{"id":8456,"date":"2025-04-14T18:34:33","date_gmt":"2025-04-14T18:34:33","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8456"},"modified":"2025-04-14T18:34:33","modified_gmt":"2025-04-14T18:34:33","slug":"a-moral-revolucionaria-e-parte-fundamental-da-batalha-pela-reconstrucao-da-iv-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/04\/14\/a-moral-revolucionaria-e-parte-fundamental-da-batalha-pela-reconstrucao-da-iv-internacional\/","title":{"rendered":"A moral revolucion\u00e1ria e a batalha pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional"},"content":{"rendered":"\n<p>O problema moral torna-se a cada dia mais candente em todos os \u00e2mbitos da vida, mas principalmente na milit\u00e2ncia de esquerda. A moral das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias est\u00e1 sob permanente press\u00e3o da moral burguesa, sobretudo em uma \u00e9poca de decad\u00eancia como a que vivemos. Recuperar e manter a moral revolucion\u00e1ria \u00e9 uma necessidade de vida ou morte para a luta por superar a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria mundial e parte essencial na batalha pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Nesse sentido, a LIT apresenta em seu pr\u00f3ximo Congresso essa discuss\u00e3o t\u00e3o fundamental, da qual publicamos aqui os pontos essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>A Quarta Internacional despreza os magos, charlat\u00f5es e professores da moral. Numa sociedade baseada na explora\u00e7\u00e3o, a moral suprema \u00e9 a da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Bons s\u00e3o os m\u00e9todos que elevam a consci\u00eancia de classe dos oper\u00e1rios, a confian\u00e7a em suas for\u00e7as e seu esp\u00edrito de sacrif\u00edcio na luta. Inadmiss\u00edveis s\u00e3o os m\u00e9todos que inspiram o medo e a docilidade dos oprimidos contra os opressores, que afogam o esp\u00edrito de rebeldia e de protesto ou que substituem a vontade das massas pela dos chefes, a persuas\u00e3o pela coa\u00e7\u00e3o e a an\u00e1lise da realidade pela demagogia e pela falsifica\u00e7\u00e3o. Eis aqui por que a social-democracia, que tem prostitu\u00eddo o marxismo tanto quanto o stalinismo, ant\u00edteses do bolchevismo, s\u00e3o os inimigos mortais da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e da moral da mesma.<\/em>\u00bb (Leon Trotsky, Programa de Transi\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A import\u00e2ncia da quest\u00e3o moral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente, muitos companheiros se surpreender\u00e3o por termos colocado na pauta do nosso Congresso Mundial a discuss\u00e3o de um documento sobre a quest\u00e3o moral. Nossos congressos sempre discutem documentos pol\u00edticos, balan\u00e7os e projetos de atividades. E sempre h\u00e1 um ponto onde a Comiss\u00e3o de Controle Internacional (CCI) apresenta um informe dos problemas morais concretos do \u00faltimo per\u00edodo e as poss\u00edveis apela\u00e7\u00f5es sobre os processos decididos por ela. Mas a discuss\u00e3o te\u00f3rica e pol\u00edtica do tema moral n\u00e3o costuma ser parte da pauta dos nossos congressos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que nos levou a introduzir um ponto sobre este tema no pr\u00f3ximo congresso? Em primeiro lugar, \u00e9 claro que existem sintomas cada vez mais evidentes da decomposi\u00e7\u00e3o moral n\u00e3o s\u00f3 na sociedade capitalista, mas tamb\u00e9m nas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. Mas isso, mesmo que seja um tema importante, n\u00e3o nos levaria necessariamente a coloc\u00e1-lo na pauta do Congresso. Entretanto, no \u00faltimo per\u00edodo detectamos v\u00e1rias evid\u00eancias de que esta decomposi\u00e7\u00e3o moral vem afetando nossa Internacional. Apesar da nossa tradi\u00e7\u00e3o em tratar com muita seriedade os problemas morais, constatamos a exist\u00eancia de graves problemas neste terreno tamb\u00e9m na LIT: casos de quadros que se apoderaram do patrim\u00f4nio da organiza\u00e7\u00e3o; agress\u00f5es morais e at\u00e9 f\u00edsicas a companheiras e, inclusive, o caso de um dirigente que se recusou a comparecer perante \u00e0 CCI para responder a uma grave den\u00fancia de viol\u00eancia contra sua ex-companheira, chegando a fazer com que uma se\u00e7\u00e3o da LIT, o MST boliviano, rompesse com a Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um problema interno. Reflete um processo mais geral: a decad\u00eancia da sociedade capitalista. Vemos que este tipo de problema tem uma express\u00e3o generalizada na esquerda, inclusive a que se reivindica revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos uma realidade lament\u00e1vel nas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, praticamente em todos os pa\u00edses, com brigas, inclusive f\u00edsicas, para controlar entidades em fun\u00e7\u00e3o de seus aparatos, corrup\u00e7\u00e3o, fraudes e todo tipo de manobras desleais e a\u00e7\u00f5es destrutivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que essas discuss\u00f5es na esquerda raramente s\u00e3o esclarecidas e aparecem como lutas surdas que, de repente, explodem em rupturas ou lutas fracionais com acusa\u00e7\u00f5es morais etc. Ou s\u00e3o varridas para \u201cbaixo do tapete\u201d, em especial se envolvem dirigentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que nossa preocupa\u00e7\u00e3o pode causar d\u00favidas em muitas organiza\u00e7\u00f5es, inclusive aquelas com as quais temos acordos pol\u00edticos importantes. Mas queremos abrir francamente a discuss\u00e3o, reconhecendo nossos problemas e chamando para uma reflex\u00e3o. Poder\u00edamos evitar abrir estas discuss\u00f5es publicamente e optar por discuti-las somente entre n\u00f3s. Por\u00e9m queremos que aqueles que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o conosco nos conhe\u00e7am em todos os aspectos, com nossos problemas reais e que, se temos um m\u00e9rito, \u00e9 o de n\u00e3o ocult\u00e1-los, de identific\u00e1-los e buscar combat\u00ea-los de forma aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que a moral das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias est\u00e1 sob permanente press\u00e3o da moral burguesa, ainda mais numa \u00e9poca de decad\u00eancia na qual vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos orgulho da nossa trajet\u00f3ria e, tamb\u00e9m neste terreno, reivindicamos os ensinamentos de Trotsky. Sendo assim, se n\u00e3o abrirmos com clareza e firmeza este tipo de discuss\u00e3o e n\u00e3o enfrentarmos os problemas, se baixarmos a guarda e n\u00e3o batalharmos por uma moral comunista em nossas organiza\u00e7\u00f5es, provavelmente as press\u00f5es crescer\u00e3o ainda mais e poder\u00e3o destruir nossas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, acreditamos que, para cada um de nossos militantes e para todas as for\u00e7as que se aproximam na batalha pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional, esta discuss\u00e3o \u00e9 fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem ela, n\u00e3o haver\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o s\u00f3lida de um partido revolucion\u00e1rio nacional nem da Internacional que tanto aspiramos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns problemas morais que afetaram a LIT no \u00faltimo per\u00edodo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nosso \u00faltimo congresso reafirmou, por unanimidade, a expuls\u00e3o de um ex-dirigente de uma se\u00e7\u00e3o por se apoderar de dinheiro que um simpatizante havia doado ao partido. Pouco depois do congresso de 2005, a CCI teve de investigar uma grav\u00edssima acusa\u00e7\u00e3o contra um ex-membro do CEI e da SI, que inclu\u00eda agress\u00f5es contra sua companheira. Este companheiro tinha sido enviado para militar na se\u00e7\u00e3o boliviana e, nesse momento, era seu principal dirigente. Ele negou-se a responder \u00e0 CCI e teve o apoio de toda a dire\u00e7\u00e3o da se\u00e7\u00e3o, inclusive do membro da CEI daquele pa\u00eds, que se colocou incondicionalmente em defesa desse dirigente e da sua nega\u00e7\u00e3o em se submeter \u00e0 CCI.<\/p>\n\n\n\n<p>A ampla maioria da LIT reagiu de forma principista em todos esses casos. \u00c9 importante sinalizar que somos uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que pode se orgulhar de ter tido uma posi\u00e7\u00e3o principista em defesa da moral revolucion\u00e1ria quando a maioria das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, inclusive as que se reivindicam trotskistas ou revolucion\u00e1rias, sucumbiram \u00e0s press\u00f5es oportunistas tamb\u00e9m neste terreno. Entretanto, temos de reconhecer que n\u00e3o hav\u00edamos identificado o fen\u00f4meno de conjunto e nem lhe demos a devida import\u00e2ncia. Da mesma forma, n\u00e3o hierarquizamos a necessidade de enfrent\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a moral revolucion\u00e1ria \u00e9 decisiva na constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio e da IV?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive constatando esta realidade, \u00e9 preciso entender por que dev\u00edamos hierarquizar esta discuss\u00e3o neste congresso da LIT. Muitas vezes, encontramos entre os companheiros mais jovens a ideia de que os comunistas n\u00e3o t\u00eam uma moral, que este \u00e9 s\u00f3 um discurso da classe dominante. Definamos ent\u00e3o que \u00e9 moral e o que queremos dizer com \u201cmoral revolucion\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 moral?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A moral \u00e9 uma necessidade para qualquer agrupamento humano, como explicava Nahuel Moreno. <sup data-fn=\"90649b4e-b2f9-42c3-b24f-066d5319db90\" class=\"fn\"><a id=\"90649b4e-b2f9-42c3-b24f-066d5319db90-link\" href=\"\/#90649b4e-b2f9-42c3-b24f-066d5319db90\">1<\/a><\/sup> Toda estrutura social tem necessidade de normas para sua sobreviv\u00eancia e sua defesa. Por sua vez, a moral \u00e9 fruto do desenvolvimento social. Ao contr\u00e1rio do que dizem os ide\u00f3logos da burguesia, n\u00e3o existe uma moral universal e eterna, j\u00e1 que ela muda de acordo com as distintas forma\u00e7\u00f5es sociais, suas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e as respectivas formas ideol\u00f3gicas e normas morais ao longo da hist\u00f3ria da humanidade. Isso \u00e9 o que explica as diferen\u00e7as entre a moral dominante em sociedades como as escravistas, as feudais ou as capitalistas. Explica, tamb\u00e9m, por que toda classe dominante necessita impor sua moral aos explorados para garantir seu dom\u00ednio sobre a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta quest\u00e3o leva \u00e0 discuss\u00e3o sobre a exist\u00eancia ou n\u00e3o de normas universais aceitas desde sempre pelo ser humano. Como se perguntava Trotsky em <em>A moral deles e a nossa<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00e3o existem regras elementares de moral, desenvolvidas pela humanidade em sua totalidade, e necess\u00e1rias para a vida de todo o coletivo?<\/em>\u00ab<\/p>\n\n\n\n<p>E respondia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Existem, sem d\u00favida, mas a virtude de sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente limitada e inst\u00e1vel. As normas &#8216;universalmente v\u00e1lidas&#8217; s\u00e3o tanto menos atuantes quanto mais agudo \u00e9 o car\u00e1ter que toma a luta de classes. Sua validade est\u00e1 ligada \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da luta de classes. Em tempos de &#8216;paz&#8217;, o homem &#8216;normal&#8217; observa o mandamento &#8216;n\u00e3o matar\u00e1s&#8217;; mesmo assim mata em condi\u00e7\u00f5es excepcionais de leg\u00edtima<\/em> <em>defesa. Em tempos de guerra, seja guerra entre estados, seja civil, o Estado muda as normas &#8216;universalmente v\u00e1lidas&#8217; de &#8216;n\u00e3o matar\u00e1s&#8217; para seu contr\u00e1rio.