf8de8d3\" class=\"fn\"><a href=\"\/#e071cde7-9daa-4d3d-8622-3395cf8de8d3\" id=\"e071cde7-9daa-4d3d-8622-3395cf8de8d3-link\">15<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Podemos deduzir que, para Guimar\u00e3es, no mundo polim\u00f3rfico da pol\u00edtica, as propostas devem ser completamente aut\u00f4nomas da base social e econ\u00f3mica, abandonando a vis\u00e3o marxista contida em <em>A Ideologia Alem\u00e3<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rosa Luxemburgo recorre a Engels na luta contra os reformistas da Segunda Internacional<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Vejamos como os revolucion\u00e1rios que lideraram o combate te\u00f3rico e pol\u00edtico contra a degenera\u00e7\u00e3o reformista da II Internacional e, posteriormente, contra a contrarrevolu\u00e7\u00e3o stalinista, apelaram aos ensinamentos deixados por Engels.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos por dizer algo sobre Rosa Luxemburgo. Rosa foi a vanguarda do combate ao revisionismo de Eduard Bernstein j\u00e1 em 1899, no seu cl\u00e1ssico texto <em>Reforma e Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. Rosa nunca aceitou a tentativa de Bernstein de pintar Engels como se este tivesse se transformado num reformista no final da sua vida. Coerente com essa posi\u00e7\u00e3o, no seu famoso texto escrito na pris\u00e3o, no qual denuncia a trai\u00e7\u00e3o da social-democracia na Primeira Guerra \u2013 <em>A Crise da Social-Democracia<\/em>, conhecido como o Panfleto Junius \u2013, ela apoia-se nas elabora\u00e7\u00f5es de Engels para contestar a posi\u00e7\u00e3o do Partido Social-Democrata e da maioria da II Internacional:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u2026 <em>que leva a converter-se num sistema de dogmas \u2013 que tamb\u00e9m exercem a sua influ\u00eancia nas lutas hist\u00f3ricas e, em muitos casos, determinam a sua forma como fator predominante. Trata-se de um jogo rec\u00edproco de a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es entre todos esses fatores, no qual, atrav\u00e9s de uma infinita multitude de acasos (isto \u00e9, de coisas e acontecimentos cuja conex\u00e3o interna \u00e9 t\u00e3o remota ou t\u00e3o dif\u00edcil de demonstrar que podemos consider\u00e1-la inexistente ou subestim\u00e1-la), acaba por impor-se, como necessidade, o movimento econ\u00f4mico. Se n\u00e3o fosse assim, a aplica\u00e7\u00e3o da teoria a qualquer \u00e9poca hist\u00f3rica seria mais f\u00e1cil do que resolver uma simples equa\u00e7\u00e3o do primeiro grau. N\u00f3s mesmos fazemos a nossa hist\u00f3ria, mas isso ocorre, em primeiro lugar, de acordo com premissas e condi\u00e7\u00f5es muito concretas. Entre elas, s\u00e3o as premissas e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas que decidem, em \u00faltima inst\u00e2ncia.<\/em>&#8230; <em>Os homens n\u00e3o fazem a hist\u00f3ria arbitrariamente, mas, apesar disso, fazem-na eles mesmos. A a\u00e7\u00e3o do proletariado depende do grau de maturidade do desenvolvimento social. Mas o desenvolvimento social n\u00e3o \u00e9 independente do proletariado. Este \u00e9, na mesma medida, a sua for\u00e7a motriz e a sua causa, bem como o seu produto e a sua consequ\u00eancia. A pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o do proletariado integra a hist\u00f3ria, contribuindo para a defini-la (\u2026). \u00c9 por isso que Friedrich Engels invoca a vit\u00f3ria definitiva do proletariado como um salto da humanidade do reino animal para o reino da liberdade. Esse salto tamb\u00e9m est\u00e1 ligado \u00e0s leis de bronze da hist\u00f3ria, aos mil elos de um desenvolvimento anterior, doloroso e demasiado lento. Mas nunca poderia ser realizado se, do conjunto dos pr\u00e9-requisitos materiais acumulados pelo desenvolvimento, n\u00e3o surgisse a centelha da vontade consciente das grandes massas populares.<\/em>\u00bb <sup data-fn=\"527f94b6-c20e-4d41-b798-510ef2c89385\" class=\"fn\"><a href=\"\/#527f94b6-c20e-4d41-b798-510ef2c89385\" id=\"527f94b6-c20e-4d41-b798-510ef2c89385-link\">16<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Teria Lenin superado Engels e seu \u201cmecanicismo\u201d?<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Existe outra lenda tamb\u00e9m transmitida por v\u00e1rios autores, segundo a qual Lenin teria seguido Engels no terreno filos\u00f3fico, referindo-se aos chamados <em>Cadernos Filos\u00f3ficos<\/em> de 1915. Entre eles, Raya Dunayevskaya, fundadora do marxismo humanista <sup data-fn=\"e84372d6-376d-4a1c-9e03-0a8009aadcd6\" class=\"fn\"><a id=\"e84372d6-376d-4a1c-9e03-0a8009aadcd6-link\" href=\"\/#e84372d6-376d-4a1c-9e03-0a8009aadcd6\">17<\/a><\/sup> \u2013 que fez a primeira tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas dos <em>Cadernos Filos\u00f3ficos<\/em> de 1915.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, vejamos a verdadeira hist\u00f3ria. Na homenagem a Engels, quando este falece em 1895, Lenin declarou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A filosofia de Hegel tratava do desenvolvimento do esp\u00edrito e das ideias; era idealista. Do desenvolvimento do esp\u00edrito, a filosofia de Hegel deduzia o desenvolvimento da natureza, do homem e das rela\u00e7\u00f5es entre os homens no seio da sociedade. Retomando a ideia hegeliana de um processo perp\u00e9tuo de desenvolvimento&#8230; Marx e Engels rejeitaram a concep\u00e7\u00e3o idealista pr\u00e9-concebida; analisando a vida real, constataram que n\u00e3o \u00e9 o desenvolvimento do esp\u00edrito que explica o fen\u00f4meno da natureza, mas, ao contr\u00e1rio, \u00e9 necess\u00e1rio explicar o esp\u00edrito a partir da natureza, da mat\u00e9ria\u2026 Ao contr\u00e1rio de Hegel e dos hegelianos, Marx e Engels eram materialistas. Partindo de uma concep\u00e7\u00e3o materialista do mundo e da humanidade, verificaram que, tal como todos os fen\u00f4menos da natureza t\u00eam causas materiais, igualmente o desenvolvimento da sociedade humana \u00e9 condicionado pelo desenvolvimento das for\u00e7as materiais, as for\u00e7as produtivas.<\/em>\u00bb <sup data-fn=\"95484331-3579-488e-b7bb-29e3b6c0fdb4\" class=\"fn\"><a href=\"\/#95484331-3579-488e-b7bb-29e3b6c0fdb4\" id=\"95484331-3579-488e-b7bb-29e3b6c0fdb4-link\">18<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1913, Lenin escreveu <em>As Tr\u00eas Fontes e as Tr\u00eas Partes Constitutivas do Marxismo<\/em> e, em 1914, para uma enciclop\u00e9dia, escreveu <em>Karl Marx, um Breve Esbo\u00e7o Biogr\u00e1fico Seguido de uma Exposi\u00e7\u00e3o do Marxismo<\/em>, mantendo a mesma compreens\u00e3o do texto de 1895.