{"id":8483,"date":"2025-04-14T19:47:33","date_gmt":"2025-04-14T19:47:33","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8483"},"modified":"2025-04-14T19:47:33","modified_gmt":"2025-04-14T19:47:33","slug":"reforma-ou-revolucao-como-essa-luta-foi-decisiva-para-o-desfecho-vitorioso-da-revolucao-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/04\/14\/reforma-ou-revolucao-como-essa-luta-foi-decisiva-para-o-desfecho-vitorioso-da-revolucao-de-outubro\/","title":{"rendered":"Reforma ou revolu\u00e7\u00e3o: o embate que decidiu a  vit\u00f3ria em outubro de 1917."},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Na forma\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, v\u00e1rias teorias foram sendo superadas, como o utopismo dos primeiros socialistas, que ainda continham a vis\u00e3o burguesa em seu seio, pois correspondia \u00e0 sua \u201cinf\u00e2ncia\u201d; um fen\u00f4meno que vem desde a origem do movimento oper\u00e1rio no s\u00e9culo XIX.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marx e Engels citaram essas ideias na parte final do <em>Manifesto Comunista<\/em> e, por isso, combateram-nas ideologicamente de forma permanente. Naquele momento, o utopismo e o reformismo eram associados \u00e0s correntes que ainda preservavam as ideias dominantes anteriores. Em sua trajet\u00f3ria, estreitamente vinculada \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos partidos oper\u00e1rios na Europa e \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, Marx e Engels tiveram que travar duras pol\u00eamicas com os setores sindicalistas que ainda refletiam a imaturidade da classe, ao mesmo tempo em que sofriam as press\u00f5es das classes dominantes. Com a conforma\u00e7\u00e3o da Primeira Internacional, surgiram diversas controv\u00e9rsias para superar os erros desses setores.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo dessas pol\u00eamicas, podemos citar a defesa da Comuna de Paris em 1871 e a conclus\u00e3o da necessidade de destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas, ou ainda a discuss\u00e3o do Programa de Gotha (1875), congresso que formou o SPD alem\u00e3o. Contudo, at\u00e9 aquele momento, a quest\u00e3o do reformismo ainda n\u00e3o havia assumido a import\u00e2ncia e as ra\u00edzes que viria a tomar mais adiante, como um tremendo obst\u00e1culo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria \u2013 determinando derrotas profundas, como a bancarrota da Segunda Internacional e da Terceira Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>No desenvolvimento da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, o papel do reformismo foi muito grande e a revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 p\u00f4de triunfar devido \u00e0 exist\u00eancia do Partido Bolchevique, que se op\u00f4s e derrotou os reformistas na disputa pelo apoio da classe oper\u00e1ria e do povo, possibilitando a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>I \u2013 O reformismo tornou-se predominante e levou \u00e0 bancarrota da II Internacional<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A primeira vez que um socialista de relev\u00e2ncia participou de um governo burgu\u00eas (o deputado Millerand, na Fran\u00e7a, em 1899) p\u00f4s \u00e0 prova o programa e a pr\u00e1tica dos socialistas, causando uma grave crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Rosa Luxemburgo denunciava o significado dessa participa\u00e7\u00e3o: relegar os socialistas franceses a serem os sustentadores do governo burgu\u00eas do Partido Radical, incapazes at\u00e9 mesmo de criticar abertamente ou propor medidas mais radicais no governo em que participavam, por medo de que este renunciasse \u2013 justificando que, se o fizessem, outro governo burgu\u00eas ainda mais reacion\u00e1rio assumiria. Esse epis\u00f3dio gerou rep\u00fadio na \u00e9poca, tanto na social-democracia quanto na II Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o epis\u00f3dio franc\u00eas expressava na pr\u00e1tica posi\u00e7\u00f5es