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"ce907f19-50bb-425c-ba7a-5468ef0b3c9a\" class=\"fn\"><a id=\"ce907f19-50bb-425c-ba7a-5468ef0b3c9a-link\" href=\"\/#ce907f19-50bb-425c-ba7a-5468ef0b3c9a\">2<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, as normas morais \u00abuniversalmente v\u00e1lidas\u00bb s\u00e3o carregadas de um conte\u00fado de classe. Isso \u00e9 o mesmo que dizer que s\u00e3o antag\u00f4nicas. Nas palavras de Trotsky: \u00ab<em>A norma moral torna-se mais categ\u00f3rica quanto menos &#8216;universal\u2019 \u00e9<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia tem um interesse vital em impor <strong>sua moral<\/strong> \u00e0s classes exploradas. Como todas as classes dominantes anteriores, utiliza a moral como instrumento de conserva\u00e7\u00e3o da sociedade e a imp\u00f5e para demonstrar que \u00e9 \u00abeterna\u00bb. Necessita impor sua moral \u00e0 classe explorada, mas existe uma incoer\u00eancia entre o que prega e sua pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed entra em cena a quest\u00e3o da \u00abdupla moral\u00bb, que se expressa na hipocrisia t\u00edpica das igrejas. A burguesia utiliza uma dupla moral que fala de \u00abigualdade\u00bb e \u00abbem comum\u00bb, mas estimula o individualismo e o ego\u00edsmo. Reivindica que todos sejam cidad\u00e3os exemplares em suas vidas privadas e preocupados com o bem comum enquanto explora e vive da mis\u00e9ria de milh\u00f5es. Fala-se de uma norma&#8230; mas n\u00e3o \u00e9 para eles. \u00c9 o famoso \u00ab<em>fa\u00e7a o que eu digo, n\u00e3o fa\u00e7a o que eu fa\u00e7o<\/em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"6\" height=\"10\" src=\"blob:https:\/\/perspectivamarxista.com\/1caddcda-2b39-42da-ab02-32933cc15e8d\"><\/p>\n\n\n\n<p>Toda a classe explorada, sobretudo a classe oper\u00e1ria, que \u00e9 o sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o socialista, necessita de um programa e de uma organiza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de uma moral oposta pelo v\u00e9rtice \u00e0 moral burguesa dos exploradores. Respondendo \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es dos burgueses e dos kautskistas de que os bolcheviques n\u00e3o t\u00eam moral, L\u00eanin reafirmava: \u00ab<em>quando nos falam de moral, dizemos: para um comunista, toda moral reside nesta disciplina solid\u00e1ria e unida e nesta luta consciente das massas contra os exploradores. N\u00e3o acreditamos numa moral eterna, denunciamos a mentira de todos os contos sobre moral. <strong>A moral serve para que a sociedade humana se eleve \u00e0 maior altura, para que se desembarace da explora\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8230;<\/em>\u00ab<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"6\" height=\"10\" src=\"blob:https:\/\/perspectivamarxista.com\/6f066b77-736a-4b69-bd07-b964d74d90d0\"><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A moral prolet\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A classe oper\u00e1ria necessita de uma moral pr\u00f3pria para lutar por seus interesses de classe. Os trabalhadores foram aprendendo com sua experi\u00eancia nas greves e nos primeiros sindicatos que, sem um forte esp\u00edrito coletivo, sem uma moral de classe, seria imposs\u00edvel enfrentar a burguesia com sua for\u00e7a econ\u00f4mica e seu aparato repressor. No come\u00e7o do movimento oper\u00e1rio na Europa, foi constru\u00edda uma moral t\u00edpica da classe prolet\u00e1ria: a no\u00e7\u00e3o da solidariedade de classe no \u00e2mbito de uma f\u00e1brica, de um pa\u00eds e \u00e0 escala internacional. Ela est\u00e1 extremamente ligada \u00e0 experi\u00eancia hist\u00f3rica e concreta da classe oper\u00e1ria: sem unidade, \u00e9 imposs\u00edvel derrotar a burguesia, seja nas lutas cotidianas, seja nas lutas decisivas de um pa\u00eds. Quanto mais se desenvolvem as lutas, mais \u00e9 necess\u00e1rio ter solidariedade com os irm\u00e3os de classe, saber impor a disciplina atrav\u00e9s de piquetes e investir contra os que querem romper essa unidade e solidariedade, como os fura-greves. Assim, no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da moral da classe s\u00e3o deduzidas: acatar a disciplina dos trabalhadores de sua empresa, cercar de ajuda os companheiros atacados pela patronal, isolar e, se for o caso, reprimir os fura-greves etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia \u00e9 consciente da import\u00e2ncia desta unidade e disciplina oper\u00e1rias. Sabe que \u00e9 uma \u00ednfima minoria e sabe que a classe mais perigosa para sua domina\u00e7\u00e3o \u00e9 a classe oper\u00e1ria. Por isso, a todo o momento, trata de dividir esta classe, de cooptar indiv\u00edduos e setores dela, de opor o individualismo e o ego\u00edsmo burgu\u00eas \u00e0 moral da classe oper\u00e1ria em luta, de corromper dirigentes e estimular a trai\u00e7\u00e3o. Apoia-se na competi\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores para fomentar a divis\u00e3o e tamb\u00e9m para impedir a constitui\u00e7\u00e3o da moral prolet\u00e1ria. Trata de manter a classe oper\u00e1ria acreditando num Deus e na possibilidade de ascens\u00e3o individual como sa\u00edda para sua situa\u00e7\u00e3o. Por isso, quando a classe oper\u00e1ria entra em combate como classe, come\u00e7a a romper, na pr\u00e1tica, com a moral burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para resumir, a <strong>moral prolet\u00e1ria<\/strong> \u00e9 a moral da classe oper\u00e1ria em luta contra a burguesia. Sua base \u00e9 a solidariedade e a unidade frente \u00e0 classe inimiga, da qual se deduz uma s\u00e9rie de normas, como:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Cada trabalhador protege e apoia o companheiro de sua classe contra as persegui\u00e7\u00f5es da burguesia.<\/li>\n\n\n\n<li>Nunca se entrega nem se permite que um companheiro seja prejudicado.<\/li>\n\n\n\n<li>Mesmo que existam diverg\u00eancias, atua como classe unida diante do Inimigo. Se um indiv\u00edduo da classe viola isto, deve-se impedir e, se \u00e9 necess\u00e1rio, reprimi-lo com a disciplina do coletivo.<\/li>\n\n\n\n<li>Nas rela\u00e7\u00f5es entre companheiros, e tamb\u00e9m entre as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, deve haver lealdade, honestidade, fraternidade e franqueza.<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00e3o se utilizam meios violentos para dirimir diferen\u00e7as entre membros da classe ou de suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>A moral partid\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m existe uma moral espec\u00edfica do partido revolucion\u00e1rio, chamada de \u00abmoral partid\u00e1ria\u00bb por Moreno. O que significa isso? O partido, um instrumento que luta para derrubar a burguesia e construir a ditadura do proletariado, precisa ainda mais de uma disciplina de ferro e uma moral superior \u00e0 simples moral prolet\u00e1ria, mesmo que parta dela.<\/p>\n\n\n\n<p>A confian\u00e7a entre todos \u00e9 seu cimento essencial, \u00e9 a \u00abconfraria dos perseguidos\u00bb, dos que querem destruir o capitalismo e, por isso, s\u00e3o perseguidos e podem pagar o pre\u00e7o com a pr\u00f3pria vida. Portanto, \u00e9 necess\u00e1ria uma moral superior para manter a for\u00e7a deste tipo de organiza\u00e7\u00e3o, para resistir \u00e0s pris\u00f5es, torturas etc. A solidariedade neste campo \u00e9 muito mais profunda: o companheiro \u00e9 mais importante que minha pr\u00f3pria vida. No partido, o coletivo \u00e9 tudo. \u00c9 o oposto \u00e0 ideia t\u00edpica do capitalismo: o individualismo e o ego\u00edsmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, se a moral oper\u00e1ria exige que um membro da classe acate a decis\u00e3o da maioria na luta contra a patronal, que cumpra a greve e que os fura-greves sejam freados e castigados, a moral partid\u00e1ria \u00e9 muito mais exigente, pois \u00e9 a moral dos que lutam conscientemente para destruir o imperialismo, para fazer a revolu\u00e7\u00e3o. Ela come\u00e7a pelos ensinamentos b\u00e1sicos da mesma moral oper\u00e1ria, mas n\u00e3o basta cumprir a decis\u00e3o da greve. Deve-se ser o melhor ativista, deve-se pensar no conjunto, organizar a vanguarda para que garanta a greve etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fortalecer a confian\u00e7a e afian\u00e7ar a moral partid\u00e1ria, queremos e fazemos com que cada um cres\u00e7a, desenvolva-se. O partido revolucion\u00e1rio necessita de uma forte moral porque tem que golpear como um s\u00f3 homem os aparatos do Estado burgu\u00eas. Tem que ser conspirativo diante do Estado e da burocracia. Isso exige uma total confian\u00e7a entre os camaradas que militam no partido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A moral revolucion\u00e1ria \u00e9 importante para a constru\u00e7\u00e3o da IV?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos companheiros opinam que o problema da moral \u00e9 importante, mas <strong>n\u00e3o \u00e9 decisivo<\/strong>. Que, em \u00faltima an\u00e1lise, as quest\u00f5es s\u00e3o pol\u00edticas. Portanto, o fundamental \u00e9 a discuss\u00e3o pol\u00edtica ou program\u00e1tica e os problemas morais s\u00e3o secund\u00e1rios. Por isso, numa aproxima\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00f5es, uma vez que existam acordos program\u00e1ticos e pol\u00edticos, n\u00e3o se deve reivindicar este tipo de quest\u00f5es como decisivas. Muitas vezes n\u00e3o se entende por que lhes damos tanta import\u00e2ncia. Como mostra a hist\u00f3ria da IV, essa vis\u00e3o \u00e9 equivocada, porque os problemas metodol\u00f3gicos e morais s\u00e3o decisivos na hora de definir os rumos e adotar medidas organizativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 30, a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda internacional e a IV tiveram que enfrentar os processos de Moscou, a monstruosa persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e moral contra toda a gera\u00e7\u00e3o de revolucion\u00e1rios bolcheviques e opositores ao stalinismo. Trotsky n\u00e3o teve nenhuma d\u00favida: era necess\u00e1rio reivindicar como central a resposta \u00e0s cal\u00fanias e aos am\u00e1lgamas que buscavam a destrui\u00e7\u00e3o de toda uma camada de revolucion\u00e1rios. Sua campanha contra a \u00ab<em>escola stalinista de falsifica\u00e7\u00f5es<\/em>\u00bb foi um divisor de \u00e1guas. Se Trotsky n\u00e3o a houvesse enfrentado \u00e0 altura, com a pol\u00edtica do Tribunal Moral, teria sido ainda mais dif\u00edcil resistir \u00e0 ofensiva stalinista de associar o trotskismo ao imperialismo e ao nazismo. Deixou-nos toda uma concep\u00e7\u00e3o e uma metodologia que serviram para enfrentar o stalinismo e a todas as correntes que tomaram um rumo semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 1979, a corrente que deu origem \u00e0 LIT &#8211; a Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique (FB) &#8211; era parte do Secretariado Unificado (SU) da IV, encabe\u00e7ado por Mandel, Barnes e outros dirigentes. Havia diferen\u00e7as profundas entre as posi\u00e7\u00f5es da FB e as da maioria do SU. Havia pol\u00eamicas em todos os terrenos: sobre a ditadura do proletariado, sobre o guerrilheirismo, sobre o car\u00e1ter dos partidos, sobre se devia ou n\u00e3o construir partidos trotskistas na Nicar\u00e1gua, na Am\u00e9rica Central e em Cuba. Uma delas era sobre o car\u00e1ter da dire\u00e7\u00e3o e do governo sandinistas, com suas necess\u00e1rias consequ\u00eancias pol\u00edticas e program\u00e1ticas: devia-se apoi\u00e1-los politicamente ou n\u00e3o? Mas <strong>a ruptura com o SU<\/strong> s\u00f3 ocorreu em 1979 e o elemento decisivo esteve no terreno dos princ\u00edpios da moral prolet\u00e1ria. A FB rompeu quando as dire\u00e7\u00f5es do SU e do SWP se recusaram a lutar pela liberdade dos membros da Brigada Simon Bol\u00edvar presos pelo regime sandinista. Ou seja, violaram o <strong>princ\u00edpio moral prolet\u00e1rio b\u00e1sico de apoio e solidariedade frente \u00e0 repress\u00e3o de um governo burgu\u00eas<\/strong>, neste caso o sandinista.<\/p>\n\n\n\n<p>Moreno teve uma avalia\u00e7\u00e3o semelhante quando fez o balan\u00e7o da ruptura com Pierre Lambert: enfatizou que, apesar das diferen\u00e7as abismais sobre o car\u00e1ter do governo Mitterrand e a pol\u00edtica frente a ele, e que ele considerava ser a posi\u00e7\u00e3o da OCI francesa uma grave capitula\u00e7\u00e3o a um governo de frente popular imperialista, foram <strong>os m\u00e9todos stalinistas das cal\u00fanias<\/strong> e da expuls\u00e3o de opositores, para n\u00e3o permitir a discuss\u00e3o no interior da OCI e da IV-CI, que impuseram a ruptura. A campanha da LIT, em 1982, ao redor do tribunal moral em defesa da honra revolucion\u00e1ria de Napur\u00ed, atacada por Lambert, foi inspirada na luta de Trotsky e da IV contra o stalinismo nos anos 1930, novamente tendo como divisor de \u00e1guas a quest\u00e3o dos m\u00e9todos e da moral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O retrocesso moral no movimento oper\u00e1rio e suas consequ\u00eancias na esquerda<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Os aparatos impuseram um retrocesso moral ao movimento oper\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A social-democracia foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o de massas baseada nos princ\u00edpios inscritos nos textos do <em>Manifesto Comunista<\/em> e da I Internacional. Seu crescimento e a extens\u00e3o de sua influ\u00eancia em toda a Europa era um fato nos finais do s\u00e9culo XIX. Junto a esse desenvolvimento da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o movimento sindical da classe trabalhadora cresceu e chegou a ter uma poderosa influ\u00eancia nos pa\u00edses da Europa Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o capitalismo entrou em sua fase imperialista, a burguesia percebeu que necessitava de instrumentos dentro da classe oper\u00e1ria que evitassem que esta derrubasse o Estado e o sistema. Surgiram os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios do movimento oper\u00e1rio para frear e aprisionar o movimento oper\u00e1rio numa camisa de for\u00e7a. As burocracias sindicais e pol\u00edticas, apoiadas na aristocracia oper\u00e1ria, passaram a ser os agentes da burguesia no interior das organiza\u00e7\u00f5es de classe do proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorreu uma degenera\u00e7\u00e3o da social-democracia na fase imperialista, como express\u00e3o da aristocracia oper\u00e1ria e da burocracia, que a levou a abandonar completamente n\u00e3o s\u00f3 o programa, mas tamb\u00e9m a concep\u00e7\u00e3o da moral prolet\u00e1ria. Em 1914, a defesa da guerra imperialista, da \u00abp\u00e1tria sagrada\u00bb, da invas\u00e3o aos pa\u00edses coloniais e o ataque impiedoso ao novo Estado oper\u00e1rio sovi\u00e9tico, a partir de 1917, dava-se em nome de \u00abprinc\u00edpios morais eternos\u00bb por cima das classes, de \u00abrespeito \u00e0 democracia\u00bb, de \u00abrespeito \u00e0s leis do Estado\u00bb burgu\u00eas, da \u00abpaz\u00bb etc., ou seja, a velha moral burguesa que antes denunciavam. Enquanto faziam juramentos \u00e0 \u00abmoral eterna\u00bb, apoiavam a repress\u00e3o aos revolucion\u00e1rios e foram mandantes dos assassinatos de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.