<\/p>\n\n\n\n<p>Os <em>Cadernos Filos\u00f3ficos<\/em> s\u00e3o a edi\u00e7\u00e3o de um caderno de anota\u00e7\u00f5es de Lenin sobre as suas leituras dos cl\u00e1ssicos de Hegel durante a Primeira Guerra Mundial, decisivos para o avan\u00e7o da elabora\u00e7\u00e3o do principal dirigente do Partido Bolchevique relativamente ao car\u00e1ter da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, ao imperialismo e para compreender as ra\u00edzes da bancarrota da Segunda Internacional e do seu revisionismo. Esse estudo, portanto, foi decisivo para que Lenin progredisse na sua elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, v\u00e1rios intelectuais utilizam-nos como suposta demonstra\u00e7\u00e3o de que Lenin seguiu, de forma acr\u00edtica, Engels at\u00e9 1914, mas que, ao ler Hegel, percebeu os erros de Engels e passou a neg\u00e1-los e super\u00e1-los. Como eram cadernos de anota\u00e7\u00f5es das suas leituras, constitu\u00edam-se em observa\u00e7\u00f5es pontuais para a sua autocompreens\u00e3o e uso posterior. Ainda assim, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que \u00e9 falsa a interpreta\u00e7\u00e3o de que Lenin questiona Engels em uma forma semelhante \u00e0 desses intelectuais. Em rela\u00e7\u00e3o ao tema da dial\u00e9tica da natureza e a elabora\u00e7\u00e3o de Engels, Lenin fez os seguintes coment\u00e1rios, a partir da leitura de Hegel:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab\u2018<em>Na natureza\u2019, os conceitos t\u00eam \u2018carne e osso\u2019 \u2013 isso \u00e9 excelente! Mas isso \u00e9 exatamente materialismo. Os conceitos humanos s\u00e3o a alma da natureza \u2013 isso \u00e9 apenas uma maneira m\u00edstica de dizer que, nos conceitos humanos, a natureza reflete-se de modo peculiar (isso NB <sup data-fn=\"d7a49c8b-fa0e-4ae4-b673-36cec8f2c0aa\" class=\"fn\"><a id=\"d7a49c8b-fa0e-4ae4-b673-36cec8f2c0aa-link\" href=\"\/#d7a49c8b-fa0e-4ae4-b673-36cec8f2c0aa\">19<\/a><\/sup>: de modo peculiar e dial\u00e9tico!!), NB De onde vem essa coincid\u00eancia? <sup data-fn=\"7e996085-7ef6-4a35-903d-347696136521\" class=\"fn\"><a id=\"7e996085-7ef6-4a35-903d-347696136521-link\" href=\"\/#7e996085-7ef6-4a35-903d-347696136521\">20<\/a><\/sup> De Deus (eu, ideia, pensamento, etc., etc.) ou da natureza? Engels tem raz\u00e3o em seu modo de colocar a quest\u00e3o<\/em>.\u00bb <sup data-fn=\"e978ee8a-c56d-4d45-a26a-6e9f2995fced\" class=\"fn\"><a id=\"e978ee8a-c56d-4d45-a26a-6e9f2995fced-link\" href=\"\/#e978ee8a-c56d-4d45-a26a-6e9f2995fced\">21<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Como se elucida na edi\u00e7\u00e3o da Boitempo editora, Lenin apoia-se no texto de Engels, Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3 para mostrar que a dial\u00e9tica se aplica \u00e0 natureza, mas de modo peculiar, ou particular, assim como faz Engels em seu texto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>O conceito (o conhecimento) revela no ser (nos aparecimentos imediatos) a ess\u00eancia, a lei da causa, da identidade, da diferen\u00e7a, etc. \u2013 \u00e9 esse realmente o <strong>curso geral <\/strong>de todo conhecer (toda a ci\u00eancia) humano em geral. Esse \u00e9 o curso tanto da <strong>ci\u00eancia da natureza<\/strong> como da <strong>economia pol\u00edtica<\/strong> \u2018e da hist\u00f3ria\u2019. A dial\u00e9tica de Hegel \u00e9, <strong>nessa medida<\/strong>, a generaliza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pensamento. Parece uma tarefa extraordinariamente grata seguir isso mais concretamente, mais detalhadamente, na hist\u00f3ria das ci\u00eancias singulares. Na l\u00f3gica, a hist\u00f3ria do pensamento deve, no geral, coincidir com as leis do pensamento.<\/em>\u00bb <sup data-fn=\"eeeac146-08ab-4375-b266-12db412e67e4\" class=\"fn\"><a id=\"eeeac146-08ab-4375-b266-12db412e67e4-link\" href=\"\/#eeeac146-08ab-4375-b266-12db412e67e4\">22<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez Lenin afirma ter a mesma posi\u00e7\u00e3o de Engels (e Marx), que a dial\u00e9tica se aplica tanto nas ci\u00eancias naturais quanto na hist\u00f3ria. Mais adiante, ele volta a ressaltar que a ci\u00eancia natural mostra as mesmas leis da dial\u00e9tica, aplicadas \u00e0 natureza: <\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab\u2026<em> a ci\u00eancia da natureza contudo mostra-nos (e aqui, mais uma vez, \u00e9 preciso mostrar isso em qualquer exemplo simplic\u00edssimo) a natureza objetiva em suas pr\u00f3prias qualidades, a transforma\u00e7\u00e3o do singular no universal, do contingente no necess\u00e1rio, transi\u00e7\u00f5es, flu\u00edres, e a conex\u00e3o m\u00fatua dos opostos<\/em>\u2026\u00bb <sup data-fn=\"789320c8-9f57-4d16-8650-19ccf295cdb6\" class=\"fn\"><a id=\"789320c8-9f57-4d16-8650-19ccf295cdb6-link\" href=\"\/#789320c8-9f57-4d16-8650-19ccf295cdb6\">23<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que Lenin \u201csupera o determinismo de Engels\u201d \u00e9 baseada em apenas uma cita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A exatid\u00e3o deste aspeto do conte\u00fado da dial\u00e9tica deve ser comprovada atrav\u00e9s da hist\u00f3ria da ci\u00eancia. Habitualmente (por exemplo, em Plekhanov) d\u00e1-se aten\u00e7\u00e3o insuficiente a este aspecto da dial\u00e9tica: a identidade dos opostos \u00e9 tomada como somat\u00f3ria de exemplos (\u2018por exemplo, o gr\u00e3o\u2019; \u2018por exemplo, o comunismo primitivo\u2019). Isto tamb\u00e9m acontece em Engels. Mas isto \u2018a fim de popularizar\u2019 e n\u00e3o como lei do conhecimento (e lei do mundo objetivo)<\/em>.\u201d <sup data-fn=\"d6bd08b8-213e-4316-83a6-2dab16b3d2a7\" class=\"fn\"><a href=\"\/#d6bd08b8-213e-4316-83a6-2dab16b3d2a7\" id=\"d6bd08b8-213e-4316-83a6-2dab16b3d2a7-link\">24<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica coisa que Lenin afirma, ao criticar o materialismo de Plekhanov \u2013 para quem a identidade dos opostos \u00e9 tomada como soma de exemplos e transformada em lei do conhecimento \u2013 \u00e9 que Engels, sem cair nesse tipo de interpreta\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, apresenta alguns problemas em textos de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, na quase totalidade dos casos, Lenin cita Engels para reivindicar a sua elabora\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica nos livros <em>Anti-D\u00fchring<\/em> e <em>Ludwing Feuerbach e o Fim da Filosofia Cl\u00e1ssica Alem\u00e3<\/em>, e como base de apoio para as suas cr\u00edticas a Hegel.