j\u00e1 firmemente presentes na dire\u00e7\u00e3o da social-democracia alem\u00e3 e da II Internacional, cujo centro dirigente era o SPD alem\u00e3o. As bases materiais para essa concep\u00e7\u00e3o reformista situavam-se no per\u00edodo de crescimento do capitalismo na segunda metade do s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a Comuna de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse per\u00edodo possibilitou conquistas importantes ao proletariado, como aumentos salariais, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, melhores condi\u00e7\u00f5es laborais e maior liberdade organizacional na Europa Ocidental. Sindicatos e partidos social-democratas cresceram e se fortaleceram, gerando uma perspectiva falsa de uma evolu\u00e7\u00e3o gradual no capitalismo, com cada vez mais conquistas e poder pol\u00edtico. A conquista de direitos pol\u00edticos \u2013 como o do sufr\u00e1gio \u2013 possibilitou que, na Alemanha das \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, o Partido Social-Democrata conquistasse cada vez mais parlamentares. Fruto dessa conquista e da press\u00e3o direta que o parlamento e os sindicatos exerciam sobre o partido, uma camada de quadros foi se adaptando ao funcionamento legal e \u00e0 rotina parlamentar, formando uma burocracia partid\u00e1ria, assim como se consolidava uma burocracia pr\u00f3pria nas organiza\u00e7\u00f5es sindicais.<\/p>\n\n\n\n<p>Bernstein foi o dirigente que forneceu a formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica para toda a pr\u00e1tica da social-democracia alem\u00e3 de adapta\u00e7\u00e3o ao sistema parlamentarista, \u00e0 rotina de aprimoramento sindical e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma burocracia na Alemanha. Assim, criou-se a base para a concep\u00e7\u00e3o reformista de que seria poss\u00edvel alcan\u00e7ar o socialismo por meio de reformas, sem a necessidade de rupturas ou da destrui\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas \u2013 ou seja, sem a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. A tese de Bernstein era que a democracia significava a \u201caus\u00eancia de um governo de classe\u201d, isto \u00e9, um Estado em que nenhuma classe governaria, e, portanto, prevaleceria uma \u201cvontade popular\u201d abstrata. A conquista dessa almejada democracia ocorreria por meio de mudan\u00e7as graduais, reformas paulatinas que conduzissem a avan\u00e7os rumo ao socialismo, sem rupturas nem a necessidade de tomada do poder por meio de uma revolu\u00e7\u00e3o social. O socialismo seria uma sociedade a ser alcan\u00e7ada via mudan\u00e7as graduais e pela democratiza\u00e7\u00e3o progressiva do Estado. Bernstein calificava como \u201cblanquismo\u201d qualquer tentativa de tomada do poder pela classe oper\u00e1ria, rotulando-a de \u201cterrorismo oper\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rosa Luxemburgo respondeu em seu cl\u00e1ssico <em>Reforma ou Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u201c<em>Bernstein condena os m\u00e9todos de conquista do poder pol\u00edtico, censurando-os por retomar as teorias blanquistas da viol\u00eancia; ele comete a infelicidade de equiparar o blanquismo a um erro profundamente prejudicial, erro que, desde que existam sociedades de classes, e a luta de classes seja o motor essencial da hist\u00f3ria, a conquista do poder pol\u00edtico sempre foi o objetivo de todas as classes ascendentes, constituindo o ponto de partida e o ponto final de todo o per\u00edodo hist\u00f3rico.