{"id":8914,"date":"2025-06-04T19:52:04","date_gmt":"2025-06-04T22:52:04","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8914"},"modified":"2025-06-04T19:52:04","modified_gmt":"2025-06-04T22:52:04","slug":"a-decadencia-do-antigo-secretariado-unificado-a-partir-de-sua-visao-sobre-os-processos-do-leste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/06\/04\/a-decadencia-do-antigo-secretariado-unificado-a-partir-de-sua-visao-sobre-os-processos-do-leste\/","title":{"rendered":"A decad\u00eancia do antigo Secretariado Unificado a partir de sua vis\u00e3o sobre os processos do Leste"},"content":{"rendered":"\n<p>O morenismo <sup data-fn=\"a1356441-1f43-4a32-bbea-3b649e8b6754\" class=\"fn\"><a id=\"a1356441-1f43-4a32-bbea-3b649e8b6754-link\" href=\"\/#a1356441-1f43-4a32-bbea-3b649e8b6754\">1<\/a><\/sup> surgiu da luta frontal contra as revis\u00f5es program\u00e1ticas do pablismo<strong> <\/strong><sup data-fn=\"df2b88c9-0334-45f4-b04a-a52e67aa3c73\" class=\"fn\"><a id=\"df2b88c9-0334-45f4-b04a-a52e67aa3c73-link\" href=\"\/#df2b88c9-0334-45f4-b04a-a52e67aa3c73\">2<\/a><\/sup> na d\u00e9cada de 1950 e, em seguida, na luta contra a corrente majorit\u00e1ria do antigo Secretariado Unificado (SU), liderada por Ernest Mandel<strong>. <\/strong><sup data-fn=\"c4d3f23f-46e8-4432-b8d6-1a537cb34b3a\" class=\"fn\"><a id=\"c4d3f23f-46e8-4432-b8d6-1a537cb34b3a-link\" href=\"\/#c4d3f23f-46e8-4432-b8d6-1a537cb34b3a\">3<\/a><\/sup> Livros como <em>O Partido e a revolu\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>A Ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado<\/em>, ambos de Nahuel Moreno, s\u00e3o express\u00f5es dessas pol\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, ap\u00f3s a morte de Moreno, nossa corrente acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pol\u00edtica do ex-SU apenas superficialmente. Isso ocorreu apesar de o pr\u00f3prio Moreno ter consolidado a Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI) contra a corrente revisionista e liquidacionista organizada, ent\u00e3o, no SU, que Moreno caracterizava como \u201c<em>o centro do revisionismo<\/em>\u201d <sup data-fn=\"d467d504-8f7a-4bf5-9c1e-136e187db912\" class=\"fn\"><a id=\"d467d504-8f7a-4bf5-9c1e-136e187db912-link\" href=\"\/#d467d504-8f7a-4bf5-9c1e-136e187db912\">4<\/a><\/sup> no seio do trotskismo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muitos anos, o ex-SU deu o salto de uma organiza\u00e7\u00e3o revisionista para o reformismo puro e simples: removeu explicitamente de seu programa a estrat\u00e9gia da ditadura do proletariado; abandonou a concep\u00e7\u00e3o de centralidade da classe oper\u00e1ria no processo revolucion\u00e1rio; <sup data-fn=\"172db5d3-994a-482a-9923-169f1f9d9d56\" class=\"fn\"><a href=\"\/#172db5d3-994a-482a-9923-169f1f9d9d56\" id=\"172db5d3-994a-482a-9923-169f1f9d9d56-link\">5<\/a><\/sup> seus dirigentes estiveram entre os principais ide\u00f3logos e apoiadores dos partidos amplos e anticapitalistas, principalmente na Europa; dissolveram sua se\u00e7\u00e3o mais importante, a Liga Comunista Revolucion\u00e1ria francesa, para fundar o Novo Partido Anticapitalista (NPA) com um programa reformista; n\u00e3o s\u00f3 apoiaram distintos governos burgueses que chamavam de progressistas, como o de Ch\u00e1vez, <sup data-fn=\"cd1a1598-bbf2-4b34-b79c-0389eb3ce329\" class=\"fn\"><a href=\"\/#cd1a1598-bbf2-4b34-b79c-0389eb3ce329\" id=\"cd1a1598-bbf2-4b34-b79c-0389eb3ce329-link\">6<\/a><\/sup> promovendo a ideologia do \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d, como participaram diretamente de governos burgueses de colabora\u00e7\u00e3o de classes como o de Lula, no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossa opini\u00e3o, o SU, hoje Comit\u00ea Internacional (CI), \u00e9 a corrente internacional com origem no trotskismo que ainda mant\u00e9m alguma influ\u00eancia, e reflete de maneira mais n\u00edtida &#8211; te\u00f3rica e politicamente &#8211; os efeitos do que chamamos de \u201cvendaval oportunista\u201d. N\u00e3o \u00e9 por acaso que seja atualmente um polo de atra\u00e7\u00e3o para setores de diferentes origens, como o Movimento Esquerda Socialista (MES) brasileiro, o MST argentino, ou o <em>Socialist Workers Party<\/em> (SWP) brit\u00e2nico. Embora funcionem como uma federa\u00e7\u00e3o frouxa de partidos e movimentos e, apesar de terem perdido for\u00e7a nas \u00faltimas d\u00e9cadas (como consequ\u00eancia de suas mudan\u00e7as pol\u00edticas que se refletem no decl\u00ednio do NPA franc\u00eas), suas elabora\u00e7\u00f5es t\u00eam alcance internacional e servem para justificar teoricamente a capitula\u00e7\u00e3o da esquerda \u00e0 democracia burguesa e ao reformismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, \u00e9 