<\/p>\n\n\n\n<p>Anos mais tarde, em 1922, Lenin faz uma confer\u00eancia na Academia de Ci\u00eancias da URSS, publicada sob o t\u00edtulo <em>O Materialismo Militante<\/em>, onde refere, com toda a clareza, a necessidade de aplicar o materialismo dial\u00e9tico \u00e0s ci\u00eancias naturais, de forma semelhante a Engels:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>E, para n\u00e3o abordar tal fen\u00f3meno de forma inconsciente, devemos compreender que, sem uma s\u00f3lida fundamenta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, n\u00e3o h\u00e1 ci\u00eancia da natureza nem materialismo que possa suportar a luta contra o investidura das ideias burguesas e o reestabelecimento da conce\u00e7\u00e3o burguesa do mundo [\u2026] Os cientistas modernos encontrar\u00e3o (se souberem procurar e se n\u00f3s aprendermos a ajud\u00e1-los) na interpreta\u00e7\u00e3o materialista da dial\u00e9tica de Hegel uma s\u00e9rie de respostas \u00e0s quest\u00f5es filos\u00f3ficas suscitadas pela revolu\u00e7\u00e3o nas ci\u00eancias naturais e que fazem \u2018patinar\u2019 para a rea\u00e7\u00e3o dos admiradores intelectuais da moda burguesa<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"80951ae2-5a21-4af2-ace7-9ee227210ab2\" class=\"fn\"><a id=\"80951ae2-5a21-4af2-ace7-9ee227210ab2-link\" href=\"\/#80951ae2-5a21-4af2-ace7-9ee227210ab2\">25<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Como se pode constatar, Lenin, no seu processo de elabora\u00e7\u00e3o acerca da dial\u00e9tica materialista, fez importantes progressos, mantendo, contudo, um ponto de vista id\u00eantico ao de Engels sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a natureza, o homem e a sociedade e sobre a aplica\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica na natureza e, portanto, nas ci\u00eancias naturais.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Trotsky e Engels<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>O grande dirigente da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e fundador da IV Internacional defendeu o materialismo dial\u00e9tico durante toda a sua trajet\u00f3ria, e a aplica\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica \u00e0 ci\u00eancia, tal como fizeram Engels e Lenin. Na luta contra a burocracia stalinista, escreveu o texto <em>As Tend\u00eancias Filos\u00f3ficas do Burocratismo<\/em>, de dezembro de 1928, no qual afirma:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Que, desde logo, \u00e9 a principal fun\u00e7\u00e3o social da burocracia e a fonte da sua preemin\u00eancia; deixam, inevitavelmente, uma marca bem definida em todo o seu modo de pensar. N\u00e3o \u00e9 por acaso que palavras como \u2018burocr\u00e1tico\u2019 e \u2018formalismo\u2019 se aplicam n\u00e3o s\u00f3 a um sistema de administra\u00e7\u00e3o ou gest\u00e3o, mas tamb\u00e9m a um modo definido do pensamento humano\u2026 Essas caracter\u00edsticas podem tamb\u00e9m ser encontradas na filosofia (\u2026) O materialismo n\u00e3o rejeita os fatores, assim como a dial\u00e9tica n\u00e3o rejeita a l\u00f3gica. O materialismo utiliza os fatores como um sistema de classifica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos que surgiram historicamente \u2013 qualquer que seja o modo em que a sua ess\u00eancia espiritual possa ser \u2018delimitada\u2019 \u2013 a partir das for\u00e7as produtivas subjacentes e das rela\u00e7\u00f5es sociais e, a partir das bases naturais, hist\u00f3ricas, isto \u00e9, materiais, da natureza\u201d (\u2026) \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que uma aplica\u00e7\u00e3o consciente do materialismo dial\u00e9tico \u00e0s ci\u00eancias naturais, com uma compreens\u00e3o cient\u00edfica da influ\u00eancia da sociedade de classes sobre os objetivos, os m\u00e9todos, as metas da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, enriqueceria as ci\u00eancias naturais e as reestruturaria em muitos aspectos, revelando novos la\u00e7os e conex\u00f5es, e dando \u00e0s ci\u00eancias naturais um lugar de renovada import\u00e2ncia na nossa compreens\u00e3o do mundo<\/em> (\u2026).\u00bb <sup data-fn=\"47cbbbdc-fb13-4545-bba5-b19ce474460b\" class=\"fn\"><a href=\"\/#47cbbbdc-fb13-4545-bba5-b19ce474460b\" id=\"47cbbbdc-fb13-4545-bba5-b19ce474460b-link\">26<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Pouco antes de ser assassinado, em 1939, Trotsky volta sobre o assunto no livro <em>Em Defesa do Marxismo<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Chamamos \u2018materialista\u2019 a nossa dial\u00e9tica porque est\u00e1 baseada n\u00e3o no c\u00e9u nem no nosso \u2018livre arb\u00edtrio\u2019, mas na realidade objetiva, na natureza. A consci\u00eancia surge da inconsci\u00eancia, a psicologia da fisiologia, o mundo org\u00e2nico do inorg\u00e2nico, o sistema solar das nebulosas. Em todos os elos desta cadeia, as mudan\u00e7as quantitativas transformam-se em saltos qualitativos. O nosso pensamento, inclu\u00eddo o pensamento dial\u00e9tico, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma forma de express\u00e3o deste mundo mut\u00e1vel. Neste sistema n\u00e3o h\u00e1 lugar para Deus, nem para o destino, nem para a alma imortal, nem para normas, leis ou morais eternas. O pensamento dial\u00e9tico que surgiu da natureza dial\u00e9tica do mundo possui, consequentemente, um car\u00e1cter totalmente materialista. O darwinismo, que explica a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies atrav\u00e9s de \u2018saltos qualitativos\u2019, foi o maior triunfo da dial\u00e9tica no campo das ci\u00eancias naturais. Outro grande triunfo foi a descoberta da tabela de pesos at\u00f4micos dos elementos qu\u00edmicos e dos processos de transforma\u00e7\u00e3o de um elemento noutro<\/em>.\u201d <sup data-fn=\"c9cded74-bfe4-41e8-8301-9f4a70711680\" class=\"fn\"><a href=\"\/#c9cded74-bfe4-41e8-8301-9f4a70711680\" id=\"c9cded74-bfe4-41e8-8301-9f4a70711680-link\">27<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que reivindicar Engels contra os ataques infundados \u00e9 decisivo hoje para desenvolver o marxismo?