{"id":8399,"date":"2025-03-31T13:51:25","date_gmt":"2025-03-31T13:51:25","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8399"},"modified":"2025-03-31T13:51:25","modified_gmt":"2025-03-31T13:51:25","slug":"a-invencao-do-povo-judeude-shlomo-sanduma-obra-demolidora-do-sionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/03\/31\/a-invencao-do-povo-judeude-shlomo-sanduma-obra-demolidora-do-sionismo\/","title":{"rendered":"A inven\u00e7\u00e3o do povo judeu, de Shlomo Sand: uma obra demolidora do sionismo"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Existem in\u00fameros mitos na hist\u00f3ria, grandes falsifica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o transmitidas de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o como se fossem verdades. Algumas dessas falsifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas t\u00eam um alcance mundial, como \u00e9 o caso da natureza da popula\u00e7\u00e3o judaica que, motivada pelo sionismo, teria se deslocado para a Palestina e, numa a\u00e7\u00e3o de limpeza \u00e9tnica, dado origem ao Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se algum jornal ou revista europeu ou algum ve\u00edculo da m\u00eddia norte-americana colocar o tema, ou se um professor universit\u00e1rio (pelo menos a maioria deles) de um desses pa\u00edses ensinar a um<br>estudante qual a origem dos judeus, vai receber provavelmente a seguinte resposta:<\/p>\n\n\n\n<p>Os judeus s\u00e3o os descendentes diretos dos antigos hebreus, o povo que habitou a regi\u00e3o da Judeia, o mesmo povo que criou a religi\u00e3o mosaica (de Mois\u00e9s) ou Juda\u00edsmo, como \u00e9 conhecida hoje. Eles foram expulsos pelo Imp\u00e9rio Romano por volta do ano 70 da era crist\u00e3 (na chamada Di\u00e1spora) e, ap\u00f3s uma longa jornada de quase 2 mil anos, retornaram \u00e0 sua terra, a antiga Cana\u00e3 b\u00edblica, conhecida agora por Palestina. A partir desse retorno, fundaram o Estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u201ctese hist\u00f3rica\u201d n\u00e3o passa de uma constru\u00e7\u00e3o m\u00edtica pelo sionismo, mas \u00e9 difundida como verdade. Tem defensores em toda a m\u00eddia e na quase totalidade dos partidos pol\u00edticos dos pa\u00edses capitalistas, em particular dos imperialistas. Mas vem sendo colocada \u00e0 prova devido aos crimes do Estado de Israel, os massacres genocidas que pratica, o racismo que alimenta e a permanente pol\u00edtica de limpeza \u00e9tnica que geram os protestos contra o apartheid e campanhas internacionais de boicote, como o BDS, que tem crescente apoio em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer frente a esses protestos e \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o crescente contra o sionismo, os governos imperialistas defendem o Estado de Israel, alegando que s\u00e3o \u201cexageros\u201d ou m\u00e1s condutas de governos de um povo que foi perseguido, mas que est\u00e1 exercendo um direito \u201chist\u00f3rico leg\u00edtimo\u201d: o de voltar \u00e0 sua terra ancestral e reconstruir seu Estado nacional. Enfim, seriam m\u00e9todos equivocados em defesa de um direito, o direito do povo judeu de retornar \u00e0 sua terra hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A inven\u00e7\u00e3o do povo judeu<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O historiador israelense Shlomo Sand fez uma pesquisa profunda sobre o tema e chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que toda essa constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o tem a menor base cient\u00edfica. E ainda mais impactante: ele apoia-se na pr\u00f3pria historiografia judaica e na arqueologia israelense para demonstrar a falsidade dessa vers\u00e3o e chama, com toda a raz\u00e3o, esse conjunto de mitos de <em>A Inven\u00e7\u00e3o do povo judeu<\/em>, t\u00edtulo de seu livro.<\/p>\n\n\n\n<p>Shlomo Sand \u00e9 professor de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea da Universidade Hebraica. Nasceu na Alemanha, num campo de refugiados, logo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, em 1946. Emigrado aos dois anos de idade com seus pais para a Palestina, viveu toda sua vida posterior como israelense. Jovem ainda, teve de lutar na Guerra dos Seis dias (1967), em que Israel terminou de ocupar toda a Palestina. Desde a\u00ed, come\u00e7ou a questionar o car\u00e1ter dessa guerra e o pr\u00f3prio sionismo. Da\u00ed veio sua decis\u00e3o de investigar as ra\u00edzes da ideologia sionista para verificar se tinha algum sentido a