importante retomar um estudo mais profundo sobre o conte\u00fado da elabora\u00e7\u00e3o do ex-SU no marco de nossa reelabora\u00e7\u00e3o program\u00e1tica. Demos um passo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de seu programa e da ditadura do proletariado, sua concep\u00e7\u00e3o de Estado, a estrat\u00e9gia dos partidos anticapitalistas e sua vis\u00e3o sobre a Europa e o imperialismo. Por\u00e9m, estamos atrasados no estudo rigoroso das premissas te\u00f3ricas e das transforma\u00e7\u00f5es de fundo em que se apoiaram para chegar \u00e0 sua atual vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Do revisionismo ao reformismo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nossa corrente sempre definiu o SU de Mandel como uma correte revisionista e liquidacionista. Ao caracteriz\u00e1-los como revisionistas, diz\u00edamos que seus desvios, zigue-zagues e capitula\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram o resultado deste ou daquele erro pol\u00edtico circunstancial. Pelo contr\u00e1rio, deviam-se ao fato de que o SU cristalizara-se como uma corrente que negava os pilares fundamentais do marxismo e do trotskismo.<\/p>\n\n\n\n<p>As Teses de Funda\u00e7\u00e3o da LIT-QI definem claramente as caracter\u00edsticas do que chamamos de revisionismo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>No decorrer desta longa marcha, todos os principais acontecimentos da luta de classes (principalmente cada grande vit\u00f3ria revolucion\u00e1ria de dimens\u00f5es globais) motivaram, em algum setor de nosso movimento, uma tend\u00eancia \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica ou nacionalista dessas vit\u00f3rias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria internacional implica a luta pela destrui\u00e7\u00e3o de todas as dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas ou nacionalistas que concorrem conosco no seio do movimento de massas. O processo de constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria significa, ao mesmo tempo, uma \u201cguerra implac\u00e1vel\u201d (como diz com raz\u00e3o o Programa de Transi\u00e7\u00e3o) contra todas as outras correntes burocr\u00e1ticas e\/ou pequeno-burguesas do movimento de massas.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"117992ab-d716-4237-8425-bf1855d3fa1c\" class=\"fn\"><a id=\"117992ab-d716-4237-8425-bf1855d3fa1c-link\" href=\"\/#117992ab-d716-4237-8425-bf1855d3fa1c\">7<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, as teses definem qual \u00e9 a caracter\u00edstica comum de todas as diferentes tend\u00eancias revisionistas: \u201c<em>o fato de que prop\u00f5em, n\u00e3o a guerra implac\u00e1vel, mas algum tipo de bloco com alguma tend\u00eancia burocr\u00e1tica e\/ou nacionalista, porque esta supostamente desempenha um papel progressista e at\u00e9 mesmo revolucion\u00e1rio<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"eb303033-8f65-4a55-8518-ad2d6287c462\" class=\"fn\"><a href=\"\/#eb303033-8f65-4a55-8518-ad2d6287c462\" id=\"eb303033-8f65-4a55-8518-ad2d6287c462-link\">8<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia n\u00e3o foi outra sen\u00e3o a liquida\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio e da IV Internacional. O revisionismo havia sido <em>\u201co principal obst\u00e1culo subjetivo na longa marcha rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria internacional<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"9b87aa10-87ee-44dc-b129-1e228b156fe6\" class=\"fn\"><a id=\"9b87aa10-87ee-44dc-b129-1e228b156fe6-link\" href=\"\/#9b87aa10-87ee-44dc-b129-1e228b156fe6\">9<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1950, Pablo e Mandel, impactados pelo fortalecimento relativo do stalinismo no segundo p\u00f3s-guerra e pelo surgimento dos primeiros estados oper\u00e1rios deformados, imprimiram um giro \u00e0 IV Internacional, a partir da dire\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Secretariado Internacional (SI), orientando todos os seus partidos a realizarem o \u201centrismo<em> sui generis<\/em>\u201d nos Partidos Comunistas ou em movimentos nacionalistas burgueses, porque, segundo eles, o stalinismo seria obrigado a dirigir revolu\u00e7\u00f5es no marco de uma III Guerra Mundial iminente. Isso levou \u00e0 crise e inclusive \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o de quase todos os partidos que seguiram essa orienta\u00e7\u00e3o. O SU como tal nasceu em 1963, em torno \u00e0 defesa da revolu\u00e7\u00e3o cubana, e Mandel encabe\u00e7ou sua ala majorit\u00e1ria. Essa ala n\u00e3o fez o balan\u00e7o dos graves erros do per\u00edodo anterior e continuou com a mesma linha impressionista, capitulando a qualquer fen\u00f4meno