<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estamos perante uma discuss\u00e3o abstrata. As correntes que questionaram Engels em nome de um marxismo \u201ccr\u00edtico\u201d, \u201caut\u00eantico\u201d, \u201chumanista\u201d cresceram em virtude da crise do estalinismo e foram ganhando peso, especialmente no chamado \u201cmarxismo acad\u00eamico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos, em nome de um marxismo \u201cn\u00e3o determinista\u201d, afastaram-se da conce\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, negando que esta possa ter qualquer desenvolvimento dial\u00e9tico. Acabaram, assim, por golpear os pilares do marxismo. Como demonstraram Havemann e Trotsky, o stalinismo \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o total de Marx e Engels, e n\u00e3o a \u201cextens\u00e3o\u201d das posi\u00e7\u00f5es de Engels, que seria uma suposta primeira onda determinista ou uma vers\u00e3o cientificista do marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, rejeitar a ideia cl\u00e1ssica mecanicista de que o futuro est\u00e1 plenamente determinado n\u00e3o pode levar \u00e0 conclus\u00e3o de que o futuro esteja totalmente indeterminado. Como diz Havemann, \u201c<em>o futuro est\u00e1 codeterminado pelo passado, mas n\u00e3o est\u00e1 determinado de forma definitiva e absoluta<\/em>\u201d, ou, nas palavras de Marx, em <em>O 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Os homens fazem a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, mas n\u00e3o a fazem como querem; n\u00e3o a fazem sob circunst\u00e2ncias da sua escolha, mas sim sob aquelas com que se deparam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradi\u00e7\u00e3o de todas as gera\u00e7\u00f5es mortas oprime como um pesadelo o c\u00e9rebro dos vivos<\/em>.\u201d <sup data-fn=\"6a55016d-485d-4782-9028-98cd82ae5124\" class=\"fn\"><a id=\"6a55016d-485d-4782-9028-98cd82ae5124-link\" href=\"\/#6a55016d-485d-4782-9028-98cd82ae5124\">28<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>No surgimento do stalinismo, tanto os advers\u00e1rios declarados do marxismo como o pr\u00f3prio St\u00e1lin divulgaram a ideia de que a sua \u201cdoutrina\u201d era a verdadeira continuidade de Lenin. Os stalinistas opunham Trotsky a Lenin, falsificando a hist\u00f3ria e apresentando-se como os continuadores de Lenin, atacando o trotskismo. Em que pontos atacavam o Trotsky? Justamente nos princ\u00edpios do internacionalismo, na vis\u00e3o de que o socialismo s\u00f3 era poss\u00edvel se a revolu\u00e7\u00e3o socialista se alastrasse pelos pa\u00edses desenvolvidos e se desenvolvesse a n\u00edvel mundial \u2013 pontos com os quais Trotsky concordava profundamente com Lenin desde 1917 em diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Os antiengelsistas pretendem, em nome da busca por um Marx aut\u00eantico, atacar as bases do pr\u00f3prio marxismo. Em oposi\u00e7\u00e3o ao determinismo estalinista, querem reconstruir um tipo de teoria do \u201cindeterminismo\u201d, em que tudo \u00e9 fortuito, nada tem hist\u00f3ria, nada \u00e9 fruto das leis do desenvolvimento; a consequ\u00eancia \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do materialismo hist\u00f3rico. Para Guimar\u00e3es, essa concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica nem ao passado nem ao presente.<\/p>\n\n\n\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o do materialismo hist\u00f3rico pelos antiengelistas abre, por um lado, terreno para a defesa do acaso absoluto na hist\u00f3ria, onde o que predomina \u00e9 a nossa consci\u00eancia. Por conseguinte, procuram convencer-nos da virtude da democracia, da igualdade e da justi\u00e7a, para que, dessa forma, a humanidade chegue organicamente ao socialismo. Nesse caso, o socialismo seria essencialmente fruto da afirma\u00e7\u00e3o de um ideal, uma proposta \u00e9tica, de cunho moral, e n\u00e3o uma proposta cient\u00edfica baseada na realidade, num an\u00e1lise rigorosa e verific\u00e1vel das tend\u00eancias do desenvolvimento da nossa sociedade. Isso nada tem a ver com as posi\u00e7\u00f5es de Marx e Engels, com o socialismo cient\u00edfico. Estar\u00edamos, assim, de volta \u2013 por mais que esses setores n\u00e3o o mencionem \u2013 ao socialismo ut\u00f3pico, \u00e0 defesa do \u201chomem novo\u201d, da ess\u00eancia humana, etc. No pleno s\u00e9culo XXI, isso se materializa na proposta de uma democracia radical como substituta do socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra os socialistas ut\u00f3picos do s\u00e9culo XIX, Engels apontou a necessidade de se fundamentar no desenvolvimento real da sociedade e no dom\u00ednio crescente do homem sobre a natureza e, simultaneamente, na contradi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre o car\u00e1ter social da produ\u00e7\u00e3o e a sua apropria\u00e7\u00e3o individual pelos capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Benoit, os problemas encontram a sua origem no capitalismo. As teses de Benoit conduzem a um reducionismo que limita o marxismo ao estudo da sociedade capitalista. Considera o materialismo hist\u00f3rico, assim como o materialismo dial\u00e9tico, como um \u201c<em>sistema naturalista-positivista que permitiria prever o curso da natureza e da hist\u00f3ria<\/em>\u201d, o qual, portanto, deveria ser abandonado como heran\u00e7a nefasta do estalinismo apoiado no \u201cexagerado Engels\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Benoit deixa o proletariado sem qualquer ferramenta te\u00f3rica, pois nega a possibilidade de existir uma teoria que permita ter uma perspetiva hist\u00f3rica. Qual seria ent\u00e3o a orienta\u00e7\u00e3o para a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o? <\/p>\n\n\n\n<p>Como escreveu Trotsky, essa conce\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria foi o que permitiu elaborar o <em>Manifesto Comunista<\/em> em 1847, que foi aplicado de forma magistral em <em>O 18 Brum\u00e1rio<\/em> e noutras obras de Marx e Engels. Toda a elabora\u00e7\u00e3o subsequente, incluindo as de Lenin e Trotsky, a Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, as Teses da III Internacional e o programa da IV Internacional, apoia-se numa an\u00e1lise materialista da hist\u00f3ria da sociedade capitalista, numa an\u00e1lise marxista da sociedade, da economia e da luta de classes. Como se pode continuar a desenvolver o programa revolucion\u00e1rio sem uma concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria? Basear-se apenas na cr\u00edtica da economia pol\u00edtica? Essa posi\u00e7\u00e3o, aparentemente de esquerda, acaba por desarmar a classe oper\u00e1ria para ter um programa e responder \u00e0s tarefas pol\u00edticas concretas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky, na sua elabora\u00e7\u00e3o da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente, explicava que esta se baseava na aplica\u00e7\u00e3o consistente do materialismo hist\u00f3rico \u00e0 realidade concreta e contra o materialismo vulgar. Imaginar que a ditadura do proletariado depende, de algum modo, automaticamente do desenvolvimento t\u00e9cnico e dos recursos de um pa\u00eds \u00e9 um pr\u00e9-conceito do materialismo \u201cecon\u00f4mico\u201d simplificado ao