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Guerra exp\u00f4s nitidamente o grau de adapta\u00e7\u00e3o da II Internacional e dos partidos social-democratas \u00e0s burguesias, seus Estados e regimes. Uma vez declarada a guerra, os grandes partidos socialistas europeus decidiram apoiar suas respectivas burguesias numa guerra mundial, o que significava empurrar a classe oper\u00e1ria de um pa\u00eds para lutar contra a de outro, matando-se entre si. Isso levou \u00e0 bancarrota da II Internacional. Apenas uma pequena minoria de dirigentes \u2013 como Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, na Alemanha, e os bolcheviques russos \u2013 manteve uma posi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio, convocando a combater seus respectivos governos, a acabar com a guerra e a transform\u00e1-la em guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, essa cat\u00e1strofe que atingiu a II Internacional deixou claro que a adapta\u00e7\u00e3o ao Estado burgu\u00eas havia chegado a um ponto sem retorno, e agora as teorias de Bernstein passaram a ser plenamente adotadas, como ocorreu no partido alem\u00e3o, em um congresso de 1921.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos social-democratas passaram a se tornar obst\u00e1culos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista e demonstraram, durante a onda revolucion\u00e1ria posterior \u00e0 Primeira Guerra Mundial, seu car\u00e1ter abertamente contrarrevolucion\u00e1rio. Ao assumirem o governo em alguns pa\u00edses da Europa, como na Alemanha, passaram de um discurso que propunha lutar por reformas para conter a revolu\u00e7\u00e3o a uma defesa aberta do Estado burgu\u00eas frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria. Quando a Revolu\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 explodiu em 1918, e a monarquia do Kaiser foi derrubada, a social-democracia assumiu o governo e defendeu o Estado burgu\u00eas com os instrumentos da repress\u00e3o. Ficou demonstrado na pr\u00e1tica que o discurso das reformas pac\u00edficas e da democracia n\u00e3o conduzia ao socialismo. Passou-se a reprimir os revolucion\u00e1rios dissidentes da Liga Espartaquista \u2013 que, posteriormente, formaria o Partido Comunista da Alemanha. Os grandes revolucion\u00e1rios Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram assassinados pela pol\u00edcia do governo social-democrata de Ebert.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>III \u2013 Os mencheviques e o car\u00e1ter da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Desde sua funda\u00e7\u00e3o, havia, no interior da social-democracia russa, uma pol\u00eamica sobre a natureza da revolu\u00e7\u00e3o, que se aprofundou com a Revolu\u00e7\u00e3o de 1905. Os mencheviques defendiam que, devido ao atraso da sociedade russa, aos seus resqu\u00edcios feudais, ao fato de que a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o era camponesa e de que o regime era uma monarquia absolutista, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa seria de car\u00e1ter democr\u00e1tico-burgu\u00eas, tendo \u00e0 sua frente a burguesia nacional, apoiada pelo proletariado e pelo campesinato em sua luta conjunta contra a monarquia czarista. Somente ap\u00f3s um longo desenvolvimento do novo regime e das for\u00e7as produtivas sob o capitalismo, a revolu\u00e7\u00e3o socialista prolet\u00e1ria seria proposta. Nesse per\u00edodo ou etapa de desenvolvimento democr\u00e1tico, caberia ao proletariado e \u00e0 social-democracia russa assumir o papel de ala esquerda, lutando para aprofundar as reformas e preparando um novo momento em que a tomada do poder estaria em pauta. Ou seja, qualquer tentativa de revolu\u00e7\u00e3o socialista seria precipitada, um salto sem passar pelas etapas necess\u00e1rias da luta. Essa concep\u00e7\u00e3o equivocada enfraqueceu os mencheviques para a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e, especialmente quando a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro triunfou, tornou-se um poderoso obst\u00e1culo ao seu desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>IV \u2013 O papel dos mencheviques durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, de fevereiro a outubro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A queda da monarquia em fevereiro colocou os socialistas diante da disjuntiva de apoiar ou n\u00e3o o governo provis\u00f3rio. Os mencheviques, coerentes com sua vis\u00e3o de que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa deveria inicialmente ter uma etapa democr\u00e1tica-burgu\u00eas, apoiaram o primeiro governo provis\u00f3rio ap\u00f3s a queda do czar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Considerando que, por si s\u00f3, a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro era essencialmente burguesa \u2013 havia chegado tarde demais e n\u00e3o possu\u00eda, por si, nenhum elemento de estabilidade \u2013 estando dilacerada por contradi\u00e7\u00f5es que se manifestaram desde o in\u00edcio na dualidade de poderes, ela deveria se transformar, ou como uma introdu\u00e7\u00e3o direta \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria (o que de fato ocorreu) ou lan\u00e7ar a R\u00fassia, sob um regime de oligarquia burguesa, a um Estado semicolonial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por conseguinte, poderia ser considerado o per\u00edodo subsequente \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro, ora como de consolida\u00e7\u00e3o, de desenvolvimento ou de conclus\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, ora como uma etapa preparat\u00f3ria para a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria (&#8230;)<\/em>\u201d (Trotsky, Li\u00e7\u00f5es de Outubro).<\/p>\n\n\n\n<p>Os mencheviques adotaram a primeira hip\u00f3tese. Sua antiga tese de que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa seria democr\u00e1tica-burgu\u00eas parecia estar corroborada pela realidade: segundo sua vis\u00e3o, cabia \u00e0 burguesia dirigir o pa\u00eds durante toda uma etapa hist\u00f3rica. Seguindo essa l\u00f3gica, os mencheviques continuaram apoiando \u2013 ainda que de maneira cr\u00edtica \u2013 os sucessivos governos de coaliz\u00e3o, desde aquele liderado pelo pr\u00edncipe Lvov, com figuras destacadas da burguesia, como Miliukov, dirigente do partido cadete (liberal).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(&#8230;) <em>Durante anos, os l\u00edderes mencheviques afirmaram que a revolu\u00e7\u00e3o futura seria burguesa, que o governo de uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa apenas poderia realizar as aspira\u00e7\u00f5es da burguesia, e que a social-democracia n\u00e3o poderia assumir as tarefas da democracia burguesa, devendo, \u2018sem deixar de impulsionar a burguesia para a esquerda\u2019, limitar-se a um papel de oposi\u00e7\u00e3o.<\/em>\u201d (Trotsky, op. cit.)<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a realidade for\u00e7ou os mencheviques a aprofundar as consequ\u00eancias de sua orienta\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica: diante da velocidade dos acontecimentos \u2013 t\u00edpica de um processo revolucion\u00e1rio em andamento \u2013 a pr\u00f3pria Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro acabou por levar os mencheviques a integrar o governo. Mais uma vez, os socialistas n\u00e3o apenas priorizavam a defesa das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, como chegaram a adotar a mesma posi\u00e7\u00e3o de Millerand, na Fran\u00e7a de 1899, aceitando fazer parte do governo e comprometendo-se com a pol\u00edtica (burguesa) do governo de coaliz\u00e3o. Como escreveu Trotsky: \u201c<em>De sua posi\u00e7\u00e3o original, preservaram apenas a tese de que o proletariado n\u00e3o deveria conquistar o poder.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, os mencheviques passaram a assumir diretamente o governo de coaliz\u00e3o e foram fundamentais para compor o governo Kerensky, mantendo a linha de manter a R\u00fassia na Primeira Guerra Mundial, sem alterar a propriedade burguesa ou o latif\u00fandio secular. Desempenharam um papel essencial na sustenta\u00e7\u00e3o desse governo, pois, at\u00e9 ent\u00e3o, juntamente com os social-revolucion\u00e1rios, constitu\u00edam a maioria na dire\u00e7\u00e3o dos sovietes de oper\u00e1rios, soldados e camponeses. Ao ver ministros desses dois partidos no governo \u2013 como Tserelli ou Chernov \u2013, e contando com o apoio do soviete de Petrogrado por meio de dirigentes como Chkeidze e Dan, as massas de oper\u00e1rios, camponeses e soldados passaram a acreditar que aquele era \u201cseu governo\u201d. Diante dessa realidade, tornou-se necess\u00e1ria uma alternativa revolucion\u00e1ria com estrat\u00e9gia clara, papel que coube aos bolcheviques.