dito progressista que aparecesse e impactasse a vanguarda. Foi ent\u00e3o a vez de capitular \u00e0 dire\u00e7\u00e3o castrista <sup data-fn=\"07da5900-0dd5-4f50-882d-08968e9bab7c\" class=\"fn\"><a href=\"\/#07da5900-0dd5-4f50-882d-08968e9bab7c\" id=\"07da5900-0dd5-4f50-882d-08968e9bab7c-link\">10<\/a><\/sup> e aos movimentos guerrilheiros, novamente com resultados desastrosos para o trotskismo internacional. O mesmo aconteceu diante do Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA) de Portugal e, em seguida, com o chamado eurocomunismo. Na Nicar\u00e1gua, o SU apoiou o governo de unidade nacional composto pelos sandinistas <sup data-fn=\"6f0d1071-39cc-4fed-af69-4801f8525e09\" class=\"fn\"><a href=\"\/#6f0d1071-39cc-4fed-af69-4801f8525e09\" id=\"6f0d1071-39cc-4fed-af69-4801f8525e09-link\">11<\/a><\/sup> e por Violeta Chamorro, <sup data-fn=\"98e18318-73a1-4f39-9299-99fce0315d67\" class=\"fn\"><a id=\"98e18318-73a1-4f39-9299-99fce0315d67-link\" href=\"\/#98e18318-73a1-4f39-9299-99fce0315d67\">12<\/a><\/sup> defendendo-o como um \u201cgoverno oper\u00e1rio e campon\u00eas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria do revisionismo ao reformismo foi conclu\u00edda a partir dos processos do Leste Europeu, aos quais caracterizam como uma profunda derrota do movimento de massas, que abriu uma crise no projeto socialista. Essa premissa e as conclus\u00f5es dela derivadas levaram o SU a uma adapta\u00e7\u00e3o completa aos novos aparatos eleitorais surgidos da crise dos PCs e da social-democracia cl\u00e1ssica, como o SYRIZA (Gr\u00e9cia), o Podemos (Espanha), etc. A tese do ex-SU \u00e9 a de que os limites dessas novas dire\u00e7\u00f5es obedecem \u00e0s caracter\u00edsticas de uma nova \u00e9poca, marcada pelo retrocesso da consci\u00eancia das massas, que, por sua vez, resultaria da suposta derrota hist\u00f3rica no Leste Europeu. A partir da\u00ed, conclu\u00edram que n\u00e3o haveria outra sa\u00edda a n\u00e3o ser apoiar ou ser parte dessas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>\u201cUma mudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os processos do leste significaram, para a grande maioria da esquerda, o in\u00edcio ou o agravamento de sua bancarrota te\u00f3rica, program\u00e1tica e pol\u00edtica. Influenciada pelo stalinismo e suas variantes \u2013 para o qual, como aparato, o fim da URSS significou, evidentemente, uma derrota hist\u00f3rica \u2013 em diferentes graus e com diferentes tons, a quase totalidade da esquerda chorou o suposto \u201cfim do socialismo real\u201d, a fal\u00eancia do \u201cbloco socialista\u201d, etc. O caso do ex-SU n\u00e3o foi diferente. Pelo contr\u00e1rio, o ex-SU foi a vanguarda desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para eles, a queda do Muro de Berlim produziu nada menos do que \u201cuma mudan\u00e7a de \u00e9poca\u201d. Daniel Bensa\u00efd, principal te\u00f3rico dessa corrente depois de Mandel, intitula, dessa maneira, um relat\u00f3rio apresentado no XIV Congresso do SU, em julho de 1995. Nesse texto, Bensa\u00efd define o car\u00e1ter das transforma\u00e7\u00f5es decorrentes do fim da URSS como uma \u201c<em>grande transforma\u00e7\u00e3o mundial<\/em>\u201d, especificamente, como uma \u201c<em>mudan\u00e7a de \u00e9poca<\/em>\u201d. Note-se que Bensa\u00efd n\u00e3o fala de per\u00edodo, ou etapa, mas de \u00e9poca. Concretamente, para o ex-SU, estava encerrada a \u00e9poca hist\u00f3rica definida por Lenin como de \u201cguerras, crises e revolu\u00e7\u00f5es\u201d, aberta com a I Guerra Mundial e o Outubro russo \u2013 que o marxismo entendia como uma \u00e9poca revolucion\u00e1ria, a \u00e9poca imperialista \u2013, dando lugar a outra diferente: \u201c<em>n\u00e3o estamos mais no per\u00edodo pol\u00edtico de 1968, n\u00e3o sa\u00edmos ainda da onda longa depressiva e estamos no final de uma \u00e9poca, aberta pela Primeira Guerra Mundial e pela Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"b888732a-0823-4c86-827d-9f96842d0474\" class=\"fn\"><a id=\"b888732a-0823-4c86-827d-9f96842d0474-link\" href=\"\/#b888732a-0823-4c86-827d-9f96842d0474\">13<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A nova \u00e9poca n\u00e3o s\u00f3 colocava tudo em quest\u00e3o, como, para Bensa\u00efd, implicava um retrocesso para o movimento oper\u00e1rio de quase um s\u00e9culo ao identificar o ponto de partida dos marxistas numa coordenada anterior a 1914:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[&#8230;] <em>o laborat\u00f3rio que se abre \u00e9 de uma amplitude compar\u00e1vel \u00e0 do in\u00edcio do s\u00e9culo, onde a cultura te\u00f3rica e pol\u00edtica do movimento oper\u00e1rio foi forjada: an\u00e1lise do debate sobre o imperialismo, sobre a quest\u00e3o nacional, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social, parlamentar.