absurdo. Esse ponto de vista nada tem em comum com o marxismo. <sup data-fn=\"7e51a376-e764-4321-9268-a6f9754e51bf\" class=\"fn\"><a href=\"\/#7e51a376-e764-4321-9268-a6f9754e51bf\" id=\"7e51a376-e764-4321-9268-a6f9754e51bf-link\">29<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro programa oper\u00e1rio escrito por Marx e Engels, o <em>Manifesto Comunista<\/em>, foi baseado no materialismo hist\u00f3rico. Nas suas p\u00e1ginas est\u00e3o concentrados os descobrimentos efetuados um pouco antes pelos fundadores do marxismo e transformados numa orienta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o para todos os militantes revolucion\u00e1rios, que continua v\u00e1lido at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky, no seu texto \u201cA 90 anos do Manifesto Comunista\u201d, afirma:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00ab<em><strong>A conce\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria<\/strong>, formulada por Marx pouco tempo antes da apari\u00e7\u00e3o do texto e aplicada nele com perfeita mestria, resistiu completamente \u00e0 prova dos acontecimentos e aos golpes da cr\u00edtica hostil. Constitui, atualmente, um dos instrumentos mais preciosos do pensamento humano. Todas as outras interpreta\u00e7\u00f5es do processo hist\u00f3rico perderam todo o significado cient\u00edfico. Podemos afirmar com seguran\u00e7a que, hoje em dia, \u00e9 imposs\u00edvel ser n\u00e3o s\u00f3 um militante revolucion\u00e1rio, mas mesmo um observador politicamente instru\u00eddo, sem assimilar a conce\u00e7\u00e3o materialista da Hist\u00f3ria.<\/em><\/li>\n\n\n\n<li>\u201c<em><strong>A hist\u00f3ria de todas as sociedades at\u00e9 aos nossos dias n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a hist\u00f3ria das lutas de classes<\/strong>\u201d. O primeiro cap\u00edtulo do Manifesto come\u00e7a com essa frase. Essa tese, que constitui a conclus\u00e3o mais importante da conce\u00e7\u00e3o materialista da Hist\u00f3ria, em pouco tempo transformou-se num elemento da luta de classes. A teoria que trocava o \u2018bem-estar comum\u2019, a \u2018unidade nacional\u2019 e as \u2018verdades eternas da moral\u2019 pela luta entre interesses materiais \u2013 considerados como a for\u00e7a motriz da Hist\u00f3ria \u2013 sofreu ataques particularmente ferozes por parte de hip\u00f3critas reaccion\u00e1rios, doutrin\u00e1rios liberais e democratas idealistas. Posteriormente, agregaram-se a esses os ataques, agora por parte do pr\u00f3prio movimento oper\u00e1rio, dos chamados revisionistas, isto \u00e9, dos partid\u00e1rios da revis\u00e3o do marxismo a favor da colabora\u00e7\u00e3o e da concilia\u00e7\u00e3o de classes. Finalmente, na nossa \u00e9poca, os desprez\u00edveis ep\u00edgonos da Internacional Comunista (os stalinistas) seguiram o mesmo caminho: a pol\u00edtica das chamadas \u201cfrentes populares\u201d decorre inteiramente da nega\u00e7\u00e3o das leis da luta de classes. Entretanto, vivemos na \u00e9poca do imperialismo que, levando todas as contradi\u00e7\u00f5es sociais ao extremo, demonstra o triunfo te\u00f3rico do Manifesto do Partido Comunista.<\/em>\u00bb <sup data-fn=\"b5b57ecf-5c69-4b5a-8523-c8e9f381fd14\" class=\"fn\"><a href=\"\/#b5b57ecf-5c69-4b5a-8523-c8e9f381fd14\" id=\"b5b57ecf-5c69-4b5a-8523-c8e9f381fd14-link\">30<\/a><\/sup><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Essas palavras de Trotsky alertam-nos contra aqueles que pretendem separar a teoria do programa, desprezando a contribui\u00e7\u00e3o de Engels para o marxismo e abandonando a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria. Essa postura s\u00f3 pode abrir espa\u00e7o para um idealismo tardio, que acaba por propor uma sa\u00edda interior ao capitalismo, ou para um desarmamento te\u00f3rico na elabora\u00e7\u00e3o do programa revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"bb18045a-6dd4-478f-8dfd-08f10d3f5ce0\"><em>A Obra te\u00f3rica de Marx<\/em>. S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3, 2000, pp. 91-104. <a href=\"#bb18045a-6dd4-478f-8dfd-08f10d3f5ce0-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"bbad446e-8af9-49ec-9033-664c3588d3e8\">O \u201ctestamento\u201d falsificado de Engels: uma lenda dos oportunistas, na revista Marxismo Vivo<br>\u2013 Nova \u00c9poca n.\u00b0 11, 2018. <a href=\"#bbad446e-8af9-49ec-9033-664c3588d3e8-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"75d8f22b-c084-4efc-b611-c9e46fe1cce1\">MARGARIDO, Marcos. \u201cTeria Engels se transformado Engels em um reformista\u2026?\u201d, neste dossi\u00ea. <a href=\"#75d8f22b-c084-4efc-b611-c9e46fe1cce1-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2bd2e7a2-3158-4d67-b123-fb33cf7d0cf6\">\u201cComo conciliar na mesma doutrina essa apologia da revolu\u00e7\u00e3o violenta, insistentemente repetida por Engels, aos social-democratas alem\u00e3es de 1878 a 1895, isto \u00e9, at\u00e9 a sua morte, com a teoria do \u2018definhamento\u2019 do Estado?\u201d, in <em>O Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, parte I, item 4. \u2018Definhamento\u2019 do Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o Violenta. <a href=\"#2bd2e7a2-3158-4d67-b123-fb33cf7d0cf6-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"a8df6ddb-fefa-466d-8aa9-495e9b3b2e4a\">Carta-circular de Marx e Engels a August Bebel, Wilhelm Liebknecht, Wilhelm Bracke e outros<br>(1879), M&amp;E Collected Works, V. 45. Londres: Lawrence &amp; Wishart, 2010, p. 394. <a href=\"#a8df6ddb-fefa-466d-8aa9-495e9b3b2e4a-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fdb9e505-d214-40ca-bbbc-c82ecebc52e8\">Refere-se a uma corrente \u201csocialista\u201d da Alemanha que \u00e9 duramente criticada no Manifesto<br>Comunista. <a href=\"#fdb9e505-d214-40ca-bbbc-c82ecebc52e8-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ddfe6ae0-a2c8-4139-8aa9-0301d1f304a0\">Na circular, Marx e Engels reproduzem e condenam o seguinte trecho do texto dos tr\u00eas socialistas sediados na Su\u00ed\u00e7a: \u201cPrecisamente agora, sob a press\u00e3o da lei antissocialista, o Partido mostra que n\u00e3o deseja seguir o caminho da revolu\u00e7\u00e3o sangrenta, violenta, mas que est\u00e1 decidido\u2026 a trilhar o caminho da legalidade, isto \u00e9, da reforma\u201d. <a href=\"#ddfe6ae0-a2c8-4139-8aa9-0301d1f304a0-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 7\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"6315b5ac-56b8-4d17-ba2f-efda8bf977d9\">\u201cSegundo a concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, o Estado \u00e9 a \u2018realiza\u00e7\u00e3o da ideia\u2019, isto \u00e9, traduzido