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>V \u2013 A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro foi contra o governo liderado pelos reformistas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Diferentemente do caso franc\u00eas de Millerand, os reformistas enfrentavam uma revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria em curso. A quest\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o ao governo Kerensky definiu a trajet\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e a possibilidade de tomada do poder pelos sovietes em outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest\u00e3o n\u00e3o se restringe apenas aos mencheviques e aos social-revolucion\u00e1rios. Dentro do Partido Bolchevique, a maioria do Comit\u00ea Central, at\u00e9 a chegada de Lenin em abril, seguia uma orienta\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 dos mencheviques. Se n\u00e3o houvesse uma dura batalha de Lenin contra a ala hesitante de Stalin e Kamenev, a revolu\u00e7\u00e3o poderia ter se perdido. E mesmo ap\u00f3s abril, e com a mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o do partido para preparar a tomada do poder pelo proletariado por meio dos sovietes, houve uma resist\u00eancia permanente a essa nova orienta\u00e7\u00e3o por parte de importantes dirigentes bolcheviques.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a contrarrevolu\u00e7\u00e3o surgiu, por meio do golpe de Kornilov em agosto, e foi derrotada pela a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e camponeses, e quando o Partido Bolchevique assumiu a lideran\u00e7a dessa luta vitoriosa \u2013 convocando \u00e0 unidade e revitalizando os sovietes, de modo que os bolcheviques passaram a conquistar a maioria de alguns dos principais sovietes, a come\u00e7ar pelo de Petrogrado e logo depois pelo de Moscou \u2013 aproximou-se o momento oportuno para a insurrei\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria que derrubaria o governo e instituiria o poder dos sovietes.<\/p>\n\n\n\n<p>Kerensky tentou utilizar a derrota de Kornilov para se reacomodar e convocou uma Confer\u00eancia Democr\u00e1tica, de 14 a 22 de setembro, que originou um \u201cpr\u00e9-Parlamento\u201d, marcando uma nova etapa no desenvolvimento das diverg\u00eancias. Abriu-se ent\u00e3o um novo momento de hesita\u00e7\u00e3o. Os mencheviques ligados a Kerensky queriam obrigar os bolcheviques a se submeterem a esse novo \u00f3rg\u00e3o, aceitando entregar o poder crescente e o protagonismo adquirido pelos sovietes. A dire\u00e7\u00e3o bolchevique convocou o boicote ao \u201cpr\u00e9-Parlamento\u201d e exigiu que o poder fosse transferido aos sovietes. A ala conciliadora, liderada por Zinoviev e Kamenev, defendeu a participa\u00e7\u00e3o em ambos os f\u00f3runs e o estreitamento dos la\u00e7os com os mencheviques.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky explicava:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-normal-font-size\">\u201c<em>A conduta dos partidos conciliadores na Confer\u00eancia Democr\u00e1tica foi de uma lament\u00e1vel baixaria. Contudo, nossa proposta de abandonar ostensivamente a confer\u00eancia \u2013 correndo o risco de ficarmos presos nela \u2013 colidia com uma resist\u00eancia categ\u00f3rica dos elementos de direita, que ainda detinham grande influ\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o do nosso Partido. Essas coaliz\u00f5es, nesse caso, serviram de porta de entrada para a luta sobre a quest\u00e3o do boicote ao pr\u00e9-Parlamento. Em 24 de setembro \u2013 isto \u00e9, ap\u00f3s a Confer\u00eancia Democr\u00e1tica \u2013, Lenin escrevia: \u2018Os bolcheviques devem se retirar como forma de protesto, para n\u00e3o cair na armadilha pela qual a Confer\u00eancia tenta desviar a aten\u00e7\u00e3o popular das quest\u00f5es s\u00e9rias\u2019.