<\/p>\n\n\n\n<p>A III Internacional surgiu contra a fal\u00eancia da II Internacional. Inspirada pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa, que tomaria a bandeira da <strong>revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial<\/strong>, retomaria a no\u00e7\u00e3o de que <strong>\u00e9 moral tudo o que sirva para unir e dar confian\u00e7a \u00e0 causa prolet\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O aparato contrarrevolucion\u00e1rio mais poderoso foi o stalinismo, express\u00e3o da burocracia que controlou o Estado oper\u00e1rio russo depois de 1923. Foi agente de uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 no regime sovi\u00e9tico e no programa, mas tamb\u00e9m no campo moral. As gera\u00e7\u00f5es atuais n\u00e3o t\u00eam ideia do que significou a a\u00e7\u00e3o do stalinismo. Ele trouxe para dentro do movimento oper\u00e1rio a mentira, a falsifica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos fatos, a persegui\u00e7\u00e3o aos lutadores, a volta do patriotismo chauvinista, a divis\u00e3o da classe a servi\u00e7o da burguesia. A persuas\u00e3o foi substitu\u00edda pela coa\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise honesta da realidade pela demagogia e pela falsifica\u00e7\u00e3o. As cal\u00fanias e os am\u00e1lgamas foram introduzidos como m\u00e9todo generalizado no movimento oper\u00e1rio do mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O que significou o am\u00e1lgama em sua utiliza\u00e7\u00e3o pelo stalinismo? Mesclar conscientemente acusa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e morais para manchar a honra do advers\u00e1rio pol\u00edtico. Rompia-se com uma tradi\u00e7\u00e3o moral prolet\u00e1ria de quase um s\u00e9culo: no caso de acusa\u00e7\u00f5es \u00e0 conduta ou \u00e0 honra pessoal de um militante, estas n\u00e3o deviam ser misturadas com as discuss\u00f5es pol\u00edticas contra esse militante. Stalin transformou em pr\u00e1tica sistem\u00e1tica a metodologia de desqualificar o oponente, em primeiro lugar, com acusa\u00e7\u00f5es contra seu car\u00e1ter: \u00abque tinha sido corrompido ou tra\u00eddo a causa\u00bb, \u00abque estava a servi\u00e7o do imperialismo\u00bb e, por isso, estaria defendendo tais posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Stalin acusava seus advers\u00e1rios de \u00abagentes sabotadores a servi\u00e7o do imperialismo\u00bb e, sem dar-lhes nenhum direito \u00e0 defesa sobre essa acusa\u00e7\u00e3o concreta, passava a associar suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas divergentes ao suposto fato de serem \u00absabotadores do Estado oper\u00e1rio\u00bb. Portanto, argumentava o stalinismo, suas opini\u00f5es seriam simplesmente uma express\u00e3o da sua trai\u00e7\u00e3o com o objetivo de levar a URSS ao desastre. Qualquer posi\u00e7\u00e3o desses advers\u00e1rios, fosse sobre a revolu\u00e7\u00e3o chinesa, sobre a pol\u00edtica econ\u00f4mica ou outra, n\u00e3o seria considerada como uma diverg\u00eancia leg\u00edtima a ser debatida, mas sim como consequ\u00eancia direta de sua suposta trai\u00e7\u00e3o. Stalin fez isso com toda uma gera\u00e7\u00e3o dos melhores quadros revolucion\u00e1rios da classe oper\u00e1ria russa e mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para eliminar esses \u00abtraidores\u00bb valia qualquer m\u00e9todo, inclusive um acordo esp\u00fario ou secreto com o inimigo de classe. Entregar um advers\u00e1rio ou deixar que fosse demitido pela patronal passava a ser \u00abparte do jogo\u00bb. A tortura e o assassinato dos que ousassem contrapor-se \u00e0 \u00ablinha\u00bb da burocracia dirigente ficavam assim justificados. Mas n\u00e3o bastava o assassinato f\u00edsico; era necess\u00e1rio tamb\u00e9m o \u00abassassinato moral\u00bb, taxando-os de \u00abcontrarrevolucion\u00e1rios\u00bb, em base a confiss\u00f5es arrancadas por meio de torturas de todo tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o surgimento do stalinismo, esse tipo de cal\u00fania contra os dirigentes era desprezado no movimento oper\u00e1rio. Houve um exemplo famoso durante a revolu\u00e7\u00e3o russa, quando L\u00eanin voltou ao pa\u00eds num trem autorizado pelo governo da Alemanha. Os chacais da burguesia, do governo e do imperialismo acusaram-no de \u00abagente a servi\u00e7o da Alemanha\u00bb. N\u00e3o foi necess\u00e1ria nenhuma campanha para que Martov, l\u00edder menchevique e advers\u00e1rio pol\u00edtico de L\u00eanin, sa\u00edsse em defesa de sua honra revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A burocracia stalinista mudou completamente essa situa\u00e7\u00e3o. A URSS era a refer\u00eancia do movimento oper\u00e1rio internacional e a Internacional Comunista era poderosa. A moral prolet\u00e1ria sofreu um duro golpe pela a\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria do stalinismo. Seus crimes entregaram a bandeira para que o imperialismo fizesse uma campanha de desprest\u00edgio moral do \u00absocialismo\u00bb, que se reflete at\u00e9 hoje na consci\u00eancia da classe oper\u00e1ria mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse retrocesso teve repercuss\u00f5es profundas no interior dos partidos e dos sindicatos. As consequ\u00eancias pol\u00edticas foram nefastas: semeou o ceticismo, a confus\u00e3o e a desconfian\u00e7a entre os trabalhadores. Pois, como entender que dirigentes revolucion\u00e1rios de toda uma vida, lutadores de primeira linha fossem, de repente, apontados como frios traidores a servi\u00e7o do inimigo de classe? Para defender seus privil\u00e9gios, a burocracia precisava criar justificativas hip\u00f3critas. Nas palavras de Trotsky:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Quanto mais brutal for a transi\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 rea\u00e7\u00e3o, mais a rea\u00e7\u00e3o depende das tradi\u00e7\u00f5es da revolu\u00e7\u00e3o, ou seja, mais teme as massas e tanto mais se v\u00ea for\u00e7ada a recorrer \u00e0 mentira e \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o<\/em>.\u00bb <sup data-fn=\"4de77424-71bc-4a9b-991a-7e2aaebd5b18\" class=\"fn\"><a id=\"4de77424-71bc-4a9b-991a-7e2aaebd5b18-link\" href=\"\/#4de77424-71bc-4a9b-991a-7e2aaebd5b18\">3<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A degenera\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio na etapa do \u00abvale-tudo\u00bb<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, vivemos um novo per\u00edodo de degenera\u00e7\u00e3o pela decad\u00eancia cada vez maior do capitalismo, que j\u00e1 despreza todo tipo de crit\u00e9rio moral, inclusive aqueles que defendia em sua fase de ascenso. A decad\u00eancia do capitalismo em sua fase senil provocou tamanho saque e destrui\u00e7\u00e3o da natureza que chega ao ponto de justificar qualquer ataque aos m\u00ednimos direitos individuais para garantir seus lucros. O resultado \u00e9 uma <strong>decad\u00eancia moral<\/strong> do imperialismo no terreno das rela\u00e7\u00f5es humanas que chegou a limites antes inimagin\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa decad\u00eancia penetra no seio dos explorados e oprimidos<\/strong>. E o individualismo mais exacerbado em que vale prejudicar desde o colega at\u00e9 um familiar para conseguir um emprego ou uma vaga na universidade. \u00c9 o vale-tudo da sobreviv\u00eancia num mundo decadente, onde n\u00e3o aparece uma sa\u00edda clara para as massas. A moral decadente expressa-se em \u00abcada um com seus valores, cada um defende seus interesses <strong>a qualquer pre\u00e7o<\/strong>\u00ab<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2\" height=\"2\" src=\"blob:https:\/\/perspectivamarxista.com\/c6f8c1df-0657-4947-be4d-6041aa33ee9e\"><\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o teve seu reflexo no interior do movimento oper\u00e1rio e da esquerda, devido ao que chamamos de \u00abvendaval oportunista\u00bb, no marco da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos ex-Estados oper\u00e1rios, e com o capitalismo apresentando-se como \u00abtriunfante\u00bb. Como a restaura\u00e7\u00e3o se deu pela via da democracia burguesa, proclamou-se \u00abo fim da hist\u00f3ria\u00bb. A esquerda, inclusive aquela que se reivindicava revolucion\u00e1ria, foi afetada profundamente e atra\u00edda para o jogo da democracia burguesa, considerada como \u00abvalor universal\u00bb<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2\" height=\"2\" src=\"blob:https:\/\/perspectivamarxista.com\/6dc0e2af-625a-4a60-b8cb-46e441684152\"><\/p>\n\n\n\n<p>Antigos dirigentes da esquerda entraram nos governos e assumiram cargos nas administra\u00e7\u00f5es federais, estaduais ou municipais. Ao mesmo tempo, entraram numa din\u00e2mica de corrup\u00e7\u00e3o, semelhante ou pior do que a dos administradores habituais da burguesia. Vide o caso do PT brasileiro, cujos dirigentes, em grande parte oriundos da esquerda revolucion\u00e1ria ou da guerrilha, participaram em sucessivas fraudes, roubos, mentiras e manobras de todo tipo. Ou os ex-guerrilheiros tupamaros, que participam do atual governo do Uruguai. Era um fato que, independentemente de suas concep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas, eles eram combatentes contra o imperialismo e arriscavam a vida por uma causa. Agora, ao assumir o mesmo papel que antes criticavam na social-democracia e nos PCs, incorporaram os padr\u00f5es morais da burguesia decadente, uma moral putrefata.<\/p>\n\n\n\n<p>O Parlamento e as facilidades que ele oferece a seus membros s\u00e3o fatores de corrup\u00e7\u00e3o. A esquerda, que antes raramente tinha deputados, passou a conquistar postos e ter acesso a seus benef\u00edcios, inclusive a esquerda revolucion\u00e1ria. Numa sociedade decadente e com uma esquerda que perdia a refer\u00eancia na revolu\u00e7\u00e3o, inclusive em setores que t\u00eam sua origem no trotskismo, o efeito foi <strong>devastador<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra fonte de corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o os sindicatos onde, como previa Trotsky, a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Estado \u00e9 cada vez maior. A colabora\u00e7\u00e3o com as burguesias e os governos, principalmente onde existem frentes populares, pressiona terrivelmente esses dirigentes e afeta inclusive os que v\u00eam da esquerda revolucion\u00e1ria nesse marco de retrocesso. A burocratiza\u00e7\u00e3o e a luta pelos respectivos aparatos e privil\u00e9gios acabaram por corromper uma ampla camada de antigos ativistas, como est\u00e1 ocorrendo na CUT brasileira, e \u00e9 um fator de press\u00e3o enorme sobre as organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam revolucion\u00e1rias. A press\u00e3o patronal para entregar os direitos trabalhistas em acordos feitos pelas costas da base do sindicato foi se estendendo. As fraudes nas elei\u00e7\u00f5es sindicais s\u00e3o frequentes, assim como a venda de mandatos sindicais para a burguesia, traindo a confian\u00e7a dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estamos falando da burocracia tradicional, mas de organiza\u00e7\u00f5es e dirigentes com trajet\u00f3ria na esquerda que acabam sucumbindo a essas press\u00f5es, no marco da decad\u00eancia moral, do vale-tudo a que nos referimos. E como houve essa decad\u00eancia, muitas vezes parece natural para a pr\u00f3pria base dos sindicatos que os dirigentes ganhem um \u00abextra\u00bb, ou seja, \u00abpresentes\u00bb da patronal ou do governo. Afinal de contas, \u00ab<em>\u00e9 preciso levar alguma vantagem como sindicalista<\/em>\u00bb nos dizem muitos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os efeitos da marginalidade do trotskismo e da press\u00e3o do stalinismo no terreno moral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A luta contra Stalin e seus m\u00e9todos de cal\u00fania e persegui\u00e7\u00f5es marcou a forma\u00e7\u00e3o da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda e a pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o da IV Internacional. Entretanto, apesar de toda a batalha de Trotsky, o movimento trotskista arrastou problemas estruturais que marcaram a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda e a pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o da IV.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundada na contracorrente e em pleno auge do stalinismo, a IV esteve condenada \u00e0 marginalidade por um longo per\u00edodo. Foi duplamente pressionada: pelo imperialismo decadente e pelo stalinismo. Isso fez com que o movimento trotskista sofresse os efeitos da situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no terreno moral e metodol\u00f3gico. Depois da morte de Trotsky, esse isolamento manifestou-se com mais for\u00e7a sobre uma dire\u00e7\u00e3o pequeno-burguesa e fr\u00e1gil. Paralelamente ao revisionismo que capitulava \u00e0 burocracia stalinista no terreno pol\u00edtico, Pablo e a dire\u00e7\u00e3o da IV dessa \u00e9poca usaram m\u00e9todos t\u00edpicos do stalinismo em 1951-53 para abortar a discuss\u00e3o. Em 1952, a dire\u00e7\u00e3o pablista quis impor \u00e0 se\u00e7\u00e3o francesa, o Partido Comunista Internacionalista (PCI), a pol\u00edtica de \u00abentrismo <em>sui generis<\/em>\u201d nas organiza\u00e7\u00f5es stalinistas. Para isso, afastou 16 membros da dire\u00e7\u00e3o do PCI e depois substituiu essa dire\u00e7\u00e3o, expulsou os opositores e tomou de assalto as sedes da se\u00e7\u00e3o, tudo para beneficiar seus seguidores e esmagar a maioria da se\u00e7\u00e3o que discordava da pol\u00edtica do SI pablista. A explos\u00e3o da IV e sua dispers\u00e3o foram fruto direto dessa a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro tipo de press\u00e3o que sofreu teve a ver diretamente com a marginalidade e a dispers\u00e3o depois da crise de 1951-53. As seitas de origem trotskista mantiveram v\u00e1rias dessas caracter\u00edsticas nefastas inseridas pelo stalinismo no movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma express\u00e3o disso ocorreu em grande parte do fen\u00f4meno que Moreno denominou \u00abnacional-trotskismo\u00bb: organiza\u00e7\u00f5es que, mesmo que se proclamem trotskistas e a favor da IV Internacional, reivindicam-na como um programa para o futuro, geralmente para quando esse partido nacional tiver for\u00e7as suficientes para proclamar essa nova Internacional. Na pr\u00e1tica, estas organiza\u00e7\u00f5es buscam s\u00f3 rela\u00e7\u00f5es com outras organiza\u00e7\u00f5es e n\u00e3o constroem uma organiza\u00e7\u00e3o internacional superior \u00e0 qual se subordinem.