vers\u00e3o oficial sobre a justifica\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o judaica na \u201cTerra Prometida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro de Shlomo Sand tem uma qualidade que d\u00e1 grande valor \u00e0s suas afirma\u00e7\u00f5es. Ao ser feito em Israel, ele p\u00f4de utilizar as descobertas arqueol\u00f3gicas israelenses, revelando algumas que contrariavam as vers\u00f5es oficiais e eram omitidas, desmistificando as fraudes com rigor cient\u00edfico e trazendo-as \u00e0 luz da hist\u00f3ria e da arqueologia para derrubar esses mitos de forma corajosa e, ao mesmo tempo, s\u00e9ria e met\u00f3dica. Vejamos os principais mitos que ele desconstr\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os mitos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>O mito da Di\u00e1spora (dispers\u00e3o): os judeus foram um povo que ocuparam aquela terra desde Abra\u00e3o, passando por Mois\u00e9s e, depois de dois ex\u00edlios, da queda do Primeiro Templo pela invas\u00e3o da Babil\u00f4nia, e do Segundo Templo, j\u00e1 no Imp\u00e9rio Romano, Roma decidiu expulsar completamente esse povo da chamada Terra Santa, o que ocasionou a di\u00e1spora.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Munido de farta documenta\u00e7\u00e3o, Sand demonstra que n\u00e3o houve nada semelhante, sequer vagamente, a essa pretendida expuls\u00e3o. Nem era a pol\u00edtica dos romanos que, embora dominassem com extrema crueldade, escravizassem os povos, prendessem os rebeldes eventuais, n\u00e3o tinham como pr\u00e1tica expulsar povos inteiros. Mais ainda, n\u00e3o h\u00e1 <strong>registros<\/strong> dos historiadores da \u00e9poca, dos comentaristas, sobre essa suposta expuls\u00e3o, mesmo depois das revoltas dos Celotes e de Simon bar Kochba.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, h\u00e1 registros de comunidades judaicas anteriores, que viviam nas imedia\u00e7\u00f5es da Palestina, como por exemplo na Babil\u00f4nia (imp\u00e9rio que ocupou a Mesopot\u00e2mia, onde fica o atual Iraque), e em Alexandria (atual Egito), desde antes desse per\u00edodo e que n\u00e3o fizeram nenhum esfor\u00e7o para \u201cretornar a Si\u00e3o\u201d. N\u00e3o existe nenhuma prova &#8211; antes de surgir o movimento sionista em fins do s\u00e9culo XIX &#8211; de que houvesse uma comunidade judaica que, por s\u00e9culos, quisesse voltar.<\/p>\n\n\n\n<p>O sionismo assumiu a vers\u00e3o herdada de historiadores como Heinrich Graetz sobre uma suposta perenidade de um sentimento judaico por uma volta \u00e0 Palestina e aproveitou-se do mito para sustentar sua tese de ser um movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional, como parte de uma s\u00e9rie de movimentos libertadores para trazer de volta esse povo para o que eles proclamavam ser sua antiga terra (Zion ou Sion). Ou, como eles formularam: \u201cvoltar a Si\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><em>A Hist\u00f3ria Judaica \u00e9 uma confirma\u00e7\u00e3o dessa descend\u00eancia dos judeus em rela\u00e7\u00e3o a seus antepassados hebreus.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Sand demonstra que a assim chamada <em>Hist\u00f3ria Judaica<\/em> n\u00e3o passa de uma vers\u00e3o do Velho Testamento. At\u00e9 o s\u00e9culo XIX, n\u00e3o havia uma historiografia judaica propriamente dita. Os criadores da <em>Hist\u00f3ria Judaica<\/em> s\u00e3o bem recentes. Heinrich Graetz, judeu alem\u00e3o, Simon Dubnow, russo, e Salo W. Baron, norte-americano, j\u00e1 no s\u00e9culo XX, criaram o que se convencionou chamar uma <em>Hist\u00f3ria Judaica<\/em>. Essa foi a fonte da historiografia sionista posterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Sand resume o conte\u00fado dessas obras e explica como seus autores se limitam a tomar os relatos b\u00edblicos e dar-lhes um car\u00e1ter hist\u00f3rico, retirando-lhes alguns aspectos m\u00e1gicos, ou sobrenaturais. Quando suas assertivas se chocam com a realidade, explicam suas incoer\u00eancias e contradi\u00e7\u00f5es alegando que as descobertas hist\u00f3ricas e arqueol\u00f3gicas s\u00e3o irrelevantes ou considerando os personagens como express\u00e3o simb\u00f3lica de um fato, e continuam a aceitar os relatos b\u00edblicos que os envolvem como simb\u00f3licos de tais  fatos dados como verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Suas teses simplesmente tentam dar \u00e0s vers\u00f5es b\u00edblicas um rigor hist\u00f3rico, laico, pretensamente cient\u00edfico: assim, esses historiadores aceitam