{"id":8472,"date":"2025-04-14T19:19:06","date_gmt":"2025-04-14T19:19:06","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8472"},"modified":"2025-04-14T19:19:06","modified_gmt":"2025-04-14T19:19:06","slug":"o-surgimento-e-o-papel-do-reformismo-estalinista-e-social-democrata-antes-e-depois-da-segunda-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/04\/14\/o-surgimento-e-o-papel-do-reformismo-estalinista-e-social-democrata-antes-e-depois-da-segunda-guerra\/","title":{"rendered":"O surgimento e o papel do reformismo stalinista e social-democrata"},"content":{"rendered":"\n<p>A III Internacional, com a for\u00e7a da vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, rapidamente adquiriu influ\u00eancia de massas em uma disputa frontal com a social-democracia. Sua estrat\u00e9gia era a revolu\u00e7\u00e3o mundial, a luta pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas e pelo poder oper\u00e1rio como transi\u00e7\u00e3o para o socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o isolamento da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, a destrui\u00e7\u00e3o causada pela guerra civil contra o poder oper\u00e1rio devido \u00e0s invas\u00f5es dos mais de 20 ex\u00e9rcitos mantidos pelas pot\u00eancias imperialistas em um pa\u00eds atrasado e com um grande peso do campo, gerou um processo de burocratiza\u00e7\u00e3o do Estado e do partido comunista, levando a uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Encabe\u00e7ada pela fra\u00e7\u00e3o dirigida por Stalin, esta assumiu o controle do poder e do partido e imprimiu uma orienta\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 de Lenin.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, mudou a pol\u00edtica de Lenin e a vis\u00e3o marxista de que, para triunfar, o socialismo precisava ser mundial. Tamb\u00e9m acabou com a democracia no Estado e no partido. Esses princ\u00edpios foram substitu\u00eddos pela defesa do \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d, pela burocratiza\u00e7\u00e3o do aparato estatal, pela persegui\u00e7\u00e3o aos opositores no partido e no Estado e pela opress\u00e3o das nacionalidades e de todos os setores oprimidos. Coroando esses retrocessos, surgiu a nova doutrina, o stalinismo, que assumiu como pol\u00edtica, para os pa\u00edses coloniais e semicoloniais, a alian\u00e7a estrat\u00e9gica com as burguesias nacionais ou seus setores supostamente progressistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O stalinismo passou a defender os governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes, as chamados frentes populares com a burguesia, como na Fran\u00e7a e na Espanha da d\u00e9cada de 1930.<\/strong><br>Como afirmava Trotsky no Programa de Transi\u00e7\u00e3o, em 1938:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"is-style-default\">\u201c<em>A Internacional Comunista alinhou-se no caminho da social-democracia na \u00e9poca do capitalismo em decomposi\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o h\u00e1 mais lugar para reformas sociais sistem\u00e1ticas nem para a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida das massas, quando a burguesia retoma sempre com a m\u00e3o direita o dobro do que deu com a esquerda, quando cada reivindica\u00e7\u00e3o s\u00e9ria do proletariado, e at\u00e9 mesmo cada reivindica\u00e7\u00e3o progressista da pequena burguesia leva, inevitavelmente, al\u00e9m dos limites da propriedade capitalista e do Estado burgu\u00eas.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, o stalinismo assumiu as posi\u00e7\u00f5es essenciais do reformismo e passou a defender a via das reformas e a confian\u00e7a na democracia burguesa, abandonando de vez a independ\u00eancia de classe.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Colabora\u00e7\u00e3o com a burguesia. O p\u00f3s-Segunda Guerra e o Estado de bem-estar<\/strong> social<\/h6>\n\n\n\n<p>Na Segunda Guerra Mundial ocorreu uma das maiores batalhas e uma das maiores vit\u00f3rias dos trabalhadores e dos povos do mundo: a derrota do nazifascismo. Isso, apesar de todas as trai\u00e7\u00f5es, dos acordos da Inglaterra e da Fran\u00e7a com o nazismo, dos pactos de Stalin com Hitler em 1938 \u2013 o papel das massas na URSS, como em Stalingrado, foi decisivo nessa luta e nessa vit\u00f3ria, apesar da sua dire\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, os partidos comunistas sa\u00edram prestigiados pela resist\u00eancia e pela vit\u00f3ria final contra os nazistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso possibilitou aos partidos comunistas uma situa\u00e7\u00e3o privilegiada. Frente \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o das burguesias locais com Hitler e Mussolini, ap\u00f3s a invas\u00e3o da URSS pelos alem\u00e3es em 1941, os comunistas desempenharam papel