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o caso da LO da Fran\u00e7a, de Lambert e, anteriormente, Gerry Healy na Gr\u00e3 Bretanha e o SWP dos EUA. Quando constroem algum tipo de tend\u00eancia ou corrente internacional, essas s\u00e3o apenas ap\u00eandices da organiza\u00e7\u00e3o fundadora que condicionam todas as decis\u00f5es pol\u00edticas neste terreno aos interesses imediatos da \u201corganiza\u00e7\u00e3o-m\u00e3e\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Moreno alertava sobre um aspecto deste tipo de organiza\u00e7\u00e3o que, muitas vezes, acarreta graves problemas metodol\u00f3gicos e morais: para elas, a quest\u00e3o mais sagrada \u00e9 a \u201cdefesa da organiza\u00e7\u00e3o\u201d, na realidade, a defesa de seus dirigentes \u201ccontra os ataques externos e internos\u201d. Gerry Healy usava a express\u00e3o \u201c<em>defesa da seguran\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, ou seja, se surge alguma luta pol\u00edtica contra a dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 l\u00edcito para estes dirigentes acusar moralmente, caluniar, mentir para sua base, distorcer as discuss\u00f5es pol\u00edticas com amalgamas, expulsar qualquer quadro que mostre diverg\u00eancias com a dire\u00e7\u00e3o \u201camea\u00e7ada\u201d. A experi\u00eancia comprovou que esse tipo de organiza\u00e7\u00e3o muitas vezes se degenera rapidamente no terreno dos m\u00e9todos e da moral.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Healy e de Lambert, ao lado dos m\u00e9todos burocr\u00e1ticos, desenvolveram um m\u00e9todo de destrui\u00e7\u00e3o pessoal dos quadros e dirigentes que os questionavam. <strong>M\u00e9todos tipicamente stalinistas<\/strong>, cobrindo-os de cal\u00fanias e ataques morais. N\u00e3o vacilaram frente a nada para defender sua seita nacional e seu papel individual nela. Healy passou d\u00e9cadas acusando caluniosamente a Joseph Hansen, dirigente do SWP dos EUA, de agente da GPU ou da CIA e de haver sido supostamente <em>c\u00famplice<\/em> do assassinato de Trotsky. Depois, foi denunciado por dirigentes do WRP por utilizar seu papel de dirigente intoc\u00e1vel do partido para assediar e estuprar militantes que eram empregadas do aparato central. Esta degenera\u00e7\u00e3o levou \u00e0 explos\u00e3o do WRP e ao virtual desaparecimento da corrente healista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta metodologia era independente de uma tend\u00eancia pol\u00edtica determinada. Healy era sect\u00e1rio nos anos 50 e 60 e se negava a reconhecer os novos Estados oper\u00e1rios deformados na China e no Leste europeu. Nos anos 70 e 80, capitulava completamente aos dirigentes burgueses nacionalistas, como Kadafi da L\u00edbia e aos l\u00edderes do partido Baath do Iraque.<\/p>\n\n\n\n<p>Lambert expressou a mesma l\u00f3gica de Healy. De uma posi\u00e7\u00e3o similarmente sect\u00e1ria nos anos 60 com respeito aos novos Estados oper\u00e1rios deformados passou \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o aos aparatos sindicais como a central <em>Force Ouvri\u00e8re<\/em> e \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 social democracia, que se mostrou com clareza na posi\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao governo Miterrand. Frente \u00e0 discuss\u00e3o aberta no interior da QI-CI <sup data-fn=\"bd0bfcc3-8240-4d55-a8cb-82cd6cebd8da\" class=\"fn\"><a href=\"\/#bd0bfcc3-8240-4d55-a8cb-82cd6cebd8da\" id=\"bd0bfcc3-8240-4d55-a8cb-82cd6cebd8da-link\">4<\/a><\/sup> em rela\u00e7\u00e3o a essa posi\u00e7\u00e3o, Lambert reagiu com acusa\u00e7\u00f5es, amalgamas e expuls\u00f5es na OCI francesa e com acusa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ao dirigente hist\u00f3rico peruano Ricardo Napuri, nesse momento senador. Para justificar sua expuls\u00e3o, acusou-o de n\u00e3o entregar sua cota ao partido, ou seja, de ficar com o patrim\u00f4nio da organiza\u00e7\u00e3o. Este m\u00e9todo seria repetido mais tarde com o pr\u00f3prio Stefan Just, dirigente hist\u00f3rico do lambertismo na Fran\u00e7a: quando simplesmente tentou defender um militante expulso por ter diferen\u00e7as pol\u00edticas, acabou sendo separado da organiza\u00e7\u00e3o francesa por Lambert. O resultado de toda essa degenera\u00e7\u00e3o foi a decad\u00eancia total da corrente lambertista, reduzida apenas a um aparato na Fran\u00e7a e alguns pequenos ap\u00eandices em outros pa\u00edses, com v\u00ednculos com aparatos locais, como O Trabalho, at\u00e9 hoje defensor do PT e da CUT no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos que hoje, em v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es deste tipo, utilizam-se esses mesmos m\u00e9todos. Para o PO argentino, qualquer coisa vale para \u201cdefender a organiza\u00e7\u00e3o\u201d: em 2001, agrediram os militantes trotskistas do PSTU e da FOS numa marcha contra a ALCA, em Buenos Aires, por amea\u00e7ar seu \u201cespa\u00e7o\u201d em seu \u201cterrit\u00f3rio nacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para eles, \u00e9 l\u00edcito utilizar cal\u00fanias e falsifica\u00e7\u00f5es como m\u00e9todo permanente. Num artigo de L. Magri no jornal <em>Prensa Obrera<\/em> 979, o PO acusou Moreno, entre outras barbaridades, de ter apoiado a ditadura de Batista contra Fidel Castro, de apoiar o golpe da direita em 1955 contra Per\u00f3n, de capitular \u00e0 burocracia peronista, de apoiar a sa\u00edda institucional de Lanusse e Per\u00f3n em 1972 e de vacilar diante da ditadura de Videla.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que, em cada um destes casos, como lhe respondeu a FOS, eles tinham todo o direito de discordar e polemizar com as posi\u00e7\u00f5es que a corrente morenista tomou nestes distintos momentos. Mas, em vez de fazer isso, falsificam a realidade a tal ponto que afirmam que Moreno <strong>apoiou<\/strong> a <em>Revolu\u00e7\u00e3o Libertadora<\/em> (o golpe militar de 1955 contra Per\u00f3n) ou que o PST argentino capitulou \u00e0 ditadura de Videla, o que s\u00e3o puras cal\u00fanias. Na realidade, a corrente de Moreno esteve \u00e0 frente da resist\u00eancia antes e depois do golpe de 1955 e, em 1976, perdeu mais de 100 militantes frente \u00e0 repress\u00e3o por resistir ao golpe de Videla e \u00e0 ditadura de 1976-82.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jorge Altamira, <sup data-fn=\"85c12f74-bc13-4dae-9a53-55c17062cf8b\" class=\"fn\"><a id=\"85c12f74-bc13-4dae-9a53-55c17062cf8b-link\" href=\"\/#85c12f74-bc13-4dae-9a53-55c17062cf8b\">5<\/a><\/sup> \u00e9 l\u00edcito falsificar a hist\u00f3ria e inventar cal\u00fanias para desqualificar os advers\u00e1rios pol\u00edticos. Tudo isso sem sequer dar um exemplo ou um fato comprovado que pudesse justificar t\u00e3o graves acusa\u00e7\u00f5es. Eles fazem uma \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o\u201d muito semelhante \u00e0s que o stalinismo costuma fazer, utilizando amalgamas e mentiras para tentar destruir o advers\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo que Lambert aplicou na cis\u00e3o da CI-CI repetiu-se com o PO e a cis\u00e3o do <em>Progetto Comunista<\/em> da It\u00e1lia. O PO havia formado, em 2004, um organismo internacional com algumas organiza\u00e7\u00f5es, a Coordenadoria pela Refunda\u00e7\u00e3o da IV (CRCI). Nela, a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o nacional fora da Argentina com certa implanta\u00e7\u00e3o na realidade de seu pa\u00eds era o <em>Progetto Comunista<\/em>. Entre fins de 2005 e in\u00edcios de 2006, um debate que come\u00e7ou pela concep\u00e7\u00e3o leninista e sobre o car\u00e1ter do partido que deviam construir dividiu a organiza\u00e7\u00e3o e sua dire\u00e7\u00e3o pela metade. Esta discuss\u00e3o foi impedida pela ala de Grisolia e Ferrando, que passa a atacar a outra ala e dividir o partido. O outro setor formou o PC-ROL (hoje PdAC). Mais adiante, incorporou-se a discuss\u00e3o sobre a perman\u00eancia na Refunda\u00e7\u00e3o Comunista (PRC), depois que essa tomou a decis\u00e3o de apoiar e participar do governo burgu\u00eas de Prodi. O PC-ROL foi separado de todas as inst\u00e2ncias da organiza\u00e7\u00e3o internacional e fez uma contraproposta de realizar uma discuss\u00e3o interna serena e ampla dentro da CRCI. Ao mesmo tempo em que n\u00e3o respondeu a esta proposta do PC-ROL, a dire\u00e7\u00e3o do PO somou-se \u00e0 ala Grisolia e escreveu um <strong>artigo p\u00fablico<\/strong> contra os outros camaradas, lan\u00e7ando todo tipo de insultos, cal\u00fanias e ataques morais, e os separou da tend\u00eancia internacional sem direito \u00e0 defesa em nenhum organismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A refra\u00e7\u00e3o<\/strong><strong> no trotskismo na fase neoliberal foi mais profunda e generalizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a press\u00e3o do stalinismo e a marginalidade geraram a capitula\u00e7\u00e3o ao stalinismo e tamb\u00e9m caracter\u00edsticas sect\u00e1rias e aparatistas e uma profunda deforma\u00e7\u00e3o que levou as organiza\u00e7\u00f5es trotskistas \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o no terreno moral, o processo mais recente teve um efeito mais generalizado e destruidor das organiza\u00e7\u00f5es que antes se reivindicavam da IV.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o final dos anos 80, a press\u00e3o mais importante sobre o movimento trotskista tem a ver com a decad\u00eancia moral do imperialismo e com o \u00abvendaval oportunista\u00bb. A convers\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es e partidos ao regime burgu\u00eas, em nome da \u00abradicaliza\u00e7\u00e3o da democracia\u00bb, levou a uma degenera\u00e7\u00e3o impressionante no terreno metodol\u00f3gico e moral.<\/p>\n\n\n\n<p>A Democracia Socialista (DS) do Brasil, antes vinculada ao SU, assumiu o minist\u00e9rio da Reforma Agr\u00e1ria no governo Lula, um dos mais pr\u00f3-imperialistas da Am\u00e9rica Latina, e \u00e9 respons\u00e1vel pela implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica pr\u00f3-latif\u00fandio de Lula. Hoje, a DS governa o estado do Par\u00e1, onde a repress\u00e3o aos camponeses \u00e9 terr\u00edvel: \u00e9 o Estado brasileiro que lidera o n\u00famero de assassinatos de trabalhadores rurais na luta pela terra. A governadora do estado, Ana J\u00falia, ao assumir o governo, criou um destacamento especial da pol\u00edcia (a Rotam), denunciada pela Anistia Internacional como uma das mais violentas do Brasil na repress\u00e3o aos \u00abdist\u00farbios sociais\u00bb. As ocupa\u00e7\u00f5es urbanas e as greves dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, motoristas e oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil s\u00e3o brutalmente reprimidas. No Dia de Luta promovido pela Conlutas, em maio de 2007, o Par\u00e1 foi o lugar do Brasil onde a repress\u00e3o foi mais violenta. Recentemente, um ato dessa governadora levou a DS a se comprometer em um terreno onde sempre tentou aparecer como vanguarda: a defesa dos direitos da mulher. Uma adolescente de 15 anos foi detida pela pol\u00edcia do Par\u00e1 e presa numa cela junto a 20 homens para ser estuprada pelos presos como castigo por um suposto roubo. A governadora justificou-se dizendo que \u00ab<em>infelizmente, casos de mulheres presas em celas com homens realmente existem<\/em>\u00bb (nesse momento, havia pelo menos mais quatro casos de mulheres nas mesmas condi\u00e7\u00f5es). Assim, para garantir sua boa rela\u00e7\u00e3o como administradora do Estado burgu\u00eas, Ana J\u00falia, da DS, converteu-se em c\u00famplice do abuso e da tortura de mulheres nas pris\u00f5es pelo aparato policial.<\/p>\n\n\n\n<p>Como express\u00e3o dessa decad\u00eancia, a DS foi arrastada, junto com a dire\u00e7\u00e3o do PT, \u00e0 crise do \u00abmensal\u00e3o\u00bb <sup data-fn=\"fac37ad2-475b-4624-aed2-ac93d5c75c1c\" class=\"fn\"><a id=\"fac37ad2-475b-4624-aed2-ac93d5c75c1c-link\" href=\"\/#fac37ad2-475b-4624-aed2-ac93d5c75c1c\">6<\/a><\/sup> de 2005. A degenera\u00e7\u00e3o dessa corrente acelerou-se depois de sua ades\u00e3o \u00e0 \u00abdemocratiza\u00e7\u00e3o do Estado\u00bb burgu\u00eas e \u00e9 cada dia maior. Ou seja, um fato extremamente positivo, a queda do stalinismo, acabou por trazer todo tipo de press\u00f5es a organiza\u00e7\u00f5es que nunca haviam tido a possibilidade de ocupar espa\u00e7os nas institui\u00e7\u00f5es burguesas. Nesse espa\u00e7o aberto, inclusive para algumas organiza\u00e7\u00f5es antes marginais que conseguiram ganhar lugar na institucionalidade burguesa, passaram a sofrer as mesmas press\u00f5es e a girar \u00e0 direita, vivendo um processo de degenera\u00e7\u00e3o no terreno metodol\u00f3gico e moral.