todo o relato b\u00edblico sobre a ida dos hebreus ao Egito e sua fuga (o \u00eaxodo) com Mois\u00e9s \u00e0 frente como um fato, embora sem os milagres. Por isso, aceitam a exist\u00eancia de Mois\u00e9s e do \u00eaxodo, mesmo sabendo que a vers\u00e3o de que houve um \u00eaxodo em massa dos hebreus para Cana\u00e3 (nome b\u00edblico da Palestina), naquele momento, era invi\u00e1vel (um povo inteiro passar 40 anos no deserto!) e sem sentido, pois a Palestina tamb\u00e9m estava ocupada pelo imp\u00e9rio dos Fara\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Aceitaram como um fato a exist\u00eancia de dois grandes reis, Davi e Salom\u00e3o, e a divis\u00e3o posterior em dois reinos, Jud\u00e1 e Israel. As descobertas n\u00e3o confirmam essa vers\u00e3o b\u00edblica. Quando algum historiador cr\u00edtico chamava sua aten\u00e7\u00e3o para as incongru\u00eancias dos relatos e como n\u00e3o se coadunavam com as pesquisas existentes e as descobertas arqueol\u00f3gicas, eles acusavam a esses cr\u00edticos de mal interpretar e at\u00e9 de ter uma vis\u00e3o antissemita.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><em>O uso da B\u00edblia como fonte de informa\u00e7\u00f5es<\/em> <\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Sabe-se que o estudo e a pr\u00e1tica da arqueologia sempre foram muito difundidos em Israel, a ponto de tornarem-se uma verdadeira mania entre alguns dirigentes pol\u00edticos, como Ben Gurion. A arqueologia serviu, primeiramente, para afirmar os mitos do sionismo. Por\u00e9m, em seguida, descobertas inconvenientes come\u00e7aram a aparecer e a jogar por terra as supostas verdades: por exemplo, que existiram os dois reinos, Jud\u00e1 e Israel. Outra d\u00favida \u00e9 se existiu, de fato, a fuga do Egito, o chamado \u00eaxodo, t\u00e3o celebrado na religi\u00e3o e no cinema, com filmes famosos como <em>Os 10 Mandamentos<\/em>. Para desespero dos sionistas, as pesquisas n\u00e3o confirmavam essa vers\u00e3o b\u00edblica. As ru\u00ednas mostraram que n\u00e3o havia provas da exist\u00eancia do Primeiro Templo <sup data-fn=\"0e98e733-d245-497b-8346-fbfc8f5de4db\" class=\"fn\"><a id=\"0e98e733-d245-497b-8346-fbfc8f5de4db-link\" href=\"\/#0e98e733-d245-497b-8346-fbfc8f5de4db\">1<\/a><\/sup> e destruiu a pretensa hist\u00f3ria de um povo que sempre esteve ligado \u00e0 terra prometida (Si\u00e3o) e cujo destino era retornar a ela. Em outras palavras, a pr\u00f3pria arqueologia israelense, t\u00e3o reverenciada, na verdade, mostrou que as alega\u00e7\u00f5es da B\u00edblia n\u00e3o eram uma repeti\u00e7\u00e3o, embora com acr\u00e9scimos \u201cm\u00e1gicos\u201d, de uma hist\u00f3ria real de um povo, mas de relatos m\u00edticos que nem sequer estavam associados \u00e0 exist\u00eancia de muitos dos personagens descritos. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem escreveu o Velho Testamento?<\/strong> <\/h2>\n\n\n\n<p>O mais prov\u00e1vel \u00e9 que haja uma descontinuidade bem grande e que, quando ergueram o Segundo Templo, por volta do s\u00e9culo VI a.C., tenha havido um curto per\u00edodo de recomposi\u00e7\u00e3o quando Esdras e Neemias <sup data-fn=\"5a66041d-b3a4-4b27-91c0-6f991ed72c84\" class=\"fn\"><a id=\"5a66041d-b3a4-4b27-91c0-6f991ed72c84-link\" href=\"\/#5a66041d-b3a4-4b27-91c0-6f991ed72c84\">2<\/a><\/sup>, vindos da Babil\u00f4nia, foram a Cana\u00e3. Embora haja discuss\u00f5es sobre a data exata, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que quem escreveu o Velho Testamento tenha vivido entre os s\u00e9culos VI e V a.C., e a partir dessa data, imaginou um relato do que se passou em todo aquele passado remoto, desde a origem hebraica, com Abra\u00e3o, depois Jos\u00e9, Mois\u00e9s etc. Ou seja, a hist\u00f3ria judaica tal como se conhece, ao basear-se na B\u00edblia, n\u00e3o tem nenhum rigor hist\u00f3rico. As descobertas inc\u00f4modas eram deixadas de lado pela arqueologia e pela historiografia oficial ou justificadas com argumentos insustent\u00e1veis pelos ide\u00f3logos do Estado de Israel para adapt\u00e1-las, for\u00e7adamente, ao relato b\u00edblico dado como fonte hist\u00f3rica <em>a priori<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"4\" class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Os judeus de hoje s\u00e3o todos descendentes dos antigos hebreus que tiveram de se exilar ap\u00f3s a di\u00e1spora.