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"4c33d99a-50a0-4095-8d08-88598cdb362a\" class=\"fn\"><a id=\"4c33d99a-50a0-4095-8d08-88598cdb362a-link\" href=\"\/#4c33d99a-50a0-4095-8d08-88598cdb362a\">14<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Esta nova \u00e9poca seria, essencialmente, defensiva, pois, de acordo com Bensa\u00efd, inaugurava-se com uma profunda derrota do movimento oper\u00e1rio: o \u201c<em>desmantelamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica sem culminar numa revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"5aef0d53-f240-4344-a13d-4a2994a34c9a\" class=\"fn\"><a id=\"5aef0d53-f240-4344-a13d-4a2994a34c9a-link\" href=\"\/#5aef0d53-f240-4344-a13d-4a2994a34c9a\">15<\/a><\/sup> Assim, Bensa\u00efd estabeleceu como caracter\u00edsticas de toda uma \u00e9poca \u201c<em>o enfraquecimento social dos trabalhadores<\/em>\u201d e a \u201c<em>crise do projeto socialista<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"b74d0c52-76a3-4f4b-bb9d-2f41065a139b\" class=\"fn\"><a id=\"b74d0c52-76a3-4f4b-bb9d-2f41065a139b-link\" href=\"\/#b74d0c52-76a3-4f4b-bb9d-2f41065a139b\">16<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Bensa\u00efd atribu\u00eda essas \u201crela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a mundiais\u201d desfavor\u00e1veis n\u00e3o a fatores objetivos, mas a elementos subjetivos, como o retrocesso ideol\u00f3gico do movimento oper\u00e1rio, devido aos \u201c<em>profundos efeitos da crise do socialismo real<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"e78f1338-900d-401a-ba5c-6e4fc48f2f48\" class=\"fn\"><a id=\"e78f1338-900d-401a-ba5c-6e4fc48f2f48-link\" href=\"\/#e78f1338-900d-401a-ba5c-6e4fc48f2f48\">17<\/a><\/sup> Destacamos este argumento desse informe para n\u00e3o haver confus\u00e3o: Bensa\u00efd n\u00e3o est\u00e1 afirmando que teria surgido um per\u00edodo de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas do capitalismo e que, portanto, estaria prevendo a possibilidade de conquistar reformas que trouxessem melhorias ao n\u00edvel vida das massas (como se fosse o per\u00edodo da livre concorr\u00eancia anterior ao advento da \u00e9poca imperialista). N\u00e3o \u00e9 por isso que ele opina que estar\u00edamos numa nova \u00e9poca. Ele acredita que ocorreu uma mudan\u00e7a reacion\u00e1ria da \u00e9poca hist\u00f3rica devido ao retrocesso da consci\u00eancia e \u00e0 \u201c<em>crise do movimento oper\u00e1rio<\/em>\u201d, ou seja, devido a elementos subjetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Bensa\u00efd diz:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>As mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mundiais ap\u00f3s a queda do Muro de Berlim, o desmantelamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a Guerra do Golfo deram o golpe final, causando uma crise aberta, n\u00e3o conjuntural, nas formas do anti-imperialismo radical da fase precedente. [&#8230;] Neste momento, a tend\u00eancia dominante em escala internacional \u00e9 o enfraquecimento do movimento social (come\u00e7ando pelo sindical). [&#8230;] A esquerda revolucion\u00e1ria est\u00e1 hoje mais pulverizada e enfraquecida que h\u00e1 cinco anos [&#8230;] Para a reconstru\u00e7\u00e3o de um projeto revolucion\u00e1rio e de uma Internacional, partimos de condi\u00e7\u00f5es significativamente deterioradas.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"321521df-0148-42b7-ae08-6af6dcfa3935\" class=\"fn\"><a id=\"321521df-0148-42b7-ae08-6af6dcfa3935-link\" href=\"\/#321521df-0148-42b7-ae08-6af6dcfa3935\">18<\/a><\/sup>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em nenhum momento destaca n\u00e3o s\u00f3 a import\u00e2ncia, mas o pr\u00f3prio fato da destrui\u00e7\u00e3o do aparato contrarrevolucion\u00e1rio mundial do stalinismo pelas m\u00e3os das massas sovi\u00e9ticas. Ou seja, o ex-SU respondeu ao problema crucial de saber quem, quando e como o capitalismo foi restaurado fazendo coro com as vi\u00favas do stalinismo: culpando os limites das massas trabalhadoras e n\u00e3o a burocracia termidoriana e totalit\u00e1ria do Kremlin.