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma esp\u00e9cie de \u00ab<strong>moral do aparato<\/strong>\u00bb tomou conta das organiza\u00e7\u00f5es que ocuparam alguns desses espa\u00e7os. O caso da Argentina, no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, \u00e9 ilustrativo. O movimento de Luiz Zamora, o MST e o PO conquistaram cargos no Parlamento. Correntes que t\u00eam sua origem no trotskismo e na LIT, como o MST (MES no Brasil), passaram a construir organiza\u00e7\u00f5es que giram ao redor dos mandatos parlamentares e fazem de tudo para manter sua presen\u00e7a nessas institui\u00e7\u00f5es burguesas que, por sua vez, garantem-lhes sua manuten\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9todos e a moral dessas correntes parlamentares n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a moral revolucion\u00e1ria. Seus militantes s\u00e3o educados para girar toda sua atividade em fun\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es e da manuten\u00e7\u00e3o dos cargos nas c\u00e2maras e prefeituras. A sustenta\u00e7\u00e3o financeira j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 garantida pela milit\u00e2ncia, mas pelas v\u00e1rias formas de extrair fundos do Estado (gabinetes, mandatos, planos de trabalho etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fato surpreendente dos \u00faltimos anos \u00e9 a exist\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam de esquerda, e at\u00e9 revolucion\u00e1rias, que s\u00e3o financiadas, e de fato corrompidas, pelas ONGs ou pela social-democracia, em especial no Leste europeu e em pa\u00edses semicoloniais muito pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es que aceitam a total depend\u00eancia financeira dos distintos aparatos do Estado burgu\u00eas de fato est\u00e3o sendo corrompidas e podem perder todo crit\u00e9rio moral prolet\u00e1rio. Um exemplo disso \u00e9 que fazem acordos e depois n\u00e3o os respeitam, como o MST argentino que, durante sua \u00faltima ruptura, fez um acordo sobre a legalidade e a divis\u00e3o de fundos com o setor dissidente, atual Izquierda Socialista. O MST n\u00e3o cumpriu o acordo e apelou para a Justi\u00e7a burguesa para quebr\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo vale para conseguir votos e cargos: alian\u00e7as policlassistas, levar filiados pagos para as conven\u00e7\u00f5es dos partidos, baseados nos mesmos m\u00e9todos dos partidos burgueses ou reformistas (como fez o MES brasileiro na \u00faltima conven\u00e7\u00e3o do PSOL). Se por acaso v\u00e3o \u00e0s lutas oper\u00e1rias e populares, n\u00e3o \u00e9 para impulsionar a organiza\u00e7\u00e3o e fazer a milit\u00e2ncia avan\u00e7ar. S\u00f3 interv\u00eam na luta de classes para construir o prest\u00edgio de seus l\u00edderes, parlamentares e figuras p\u00fablicas ou manter algum aparato que permita alcan\u00e7ar melhores resultados. As fraudes nas elei\u00e7\u00f5es sindicais s\u00e3o consideradas v\u00e1lidas para fortalecer o peso dessas correntes. Tudo gira em torno dos mandatos e da manuten\u00e7\u00e3o dos aparatos que os sustentam.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que as press\u00f5es venham dessa adapta\u00e7\u00e3o ao Estado burgu\u00eas, n\u00e3o queremos dizer que haja necessariamente uma degenera\u00e7\u00e3o moral em todas as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que assumem cargos no parlamento ou mesmo naquelas que passam a girar em torno das elei\u00e7\u00f5es burguesas. N\u00e3o se trata de uma consequ\u00eancia inexor\u00e1vel da participa\u00e7\u00e3o no parlamento, mas de uma combina\u00e7\u00e3o entre uma press\u00e3o objetiva real e um desarme no terreno moral que permite que essas organiza\u00e7\u00f5es sejam tragadas pelo vendaval oportunista. Assim como Trotsky dizia que <strong>nem toda a social-democracia era moralmente degenerada<\/strong>, este \u00e9 um terreno espec\u00edfico que se deve analisar caso a caso. S\u00f3 constatamos que essa barreira de classe moral, infelizmente, tem sido transposta por um n\u00famero cada vez maior de organiza\u00e7\u00f5es de origem <em>trotskista<\/em>. Trata-se, exatamente, de enfatizar a import\u00e2ncia de entender esse processo para contrapor-lhe uma moral revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O efeito na LIT: crises e destrui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no terreno moral<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Uma trajet\u00f3ria moral que reivindicamos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A corrente fundada por Moreno, que deu origem \u00e0 LIT, tinha uma trajet\u00f3ria de d\u00e9cadas de provas de moral partid\u00e1ria, educada nas lutas contra as ditaduras, como as da Argentina de 1955-1958, 1969-1973 e 1976-1982, ou a luta dos camponeses peruanos na d\u00e9cada de 1960, ferozmente reprimida, que levou \u00e0 pris\u00e3o de Hugo Blanco e outros companheiros internacionalistas. Essa trajet\u00f3ria de anos formou uma s\u00f3lida moral nos quadros, que explica a for\u00e7a dos militantes do PST argentino que ca\u00edram presos e foram submetidos a torturas e assassinatos, mas n\u00e3o entregaram seus companheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, nossa corrente sempre atuou com a metodologia de Trotsky com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es morais sem provas ou aos am\u00e1lgamas stalinistas. Repudiamos as cal\u00fanias de Healy ou dos \u00abespartaquistas\u00bb contra Joe Hansen desde o primeiro instante, tanto quando t\u00ednhamos acordo com o SWP dos EUA, quanto quando n\u00e3o o t\u00ednhamos<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2\" height=\"2\" src=\"blob:https:\/\/perspectivamarxista.com\/b82c862b-bc75-405f-80c9-7949dbdd852e\"><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do caso Napuri, j\u00e1 relatado, tivemos outros em que nosso comportamento foi semelhante. Como no caso Bacherer, que \u00e9 importante citar, pois este dirigente n\u00e3o era da nossa corrente, mas do nosso advers\u00e1rio pol\u00edtico na Bol\u00edvia (o POR-Lora). Numa pol\u00eamica aberta entre ele e a dire\u00e7\u00e3o lorista, Bacherer enfrentou o mesmo tipo de m\u00e9todos canalhas de acusa\u00e7\u00f5es morais para justificar sua expuls\u00e3o do POR. A LIT estimulou a conforma\u00e7\u00e3o de um Tribunal Moral que julgasse as acusa\u00e7\u00f5es contra ele. Nossa se\u00e7\u00e3o boliviana assumiu a organiza\u00e7\u00e3o da campanha, com o grupo de Bacherer (nesse momento vinculado ao PO argentino). O camarada Z\u00e9 Maria do PSTU foi enviado para participar desse Tribunal em La Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprendemos com a forma como Moreno respondeu, em toda sua trajet\u00f3ria, \u00e0s diferen\u00e7as de fundo dentro da nossa organiza\u00e7\u00e3o. Para citar um exemplo: a ruptura com Vasco Bengochea quando aderiu ao castro-guevarismo, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960. Neste caso, as diferen\u00e7as eram t\u00e3o grandes que foi necess\u00e1ria a separa\u00e7\u00e3o em organiza\u00e7\u00f5es diferentes, mas Moreno sempre teve uma atitude muito respeitosa, da mesma forma que Bengochea. O mesmo aconteceu na rela\u00e7\u00e3o com Kemel George, membro do CEI da LIT, e sua corrente, quando assumiu uma posi\u00e7\u00e3o guerrilherista e rompeu com o PST colombiano e com a LIT, em 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m temos uma tradi\u00e7\u00e3o de como enfrentar a viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios por parte dos militantes, sobretudo se s\u00e3o dirigentes ou quadros com tarefas p\u00fablicas. A ent\u00e3o corrente brasileira da LIT, a Converg\u00eancia Socialista (CS), elegeu dois vereadores em 1982, quando estava dentro do PT. Um deles, de Campinas, comunicou \u00e0 dire\u00e7\u00e3o, pouco depois de ser eleito, que o sal\u00e1rio de vereador seria dele e n\u00e3o do partido. O CC manteve-se firme na defesa de que todo o ingresso proveniente do parlamento era do partido e n\u00e3o abandonou esse princ\u00edpio. Como ele n\u00e3o aceitou, foi afastado da organiza\u00e7\u00e3o. Outro caso se deu com o primeiro prefeito eleito pela CS, ainda no PT, em 1988, na cidade de Tim\u00f3teo. Esse prefeito reprimiu uma greve de funcion\u00e1rios e foi imediatamente afastado e expulso de nossa organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa rea\u00e7\u00e3o de defesa dos princ\u00edpios ajuda a entender por que a CS conseguiu atravessar o per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o no PT e sair com a maior parte de sua estrutura de quadros intacta, ao contr\u00e1rio, nesse aspecto, de outras organiza\u00e7\u00f5es trotskistas que, na mesma \u00e9poca, praticaram o entrismo no PT e depois se degeneraram completamente. Essas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o entendiam como pod\u00edamos atuar assim, afastando ou expulsando parlamentares e prefeitos eleitos, com todo o peso que tinham, em particular com os votos que haviam acumulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que essa trajet\u00f3ria moral revolucion\u00e1ria, que formou gera\u00e7\u00f5es de quadros da nossa corrente, explica por que, apesar dos graves problemas ocorridos no final da d\u00e9cada de 80, a LIT tem tido reservas suficientes para reagir a esses desvios e reconstruir nossa Internacional e continua tendo uma postura moral diferenciada da ampla maioria das demais correntes de esquerda. Inclusive daquelas que prov\u00eam do trotskismo, mas entraram num processo de degenera\u00e7\u00e3o profunda nesse terreno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O efeito da crise da LIT no terreno moral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A crise da LIT, como conclu\u00edmos no documento de Balan\u00e7o de 2005, chegou a torn\u00e1-la irreconhec\u00edvel. Estava destru\u00edda ao ponto de termos de lutar por sua reconstru\u00e7\u00e3o. Abriu-se um retrocesso metodol\u00f3gico e moral com rela\u00e7\u00e3o a toda a trajet\u00f3ria da corrente, chegando \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de mentiras e cal\u00fanias, de viol\u00eancia entre camaradas na luta pelos bens e patrim\u00f4nios do partido que, em nenhuma hip\u00f3tese, tinham justificativa no grau das diferen\u00e7as surgidas na luta fracional.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 escrevemos no Balan\u00e7o do \u00faltimo congresso, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos anos 90, com a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo via rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e o abandono do marxismo revolucion\u00e1rio pela ampla maioria das correntes de esquerda, que denominamos \u201cvendaval oportunista\u201d, criaram as bases objetivas para a crise da LIT. Neste marco, em que era inevit\u00e1vel que a LIT passasse por uma forte crise, a morte de Moreno foi decisiva para que, em vez de enfrentar essa crise e super\u00e1-la, acontecesse uma verdadeira destrui\u00e7\u00e3o de nossa internacional. Como dizemos no balan\u00e7o: \u201c<em>se Moreno n\u00e3o tivesse morrido, dificilmente a crise da LIT teria culminado com sua destrui\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de agregar que, se h\u00e1 um campo em que a aus\u00eancia de Moreno se fez sentir especialmente, foi no terreno metodol\u00f3gico e moral. O retrocesso e a destrui\u00e7\u00e3o a\u00ed se manifestaram de forma generalizada. Houve graves problemas morais no MAS argentino e na LIT, refletindo a profundidade dos desvios que envolviam a revis\u00e3o do programa, da concep\u00e7\u00e3o do partido e uma adapta\u00e7\u00e3o profunda \u00e0 democracia burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O esp\u00edrito do vale-tudo penetrou, a partir de sua dire\u00e7\u00e3o no interior da Internacional. Valia tudo para derrotar o inimigo interno, manobras, mentiras etc. Lutas duras pelos aparatos do partido, pelos mandatos dos parlamentares, patrim\u00f4nios e sedes tornaram parte comum da vida interna. O desprezo pelas finan\u00e7as dos \u201cadvers\u00e1rios\u201d fez com que, dependendo de quem dirigia determinada se\u00e7\u00e3o, se considerasse v\u00e1lido dilapidar de forma irrespons\u00e1vel seu patrim\u00f4nio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A crise afetou o regime e debilitou a moral do conjunto da LIT. A moral partid\u00e1ria depende da confian\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o bolchevique, de que cada companheiro coloque, em primeiro lugar, a defesa do camarada. Est\u00e1 apoiada na confian\u00e7a em que sua causa, a luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista, os une frente ao capitalismo imperialista. Com a explos\u00e3o da crise, no marco da ofensiva ideol\u00f3gica e pol\u00edtica do imperialismo, depois da queda dos ex-Estados oper\u00e1rios, que afetou o conjunto da esquerda, a convic\u00e7\u00e3o na revolu\u00e7\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o program\u00e1tica ficaram debilitadas. Cada uma das fra\u00e7\u00f5es deixava de ver-se <strong>n\u00e3o como parte de um coletivo superior<\/strong>, a LIT, mas sim como uma fra\u00e7\u00e3o com objetivos pr\u00f3prios e imediatos. Isto foi v\u00e1lido para o conjunto das fra\u00e7\u00f5es em que a LIT se dividiu. A maioria do PST espanhol formou uma fra\u00e7\u00e3o com uma organiza\u00e7\u00e3o, SR da It\u00e1lia, que n\u00e3o pertencia \u00e0 LIT e atuava na Internacional e fora dela como uma fra\u00e7\u00e3o p\u00fablica para dissolv\u00ea-la, ou seja, destru\u00ed-la, pois \u201cseu projeto tinha fracassado\u201d. Cada setor separado ficava mais vulner\u00e1vel \u00e0s tremendas press\u00f5es vindas da sociedade e da moral decadente que predominavam nela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, se a revolu\u00e7\u00e3o estava postergada para um futuro distante o fundamental era, como afirmavam algumas das fra\u00e7\u00f5es, o \u201c<em>estudo e o rearme te\u00f3rico<\/em>\u201d. Ou, como afirmavam outras alas, a meta fundamental era ganhar peso no parlamento, confundindo isso com \u201cter influ\u00eancia de massas\u201d. O objetivo imediato de cada setor ganhava um peso estrat\u00e9gico. O decisivo era ter um deputado ou o fundamental era estudar, buscar um \u201cnovo caminho\u201d, revisando o marxismo, montar uma revista para avan\u00e7ar no \u201crearme te\u00f3rico-pol\u00edtico\u201d. E o partido e a Internacional eram um obst\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos pa\u00edses, passaram a existir duas ou at\u00e9 tr\u00eas se\u00e7\u00f5es da LIT, ou das distintas fra\u00e7\u00f5es e correntes em que ela se dividiu. Em muitos casos, a l\u00f3gica foi a disputa do espa\u00e7o, buscar destruir a outra organiza\u00e7\u00e3o como se fosse inimiga, baseada em qualquer tipo de justificativa. <strong>Usou-se o m\u00e9todo que a LIT sempre repudiou e combateu<\/strong>, por exemplo, na luta contra o lambertismo, como as acusa\u00e7\u00f5es sem provas a militantes de outra fra\u00e7\u00e3o, ou membros das organiza\u00e7\u00f5es surgidas na ruptura, para destru\u00ed-los.