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Para os historiadores oficiais da chamada <em>Hist\u00f3ria Judaica<\/em> e para os sionistas, a di\u00e1spora teve como consequ\u00eancia o espalhamento dos judeus pelos outros continentes, distantes de sua terra pela qual nunca deixaram de sentir um desejo de retorno. Quando os historiadores sionistas falam em di\u00e1spora, partem do pressuposto de que esses judeus, supostamente expulsos no s\u00e9culo I, teriam continuado a ser um povo, ou seja, eram a mesma etnia que mantinha, a todo custo, sua cultura e sua religi\u00e3o em outras terras, quando n\u00e3o era obrigada a converter-se, outro mito desmascarado por Sand.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, al\u00e9m de terem v\u00e1rios de seus fieis convertidos a outras cren\u00e7as e culturas, no que \u00e9 chamado pelos pr\u00f3prios religiosos judaicos de \u201cassimila\u00e7\u00e3o\u201d, o juda\u00edsmo tamb\u00e9m era proselitista, ou seja, seus defensores convertiam grupos e povos ao longo de sua trajet\u00f3ria. H\u00e1 registros de comunidades e reinos inteiros convertidos ao juda\u00edsmo em v\u00e1rias regi\u00f5es, como os reinos berberes da tribo <em>Djeraoua<\/em> [habitantes de Aur\u00e9s, regi\u00e3o no leste da Arg\u00e9lia, N. do T.]. A exist\u00eancia de um reino berbere judaico e de sua famosa rainha Kahina prova que a expans\u00e3o proselitista chegou \u00e0 \u00c1frica. No livro de Sand, h\u00e1 farta informa\u00e7\u00e3o sobre esse processo de convers\u00e3o de comunidades ao juda\u00edsmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00c1sia, na pr\u00f3pria pen\u00ednsula ar\u00e1bica, houve um reino nabateu de f\u00e9 judaica at\u00e9 o ano 106. Antes da ascens\u00e3o do Isl\u00e3, os judeus instalaram-se em cidades como Yathrib (depois rebatizada como Medina). H\u00e1 inclusive a hip\u00f3tese de que o monote\u00edsmo judaico tenha influenciado o estabelecemento das bases espirituais que permitiram a ascens\u00e3o do Isl\u00e3, o que refreou a expans\u00e3o do juda\u00edsmo. A maior prova dessa presen\u00e7a do juda\u00edsmo na \u00e1rea foi o reino de Himiar (nome de uma tribo da regi\u00e3o) no atual Iemen, que durou do final do s\u00e9culo IV ao s\u00e9culo VI.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas houve um reino de maior influ\u00eancia sobre o futuro juda\u00edsmo, que provavelmente gerou as numerosas comunidades judaicas polonesa, russa, romena etc. Esse reino foi o dos khazares, que chegou a ter uma extens\u00e3o enorme, indo das estepes vizinhas do Volga e norte do C\u00e1ucaso at\u00e9 o mar Negro e o mar C\u00e1spio. Em seu apogeu, chegou at\u00e9 Kiev, na Ucr\u00e2nia, e \u00e0 Crimeia, no sul, estendendo-se do alto Volga at\u00e9 a Ge\u00f3rgia atual. Sua convers\u00e3o, por um rei chamado Budan, data do s\u00e9culo VIII. O reino khazar agregou v\u00e1rias etnias, tais como b\u00falgaros, alanos, eslavos, magiares. Durou at\u00e9 o s\u00e9culo XI, destru\u00eddo ap\u00f3s sucessivas derrotas ante os mong\u00f3is e outros reinos ucranianos e russos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desprezada pela historiografia judaica oficial, pois tamb\u00e9m desmente a ideia de que os judeus europeus do s\u00e9culo XX eram descendentes dos hebreus da Terra Prometida, a hist\u00f3ria dos khazares d\u00e1 a chave para entender a constitui\u00e7\u00e3o \u00e9tnica de boa parte dos judes europeus. H\u00e1 v\u00e1rios documentos que atestam a import\u00e2ncia desse reino para a forma\u00e7\u00e3o das comunidades judaicas da Ucr\u00e2nia, da Litu\u00e2nia e da Pol\u00f4nia e para a forma\u00e7\u00e3o dos ashkenazis <sup data-fn=\"87667ee9-e603-46f6-ab17-3bb038a0cad7\" class=\"fn\"><a id=\"87667ee9-e603-46f6-ab17-3bb038a0cad7-link\" href=\"\/#87667ee9-e603-46f6-ab17-3bb038a0cad7\">3<\/a><\/sup> em geral. Mesmo o russo Simon Dubnov, um dos principais historiadores da <em>Hist\u00f3ria Judaica<\/em>, reconheceu a import\u00e2ncia desse reino e que ele era parte da \u201chist\u00f3ria do povo judeu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo fez Abraham Polak, historiador sionista que escreveu um livro dedicado ao tema, <em>Khaz\u00e1ria<\/em>, publicado em 1951. Mas esse reconhecimento durou at\u00e9 a funda\u00e7\u00e3o de Israel. Depois disso, houve a necessidade de \u201cadequar a hist\u00f3ria\u201d aos postulados sionistas. A\u00ed reside o problema: os ashkenazim formam a maioria das comunidades judaicas no mundo hoje e foram a base para a ascens\u00e3o do sionismo. Era muito inc\u00f4modo reconhecer a exist\u00eancia de um povo de origem distinta \u00e0 dos hebreus da Terra Prometida e que tivesse um papel decisivo na