na linguagem filos\u00f3fica, o reino de Deus na Terra, o campo onde se fazem ou devem se fazer realidade a verdade e a justi\u00e7a eternas. (\u2026). E as pessoas acreditam ter dado um passo enormemente audaz ao libertar se da f\u00e9 na monarquia heredit\u00e1ria e jurar pela Rep\u00fablica democr\u00e1tica. <strong>Na realidade, o Estado n\u00e3o \u00e9 mais que uma m\u00e1quina para a opress\u00e3o de uma classe por outra, tanto na Rep\u00fablica democr\u00e1tica quanto sob a monarquia<\/strong>; e no melhor dos casos, um mal que o proletariado herda depois que triunfa na sua luta pela domina\u00e7\u00e3o de classe. O proletariado vitorioso, tal como fez a Comuna, n\u00e3o poder\u00e1 menos que amputar imediatamente os piores aspectos deste mal, at\u00e9 que uma gera\u00e7\u00e3o futura, educada em condi\u00e7\u00f5es sociais novas e livres, possa se desfazer de todo esse velho lixo do Estado. <strong>Ultimamente as palavras \u201cditadura do proletariado\u201d t\u00eam voltado a colocar em terror o filisteu social-democrata. Pois bem, cavalheiros, querem saber o que atualmente representa essa ditadura? Olhem a Comuna de Paris: eis a\u00ed a ditadura do proletariado!<\/strong>\u201d (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa, destaques meus). <a href=\"#6315b5ac-56b8-4d17-ba2f-efda8bf977d9-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 8\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2d6596fc-792f-4cac-81b4-ab1cdfd1496d\">Vide, entre outros, <em>A Fal\u00eancia da II Internacional<\/em> (1915). <a href=\"#2d6596fc-792f-4cac-81b4-ab1cdfd1496d-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d5028be9-3ede-4d52-bc62-b84205abeaf9\">GUIMAR\u00c3ES J. <em>Democracia e Marxismo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3, 1999. <a href=\"#d5028be9-3ede-4d52-bc62-b84205abeaf9-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 10\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fbb92d5c-ea6a-481b-92bf-6de401639940\">Em seu texto \u201cMarx e a Revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, publicado em <em>Democracia Socialista<\/em> n\u00ba 1,<br>dezembro de 2013. <a href=\"#fbb92d5c-ea6a-481b-92bf-6de401639940-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 11\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e84737ba-2bd6-476d-bf36-130131ede4e9\">Segundo Juarez Guimar\u00e3es, essa posi\u00e7\u00e3o de Marx teria primado no per\u00edodo 1845-1857. <a href=\"#e84737ba-2bd6-476d-bf36-130131ede4e9-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 12\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"972086d3-c3b0-45b0-b71e-bbdcf1819071\">Sigla com que se notabilizou o chamado materialismo dial\u00e9tico do per\u00edodo stalinista. <a href=\"#972086d3-c3b0-45b0-b71e-bbdcf1819071-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 13\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"78d625b9-02f9-4808-ad7d-f6eba1cd1a1a\">GUIMAR\u00c3ES J. <em>Democracia e Marxismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3, 1999, p. 83. <a href=\"#78d625b9-02f9-4808-ad7d-f6eba1cd1a1a-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 14\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e071cde7-9daa-4d3d-8622-3395cf8de8d3\">Na carta de Engels a Bloch, Londres 21\/22 de setembro de 1890: \u201c<em>Segundo a concep\u00e7\u00e3o<br>materialista da hist\u00f3ria, o fator que, em \u00faltima inst\u00e2ncia determina a hist\u00f3ria \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o da vida real. Nem Marx, nem eu afirmamos uma vez sequer, algo mais do que isso. Se algu\u00e9m o modifica, afirmando que o fato econ\u00f4mico \u00e9 o \u00fanico fato determinante, converte aquela tese numa frase vazia, abstrata e absurda. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 a base, mas os diferentes fatores da superestrutura que se levanta sobre ela \u2013 as formas pol\u00edticas da luta de classes e seus resultados, as constitui\u00e7\u00f5es que, uma vez vencida uma batalha, a classe triunfante redige, etc., as formas jur\u00eddicas e, inclusive os reflexos de todas essas lutas no c\u00e9rebro dos que nela participam, as teorias pol\u00edticas, jur\u00eddicas, filos\u00f3ficas, as ideias religiosas e o desenvolvimento ulterior que as leva a converter-se num sistema de dogmas \u2013 tamb\u00e9m exercem sua influ\u00eancia nas lutas hist\u00f3ricas e, em muitos casos, determinam sua forma como fator predominante. Trata-se de um jogo rec\u00edproco de a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es entre todos esses fatores, no qual, atrav\u00e9s de toda uma infinita multid\u00e3o de acasos (isto \u00e9, de coisas e acontecimentos cuja conex\u00e3o interna \u00e9 t\u00e3o remota ou t\u00e3o dif\u00edcil de demonstrar que podemos consider\u00e1-la inexistente ou subestim\u00e1-la), acaba sempre por impor-se, como necessidade, o movimento econ\u00f4mico. Se n\u00e3o fosse assim, a aplica\u00e7\u00e3o da teoria a uma<br>\u00e9poca hist\u00f3rica qualquer seria mais f\u00e1cil do que resolver uma simples equa\u00e7\u00e3o de primeiro grau. N\u00f3s mesmos fazemos nossa hist\u00f3ria, mas isso se d\u00e1, em primeiro lugar, de acordo com premissas e condi\u00e7\u00f5es muito concretas. Entre elas, s\u00e3o as premissas e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas as que decidem em \u00faltima inst\u00e2ncia.<\/em>\u201d <a href=\"#e071cde7-9daa-4d3d-8622-3395cf8de8d3-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 15\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"527f94b6-c20e-4d41-b798-510ef2c89385\">LUXEMBURGO, Rosa. Panfleto Junius, <em>A crise da social-democracia<\/em> (1915). <a href=\"#527f94b6-c20e-4d41-b798-510ef2c89385-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 16\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e84372d6-376d-4a1c-9e03-0a8009aadcd6\">Ela manteve um intenso interc\u00e2mbio de ideias com Marcuse e Erich Fromm. No livro <em>Filosofia<br>e revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, prefaciado por Fromm, ela afirmaria: \u201c<em>Em contraste com a perspectiva multilinear, gra\u00e7as \u00e0 qual Marx se absteve de tra\u00e7ar um programa para as gera\u00e7\u00f5es futuras, a interpreta\u00e7\u00e3o unilinear conduziu Engels pelo caminho do positivismo e o mecanicismo<\/em>\u201d. Filosof\u00eda y revoluci\u00f3n, M\u00e9xico, cap.9, p. 329. <a href=\"#e84372d6-376d-4a1c-9e03-0a8009aadcd6-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 17\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"95484331-3579-488e-b7bb-29e3b6c0fdb4\">LENIN, V. I. <em>Friedrich