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo foi obra daquela burocracia, que, para garantir a continuidade de seus enormes privil\u00e9gios, decidiu, em completo acordo com o imperialismo, transformar-se em propriet\u00e1rios capitalistas no marco do retorno da economia de mercado e do desmonte dos estados oper\u00e1rios. No entanto, alguns anos mais tarde, as massas sovi\u00e9ticas fizeram o stalinismo pagar caro por essa trai\u00e7\u00e3o e, com a sua mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, destru\u00edram, um por um, em menos de dois anos, os terr\u00edveis regimes totalit\u00e1rios de partido \u00fanico da URSS e da Europa Oriental. \u00c9 verdade que a perda dos estados oper\u00e1rios significou uma derrota e a perda de uma conquista enorme da classe trabalhadora. A quest\u00e3o, no entanto, \u00e9 que o processo n\u00e3o parou por a\u00ed. As massas sovi\u00e9ticas, embora n\u00e3o tenham conseguido reverter o processo de restaura\u00e7\u00e3o, liquidaram o maior aparato contrarrevolucion\u00e1rio da hist\u00f3ria, impondo-lhe uma derrota hist\u00f3rica. Ao destruir o aparato stalinista, os povos sovi\u00e9ticos libertaram for\u00e7as gigantescas antes aprisionadas pelo stalinismo. Essa n\u00e3o \u00e9 apenas uma imensa vit\u00f3ria, mas o principal fato da luta de classes mundial ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia hist\u00f3rica do ex-SU \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o aos grandes aparatos e \u00e0 opini\u00e3o geral da esquerda, num momento decisivo da hist\u00f3ria, levou-o a um novo e fatal seguidismo: somou-se ao triste coro de lamenta\u00e7\u00f5es daqueles que sentem saudades do stalinismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>O programa da nova \u00e9poca<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A nova \u00e9poca exigia, nas palavras de Bensa\u00efd, uma \u201credefini\u00e7\u00e3o program\u00e1tica\u201d, \u201cconstruir um novo programa\u201d.<strong> <\/strong><sup data-fn=\"c264f66f-8f95-467d-973e-36ebceb32a43\" class=\"fn\"><a id=\"c264f66f-8f95-467d-973e-36ebceb32a43-link\" href=\"\/#c264f66f-8f95-467d-973e-36ebceb32a43\">19<\/a><\/sup> Por si s\u00f3, isso n\u00e3o \u00e9 um problema. Qualquer mudan\u00e7a importante na realidade exige uma atualiza\u00e7\u00e3o program\u00e1tica. O problema foram as premissas te\u00f3ricas das quais Bensa\u00efd partiu para elaborar esse novo programa e o m\u00e9todo usado para constru\u00ed-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Bensa\u00efd e o ex-SU partiram da hip\u00f3tese de que a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica significou um \u201ceclipse da raz\u00e3o estrat\u00e9gica\u201d. <sup data-fn=\"1f524656-d4af-4e8c-a002-83ddf36ed3d9\" class=\"fn\"><a id=\"1f524656-d4af-4e8c-a002-83ddf36ed3d9-link\" href=\"\/#1f524656-d4af-4e8c-a002-83ddf36ed3d9\">20<\/a><\/sup> Tudo estava questionado e, por isso, tinham o caminho livre para deixar para tr\u00e1s qualquer legado trotskista. Assim, abandonaram o m\u00e9todo trotskista de elaborar o programa a partir das necessidades objetivas da classe oper\u00e1ria para absolutizar o elemento subjetivo: a consci\u00eancia das massas e, por essa via, subordinar o programa \u00e0 correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que, por sua vez, expressaria esse atraso da consci\u00eancia das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Coerentes com a caracteriza\u00e7\u00e3o de que a \u00e9poca de crises e revolu\u00e7\u00f5es que se abriu em 1914 estava encerrada e com a suposi\u00e7\u00e3o de que a nova \u00e9poca estaria marcada pelo retrocesso, o problema do poder foi relegado para um futuro incerto, porque as massas n\u00e3o o veem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse marco, a conclus\u00e3o a que chegaram foi a de adaptar o programa a essa nova \u00e9poca, desprovida de possibilidades revolucion\u00e1rias. Bensa\u00efd chegou a propor em seu texto as novas coordenadas program\u00e1ticas p\u00f3s-leste. Sobre a Europa, o centro hist\u00f3rico do SU, o objetivo estrat\u00e9gico, passou a ser a luta por \u201cuma Europa social e solid\u00e1ria\u201d, \u201cuma Europa pac\u00edfica e solid\u00e1ria\u201d em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cEuropa financeira e n\u00e3o democr\u00e1tica\u201d. <sup data-fn=\"8917cf96-cd8f-4a7c-be17-9aaf10cfb4e8\" class=\"fn\"><a id=\"8917cf96-cd8f-4a7c-be17-9aaf10cfb4e8-link\" href=\"\/#8917cf96-cd8f-4a7c-be17-9aaf10cfb4e8\">21<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s descrever o fim da URSS, as novas institui\u00e7\u00f5es da globaliza\u00e7\u00e3o, o problema da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, Bensa\u00efd prop\u00f4s uma vis\u00e3o e um programa completamente reformistas, nos moldes do conceito liberal de cidadania universal e da ut\u00f3pica democratiza\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o do capitalismo, ideias que, pouco depois, foram amplamente difundidas em espa\u00e7os como os F\u00f3runs Sociais Mundiais:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Pode-se conceber outra forma de coopera\u00e7\u00e3o e de crescimento do pla-neta: organismos reguladores internacionais substituindo o BM\/FMI\/OM-C\/G-7; organismos que promovam o com\u00e9rcio internacional entre pa\u00edses de produtividade similar; transfer\u00eancia planejada de riqueza dos pa\u00edses que a acumularam durante s\u00e9culos em detrimento dos pa\u00edses pobres; novos dispo-sitivos para regular as trocas que permitam projetos de desenvolvimento di-ferenciados, desconex\u00e3o parcial e controlada do mercado mundial e uma pol\u00edtica de pre\u00e7os correta; uma pol\u00edtica migrat\u00f3ria negociada neste contexto.