forma\u00e7\u00e3o das comunidades judaicas da Europa e dos ashkenazim em especial e no pr\u00f3prio movimento sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Sand relata que, de 1951 at\u00e9 a edi\u00e7\u00e3o de seu livro, nenhuma publica\u00e7\u00e3o em hebraico foi feita sobre os khazares, nem mesmo a reedi\u00e7\u00e3o do livro de Polak. O fundamental para o <em>establishment<\/em> sionista era a necessidade de tir\u00e1-lo de cena, fazer com que esse reino de um povo convertido ao juda\u00edsmo fosse esquecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, o sionismo teve a ajuda do stalinismo. Na d\u00e9cada de 1920, houve uma s\u00e9rie de pesquisas sobre os khazares na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mostrando as ra\u00edzes judaicas desse reino e seu papel na forma\u00e7\u00e3o da R\u00fassia. <\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1930, Stalin, que controlava a pesquisa hist\u00f3rica e a censurava com m\u00e3o de ferro, moldando-a de acordo a suas necessidades pol\u00edticas, condenou essas pesquisas, pois queria negar a outras culturas que n\u00e3o a russa um papel de import\u00e2ncia, e proibiu a publica\u00e7\u00e3o de materiais sobre esse reino e seu papel na origem da na\u00e7\u00e3o. Os historiadores tiveram de se autocriticar ou se silenciar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1976, o famoso escritor Arthur Koestler, ex-comunista e sionista militante, escreveu um livro sobre os khazares, <em>A 13\u00aa tribo<\/em>. Esperava, com isso, negar a origem racial dos judeus e deixar sem argumento os antissemitas, ao demonstrar que os judeus n\u00e3o pertenciam a uma ra\u00e7a, e eram uma fus\u00e3o de v\u00e1rias origens \u00e9tnicas. Mas os sionistas n\u00e3o podiam tolerar tal desmentido a seu postulado do \u201cpovo eleito que retorna \u00e0 sua p\u00e1tria\u201d. O embaixador de Israel na Gr\u00e3-Bretanha tachou essa publica\u00e7\u00e3o de \u201c<em>uma a\u00e7\u00e3o antissemita subvencionada por palestinos<\/em>\u201d. A Organiza\u00e7\u00e3o Sionista Mundial cobriu o escritor de insultos e mobilizou professores como Zvi Ankori, que alegou que a tese era \u201cprejudicial ao Estado de Israel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A vers\u00e3o oficial sionista era a de que a comunidade ashkenazim provinha dos hebreus atrav\u00e9s de um largo percurso: seria procedente da Alemanha que, por sua vez, viria da It\u00e1lia, descendentes dos hebreus que haviam sido levados \u00e0 capital do Imp\u00e9rio Romano na Idade Antiga.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como nota Sand, \u00e9 dif\u00edcil aceitar essa vers\u00e3o: todas as informa\u00e7\u00f5es existentes comprovam ser min\u00fascula a comunidade judaica alem\u00e3 no in\u00edcio da Idade M\u00e9dia, supostamente originada dos hebreus. Como essa pequena comunidade poderia ser a origem dos judeus da Europa Oriental? <\/p>\n\n\n\n<p>Os judeus da Europa na Idade M\u00e9dia, e at\u00e9 hoje, mesmo com o genoc\u00eddio nazista, que atingiu fundamentalmente os ashkenazim, agrupam cerca de 75% a 80% de todos os judeus do mundo. A Europa Oriental, na chamada <em>Terra do I\u00eddiche<\/em> <sup data-fn=\"5b4e1ebb-c8b5-461e-a5f9-12db941034f4\" class=\"fn\"><a href=\"\/#5b4e1ebb-c8b5-461e-a5f9-12db941034f4\" id=\"5b4e1ebb-c8b5-461e-a5f9-12db941034f4-link\">4<\/a><\/sup>, foi origem de uma s\u00e9rie de movimentos culturais e art\u00edsticos, pol\u00edticos e cient\u00edficos, com a participa\u00e7\u00e3o de judeus ashkenazim. O i\u00eddiche era o dialeto falado pelos judeus da Europa Oriental, mas o sionismo baniu essa l\u00edngua e imp\u00f4s o hebraico como l\u00edngua oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa mais detalhada sobre os h\u00e1bitos culturais da enorme comunidade judaica da Europa Oriental indica uma proximidade muito grande com os n\u00e3o judeus de seus pa\u00edses, sejam polacos, ucranianos, lituanos, romenos ou russos. O que indica ser muito mais prov\u00e1vel que a origem da maioria dos askenazim seja a dos khazares convertidos, obviamente em combina\u00e7\u00e3o com as etnias da regi\u00e3o. Mas n\u00e3o h\u00e1 como demonstrar que a origem de toda essa comunidade<br>da Europa Oriental venha dos hebreus.