destacado na guerrilha iugoslava, nas resist\u00eancias francesa e italiana, na resist\u00eancia grega, na China e no Vietn\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da Segunda Guerra Mundial, abriu-se uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em toda a Europa. A resist\u00eancia assumia o controle de pa\u00edses decisivos. Estava-se cogitando a possibilidade de tomar o poder em pa\u00edses-chave. Uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular abriu-se na Fran\u00e7a, na It\u00e1lia e na Gr\u00e9cia. Os trabalhadores armados e vitoriosos haviam destru\u00eddo o ocupante nazista e o Estado burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob as ordens de Stalin, ele apostou totalmente nos pactos de Yalta e Potsdam e na coexist\u00eancia com o imperialismo, inclusive dissolvendo a III Internacional em 1943, a pedido de Winston Churchill. Essa trai\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o e ao legado de Lenin permitiu, por exemplo, o massacre da resist\u00eancia grega por parte do ex\u00e9rcito ingl\u00eas, e os partidos comunistas entregaram o poder \u00e0 burguesia na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de uma situa\u00e7\u00e3o explosiva na Europa, o imperialismo foi for\u00e7ado a fazer uma s\u00e9rie de concess\u00f5es aos trabalhadores e permitir que a social-democracia e os partidos comunistas justificassem seu apoio aos novos governos de \u201cunidade nacional pela paz\u201d. O imperialismo estadunidense organizou o Plano Marshall para financiar a reconstru\u00e7\u00e3o capitalista da Europa Ocidental, arrasada pela guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de medidas de prote\u00e7\u00e3o social, antes rejeitadas pelas burguesias imperialistas, acabou sendo implementada, como a legaliza\u00e7\u00e3o de diversos direitos trabalhistas e a cria\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o da seguridade social. Esse foi o chamado <em>welfare state<\/em> (Estado de bem-estar social), que, ao trazer melhorias no n\u00edvel de vida, passou a ser apresentado como \u201cprova\u201d da possibilidade de uma reforma gradual do capitalismo \u2013 um modelo que poderia ser mantido e expandido.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, os reformistas conseguiram retomar seu prest\u00edgio ao capitalizarem o per\u00edodo em que, devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o causada pela guerra e ao medo de uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, a burguesia viu-se obrigada a permitir uma melhora importante nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e nos direitos sociais. A social-democracia e os partidos comunistas apresentaram-se como defensores dos direitos sociais, reestruturaram-se na Europa Ocidental e passaram, com frequ\u00eancia, a integrar os governos da Alemanha, da Inglaterra, da Fran\u00e7a, entre outros pa\u00edses. Isso ocorreu nos anos 1950 e perdurou at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1960, com fortes partidos reformistas \u2013 fossem eles socialistas ou comunistas \u2013 em toda a Europa Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que avan\u00e7avam os anos 1940 e come\u00e7avam os anos 1950, a press\u00e3o do imperialismo anglo-americano na chamada Guerra Fria gerou um discurso mais duro por parte da burocracia stalinista. No entanto, o stalinismo nunca rompeu seu compromisso com a ordem mundial definida em Yalta e Potsdam. Ele passou a adotar uma postura de colabora\u00e7\u00e3o aberta e de \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d com o imperialismo. A partir dessa doutrina, os discursos passaram a defender o di\u00e1logo e a concilia\u00e7\u00e3o, com os partidos comunistas contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o imperialista no mundo e do Estado burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do final dos anos 1950, os partidos comunistas passaram a ser campe\u00f5es no apoio a governos burgueses supostamente progressistas em todos os continentes. Na It\u00e1lia, por exemplo, defenderam o \u201ccompromisso hist\u00f3rico\u201d entre o Partido Comunista \u2013 o maior partido comunista do Ocidente \u2013 e a Democracia Crist\u00e3, o maior partido burgu\u00eas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Am\u00e9rica Latina: fracasso do reformismo e do nacionalismo burgu\u00eas no mundo semicolonial<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, entre os anos 1950 e 1970, as presen\u00e7as do reformismo e do nacionalismo burgu\u00eas seguiram o caminho de chegar ao poder para tentar desviar os processos revolucion\u00e1rios: desde a Bol\u00edvia, em 1952, at\u00e9 a Argentina, com Per\u00f3n. Nesses processos, em nome da alian\u00e7a com a burguesia, os partidos comunistas apoiaram os chamados governos progressistas, como o de Jo\u00e3o Goulart, no Brasil (1962\u20131963), e a Unidade Popular de Allende, no Chile (1970\u20131973). Em nome dessas alian\u00e7as, passaram a defender a legalidade e o Estado, e invocaram a confian\u00e7a nas for\u00e7as armadas \u2013 consideradas patri\u00f3ticas \u2013, desarmando, assim, a resist\u00eancia aos golpes, tanto no Brasil quanto no Chile.