<\/em>\u201d&nbsp;<sup data-fn=\"e2690fec-325a-4141-b6ed-12fb7df12be3\" class=\"fn\"><a id=\"e2690fec-325a-4141-b6ed-12fb7df12be3-link\" href=\"\/#e2690fec-325a-4141-b6ed-12fb7df12be3\">22<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Como parte da ideia de um mundo regulado e negociado, no momento de \u201creformular os primeiros contornos de uma proposta que conduza a uma contesta\u00e7\u00e3o de conjunto da ordem estabelecida\u201d, Bensa\u00efd continua enunciando os pontos centrais do que ele chama de \u201cprograma de transi\u00e7\u00e3o\u201d. No entanto, o leitor rapidamente perce- be que o conte\u00fado de tal programa n\u00e3o passa de um programa m\u00ed- nimo socialdemocrata, marcado pela completa aus\u00eancia de qualquer medida anticapitalista. A cita\u00e7\u00e3o, embora extensa, \u00e9 importante por sua clareza:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>a) Cidadania\/democracia (pol\u00edtica e social): em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 universalidade dos direitos humanos proclamados, direitos civis e igualdade de direitos (imigrantes, mulheres, jovens), direitos civis e direitos sociais (igualdade ho-mens\/mulheres); direitos sociais e servi\u00e7os p\u00fablicos;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>b) Contra a ditadura do mercado, suas consequ\u00eancias a curto prazo, sua l\u00f3gica de desigualdades; direito \u00e0 vida, a come\u00e7ar pelo direito ao emprego e \u00e0 garantia de renda m\u00ednima; reinvestimento de lucros de produtividade (servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o) com a expans\u00e3o da gratuidade e inger\u00eancia no direito de propriedade privada. Direito de cidad\u00e3os\/cidad\u00e3s \u00e0 propriedade social das grandes empresas cujas op\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es tenham um impacto maior sobre suas condi\u00e7\u00f5es de vida presentes e futuras. Esse direito n\u00e3o implica necessariamente uma nacionaliza\u00e7\u00e3o, mas uma socializa-\u00e7\u00e3o efetiva (direito ao uso autoadministrado, descentraliza\u00e7\u00e3o, planifica\u00e7\u00e3o);<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>c) Solidariedade entre gera\u00e7\u00f5es (prote\u00e7\u00e3o social, ecologia);<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>d) Solidariedade sem fronteiras: desarmamento, d\u00edvida, constitui\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os pol\u00edticos regionais, internacionaliza\u00e7\u00e3o dos direitos sociais.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"56b5c541-90f6-4a8e-b619-aea5b459125d\" class=\"fn\"><a id=\"56b5c541-90f6-4a8e-b619-aea5b459125d-link\" href=\"\/#56b5c541-90f6-4a8e-b619-aea5b459125d\">23<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Bensa\u00efd chega a falar sobre a tarefa de reelaborar o programa de transi\u00e7\u00e3o. No entanto, evidentemente, a partir do que lemos acima, sua proposta n\u00e3o tem nada a ver com o objetivo estrat\u00e9gico nem com o m\u00e9todo usado por Trotsky. Bensa\u00efd afirma estar disposto a encon-trar as novas pontes entre as reivindica\u00e7\u00f5es imediatas e a conquista do poder. Entretanto, apressa-se a dizer: \u201cmas essas pontes e passarelas s\u00e3o, por enquanto, muito prec\u00e1rias\u201d. <sup data-fn=\"0b73ae88-1a75-4dce-8d9f-993c6aa907cb\" class=\"fn\"><a id=\"0b73ae88-1a75-4dce-8d9f-993c6aa907cb-link\" href=\"\/#0b73ae88-1a75-4dce-8d9f-993c6aa907cb\">24<\/a><\/sup> O problema central n\u00e3o \u00e9 que as pontes sejam prec\u00e1rias, mas que o ex-SU, como Trotsky dizia, n\u00e3o tem \u201co objetivo de chegar \u00e0 outra margem\u201d. <sup data-fn=\"9b4b7dfd-0e42-4b5c-9a35-39ca0463bb73\" class=\"fn\"><a id=\"9b4b7dfd-0e42-4b5c-9a35-39ca0463bb73-link\" href=\"\/#9b4b7dfd-0e42-4b5c-9a35-39ca0463bb73\">25<\/a><\/sup> Isso se demonstra no fato de que, ap\u00f3s os processos do leste, abandonaram a concep\u00e7\u00e3o marxista de Estado e a estrat\u00e9gia da luta pelo poder oper\u00e1rio, a dita-dura do proletariado, nada menos do que o centro do programa mar-xista. Sobre este assunto, dando uma piscadela para teorias como as de Toni Negri ou Holloway, Bensa\u00efd chega inclusive a perguntar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOnde est\u00e1 o poder? Ainda concentrado nos aparatos do Estado, mas tamb\u00e9m delegado a institui\u00e7\u00f5es regionais e internacionais. [&#8230;] Hoje, a disso-cia\u00e7\u00e3o dos poderes pol\u00edticos e econ\u00f4micos, a dispers\u00e3o dos centros de deci-s\u00e3o e dos atributos de soberania (em n\u00edvel local, nacional, regional, mundial) fazem com que as passarelas projetadas a partir das reivindica\u00e7\u00f5es imedia-tas partam em dire\u00e7\u00f5es diferentes.