<\/em>\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa)<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, apesar das hesita\u00e7\u00f5es dentro do pr\u00f3prio Partido Bolchevique, prevaleceu a orienta\u00e7\u00e3o de Lenin, e assim se preparou a insurrei\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, vitoriosa em outubro. Isso significou uma ruptura frontal tanto com os mencheviques quanto com os social-revolucion\u00e1rios, que defendiam permanecer nos marcos da democracia burguesa \u2013 o que, por sua vez, ocasionou uma divis\u00e3o entre os social-revolucion\u00e1rios, na qual uma ala de esquerda aderiu \u00e0 proposta dos bolcheviques, formando a maioria dos sovietes.<\/p>\n\n\n\n<p>No congresso dos sovietes, em outubro, foi declarado a transfer\u00eancia do poder para os \u00f3rg\u00e3os sovi\u00e9ticos, expulsando Kerensky e seu governo. Contudo, a insurrei\u00e7\u00e3o foi planejada para coincidir com a convoca\u00e7\u00e3o do Congresso. Essa prepara\u00e7\u00e3o foi realizada pelo Partido Bolchevique, que j\u00e1 liderava os principais sovietes: os de Petrogrado e Moscou.<\/p>\n\n\n\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro s\u00f3 foi poss\u00edvel por meio da derrota do reformismo, derrubando o governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes liderado por Kerensky. Esse destino ficou selado naquele mesmo congresso dos sovietes, quando, diante do rep\u00fadio \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de tomada do poder apresentada por Martov e da retirada da delega\u00e7\u00e3o menchevique, Trotsky dirigiu-se a eles afirmando que haviam escolhido seu destino, saindo de cena e indo para \u201co lixo da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>VI \u2013 O reformismo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O reformismo teve um papel desastroso entre as d\u00e9cadas de 1920 e 1940. Sua pol\u00edtica na Alemanha, de 1919 a 1933; na Fran\u00e7a e na Espanha, de 1931 a 1936; juntamente com o novo aparato surgido com a degenera\u00e7\u00e3o da URSS \u2013 ou seja, os partidos comunistas sob a dire\u00e7\u00e3o do estalinismo \u2013 foi decisiva para infligir derrotas hist\u00f3ricas ao proletariado mundial, para o isolamento da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, para o ascenso do nazismo e do fascismo, e para o deflagramento da Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a derrota do nazifascismo e o fim da Segunda Guerra, a resist\u00eancia assumia o controle dos pa\u00edses, mas a social-democracia e os partidos comunistas novamente tra\u00edram e desviaram a revolu\u00e7\u00e3o socialista na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia. Uma vez estabilizada a situa\u00e7\u00e3o, iniciou-se um per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico, no qual os reformistas recuperaram algum prest\u00edgio e conseguiram capitalizar um per\u00edodo denominado Estado de Bem-Estar, em que, devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o causada pela guerra e em meio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, a burguesia foi for\u00e7ada a permitir melhorias significativas nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, nos direitos sociais, etc. A social-democracia e os partidos comunistas apresentaram-se como defensores dos direitos sociais, reestruturaram-se na Europa Ocidental e integraram os governos na Alemanha, Fran\u00e7a, entre outros pa\u00edses.<br>Frente aos processos que derrubaram regimes ditatoriais, novamente serviram como desvios para a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Gr\u00e9cia \u2013 com o Pasok de Papandreu; em Portugal \u2013 com o PSP de M\u00e1rio Soares ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos; e at\u00e9 mesmo na Espanha p\u00f3s-franquista, com Felipe Gonz\u00e1lez, que pactuou a transi\u00e7\u00e3o com a monarquia dos Bourbons.