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Reconstru\u00e7\u00e3o e sequelas&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar de todo esse retrocesso, <strong>a LIT tinha reservas<\/strong>, a tradi\u00e7\u00e3o baseada na trajet\u00f3ria da corrente morenista, e houve uma resist\u00eancia a este tipo de m\u00e9todos e ao retrocesso no campo moral. Esta resist\u00eancia foi ampliada at\u00e9 dar forma, a partir de 1994, a uma luta pelo resgate e reconstru\u00e7\u00e3o da LIT, tamb\u00e9m no terreno metodol\u00f3gico e moral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de v\u00e1rias rupturas e uma dura luta interna, a maioria da Internacional passou a reverter este processo de destrui\u00e7\u00e3o, a partir do V Congresso, em 1997. Em nossa opini\u00e3o, a maior prova da exist\u00eancia dessa tradi\u00e7\u00e3o e dessas reservas morais \u00e9 que se conseguiu impedir a dissolu\u00e7\u00e3o e avan\u00e7ar rumo \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o. Esta decis\u00e3o do congresso de 1997, manter a LIT no marco dos princ\u00edpios pol\u00edticos e organizativos do programa da IV Internacional e assumir a batalha por sua reconstru\u00e7\u00e3o, foi a chave para todo o processo que veio depois e para poder retomar, tamb\u00e9m, a metodologia e a reconstru\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a entre os quadros, e <strong>a moral partid\u00e1ria<\/strong> na nossa Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o significa ignorar as graves sequelas que ficaram do per\u00edodo da crise e destrui\u00e7\u00e3o. Este quadro de retrocesso, de perda de confian\u00e7a n\u00e3o se refletiu somente nos dirigentes e nas fra\u00e7\u00f5es, mas na camada mais ampla de quadros que havia dedicado sua vida \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o do partido e da Internacional. Por isso, depois do congresso de 1997, em que se vota por pequena margem manter a LIT baseada no seu programa e concep\u00e7\u00e3o de Internacional centralizada democraticamente, a batalha pela sobreviv\u00eancia \u00e9 vitoriosa, mas as perdas s\u00e3o enormes e as sequelas na coluna de quadros s\u00e3o profundas. Uns 80% dos antigos quadros j\u00e1 n\u00e3o militavam mais nela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, num r\u00e1pido resumo da evolu\u00e7\u00e3o posterior da ampla maioria das organiza\u00e7\u00f5es que romperam com a LIT, podemos dizer que foram degenerando cada vez mais, foram abandonando conscientemente a metodologia e a moral partid\u00e1ria t\u00edpica do morenismo, voltando a se dividir sucessivas vezes ou, simplesmente, deixando de existir como correntes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes processos de rupturas e divis\u00f5es, muitas vezes apareceram os problemas morais em forma ainda mais agravada pelo isolamento e pela perda da perspectiva revolucion\u00e1ria e internacionalista. As ocupa\u00e7\u00f5es dos locais voltaram a acontecer, a utiliza\u00e7\u00e3o por um grupo de uma possess\u00e3o legal circunstancial de um bem do partido para tirar esses bens da organiza\u00e7\u00e3o, em seu benef\u00edcio, ou, inclusive, a usurpa\u00e7\u00e3o da legalidade burguesa, em detrimento da maioria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra viola\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que se estendeu de forma preocupante foi o n\u00e3o-cumprimento de acordos assinados. Houve casos em que acordos assinados entre duas organiza\u00e7\u00f5es de trajet\u00f3rias comuns para uma reparti\u00e7\u00e3o de bens ou de entradas foram simplesmente descumpridos sem maiores explica\u00e7\u00f5es. As manobras de todo tipo para apropriar-se individualmente dos bens do partido, como a legalidade ou sobre a divis\u00e3o do patrim\u00f4nio, foram frequentes nestes processos. A posse do nome, do jornal ou do site e at\u00e9 arquivos de um militante ou grupo de militantes que rompiam com seu partido e os tinham em seu nome, reivindicava-se o direito a explorar os direitos de propriedade e inclusive contestar sua ex-organiza\u00e7\u00e3o na justi\u00e7a burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvimos, recentemente, de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es ou grupos, express\u00f5es como: \u201cque podemos fazer, vivemos na lei da selva!\u201d ou \u201cque essas purezas morais s\u00e3o coisas do passado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a express\u00e3o do que chamamos \u201cvale-tudo\u201d dentro das organiza\u00e7\u00f5es que se dizem revolucion\u00e1rias. Os que hoje s\u00e3o v\u00edtimas das manobras, amanh\u00e3 fazem o mesmo com os outros e, nesse processo, aprofunda-se a perda de refer\u00eancia moral e a degenera\u00e7\u00e3o do conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos uma trajet\u00f3ria oposta a estes setores porque n\u00e3o aceitamos a moral do vale-tudo. Buscamos retomar as tradi\u00e7\u00f5es e a trajet\u00f3ria da IV de Trotsky e de nossa corrente e polemizar com os defensores do vale-tudo. Reconhecemos nossas fragilidades e percebemos as tremendas press\u00f5es que a decad\u00eancia do imperialismo exerce. Mas alertamos nossos quadros de que temos de enfrentar cada uma delas se queremos reconstruir a IV e os partidos revolucion\u00e1rios em cada pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de que se mantinham os crit\u00e9rios morais bolcheviques e que a decis\u00e3o de 1997 da continuidade da LIT tinha uma express\u00e3o direta no terreno moral se expressou atrav\u00e9s de um epis\u00f3dio pouco conhecido. Aconteceu pouco depois desse congresso, no qual o MAS argentino prop\u00f4s dissolver a LIT como Internacional centralizada. Ao ser derrotado, esse partido decidiu n\u00e3o acatar a vota\u00e7\u00e3o e rompeu com a LIT. Nesse momento, uma quantidade importante de dinheiro do MAS estava sob a guarda de um militante que, nessa ruptura, ficou com a LIT e desligou-se do MAS. A dire\u00e7\u00e3o dessa organiza\u00e7\u00e3o, que acabava de romper com a LIT, procurou a dire\u00e7\u00e3o da Internacional e solicitou que esse dinheiro fosse entregue. A LIT, cuja situa\u00e7\u00e3o financeira era dif\u00edcil, <strong>imediatamente garantiu que todo o dinheiro chegasse \u00e0s m\u00e3os da organiza\u00e7\u00e3o argentina, j\u00e1 que n\u00e3o era mais da LIT<\/strong>. A raz\u00e3o era muito simples: esse dinheiro era fruto do esfor\u00e7o da milit\u00e2ncia do MAS e a esse partido e a sua dire\u00e7\u00e3o lhes cabia dispor desses recursos para o projeto que decidissem. Esta era a metodologia tradicional da nossa corrente e n\u00e3o fizemos mais do que resgat\u00e1-la, mas a ampla maioria das correntes que romperam com a LIT n\u00e3o podem apresentar exemplos como este.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, no \u00faltimo per\u00edodo, j\u00e1 n\u00e3o nos vemos t\u00e3o solit\u00e1rios nessa luta. Como contraponto a esta degenera\u00e7\u00e3o cada vez maior das organiza\u00e7\u00f5es de origem trotskista, inclusive as que foram parte da LIT, tivemos a satisfa\u00e7\u00e3o de encontrar setores que, vindos do morenismo, reagiram a ela. Como o CITO, que hoje j\u00e1 se unificou com a LIT, ou como a Esquerda dos Trabalhadores (IT) da Argentina, que participou da UIT e da ruptura da mesma com o MST, e que j\u00e1 avan\u00e7ou na reaproxima\u00e7\u00e3o coma LIT, estabelecendo um comit\u00ea de enlace com o FOS da Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m temos, desde mar\u00e7o de 2007, um processo de discuss\u00e3o e reaproxima\u00e7\u00e3o com a UIT a partir de sua ruptura com o MST. Na nossa agenda de discuss\u00e3o, foram pautadas, de comum acordo, para verificar a possibilidade de convergir, os temas program\u00e1ticos, de concep\u00e7\u00e3o de partido e tamb\u00e9m de quest\u00f5es de m\u00e9todo e de moral. Nossa perspectiva, se houver acordo nos temas essenciais, \u00e9 confluir numa s\u00f3lida organiza\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos examinar este processo e tirar as li\u00e7\u00f5es junto a todas essas organiza\u00e7\u00f5es e ao ativismo revolucion\u00e1rio. Acreditamos que, seja para os que v\u00eam do trotskismo e do morenismo, seja para os que v\u00eam de outras tradi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o discuss\u00f5es essenciais para construir uma internacional revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o congresso de 1997, come\u00e7ou um processo de reconstru\u00e7\u00e3o da LIT, que envolveu o programa, a concep\u00e7\u00e3o de partido e o internacionalismo, que tamb\u00e9m vem avan\u00e7ando no terreno da moral partid\u00e1ria. Hoje podemos dizer que tivemos avan\u00e7os em todos estes campos e isso explica a situa\u00e7\u00e3o atual da LIT e a possibilidade de que venha a cumprir um papel importante na reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste marco de recupera\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o da nossa moral partid\u00e1ria, tivemos um erro de avalia\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o objetiva e suas conseq\u00fc\u00eancias sobre a esquerda revolucion\u00e1ria, o trotskismo e nossa Internacional. Atuamos como se a situa\u00e7\u00e3o fosse a \u201cde sempre\u201d e n\u00e3o vimos que as press\u00f5es de conjunto, a ofensiva neoliberal, desde os anos 90, e a degenera\u00e7\u00e3o da esquerda no terreno moral exigiam uma vigil\u00e2ncia ainda maior e uma luta mais permanente pela moral revolucion\u00e1ria e contras essas press\u00f5es. Atuamos \u201ccaso a caso\u201d, sem dar a dimens\u00e3o devida ao problema no seu conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tivemos, inclusive, um importante atraso, pois s\u00f3 come\u00e7amos a identificar mais recentemente, desde o congresso de 2005, a gravidade desse retrocesso e dos problemas neste campo na Internacional, ocasionados pelo per\u00edodo de destrui\u00e7\u00e3o da LIT. Era l\u00f3gico que se a LIT, no marco do vendaval oportunista que se abateu sobre a esquerda, sofreu uma destrui\u00e7\u00e3o nos terrenos te\u00f3rico, program\u00e1tico e organizativo, isto deveria afetar tamb\u00e9m o terreno moral. Casos como o da se\u00e7\u00e3o boliviana nos fizeram refletir mais de conjunto que \u00e9 necess\u00e1rio dar a devida import\u00e2ncia \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a uma consci\u00eancia e atua\u00e7\u00e3o permanentes neste terreno, a partir de agora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os \u00faltimos tempos na LIT e a necessidade de retomar nossos crit\u00e9rios e combater essas press\u00f5es.<\/strong> <strong>Como enfrentar esses problemas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Somos conscientes de que a situa\u00e7\u00e3o de decad\u00eancia da sociedade \u00e9 cada vez maior, que nossos militantes atuam nesse meio. Sabemos que os novos companheiros do partido trazem a educa\u00e7\u00e3o moral t\u00edpica do mundo de hoje e seus preconceitos. Mas o partido revolucion\u00e1rio necessita atuar com clareza sobre essa realidade. Para isso, precisa reconhecer o problema em sua dimens\u00e3o e estar disposto a enfrent\u00e1-lo, sabendo que seremos uma minoria e estaremos na contracorrente das tend\u00eancias mais profundas da sociedade na qual atuamos e da ampla maioria da esquerda atual. O partido revolucion\u00e1rio n\u00e3o vive numa redoma de vidro e sempre estar\u00e1 exposto \u00e0s press\u00f5es, ainda mais hoje com a decad\u00eancia moral do capitalismo. A quest\u00e3o \u00e9 alertar sobre essas press\u00f5es e estar disposto a contrabalan\u00e7ar, a educar e a fazer o sacrif\u00edcio que for necess\u00e1rio para manter os princ\u00edpios e afastar os que cederem a esse tipo de degenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Identificar os problemas abertamente e com clareza<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Problemas graves surgem constantemente em nossas fileiras. Um dos mais constantes \u00e9 a opress\u00e3o da mulher no partido e no trabalho, incluindo agress\u00f5es \u00e0s mulheres na fam\u00edlia. Esse tema afeta, em primeiro lugar, a pr\u00f3pria moral prolet\u00e1ria, pois oprimir a mulher significa oprimir 50% da classe trabalhadora e dividir a necess\u00e1ria unidade prolet\u00e1ria diante da burguesia. Significa ser c\u00famplice da opress\u00e3o que a sociedade capitalista reproduz a cada dia. Enfim, a ideologia machista \u00e9 incompat\u00edvel com a moral revolucion\u00e1ria. Da mesma forma, se penso que meu companheiro de trabalho \u00e9 inferior porque \u00e9 negro, n\u00e3o posso lutar efetivamente contra o racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o militante pensa que sua companheira, sua colega de trabalho ou uma companheira do partido s\u00e3o inferiores e que \u00e9 leg\u00edtimo aproveitar-se da opress\u00e3o, est\u00e1 sendo c\u00famplice da opress\u00e3o que a sociedade capitalista reproduz em todos os n\u00edveis. Seria o mesmo que dizer \u00absou revolucion\u00e1rio, mas odeio os \u00e1rabes, ou penso que os negros s\u00e3o inferiores&#8230;\u00bb. Assim como nenhuma classe pode ser vanguarda dos explorados se aceitar a opress\u00e3o de outros povos ou ra\u00e7as, nenhum partido revolucion\u00e1rio pode apoiar ou tolerar a opress\u00e3o de uma parte fundamental da classe, as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um dos terrenos em que a ideologia burguesa causa mais danos \u00e0 moral revolucion\u00e1ria, pois a opress\u00e3o da mulher \u00e9 secular, e boa parte dos problemas aparece no \u00e2mbito \u00abprivado\u00bb, na fam\u00edlia que, por sua vez, reflete uma discrimina\u00e7\u00e3o profundamente arraigada na sociedade capitalista. Isto exige uma ampla educa\u00e7\u00e3o para toda a milit\u00e2ncia e um combate permanente a todas as atitudes machistas dos militantes e nenhuma toler\u00e2ncia