Engels<\/em>, 1895. <a href=\"#95484331-3579-488e-b7bb-29e3b6c0fdb4-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 18\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d7a49c8b-fa0e-4ae4-b673-36cec8f2c0aa\">Nota Bene &#8211; termo latino que significa \u2018preste aten\u00e7\u00e3o\u2019. <a href=\"#d7a49c8b-fa0e-4ae4-b673-36cec8f2c0aa-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 19\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"7e996085-7ef6-4a35-903d-347696136521\">LENIN, V. I. <em>Cadernos filos\u00f3ficos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo Ed. (2010), p. 291. <a href=\"#7e996085-7ef6-4a35-903d-347696136521-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 20\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e978ee8a-c56d-4d45-a26a-6e9f2995fced\">Idem, p. 292. Nessa cita\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma Nota da edi\u00e7\u00e3o da Boitempo: ver \u201c<em>Engels, Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3<\/em>\u201d, cit. p. 390. <a href=\"#e978ee8a-c56d-4d45-a26a-6e9f2995fced-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 21\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"eeeac146-08ab-4375-b266-12db412e67e4\">Idem, p. 326. (Os negritos e destaques s\u00e3o de Lenin). <a href=\"#eeeac146-08ab-4375-b266-12db412e67e4-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 22\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"789320c8-9f57-4d16-8650-19ccf295cdb6\">Idem, p. 335. <a href=\"#789320c8-9f57-4d16-8650-19ccf295cdb6-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 23\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d6bd08b8-213e-4316-83a6-2dab16b3d2a7\">Idem, p. 331 (negritas de Lenin). <a href=\"#d6bd08b8-213e-4316-83a6-2dab16b3d2a7-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 24\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"80951ae2-5a21-4af2-ace7-9ee227210ab2\">\u201cEl significado del materialismo militante\u201d, 1922 em Obras Completas, Tomo 45, Ed. Progreso (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa). <a href=\"#80951ae2-5a21-4af2-ace7-9ee227210ab2-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 25\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"47cbbbdc-fb13-4545-bba5-b19ce474460b\">\u201cLas tendencias filos\u00f3ficas del burocratismo\u201d, in <em>Escritos filos\u00f3ficos<\/em>. Buenos Aires: CEIP, 2011,<br>p. 157 y pp. 159-160 (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa). <a href=\"#47cbbbdc-fb13-4545-bba5-b19ce474460b-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 26\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c9cded74-bfe4-41e8-8301-9f4a70711680\">TROTSKY, Le\u00f3n. <a href=\"http:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1940s\/dm\/09.htm#03\" title=\"\">En defensa del marxismo<\/a>. (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa). <a href=\"#c9cded74-bfe4-41e8-8301-9f4a70711680-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 27\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"6a55016d-485d-4782-9028-98cd82ae5124\">MARX, Karl. O 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte. S\u00e3o Paulo: ed. Escriba, 1968, p. 15. <a href=\"#6a55016d-485d-4782-9028-98cd82ae5124-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 28\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"7e51a376-e764-4321-9268-a6f9754e51bf\">TROTSKY, Leon. <em>Resultados e Perspectivas<\/em> (1906). <a href=\"#7e51a376-e764-4321-9268-a6f9754e51bf-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 29\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b5b57ecf-5c69-4b5a-8523-c8e9f381fd14\">TROTSKY, Leon. \u201cA 90 anos do Manifesto Comunista\u201d, 1937. <a href=\"#b5b57ecf-5c69-4b5a-8523-c8e9f381fd14-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 30\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como analisamos, uma mir\u00edade de tend\u00eancias questiona o legado de Engels. Alguns acusam-no de ser respons\u00e1vel pela deriva reformista na social-democracia do s\u00e9culo XX; outros veem nele a justifica\u00e7\u00e3o dos totalitarismos estalinistas e da crise que estes provocaram no seio do marxismo. Por Jos\u00e9 Welmowicki Temos um exemplo desta \u00faltima vis\u00e3o no texto de H\u00e9ctor [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"<em>A Obra te\u00f3rica de Marx<\/em>. 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Londres: Lawrence &amp; Wishart, 2010, p. 394.\",\"id\":\"a8df6ddb-fefa-466d-8aa9-495e9b3b2e4a\"},{\"content\":\"Refere-se a uma corrente \u201csocialista\u201d da Alemanha que \u00e9 duramente criticada no Manifesto<br>Comunista.\",\"id\":\"fdb9e505-d214-40ca-bbbc-c82ecebc52e8\"},{\"content\":\"Na circular, Marx e Engels reproduzem e condenam o seguinte trecho do texto dos tr\u00eas socialistas sediados na Su\u00ed\u00e7a: \u201cPrecisamente agora, sob a press\u00e3o da lei antissocialista, o Partido mostra que n\u00e3o deseja seguir o caminho da revolu\u00e7\u00e3o sangrenta, violenta, mas que est\u00e1 decidido\u2026 a trilhar o caminho da legalidade, isto \u00e9, da reforma\u201d.\",\"id\":\"ddfe6ae0-a2c8-4139-8aa9-0301d1f304a0\"},{\"content\":\"\u201cSegundo a concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, o Estado \u00e9 a \u2018realiza\u00e7\u00e3o da ideia\u2019, isto \u00e9, traduzido na linguagem filos\u00f3fica, o reino de Deus na Terra, o campo onde se fazem ou devem se fazer realidade a verdade e a justi\u00e7a eternas. (\u2026). E as pessoas acreditam ter dado um passo enormemente audaz ao libertar se da f\u00e9 na monarquia heredit\u00e1ria e jurar pela Rep\u00fablica democr\u00e1tica. <strong>Na realidade, o Estado n\u00e3o \u00e9 mais que uma m\u00e1quina para a opress\u00e3o de uma classe por outra, tanto na Rep\u00fablica democr\u00e1tica quanto sob a monarquia<\/strong>; e no melhor dos casos, um mal que o proletariado herda depois que triunfa na sua luta pela domina\u00e7\u00e3o de classe. O proletariado vitorioso, tal como fez a Comuna, n\u00e3o poder\u00e1 menos que amputar imediatamente os piores aspectos deste mal, at\u00e9 que uma gera\u00e7\u00e3o futura, educada em condi\u00e7\u00f5es sociais novas e livres, possa se desfazer de todo esse velho lixo do Estado. <strong>Ultimamente as palavras \u201cditadura do proletariado\u201d t\u00eam voltado a colocar em terror o filisteu social-democrata. Pois bem, cavalheiros, querem saber o que atualmente representa essa ditadura? Olhem a Comuna de Paris: eis a\u00ed a ditadura do proletariado!<\/strong>\u201d (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa, destaques meus).