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Neoliberalismo. A crise na social-democracia e no stalinismo<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A social-democracia, que se havia fortalecido na reconstru\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra e por sua identifica\u00e7\u00e3o com o Estado de bem-estar social, come\u00e7ou a sofrer um forte desgaste no final dos anos 1960. Nesse momento, iniciaram-se os ataques a esses direitos sociais \u2013 ataques que vieram tanto da direita quanto dos pr\u00f3prios social-democratas, quando estes estavam no governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, na Alemanha e na Espanha do p\u00f3s-Franco, a partir dos anos 1970 e durante os anos 1980, esse desgaste se aprofundou com a implementa\u00e7\u00e3o do chamado \u201cneoliberalismo\u201d. Essa pol\u00edtica econ\u00f4mica consistia em reduzir os direitos conquistados em nome de um \u201cEstado menor\u201d e da \u201cliberdade de iniciativa\u201d. Iniciado por Margaret Thatcher (Reino Unido) e Ronald Reagan (Estados Unidos) e experimentado na ditadura chilena de Augusto Pinochet, o neoliberalismo acabou sendo adotado tamb\u00e9m por governos social-democratas \u2013 Mitterrand, na Fran\u00e7a (1981\u20131988); Felipe Gonz\u00e1lez, na Espanha (anos 1980); os laboristas, na Inglaterra; e os social-democratas, na Alemanha. Desse processo surgiu a terceira via, defendida pelo laborista Tony Blair, primeiro-ministro brit\u00e2nico (1997\u20132007).<\/p>\n\n\n\n<p>Surgiu, ent\u00e3o, o fen\u00f4meno do eurocomunismo, tendo como carro-chefe o Partido Comunista italiano. Levando at\u00e9 o fim a pol\u00edtica de aceitar o Estado burgu\u00eas em nome da democracia, formulou-se a doutrina da \u201cdemocracia como valor universal\u201d. Para esses, a evolu\u00e7\u00e3o da democracia conduziria ao socialismo sem a necessidade de revolu\u00e7\u00f5es sociais \u2013 ou seja, adotaram um programa similar ao que a social-democracia havia defendido no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras vertentes do stalinismo, como o mao\u00edsmo e o castrismo, apesar da estrat\u00e9gia guerrilheira que, num primeiro momento, atraiu a simpatia de milhares de militantes, acabaram por se tornar a express\u00e3o das burocracias que governam a China e Cuba. Em pouco tempo, passaram a apoiar as mesmas burguesias progressistas e colocaram-se contra a tomada do poder pelos trabalhadores em uma s\u00e9rie de revolu\u00e7\u00f5es. Fidel Castro demonstrou isso ao apoiar a alian\u00e7a de Allende com a burguesia no Chile e tamb\u00e9m ao dizer, aos sandinistas, durante a Revolu\u00e7\u00e3o de 1979, que n\u00e3o se deveria expropriar a burguesia, mas sim aliar-se a ela. \u201cA Nicar\u00e1gua n\u00e3o deveria ser uma nova Cuba\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a burocracia chinesa quanto a cubana foram a linha de frente na restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo em seus pa\u00edses. Hoje, o Partido Comunista cubano representa a nova burguesia que restaurou o capitalismo na Ilha. Por sua vez, o Partido Comunista chin\u00eas transformou-se em um partido que governa, de maneira totalit\u00e1ria, o Estado capitalista chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na ex-URSS, partidos eurocomunistas como o Partido Comunista italiano completaram um processo de reconvers\u00e3o em partidos burgueses.<\/p>\n\n\n\n<p>A social-democracia e o que restou dos antigos partidos stalinistas, como os de Portugal ou da Fran\u00e7a, transformaram-se em partidos do \u201c<em>establishment<\/em>\u201d, cujo programa \u00e9 a defesa do Estado burgu\u00eas. Dessa forma, tornaram-se instrumentos auxiliares para que a burguesia implementasse sua guerra social e destru\u00edsse o Estado de bem-estar social.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Artigo publicado em <a class=\"\" href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\">www.pstu.org.br<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A III Internacional, com a for\u00e7a da vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, rapidamente adquiriu influ\u00eancia de massas em uma disputa frontal com a social-democracia. Sua estrat\u00e9gia era a revolu\u00e7\u00e3o mundial, a luta pela destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas e pelo poder oper\u00e1rio como transi\u00e7\u00e3o para o socialismo. 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