para com a discrimina\u00e7\u00e3o, o ass\u00e9dio e as agress\u00f5es \u00e0 mulher dentro do partido ou na sociedade. N\u00e3o pode haver nenhuma d\u00favida com rela\u00e7\u00e3o a isso: o partido que aceita a opress\u00e3o machista est\u00e1 condenado a degenerar-se moralmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A dire\u00e7\u00e3o da LIT e dos partidos n\u00e3o podem ceder nesse tipo de quest\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, deve-se fazer um longo trabalho de educa\u00e7\u00e3o em nossas fileiras. No entanto, no caso de qualquer viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios morais, n\u00e3o se pode ceder. \u00c9 importante recordar a trajet\u00f3ria que vem desde a origem da nossa corrente. O m\u00e9rito da dire\u00e7\u00e3o foi apoiar-se na nossa tradi\u00e7\u00e3o para enfrentar estes novos casos. Em todos os casos comprovados, os envolvidos foram sancionados e, nos mais graves, expulsos do partido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quer dizer, foi necess\u00e1ria uma rigidez de princ\u00edpios para defender a moral partid\u00e1ria. Qualquer outra posi\u00e7\u00e3o que cedesse \u00e0s press\u00f5es do aparato parlamentar ou sindical teria sido fatal para a moral revolucion\u00e1ria. Al\u00e9m de alertar sobre essas press\u00f5es e estar dispostos a educar, \u00e9 necess\u00e1rio fazer o sacrif\u00edcio necess\u00e1rio para manter os princ\u00edpios e afastar os que cederam a este tipo de degenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para os dirigentes, a exig\u00eancia de moral revolucion\u00e1ria \u00e9 muito superior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a defesa da moral partid\u00e1ria e o combate e esse tipo de viola\u00e7\u00f5es \u00e9 uma necessidade permanente, ela redobra-se quando se trata dos dirigentes. Em geral, vemos nas correntes de esquerda, inclusive nas que se reivindicam revolucion\u00e1rias, o comportamento oposto: quando se trata de dirigentes, dizem que \u00e9 preciso ir com cuidado e tentam buscar sa\u00eddas que n\u00e3o os afastem das tarefas de dire\u00e7\u00e3o, independente do grau de viola\u00e7\u00e3o moral que tenham cometido. Em geral, utiliza-se o argumento de que \u00abquando se toma uma medida contra os dirigentes, quem \u00e9 punido \u00e9 o partido\u00bb, que esse dirigente \u00e9 \u00abimprescind\u00edvel\u00bb para o partido por sua capacidade etc. O racioc\u00ednio deve ser o oposto: o que mais afetaria o partido seria ter como membro da dire\u00e7\u00e3o algu\u00e9m que cometeu graves faltas morais.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00abprote\u00e7\u00e3o especial\u00bb ao dirigente \u00e9 t\u00edpica do stalinismo, que estabeleceu a ideia de que os chefes s\u00e3o intoc\u00e1veis e devem ter um tratamento diferenciado. Nossa l\u00f3gica deve ser a oposta: quanto mais responsabilidade tiver um dirigente, mais forte deve ser a exig\u00eancia. Se o partido encobre uma falta moral, alegando que o envolvido \u00e9 um dirigente, est\u00e1 semeando a forma\u00e7\u00e3o de uma burocracia e preparando sua pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o como partido revolucion\u00e1rio. Ao contr\u00e1rio, o dirigente tem que ser um exemplo vivo de moral revolucion\u00e1ria que inspire todo militante, e a vanguarda do movimento de massas possa ver nele uma refer\u00eancia nesse terreno frente \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o moral do restante das correntes de esquerda. Com o companheiro novo no partido, pelo contr\u00e1rio, devemos ter toda a paci\u00eancia, ser fundamentalmente educativos e pedag\u00f3gicos, tentando fazer com que entenda a moral revolucion\u00e1ria. Nossa atitude \u00e9 completamente diferente no caso de surgirem problemas morais envolvendo dirigentes dos partidos e da LIT.<\/p>\n\n\n\n<p>Como atuar nos casos em que os dirigentes est\u00e3o envolvidos em problemas morais graves? Nossa opini\u00e3o \u00e9 que a\u00ed est\u00e1 uma das grandes provas para qualquer Internacional. No caso recente da Bol\u00edvia, a dire\u00e7\u00e3o do MST n\u00e3o teve d\u00favida em sancionar um quadro sob uma acusa\u00e7\u00e3o moral. Mas quando se viu diante da possibilidade de seu principal dirigente ser sancionada pela CCI, preferiram romper com a LIT.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a discuss\u00e3o do caso, houve manifesta\u00e7\u00f5es de que dever\u00edamos buscar uma negocia\u00e7\u00e3o, evitar por qualquer meio a ruptura da se\u00e7\u00e3o, mais ainda por se tratar de um pa\u00eds onde a revolu\u00e7\u00e3o estava num ponto avan\u00e7ado na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo total acordo com a caracteriza\u00e7\u00e3o sobre a Bol\u00edvia, acreditamos que foi um acerto important\u00edssimo n\u00e3o ceder a nenhum tipo de press\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do MST nesse sentido, nem \u00e0s propostas de \u201cnegocia\u00e7\u00e3o\u201d que nos fizessem deixar de lado os princ\u00edpios sob a justificativa de manter a se\u00e7\u00e3o na LIT. Nossa posi\u00e7\u00e3o foi exigir que o companheiro se apresentasse \u00e0 CCI com todos os direitos de defesa como qualquer militante, mas sem condi\u00e7\u00f5es nem privil\u00e9gios. Mais ainda por ser um dirigente da se\u00e7\u00e3o e ex-membro do CEI e do SI. Buscamos garantir, de todas as formas, os recursos necess\u00e1rios para que a CCI operasse e seus membros pudessem receber a denunciante, viajar e entrevistar-se com o denunciado, os familiares envolvidos e outras poss\u00edveis testemunhas. Enfrentamos o boicote do MST e tentamos convenc\u00ea-los at\u00e9 o final sobre a necessidade de que se submetessem \u00e0 CCI. Mas, inclusive quando amea\u00e7aram romper com a LIT, n\u00e3o aceitamos nenhum tipo de exce\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia desse dirigente para o MST, como queria sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que foi uma decis\u00e3o corret\u00edssima e que nos d\u00e1 uma perspectiva de futuro como uma Internacional. Qualquer retrocesso neste terreno levaria a abrir um caminho de crises e dissolu\u00e7\u00f5es, porque significaria ceder no terreno da moral revolucion\u00e1ria e ser c\u00famplices da degenera\u00e7\u00e3o moral da se\u00e7\u00e3o e, consequentemente, da LIT. Como ser duro com qualquer militante, se se pactua com um dirigente com a justificativa de n\u00e3o perder a se\u00e7\u00e3o? Quem cede ou negocia neste terreno destr\u00f3i o partido na sua base moral, na confian\u00e7a na solidariedade destes camaradas e, neste caso, na defesa da mulher e no combate \u00e0 sua opress\u00e3o. Quem cede numa quest\u00e3o pode ceder em qualquer outra quest\u00e3o de princ\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Que tipo de moral queremos construir?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, esta n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o menor. A resposta passa por uma educa\u00e7\u00e3o sobre a moral revolucion\u00e1ria. Sem uma compreens\u00e3o marxista, \u00e9 muito dif\u00edcil resistir \u00e0s press\u00f5es dos aparatos e da moral burguesa decadente. Devemos incorporar \u00e0 nossa tarefa de constru\u00e7\u00e3o a <strong>reeduca\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia sobre a moral revolucion\u00e1ria<\/strong>. Temos que recordar que, como qualquer agrupamento humano, \u00e9 necess\u00e1rio que cada militante tenha clareza sobre a necessidade da moral revolucion\u00e1ria e seus fundamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos apresentar um <strong>dec\u00e1logo<\/strong> sobre o que se deve fazer ou n\u00e3o no terreno moral. Mas se a dire\u00e7\u00e3o da LIT e cada dire\u00e7\u00e3o nacional encararem essa quest\u00e3o com a devida import\u00e2ncia, podem fazer avan\u00e7ar muito a concep\u00e7\u00e3o da moral revolucion\u00e1ria da milit\u00e2ncia, tomando cada caso importante, seja positivo, seja negativo, para tirar as conclus\u00f5es para o conjunto. Podemos aproveitar cada uma delas para educar a enfrentar os problemas desse tipo no partido e no movimento oper\u00e1rio. Uma das consequ\u00eancias disso pode ser n\u00e3o s\u00f3 interna, mas um avan\u00e7o na rela\u00e7\u00e3o com a classe oper\u00e1ria. Tivemos exemplos de como essa pr\u00e1tica pode fortalecer. Vamos citar, neste texto, uma experi\u00eancia que conhecemos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O caso G. na Espanha<\/strong> \u2013 Em primeiro lugar, independentemente do fato de ser dirigente da se\u00e7\u00e3o espanhola na \u00e9poca, foi tratado com todo rigor frente \u00e0 grave acusa\u00e7\u00e3o. Uma vez comprovada a acusa\u00e7\u00e3o, foi sancionado e expulso do partido, o que depois foi confirmado e reafirmado pelo congresso mundial da LIT. Por decis\u00e3o do congresso, foi comunicada a situa\u00e7\u00e3o deste ex-dirigente \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es da esquerda com as quais temos rela\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com todo o orgulho que devemos ter para manter nossa trajet\u00f3ria e nossos crit\u00e9rios, precisamos socializar essas e outras experi\u00eancias que tenhamos e que muitas vezes aproveitamos para educar a milit\u00e2ncia e construir um perfil frente \u00e0 vanguarda. Devemos come\u00e7ar a fazer conscientemente este tipo de discuss\u00f5es e a divulga\u00e7\u00e3o de exemplos a partir de agora em cada um de nossos partidos e em toda a LIT.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais ainda, acreditamos que nossa interven\u00e7\u00e3o para fora, no movimento oper\u00e1rio, deve assumir a recupera\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es da moral prolet\u00e1ria. Nossos partidos devem ser exemplos vivos e lutar por esse tipo de regime e de moral nas organiza\u00e7\u00f5es do movimento de massas, lutando contra as burocracias, os stalinistas e os revisionistas do trotskismo nesse terreno. N\u00e3o se pode lutar consequentemente contra o imperialismo e seus Estados, contra as burocracias, como o PT e os PCs, sem dar esse combate aberto baseado numa compreens\u00e3o superior desses problemas e princ\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe todo um terreno em que podemos e devemos dar esse combate: na den\u00fancia da degenera\u00e7\u00e3o moral do capitalismo imperialista decadente, dos governos e das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e na afirma\u00e7\u00e3o da moral prolet\u00e1ria. Se, por um lado, a d\u00e9cada de 1990 e a ofensiva ideol\u00f3gica reacion\u00e1ria criaram um tel\u00e3o de fundo que favoreceu a degenera\u00e7\u00e3o e a perda de refer\u00eancias da classe no campo moral, a situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e a queda do stalinismo abrem um espa\u00e7o para uma ofensiva nesse terreno.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda do stalinismo abriu um espa\u00e7o amplo, sob a condi\u00e7\u00e3o de estarmos \u00e0 altura em todos os aspectos. Se formos a vanguarda na afirma\u00e7\u00e3o desses princ\u00edpios, se formos um exemplo vivo, vamos atrair o melhor do ativismo, vamos encontrar companheiros <strong>que, mesmo que n\u00e3o tenham acordo total com nosso programa, nos admiram por nossa metodologia e nossa for\u00e7a moral<\/strong>, em contraposi\u00e7\u00e3o ao vale-tudo que impera e \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o dos reformistas, dos burgueses e stalinistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da moral na reconstru\u00e7\u00e3o da IV<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No nosso \u00faltimo Congresso alertamos para o fato de que n\u00e3o basta ter um programa e uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria. \u00c9 necess\u00e1ria uma concep\u00e7\u00e3o e uma estrutura bolcheviques para construir um partido revolucion\u00e1rio. Queremos alertar que <strong>tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria uma moral partid\u00e1ria<\/strong> bolchevique para que esse partido e a Internacional sejam s\u00f3lidos. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre ambas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um erro achar que um partido revolucion\u00e1rio \u00e9 constru\u00eddo <strong>somente com pol\u00edtica<\/strong>. Se a LIT e seus partidos n\u00e3o forem capazes de demonstrar que t\u00eam uma moral revolucion\u00e1ria, que n\u00e3o retrocedem para enfrentar seus problemas, inclusive quando s\u00e3o graves e quando afetam seus dirigentes, n\u00e3o ter\u00e3o futuro. Isso deve ter consequ\u00eancias de fundo na vida cotidiana de nossas organiza\u00e7\u00f5es, na educa\u00e7\u00e3o de toda uma nova gera\u00e7\u00e3o de militantes e no combate \u00e0s press\u00f5es e aos desvios que todo partido sofre por estar inserido na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que tipo de militante a IV necessita?