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o: a ironia da hist\u00f3ria<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Como se sabe, para a ideologia sionista, a volta a Si\u00e3o significava retomar uma terra que tinha uma popula\u00e7\u00e3o concreta, os palestinos. Por isso, era necess\u00e1rio justificar essa solu\u00e7\u00e3o como natural, leg\u00edtima. Essa foi a raz\u00e3o para criar o famoso slogan: \u201cUma terra sem povo para um povo sem terra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais prov\u00e1vel \u00e9 que os descendentes dos antigos judeus, habitantes da ent\u00e3o Judeia, n\u00e3o sejam os que hoje reivindicam essa identidade de sionistas, mas sim os palestinos. Sand analisa a hist\u00f3ria das ocupa\u00e7\u00f5es desse territ\u00f3rio desde o Imp\u00e9rio Romano e da destrui\u00e7\u00e3o do Segundo Templo em Jerusal\u00e9m. O Imp\u00e9rio Romano ocupou a Palestina desde esse momento e, com a divis\u00e3o em dois imp\u00e9rios, um deles, o Imp\u00e9rio do Oriente ou Imp\u00e9rio Bizantino, manteve o controle da Palestina at\u00e9 o s\u00e9culo VII. Esse imp\u00e9rio crist\u00e3o era extremamente opressor contra as demais religi\u00f5es. J\u00e1 a ocupa\u00e7\u00e3o pelo Imp\u00e9rio Mu\u00e7ulmano abriria a possibilidade para os crentes de outras religi\u00f5es &#8211; em especial as monote\u00edstas &#8211; aderissem e, inclusive, tivessem regalias em rela\u00e7\u00e3o a impostos sobre os n\u00e3o crentes. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito plaus\u00edvel que uma boa parte dos \u201cjuda\u00edstas\u201d tenha optado por aderir a essa nova religi\u00e3o monote\u00edsta e mais integradora que a dos crist\u00e3os bizantinos.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais incr\u00edvel \u00e9 que os primeiros sionistas que chegaram \u00e0 Palestina no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX eram bem conscientes dessa possibilidade e, por isso, sonharam inclusive com a ades\u00e3o dos camponeses locais, os <em>fel\u00e1s<\/em>, ao projeto sionista. <\/p>\n\n\n\n<p>Israel Belkind, que emigrou em 1882, dizia que os palestinos deviam ser descendentes dos antigos judeus e que apenas a elite havia deixado a terra na \u00e9poca da revolta de Bar Kochba. Portanto, os sionistas deviam buscar traz\u00ea-los para o projeto do Estado judeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Borochov, fundador do <em>Poalei Zion<\/em>, origem da assim chamada esquerda sionista, afirmou em 1905:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>A popula\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone do pa\u00eds de Israel [Palestina, na sua fonte original] \u00e9 mais pr\u00f3xima dos judeus por sua composi\u00e7\u00e3o racial que qualquer outro povo e at\u00e9 mais que outros povos &#8216;semitas&#8217;. Pode-se levantar a hip\u00f3tese muito plaus\u00edvel de que os fel\u00e1s do pa\u00eds de Israel sejam os descendentes diretos dos vest\u00edgios da implanta\u00e7\u00e3o judaica em Cana\u00e3, com um leve complemento de sangue \u00e1rabe, porque, como se sabe, os \u00e1rabes, esses orgulhosos conquistadores, misturaram-se relativamente pouco com a massa dos povos que subjugaram nos diversos pa\u00edses<\/em>\u00bb (apud Sand, p. 334).<\/p>\n\n\n\n<p>Ben Gurion, disc\u00edpulo de Borochov, fundador e primeiro chefe de governo de Israel, de 1948 at\u00e9 os anos 1960, escreveu em 1918 um livro em parceria com Ytzhak Ben Zvi, outro fundador e presidente de Israel, cujo t\u00edtulo era <em>Eretz Israel no passado e presente<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesse livro, dedicaram um cap\u00edtulo \u00e0 hist\u00f3ria dos <em>fel\u00e1s<\/em>, afirmando que \u00ab<em>a origem dos fel\u00e1s n\u00e3o remonta aos conquistadores \u00e1rabes que dominaram Israel e a S\u00edria no s\u00e9culo VII de nossa era. Os conquistadores n\u00e3o eliminaram a popula\u00e7\u00e3o de lavradores que ali encontraram. Expulsaram apenas os soberanos bizantinos estrangeiros. N\u00e3o fizeram mal algum \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local. Os \u00e1rabes n\u00e3o se preocupavam em fazer assentamentos. Os filhos dos \u00e1rabes n\u00e3o praticavam mais a agricultura em seus locais de resid\u00eancia anteriores [&#8230;]. Quando conquistavam novas terras, n\u00e3o procuravam novos terrenos para desenvolver uma classe de camponeses-colonos que, ali\u00e1s, era quase inexistente entre eles. O que lhes interessava era de ordem pol\u00edtica, religiosa e financeira: governar, difundir o Isl\u00e3 e arrecadar impostos<\/em>\u201d (apud Sand, p. 336).