\u201d <sup data-fn=\"fa4aa7c2-9bf1-4c39-83c4-01edf2880590\" class=\"fn\"><a id=\"fa4aa7c2-9bf1-4c39-83c4-01edf2880590-link\" href=\"\/#fa4aa7c2-9bf1-4c39-83c4-01edf2880590\">26<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o de se saber se os processos do leste foram ou n\u00e3o uma derrota hist\u00f3rica \u00e9 um debate aceit\u00e1vel entre marxistas. \u00c9 uma dis-cuss\u00e3o sobre correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Para n\u00f3s, n\u00e3o houve tal derrota hist\u00f3rica. Essa n\u00e3o \u00e9, contudo, a discuss\u00e3o. <strong>O n\u00f3 principal \u00e9 que, mesmo que o ex-SU tivesse raz\u00e3o e houvesse ocorrido tal cat\u00e1strofe, o seu abandono do programa revolucion\u00e1rio e da constru\u00e7\u00e3o de partidos leninistas n\u00e3o se justificaria de forma alguma<\/strong>. Seu crit\u00e9rio, diante de uma poss\u00edvel derrota ou situa\u00e7\u00e3o muito desfavo-r\u00e1vel, \u00e9 oposto, uma vez mais, ao de Lenin e Trotsky. Analisemos dois exemplos disso:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Existe consenso quanto ao fato de que a eclos\u00e3o da I Guerra Mundial, em 1914, foi uma grande derrota do proletariado europeu e mundial. A II Internacional e os principais partidos socialdemocratas, a dire\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel da classe oper\u00e1ria, destru\u00edram-se nessa ocasi\u00e3o como orga-niza\u00e7\u00f5es marxistas. A classe oper\u00e1ria europeia, tra\u00edda por essa dire\u00e7\u00e3o, se dividiu e entrou na guerra imperialista, servindo como bucha de canh\u00e3o para suas burguesias. O \u201cretrocesso\u201d no n\u00edvel de consci\u00eancia das massas chegou a tal ponto que os trabalhadores assassinavam-se uns aos outros em favor dos interesses de suas burguesias imperialistas. N\u00e3o poderia haver perspec-tiva mais sombria. E, contudo, qual foi a atitude e a pol\u00edtica de Lenin diante dessa derrota grav\u00edssima? Adaptar o programa ao n\u00edvel de consci\u00eancia da classe oper\u00e1ria naquele momento? Nada disso. Ele denunciou o colapso da II Internacional e convocou a constru\u00e7\u00e3o da III Internacional revolucion\u00e1ria. Convocou os oper\u00e1rios a transformar a guerra interimperialista em guerra civil contra os seus governos, mesmo que tal proposta n\u00e3o fosse sequer inte-lig\u00edvel para a maioria dos oper\u00e1rios europeus. Se Lenin houvesse raciocinado e atuado como o ex-SU, a partir de uma premissa similar, simplesmente a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro n\u00e3o teria existido.<\/li>\n\n\n\n<li>O mesmo aconteceu quando o stalinismo completou a contrarrevolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na ex-URSS, corrompeu a III Internacional e culminou sua trai\u00e7\u00e3o suprema ao levar ao desastre a revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 em 1933, facilitando a ascens\u00e3o de Hitler. O que fez Trotsky diante de tamanha derrota da classe oper\u00e1ria alem\u00e3 e internacional, que significou a degenera\u00e7\u00e3o da III Internacional e a ascens\u00e3o do nazismo? A classe oper\u00e1ria e o punhado de revolucion\u00e1rios que n\u00e3o se curvaram diante do imenso poder de Stalin atravessavam o pe-r\u00edodo de mais graves derrotas, trai\u00e7\u00f5es e persegui\u00e7\u00f5es. Foi a \u201cmeia-noite do s\u00e9culo 20\u201d. Leon Trotsky, no entanto, chamou a constru\u00e7\u00e3o da IV Internacional para manter vivo o programa revolucion\u00e1rio contra a burguesia mundial, o stalinismo e at\u00e9 mesmo contra os c\u00e9ticos de seu pr\u00f3prio movimento. As li\u00e7\u00f5es de nossos mestres refutam completamente a l\u00f3gica usada pelo ex-SU, assimilada hoje pela maior parte da esquerda.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Programa, dire\u00e7\u00f5es e consci\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para Bensa\u00efd, o programa que as dire\u00e7\u00f5es do movimento de massas apresentam \u00e9 uma express\u00e3o da consci\u00eancia das massas:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>\u00c9 surpreendente constatar que o programa do PT brasileiro foi muito mais moderado do que o programa reformista radical da Unidade Popular chilena de 1970 ou do que alguns programas radicais em alguns pa\u00edses europeus (redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, direito dos imigrantes, suspens\u00e3o da d\u00edvida e desmilitariza\u00e7\u00e3o) e, muitas vezes, muito mais rebaixado do que os programas reformistas dos anos [19]70, pelo menos em sua forma escrita (nacionaliza\u00e7\u00e3o, elementos de controle e autogest\u00e3o).