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Partimos da vis\u00e3o de Moreno de que nossa moral \u00e9 uma moral para travar uma luta implac\u00e1vel para derrotar um inimigo n\u00e3o menos implac\u00e1vel: os exploradores e o imperialismo. Por isso, a obriga\u00e7\u00e3o moral n\u00famero um de cada militante, o dever moral mais sagrado, subordinando a isso a pr\u00f3pria vida, \u00e9 fortalecer o partido e o desenvolvimento da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No partido ocorre uma rela\u00e7\u00e3o distinta entre o indiv\u00edduo e o coletivo: n\u00e3o h\u00e1 nada superior como indiv\u00edduo que o camarada do partido. Nossa moral baseia-se em que a vida do companheiro \u00e9 mais importante que a nossa. Nosso dever de militante para com o partido exige fazer tudo o que possa ajudar a desenvolver <strong>cada camarada<\/strong>, cada militante, seja no sentido f\u00edsico, intelectual ou moral, porque isso fortalece o partido e o nosso objetivo final: a destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo e do comunismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso vai exigir sacrif\u00edcio de cada um de n\u00f3s (mudar de trabalho, transferir-se de cidade ou pa\u00eds, adiar planos profissionais ou conseguir bens), mas se for necess\u00e1rio para fortalecer e apoiar o desenvolvimento do partido, para lutar por uma vida melhor para todos, ent\u00e3o se justifica plenamente. Como dizia Nadeska Krupskaia em <em>A Personalidade de L\u00eanin<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Com o exemplo de sua vida, L\u00eanin mostrou como se devia proceder. N\u00e3o podia nem sabia viver de outra maneira. N\u00e3o era um asceta, gostava de patinar, andar de bicicleta, escalar montanhas, ca\u00e7ar; amava a m\u00fasica, amava a vida em sua beleza m\u00faltipla, amava os camaradas, os homens. Todos sabem de sua simplicidade, de seu riso alegre e contagioso. No entanto, subordinou tudo isso \u00e0 luta por uma vida luminosa, cultivada, c\u00f4moda, plena e alegre para todos. Sua maior alegria eram sempre os \u00eaxitos nessa luta. Sua personalidade se fundia, sem nenhum esfor\u00e7o, com sua atividade social&#8230; <\/em>\u00ab.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a lealdade, a camaradagem e a franqueza entre camaradas s\u00e3o t\u00e3o importantes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A lealdade entre os revolucion\u00e1rios \u00e9 uma das caracter\u00edsticas mais importantes na constru\u00e7\u00e3o de uma moral comunista. A franqueza \u00e9 a base da confian\u00e7a. Sem construir a confian\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 como sustentar o centralismo democr\u00e1tico e isso exige um esfor\u00e7o permanente. Sobretudo em um momento em que a LIT passa por reunifica\u00e7\u00f5es, fus\u00f5es, incorpora\u00e7\u00f5es de novas organiza\u00e7\u00f5es e de toda uma nova gera\u00e7\u00e3o de militantes jovens, \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer essa moral partid\u00e1ria. E tamb\u00e9m criar os anticorpos contra todo tipo de intrigas ou cal\u00fanias que envenenam o ambiente e destroem a confian\u00e7a entre todos. Se um companheiro tem uma cr\u00edtica dura, deve poder faz\u00ea-la sem medo nos organismos do partido. As intrigas, mentiras ou cal\u00fanias debilitam a moral partid\u00e1ria porque minam a confian\u00e7a necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A camaradagem, a preocupa\u00e7\u00e3o e solidariedade permanentes entre os militantes devem ser cultivadas em nossos partidos e na LIT. A preocupa\u00e7\u00e3o com os problemas que afetam a vida de cada camarada deve ser parte de nossa vida e isso fortalece a moral partid\u00e1ria: os companheiros sentem-se fortalecidos quando percebem que o partido e seus camaradas se preocupam sinceramente com os demais, e quando t\u00eam problemas, o ajudam a encontrar uma sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da Comiss\u00e3o de Moral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A luta de Trotsky contra as cal\u00fanias e am\u00e1lgamas de Stalin deixou ensinamentos preciosos de como abordar os problemas morais que ocorrem no movimento oper\u00e1rio e no partido revolucion\u00e1rio. A tradi\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio internacional, desde o s\u00e9culo XIX, \u00e9 que, em caso de den\u00fancia que envolva aspectos morais, s\u00e3o criadas inst\u00e2ncias pr\u00f3prias do movimento oper\u00e1rio, cuja composi\u00e7\u00e3o se baseia em personalidades com capacidade de ju\u00edzo e conduta inquestion\u00e1vel, para garantir que sua investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja contaminada por eventuais diverg\u00eancias pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky retomou essa tradi\u00e7\u00e3o para enfrentar a gigantesca onda de ataques morais, am\u00e1lgamas e cal\u00fanias impulsionadas pelo stalinismo contra as organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, contra a figura de Trotsky, os velhos bolcheviques e toda a vanguarda revolucion\u00e1ria. Trotsky pediu a forma\u00e7\u00e3o de um Tribunal Moral, que se concretizou na Comiss\u00e3o Dewey, onde ele se apresentou para responder \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de Stalin diante de uma inst\u00e2ncia que permitisse dar uma senten\u00e7a indiscut\u00edvel sobre as cal\u00fanias.<\/p>\n\n\n\n<p>A IV Internacional tamb\u00e9m extraiu li\u00e7\u00f5es dessa luta contra o stalinismo no terreno moral. O stalinismo utilizava sua maioria nos organismos de dire\u00e7\u00e3o para que esses julgassem acusa\u00e7\u00f5es morais contra dirigentes que tinham posi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, e esses organismos tomavam para si a \u00abtarefa\u00bb de castig\u00e1-los. Assim se valiam de uma maioria pol\u00edtica para desmoralizar dirigentes opositores naquilo que \u00e9 mais precioso para um revolucion\u00e1rio: uma moral intoc\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, a tradi\u00e7\u00e3o da IV Internacional \u00e9 formar Comiss\u00f5es de Controle ou de Moral especiais para zelar pela moral partid\u00e1ria. Estas comiss\u00f5es s\u00e3o eleitas pelos congressos e s\u00f3 respondem ao pr\u00f3ximo congresso, ou seja, s\u00e3o independentes do Comit\u00ea Central ou da dire\u00e7\u00e3o, e t\u00eam plenos poderes para tomar resolu\u00e7\u00f5es sobre as quest\u00f5es que afetam a moral, que devem ser acatadas por todos os militantes e organismos, inclusive pela dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na LIT, por estatuto, temos uma Comiss\u00e3o de Controle Internacional (CCI) eleita no congresso com o crit\u00e9rio de separar completamente esse tipo de quest\u00f5es e garantir-lhes um tratamento objetivo, cujas decis\u00f5es t\u00eam de ser acatadas por todas as inst\u00e2ncias de dire\u00e7\u00e3o. Os estatutos da LIT preveem que \u201c<em>o Congresso Mundial elege uma Comiss\u00e3o de Controle Internacional de tr\u00eas membros, (&#8230;) gozando de uma ampla reputa\u00e7\u00e3o de objetividade. Esta comiss\u00e3o, eleita por no m\u00ednimo \u00be dos delegados tem a fun\u00e7\u00e3o irrevog\u00e1vel e inapel\u00e1vel de examinar os casos referentes a a\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com a moral prolet\u00e1ria e revolucion\u00e1ria e decidir sob sua consci\u00eancia. A Comiss\u00e3o de Controle Internacional s\u00f3 responde diante o Congresso Mundial e todas as demais inst\u00e2ncias nacionais e internacionais est\u00e3o obrigadas a colaborar com o tema que examina e considera pertinente. As acusa\u00e7\u00f5es que a Comiss\u00e3o de Controle Internacional <em>examina<\/em><\/em> <em>s\u00e3o assumidas por pedido do CEI, do SI ou por iniciativa pr\u00f3pria<\/em>.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito importante para a manuten\u00e7\u00e3o da moral revolucion\u00e1ria da LIT a exist\u00eancia de organismos pr\u00f3prios de extrema objetividade e respeitados pelo conjunto da milit\u00e2ncia da internacional. Esta comiss\u00e3o zela para separar os problemas morais dos problemas pol\u00edticos e impedir que a justi\u00e7a burguesa, inimiga de classe, acabe por resolver este tipo de problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes organismos devem tamb\u00e9m existir nas se\u00e7\u00f5es para tomar estas quest\u00f5es. S\u00f3 um organismo deste tipo pode resolver casos que envolvam viola\u00e7\u00f5es da moral em lit\u00edgio ou com vers\u00f5es conflitivas entre militantes. Por exemplo, no caso do MST boliviano, a organiza\u00e7\u00e3o era se\u00e7\u00e3o oficial da LIT e n\u00e3o possu\u00eda Comiss\u00e3o de Controle. De acordo com uma compreens\u00e3o mais clara da import\u00e2ncia da moral, uma das decis\u00f5es deste congresso \u00e9 que <strong>cada se\u00e7\u00e3o <\/strong>da LIT deve possuir sua pr\u00f3pria Comiss\u00e3o de Controle com as caracter\u00edsticas indicadas por esse crit\u00e9rio geral do nosso estatuto. Devemos formar essas comiss\u00f5es garantindo que sejam formadas por quadros de trajet\u00f3ria inquestion\u00e1vel e com experi\u00eancia e discernimento para enfrentar quest\u00f5es que t\u00eam a ver com a defesa da moral partid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para garantir a prioridade, dada a import\u00e2ncia das tarefas da CCI e das CCs de cada se\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental, al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria no campo moral, o fortalecimento e o apoio de toda a LIT, come\u00e7ando por sua dire\u00e7\u00e3o e as das se\u00e7\u00f5es, ao funcionamento das Comiss\u00f5es de Controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que, levando em conta o processo pelo qual passamos, as dificuldades, a juventude a inexperi\u00eancia de algumas de nossas se\u00e7\u00f5es nesse terreno, \u00e9 necess\u00e1rio que a Comiss\u00e3o de Controle Internacional tenha uma comunica\u00e7\u00e3o com as comiss\u00f5es de controle nacionais para que possam trocar e construir crit\u00e9rios de procedimento e decis\u00f5es que se apoiem na experi\u00eancia da IV e da nossa corrente e que sejam comuns a toda a LIT-CI.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da LIT e da dire\u00e7\u00e3o dos partidos na quest\u00e3o moral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui cabe esclarecer uma confus\u00e3o gerada por n\u00e3o dar a devida import\u00e2ncia \u00e0 quest\u00e3o no \u00faltimo per\u00edodo. Por um erro da dire\u00e7\u00e3o da LIT, que n\u00e3o tinha tirado todas as conclus\u00f5es do problema da destrui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no campo moral, ficou a ideia de que os problemas de moral s\u00f3 interessam \u00e0 Comiss\u00e3o de Controle e que a \u00faltima tarefa da dire\u00e7\u00e3o \u00e9 comunic\u00e1-los \u00e0 CCI. \u00c9 verdade que quem investiga e resolve estes casos s\u00e3o as CCI ou as Comiss\u00f5es de Moral das se\u00e7\u00f5es. Mas existem tarefas da dire\u00e7\u00e3o internacional neste terreno: uma \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 encaminha os casos concretos \u00e0 CCI, como diz o Estatuto, mas tamb\u00e9m garante todas as medidas, zela para que a CCI tenha todos os meios para resolv\u00ea-los, e deve acompanhar os problemas que se apresentarem nessa marcha para identific\u00e1-los e ver se est\u00e3o resolvidos. O mesmo deve ser aplicado a cada se\u00e7\u00e3o nacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dire\u00e7\u00e3o nacional com a respectiva Comiss\u00e3o de Controle.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra grande tarefa, na qual estivemos d\u00e9beis no \u00faltimo per\u00edodo \u00e9 a necessidade de educar te\u00f3rica e programaticamente a milit\u00e2ncia na moral revolucion\u00e1ria. O mesmo deve acontecer em todas as se\u00e7\u00f5es da LIT. Como parte desta tarefa, e para come\u00e7ar a divulgar nossas posi\u00e7\u00f5es nesse terreno, devemos divulgar este material e armar nossa milit\u00e2ncia para que possa fazer esta discuss\u00e3o nos organismo do movimento e junto a toda a vanguarda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"90649b4e-b2f9-42c3-b24f-066d5319db90\">N. Moreno, <em>Moral bolche ou espontane\u00edsta?<\/em>, Caderno de Forma\u00e7\u00e3o, 1987. <a href=\"#90649b4e-b2f9-42c3-b24f-066d5319db90-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ce907f19-50bb-425c-ba7a-5468ef0b3c9a\">Trotsky analisa como parecia haver certas regras elementares de moral na \u00e9poca do capitalismo ascendente e de melhoria relativa das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe oper\u00e1ria e certa &#8216;paz social&#8217;. E como a irrup\u00e7\u00e3o da guerra mundial fez as institui\u00e7\u00f5es da democracia explodirem e, junto com isto, \u00abas fr\u00e1geis regras elementares da moral\u00bb. A mentira, a cal\u00fania, a venalidade, a corrup\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia, o assassinato tomaram propor\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas. Os esp\u00edritos simples, confundidos, acharam que tais inconvenientes eram o resultado moment\u00e2neo da guerra. Na realidade, eram e continuam sendo manifesta\u00e7\u00f5es da decad\u00eancia do imperialismo. <a href=\"#ce907f19-50bb-425c-ba7a-5468ef0b3c9a-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4de77424-71bc-4a9b-991a-7e2aaebd5b18\">L. Trotsky, <em>Moral e revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. <a href=\"#4de77424-71bc-4a9b-991a-7e2aaebd5b18-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"bd0bfcc3-8240-4d55-a8cb-82cd6cebd8da\">Quarta Internacional \u2013 Comit\u00ea Internacional, organiza\u00e7\u00e3o conjunta formada em 1980 pela corrente morenista e a lambertista. <a href=\"#bd0bfcc3-8240-4d55-a8cb-82cd6cebd8da-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"85c12f74-bc13-4dae-9a53-55c17062cf8b\">M\u00e1ximo dirigente do PO argentino. <a href=\"#85c12f74-bc13-4dae-9a53-55c17062cf8b-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fac37ad2-475b-4624-aed2-ac93d5c75c1c\">Nome do sistema de corrup\u00e7\u00e3o que envolveu a c\u00fapula do governo, do PT e todos os parlamentares importantes e alas do partido. A DS estava vinculada atrav\u00e9s do PT do Rio Grande do Sul. <a href=\"#fac37ad2-475b-4624-aed2-ac93d5c75c1c-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O problema moral torna-se a cada dia mais candente em todos os \u00e2mbitos da vida, mas principalmente na milit\u00e2ncia de esquerda. A moral das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias est\u00e1 sob permanente press\u00e3o da moral burguesa, sobretudo em uma \u00e9poca de decad\u00eancia como a que vivemos. Recuperar e manter a moral revolucion\u00e1ria \u00e9 uma necessidade de vida ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8584,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"N. 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