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1967, o historiador Abraham Polak, fundador do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade de Tel Aviv, quis estudar a \u201corigem dos \u00e1rabes aut\u00f3ctones\u201d e escreveu um ensaio em que assumia<br>a possibilidade de que os palestinos fossem descendentes dos antigos judeus que habitavam a regi\u00e3o e haviam sido integrados e convertidos ao longo de s\u00e9culos, ainda mais numa regi\u00e3o de passagem como era esse territ\u00f3rio situado entre o rio Jord\u00e3o e o mar, onde v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es se misturaram a seus conquistadores, vizinhos ou s\u00faditos. Mas Polak trabalhava com a hip\u00f3tese de que os judeus do passado, em sua maior parte, converteram-se \u00e0 religi\u00e3o mu\u00e7ulmana, e que uma <strong>continuidade<\/strong> demogr\u00e1fica teria sido mantida da Antiguidade aos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Polak quis fazer uma pesquisa para averiguar essa hip\u00f3tese, mas n\u00e3o conseguiu nenhum apoio na universidade, pois sua pesquisa contrariava frontalmente a tese sionista. Se fosse provado que, em grande parte, os palestinos eram os verdadeiros descendentes dos \u201cjuda\u00edstas\u201d, dos hebreus, todo o edif\u00edcio sionista cairia por terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, existe uma hip\u00f3tese levantada, at\u00e9 mesmo pelos primeiros sionistas, de que <strong>os palestinos podem ser<\/strong> <strong>os descendentes dos judeus de dois mil anos atr\u00e1s<\/strong>. E a proibi\u00e7\u00e3o a que essa hip\u00f3tese seja investigada s\u00f3 se explica porque, caso fosse comprovada, se confirmaria uma ironia da hist\u00f3ria: que os sionistas n\u00e3o somente n\u00e3o t\u00eam a descend\u00eancia que apregoam desses habitantes, mas tamb\u00e9m que eles teriam invadido a Palestina para expulsar os verdadeiros descendentes dos hebreus.<\/p>\n\n\n\n<p>Convidamos nossos leitores a ler o livro de Sand, aprofundar o estudo sobre os mitos e conhecer melhor esses fatos demolidores das teses sionistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Notas<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"0e98e733-d245-497b-8346-fbfc8f5de4db\">Segundo o Velho Testamento, ap\u00f3s um per\u00edodo de luta para constituir uma na\u00e7\u00e3o, os hebreus derrotaram v\u00e1rios inimigos.Tiveram como l\u00edderes os ju\u00edzes (entre eles, Sans\u00e3o, Samuel) e fundaram um reino \u00fanico, o qual teve tr\u00eas reis, Saul, David e Salom\u00e3o. Davi \u00e9 conhecido pela f\u00e1bula da luta contra o gigante Golias. Segundo esse relato b\u00edblico, o rei Salom\u00e3o construiu um templo suntuoso, que ficou conhecido como Primeiro Templo, que teria durado at\u00e9 o s\u00e9culo VI a.C., pois teria sido destru\u00eddo ap\u00f3s sucessivas invas\u00f5es de eg\u00edpcios, ass\u00edrios e, finalmente, seria arrasado pelos babil\u00f4nios. Ap\u00f3s a derrota dos babil\u00f4nios pelos persas, o imperador Ciro da P\u00e9rsia permitiu o retorno de um grupo de hebreus, liderados por Esdras, um sacerdote, e Neemias, um nobre, que foram autorizados a reconstituir uma comunidade judaica e, em seguida, constru\u00edram um templo em Jerusal\u00e9m, que ficou conhecido como o Segundo Templo. <a href=\"#0e98e733-d245-497b-8346-fbfc8f5de4db-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5a66041d-b3a4-4b27-91c0-6f991ed72c84\">Esdras era um sacerdote judeu que vivia na Babil\u00f4nia e, autorizado pelo imperador persa, levou um grupo de fi\u00e9is para instalar uma comunidade judaica em Cana\u00e3. Com a ajuda de Neemias, um nobre, constru\u00edram um templo em Jerusal\u00e9m, chamado de Segundo Templo. (J. W.) <a href=\"#5a66041d-b3a4-4b27-91c0-6f991ed72c84-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"87667ee9-e603-46f6-ab17-3bb038a0cad7\">Os judeus da era moderna dividem-se, em geral, entre os ashkenazim e os sefaradim. Os primeiros eram os judeus que habitaram a Europa Oriental e deram origem a comunidades judaicas numerosas no resto do mundo, como na Am\u00e9rica do Norte e na Am\u00e9rica Latina. Sua maior concentra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial era nos pa\u00edses da Europa Oriental, em particular nos de maioria eslava, como Pol\u00f4nia, Ucr\u00e2nia e tamb\u00e9m na Litu\u00e2nia, Hungria e Rom\u00eania. Os Ashkenazis desenvolveram uma cultura rica, com seu pr\u00f3prio dialeto: o i\u00eddiche. Os sefaradis s\u00e3o os judeus origin\u00e1rios da \u00c1sia, que se estabeleceram na Espanha e tinham um dialeto e uma cultura pr\u00f3prias, diferentes das dos ashkenazis. <a href=\"#87667ee9-e603-46f6-ab17-3bb038a0cad7-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5b4e1ebb-c8b5-461e-a5f9-12db941034f4\">O