\",\"id\":\"6315b5ac-56b8-4d17-ba2f-efda8bf977d9\"},{\"content\":\"Vide, entre outros, <em>A Fal\u00eancia da II Internacional<\/em> (1915).\",\"id\":\"2d6596fc-792f-4cac-81b4-ab1cdfd1496d\"},{\"content\":\"GUIMAR\u00c3ES J. <em>Democracia e Marxismo<\/em>, S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3, 1999.\",\"id\":\"d5028be9-3ede-4d52-bc62-b84205abeaf9\"},{\"content\":\"Em seu texto \u201cMarx e a Revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, publicado em <em>Democracia Socialista<\/em> n\u00ba 1,<br>dezembro de 2013.\",\"id\":\"fbb92d5c-ea6a-481b-92bf-6de401639940\"},{\"content\":\"Segundo Juarez Guimar\u00e3es, essa posi\u00e7\u00e3o de Marx teria primado no per\u00edodo 1845-1857.\",\"id\":\"e84737ba-2bd6-476d-bf36-130131ede4e9\"},{\"content\":\"Sigla com que se notabilizou o chamado materialismo dial\u00e9tico do per\u00edodo stalinista.\",\"id\":\"972086d3-c3b0-45b0-b71e-bbdcf1819071\"},{\"content\":\"GUIMAR\u00c3ES J. <em>Democracia e Marxismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3, 1999, p. 83.\",\"id\":\"78d625b9-02f9-4808-ad7d-f6eba1cd1a1a\"},{\"content\":\"Na carta de Engels a Bloch, Londres 21\/22 de setembro de 1890: \u201c<em>Segundo a concep\u00e7\u00e3o<br>materialista da hist\u00f3ria, o fator que, em \u00faltima inst\u00e2ncia determina a hist\u00f3ria \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o da vida real. Nem Marx, nem eu afirmamos uma vez sequer, algo mais do que isso. Se algu\u00e9m o modifica, afirmando que o fato econ\u00f4mico \u00e9 o \u00fanico fato determinante, converte aquela tese numa frase vazia, abstrata e absurda. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 a base, mas os diferentes fatores da superestrutura que se levanta sobre ela \u2013 as formas pol\u00edticas da luta de classes e seus resultados, as constitui\u00e7\u00f5es que, uma vez vencida uma batalha, a classe triunfante redige, etc., as formas jur\u00eddicas e, inclusive os reflexos de todas essas lutas no c\u00e9rebro dos que nela participam, as teorias pol\u00edticas, jur\u00eddicas, filos\u00f3ficas, as ideias religiosas e o desenvolvimento ulterior que as leva a converter-se num sistema de dogmas \u2013 tamb\u00e9m exercem sua influ\u00eancia nas lutas hist\u00f3ricas e, em muitos casos, determinam sua forma como fator predominante. Trata-se de um jogo rec\u00edproco de a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es entre todos esses fatores, no qual, atrav\u00e9s de toda uma infinita multid\u00e3o de acasos (isto \u00e9, de coisas e acontecimentos cuja conex\u00e3o interna \u00e9 t\u00e3o remota ou t\u00e3o dif\u00edcil de demonstrar que podemos consider\u00e1-la inexistente ou subestim\u00e1-la), acaba sempre por impor-se, como necessidade, o movimento econ\u00f4mico. Se n\u00e3o fosse assim, a aplica\u00e7\u00e3o da teoria a uma<br>\u00e9poca hist\u00f3rica qualquer seria mais f\u00e1cil do que resolver uma simples equa\u00e7\u00e3o de primeiro grau. N\u00f3s mesmos fazemos nossa hist\u00f3ria, mas isso se d\u00e1, em primeiro lugar, de acordo com premissas e condi\u00e7\u00f5es muito concretas. Entre elas, s\u00e3o as premissas e condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas as que decidem em \u00faltima inst\u00e2ncia.<\/em>\u201d\",\"id\":\"e071cde7-9daa-4d3d-8622-3395cf8de8d3\"},{\"content\":\"LUXEMBURGO, Rosa. Panfleto Junius, <em>A crise da social-democracia<\/em> (1915).\",\"id\":\"527f94b6-c20e-4d41-b798-510ef2c89385\"},{\"content\":\"Ela manteve um intenso interc\u00e2mbio de ideias com Marcuse e Erich Fromm. No livro <em>Filosofia<br>e revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, prefaciado por Fromm, ela afirmaria: \u201c<em>Em contraste com a perspectiva multilinear, gra\u00e7as \u00e0 qual Marx se absteve de tra\u00e7ar um programa para as gera\u00e7\u00f5es futuras, a interpreta\u00e7\u00e3o unilinear conduziu Engels pelo caminho do positivismo e o mecanicismo<\/em>\u201d. Filosof\u00eda y revoluci\u00f3n, M\u00e9xico, cap.9, p. 329.\",\"id\":\"e84372d6-376d-4a1c-9e03-0a8009aadcd6\"},{\"content\":\"LENIN, V. I. <em>Friedrich Engels<\/em>, 1895.\",\"id\":\"95484331-3579-488e-b7bb-29e3b6c0fdb4\"},{\"content\":\"Nota Bene - termo latino que significa \u2018preste aten\u00e7\u00e3o\u2019.\",\"id\":\"d7a49c8b-fa0e-4ae4-b673-36cec8f2c0aa\"},{\"content\":\"LENIN, V. I. <em>Cadernos filos\u00f3ficos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo Ed. (2010), p. 291.\",\"id\":\"7e996085-7ef6-4a35-903d-347696136521\"},{\"content\":\"Idem, p. 292. Nessa cita\u00e7\u00e3o h\u00e1 uma Nota da edi\u00e7\u00e3o da Boitempo: ver \u201c<em>Engels, Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3<\/em>\u201d, cit. p. 390.\",\"id\":\"e978ee8a-c56d-4d45-a26a-6e9f2995fced\"},{\"content\":\"Idem, p. 326. (Os negritos e destaques s\u00e3o de Lenin).\",\"id\":\"eeeac146-08ab-4375-b266-12db412e67e4\"},{\"content\":\"Idem, p. 335.\",\"id\":\"789320c8-9f57-4d16-8650-19ccf295cdb6\"},{\"content\":\"Idem, p. 331 (negritas de Lenin).\",\"id\":\"d6bd08b8-213e-4316-83a6-2dab16b3d2a7\"},{\"content\":\"\u201cEl significado del materialismo militante\u201d, 1922 em Obras Completas, Tomo 45, Ed. Progreso (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\",\"id\":\"80951ae2-5a21-4af2-ace7-9ee227210ab2\"},{\"content\":\"\u201cLas tendencias filos\u00f3ficas del burocratismo\u201d, in <em>Escritos filos\u00f3ficos<\/em>. Buenos Aires: CEIP, 2011,<br>p. 157 y pp. 159-160 (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\",\"id\":\"47cbbbdc-fb13-4545-bba5-b19ce474460b\"},{\"content\":\"TROTSKY, Le\u00f3n. <a href=\\\"http:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1940s\/dm\/09.htm#03\\\" title=\\\"\\\">En defensa del marxismo<\/a>. (original em espanhol, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\",\"id\":\"c9cded74-bfe4-41e8-8301-9f4a70711680\"},{\"content\":\"MARX, Karl. O 18 Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte. S\u00e3o Paulo: ed. Escriba, 1968, p. 15.\",\"id\":\"6a55016d-485d-4782-9028-98cd82ae5124\"},{\"content\":\"TROTSKY, Leon. <em>Resultados e Perspectivas<\/em> (1906).\",\"id\":\"7e51a376-e764-4321-9268-a6f9754e51bf\"},{\"content\":\"TROTSKY, Leon. \u201cA 90 anos do Manifesto Comunista\u201d, 1937.\",\"id\":\"b5b57ecf-5c69-4b5a-8523-c8e9f381fd14\"}]"},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-8393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materialismo-historico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8393"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8393\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}