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, iniciou-se uma nova crise capitalista e, a partir da\u00ed, com a aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais de Thatcher e Reagan nos anos 1980, a social-democracia passou a abandonar cada vez mais as bandeiras das reformas parciais do Estado de Bem-Estar, adotando os mesmos planos neoliberais de seus advers\u00e1rios pol\u00edticos de direita, o que resultou em uma nova grave crise nos partidos que passaram a ser chamados \u2013 com raz\u00e3o \u2013 de \u201csocio-liberais\u201d, pois n\u00e3o se diferenciam de seus advers\u00e1rios conservadores, excetuando-se apenas elementos ret\u00f3ricos. O mesmo fen\u00f4meno ocorreu com os antigos partidos comunistas ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o promovida na ex-URSS e em toda a Europa Oriental, os quais foram destru\u00eddos pelas revolu\u00e7\u00f5es que derrubaram seus regimes pol\u00edticos no final dos anos 1980 e in\u00edcio dos anos 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cTerceira Via\u201d de Tony Blair foi uma das express\u00f5es mais claras desse processo: o abandono da defesa do Estado de bem-estar e a aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica dos \u201cplanos de austeridade\u201d e dos cortes nos direitos dos trabalhadores. Os governos trabalhista brit\u00e2nico, do Partido Socialista franc\u00eas e do PSOE espanhol foram fundamentais para o retrocesso nas conquistas oper\u00e1rias, para a implementa\u00e7\u00e3o dos planos neoliberais e para a constru\u00e7\u00e3o do Tratado de Maastricht e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, toda essa trai\u00e7\u00e3o resultou em uma queda violenta no prest\u00edgio do velho reformismo social-democrata e estalinista: o PASOK grego mergulhou em profunda crise, reduzindo-se a uma bancada parlamentar fraca; o PSOE saiu desgastado pela gest\u00e3o da crise econ\u00f4mica, n\u00e3o atraindo mais os jovens nem os dirigentes oper\u00e1rios; o PS franc\u00eas, ap\u00f3s governar de 1970 at\u00e9 2000 e ter tido o \u00faltimo presidente, registrou seu pior resultado hist\u00f3rico devido \u00e0 desastrosa gest\u00e3o de Hollande; o Partido Comunista italiano desapareceu, dando origem ao PD, que \u00e9 um partido burgu\u00eas, fruto da fus\u00e3o dos antigos comunistas com os democratas-crist\u00e3os, e j\u00e1 n\u00e3o exerce a mesma atra\u00e7\u00e3o para os jovens e para o movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o PT, que surgiu tardiamente em rela\u00e7\u00e3o a essas for\u00e7as, teve um r\u00e1pido e potente ascenso nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 e, em seguida, passou por um processo igualmente r\u00e1pido de adapta\u00e7\u00e3o: ao assumir o governo, tornou-se tamb\u00e9m executor da pol\u00edtica neoliberal e passou por um desgaste violento em fun\u00e7\u00e3o da implementa\u00e7\u00e3o desses planos e da estreita colabora\u00e7\u00e3o com os bancos e as grandes empresas que o financiavam, o que o envolveu em um gigantesco esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o, ocasionando um profundo desgaste que afetou todos os seus principais quadros, inclusive Lula.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>VII \u2013 O neorreformismo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Diante da profunda crise do velho reformismo, que se transformou no social-liberalismo, e do colapso do estalinismo nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000, abriu-se um espa\u00e7o resultante desse ascenso popular, a partir da rea\u00e7\u00e3o contra a aplica\u00e7\u00e3o dos planos de austeridade da Uni\u00e3o Europeia. Especialmente a partir da crise de 2008, surgiram novas forma\u00e7\u00f5es reformistas que tentaram preencher esse v\u00e1cuo: o primeiro a obter um forte apoio popular foi o Syriza, na Gr\u00e9cia. Contudo, novamente, a lei de ferro da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa recaiu sobre esses novos partidos. Agora, o ritmo \u00e9 ainda mais intenso, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o nem mesmo para reformas m\u00ednimas.