i\u00eddiche era o dialeto falado pelos judeus da Europa Oriental, onde se desenvolveu toda uma rica cultura, com sua literatura, m\u00fasica, etc., com autores como Scholem Aleichem. Com o advento do sionismo, ela foi relegada a segundo plano. O sionismo negou esse patrim\u00f4nio cultural, alegando que \u201cera o idioma da di\u00e1spora\u201d. Os sionistas recriaram o hebraico, que era um idioma usado somente em ora\u00e7\u00f5es, e o impuseram como o idioma oficial em Israel. <a href=\"#5b4e1ebb-c8b5-461e-a5f9-12db941034f4-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p>Publicado em mar\u00e7o de 2015, na revista <em>Marxismo Vivo<\/em> N. 5.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem in\u00fameros mitos na hist\u00f3ria, grandes falsifica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o transmitidas de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o como se fossem verdades. Algumas dessas falsifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas t\u00eam um alcance mundial, como \u00e9 o caso da natureza da popula\u00e7\u00e3o judaica que, motivada pelo sionismo, teria se deslocado para a Palestina e, numa a\u00e7\u00e3o de limpeza \u00e9tnica, dado origem ao Estado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8770,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Segundo o Velho Testamento, ap\u00f3s um per\u00edodo de luta para constituir uma na\u00e7\u00e3o, os hebreus derrotaram v\u00e1rios inimigos.Tiveram como l\u00edderes os ju\u00edzes (entre eles, Sans\u00e3o, Samuel) e fundaram um reino \u00fanico, o qual teve tr\u00eas reis, Saul, David e Salom\u00e3o. Davi \u00e9 conhecido pela f\u00e1bula da luta contra o gigante Golias. Segundo esse relato b\u00edblico, o rei Salom\u00e3o construiu um templo suntuoso, que ficou conhecido como Primeiro Templo, que teria durado at\u00e9 o s\u00e9culo VI a.C., pois teria sido destru\u00eddo ap\u00f3s sucessivas invas\u00f5es de eg\u00edpcios, ass\u00edrios e, finalmente, seria arrasado pelos babil\u00f4nios. Ap\u00f3s a derrota dos babil\u00f4nios pelos persas, o imperador Ciro da P\u00e9rsia permitiu o retorno de um grupo de hebreus, liderados por Esdras, um sacerdote, e Neemias, um nobre, que foram autorizados a reconstituir uma comunidade judaica e, em seguida, constru\u00edram um templo em Jerusal\u00e9m, que ficou conhecido como o Segundo Templo.\",\"id\":\"0e98e733-d245-497b-8346-fbfc8f5de4db\"},{\"content\":\"Esdras era um sacerdote judeu que vivia na Babil\u00f4nia e, autorizado pelo imperador persa, levou um grupo de fi\u00e9is para instalar uma comunidade judaica em Cana\u00e3. Com a ajuda de Neemias, um nobre, constru\u00edram um templo em Jerusal\u00e9m, chamado de Segundo Templo. (J. W.)\",\"id\":\"5a66041d-b3a4-4b27-91c0-6f991ed72c84\"},{\"content\":\"Os judeus da era moderna dividem-se, em geral, entre os ashkenazim e os sefaradim. Os primeiros eram os judeus que habitaram a Europa Oriental e deram origem a comunidades judaicas numerosas no resto do mundo, como na Am\u00e9rica do Norte e na Am\u00e9rica Latina. Sua maior concentra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial era nos pa\u00edses da Europa Oriental, em particular nos de maioria eslava, como Pol\u00f4nia, Ucr\u00e2nia e tamb\u00e9m na Litu\u00e2nia, Hungria e Rom\u00eania. Os Ashkenazis desenvolveram uma cultura rica, com seu pr\u00f3prio dialeto: o i\u00eddiche. Os sefaradis s\u00e3o os judeus origin\u00e1rios da \u00c1sia, que se estabeleceram na Espanha e tinham um dialeto e uma cultura pr\u00f3prias, diferentes das dos ashkenazis.\",\"id\":\"87667ee9-e603-46f6-ab17-3bb038a0cad7\"},{\"content\":\"O i\u00eddiche era o dialeto falado pelos judeus da Europa Oriental, onde se desenvolveu toda uma rica cultura, com sua literatura, m\u00fasica, etc., com autores como Scholem Aleichem. Com o advento do sionismo, ela foi relegada a segundo plano. O sionismo negou esse patrim\u00f4nio cultural, alegando que \u201cera o idioma da di\u00e1spora\u201d. Os sionistas recriaram o hebraico, que era um idioma usado somente em ora\u00e7\u00f5es, e o impuseram como o idioma oficial em Israel.\",\"id\":\"5b4e1ebb-c8b5-461e-a5f9-12db941034f4\"}]"},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-8399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-israel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8399\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8770"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}