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso grego foi o mais revelador. Nesse contexto, a guinada foi completa: o Syriza se apresentou como a oposi\u00e7\u00e3o frontal ao Pasok, sendo visto como a \u201cesquerda radical contra a austeridade\u201d. Ap\u00f3s diversas greves gerais e quedas de governo, o SYRIZA venceu as elei\u00e7\u00f5es parlamentares, formando governo com um partido burgu\u00eas de direita. Logo ap\u00f3s assumir o governo, tornou-se o substituto do PASOK, implementando os planos de expoli\u00e7\u00e3o da Troika e at\u00e9 mesmo a pol\u00edtica repressiva da UE contra os refugiados, estabelecendo-se como s\u00f3cio e aliado de Israel. Em \u201ccontrapartida a essa generosidade\u201d, Tsipras implementou a d\u00e9cima quarta onda de cortes contra a classe trabalhadora grega, com novos cortes nos benef\u00edcios e mais privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, M\u00e9lenchon, candidato da \u201cFran\u00e7a Insubmissa\u201d, limita-se a abordar \u2013 de forma insatisfat\u00f3ria \u2013 os efeitos da crise, sem atacar a propriedade das grandes empresas ou dos bancos. Seu economista-chefe vangloria-se de que seu programa \u00e9 \u201cs\u00e9rio e realista\u201d. Prop\u00f5e reformas moderadas e a convoca\u00e7\u00e3o de uma assembleia constituinte para refundar uma VI Rep\u00fablica parlamentarista, sem sequer propor uma ruptura com o poder burgu\u00eas. Seu projeto, na pr\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, mas a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, todas as for\u00e7as que se identificam com a \u201cnova esquerda europeia\u201d \u2013 os neorreformistas do Podemos, do Bloco de Esquerda portugu\u00eas, da Die Linke na Alemanha \u2013 veem no SYRIZA sua refer\u00eancia. Em comum, essas for\u00e7as apostam em mudan\u00e7as por via eleitoral, sem romper com a legalidade burguesa. N\u00e3o h\u00e1 sequer a perspectiva revolucion\u00e1ria. Elas n\u00e3o prop\u00f5em a ruptura com a UE, mas apenas negociar para \u201cmodificar os tratados\u201d. E, em outras partes do mundo, existem fen\u00f4menos semelhantes, como o PSOL brasileiro, que tenta ocupar o espa\u00e7o deixado pelo PT, mas com um programa muito similar.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a hoje \u00e9 que, em geral, esses partidos n\u00e3o possuem as mesmas ra\u00edzes que o antigo reformismo tinha na classe oper\u00e1ria \u2013 tanto os social-democratas quanto os ex-estalinistas \u2013, tratando-se essencialmente de fen\u00f4menos eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>VIII \u2013 Uma li\u00e7\u00e3o de Outubro: a revolu\u00e7\u00e3o socialista exige derrotar os reformistas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Como demonstra a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, de forma positiva, bem como a hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es abortadas ou derrotadas dos s\u00e9culos XX e XXI, os processos revolucion\u00e1rios n\u00e3o se transformam espontaneamente em revolu\u00e7\u00f5es triunfantes. \u00c9 necess\u00e1rio haver um partido, como os bolcheviques, com um programa revolucion\u00e1rio claro, que compreenda a necessidade de enfrentar e derrotar n\u00e3o apenas a burguesia, mas tamb\u00e9m seus agentes dentro do movimento de massas. Essa \u00e9 uma das mais importantes li\u00e7\u00f5es de Outubro: sem derrotar os inimigos da revolu\u00e7\u00e3o presentes no seio do movimento oper\u00e1rio, n\u00e3o se pode conquistar o poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na forma\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, v\u00e1rias teorias foram sendo superadas, como o utopismo dos primeiros socialistas, que ainda continham a vis\u00e3o burguesa em seu seio, pois correspondia \u00e0 sua \u201cinf\u00e2ncia\u201d; um fen\u00f4meno que vem desde a origem do movimento oper\u00e1rio no s\u00e9culo XIX. 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