<\/em>\u201d <sup data-fn=\"32194f70-a9d1-4abe-afce-f417e194f1df\" class=\"fn\"><a id=\"32194f70-a9d1-4abe-afce-f417e194f1df-link\" href=\"\/#32194f70-a9d1-4abe-afce-f417e194f1df\">27<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com esta l\u00f3gica, a trai\u00e7\u00e3o de partidos como o PT brasileiro seria responsabilidade n\u00e3o de sua dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, mas de um atraso da consci\u00eancia do movimento oper\u00e1rio. A trai\u00e7\u00e3o deveria ser atribu\u00edda n\u00e3o \u00e0 natureza dos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios, mas sim \u00e0 \u201ccrise do projeto socialista\u201d, uma caracter\u00edstica da nova \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o ex-SU acabou abandonando a compreens\u00e3o trotskista do papel das dire\u00e7\u00f5es e da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A raz\u00e3o de ser e o conceito central do Programa de Transi\u00e7\u00e3o resumem-se na premissa de que: \u201c<em>a crise da dire\u00e7\u00e3o do proletariado, que se transformou na crise da humanidade, s\u00f3 pode ser resolvida pela IV Internacional<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"28dc052d-0c38-46c9-9759-c8b2d41707aa\" class=\"fn\"><a id=\"28dc052d-0c38-46c9-9759-c8b2d41707aa-link\" href=\"\/#28dc052d-0c38-46c9-9759-c8b2d41707aa\">28<\/a><\/sup> Bensa\u00efd, em seu informe, iguala a \u201ccrise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d com a \u201ccrise do movimento oper\u00e1rio\u201d. Ou seja, as dire\u00e7\u00f5es s\u00e3o a express\u00e3o da \u00e9poca. Neste caso, seria express\u00e3o da derrota do movimento oper\u00e1rio e do retrocesso de sua consci\u00eancia. N\u00e3o seriam os aparatos contrarrevolucion\u00e1rios que passaram descaradamente para a ordem capitalista, mas sim as massas que est\u00e3o confusas e atrasadas. Da mesma forma, o programa pr\u00f3-burgu\u00eas de partidos como o PT ou a social-democracia europeia n\u00e3o seriam produto de sua natureza contrarrevolucion\u00e1ria, mas um reflexo da nova \u00e9poca hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00e3o foi o crit\u00e9rio de Trotsky. Para o fundador da IV Internacional, a crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria obedecia a fatores objetivos: a exist\u00eancia e for\u00e7a concreta (maior ou menor) dos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios e da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Independentemente do que pensassem os oper\u00e1rios, as a\u00e7\u00f5es do stalinismo e dos aparatos contrarrevolucion\u00e1rios sempre estavam orientadas para evitar, a qualquer custo, o desenvolvimento da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, valendo-se ora de campanhas ideol\u00f3gicas, do engano e da cal\u00fania, ora da repress\u00e3o aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi exatamente sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a consci\u00eancia do movimento oper\u00e1rio e a dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que Trotsky polemizou contra os defensores do Partido Oper\u00e1rio de Unifica\u00e7\u00e3o Marxista (POUM) espanhol no artigo <em>Classe, partido e dire\u00e7\u00e3o<\/em>. Os apologistas do POUM diziam \u2013 da mesma forma como os liberais culpavam o povo pelo governo que tinham \u2013 que as massas tinham \u201c<em>a dire\u00e7\u00e3o que merecem<\/em>\u201d. Algo similar \u00e0s teses do SU, que esgrimem a imaturidade do proletariado e a suposta correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desfavor\u00e1vel para justificar o seu programa reformista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O mesmo m\u00e9todo dial\u00e9tico deve ser utilizado para tratar a quest\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o de uma classe. Como os liberais, nossos s\u00e1bios admitem tacitamente o&nbsp; axioma segundo o qual cada classe tem a dire\u00e7\u00e3o que merece. Na verdade, a dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, em absoluto, o \u201csimples reflexo\u201d de uma classe ou o produto de seu pr\u00f3prio poder criativo. Uma dire\u00e7\u00e3o \u00e9 formada no curso dos choques entre as diferentes classes ou do atrito entre as diferentes camadas dentro de uma mesma classe. Mas, assim que aparece, a dire\u00e7\u00e3o, inevitavelmente, eleva-se sobre a classe e, por este fato, arrisca-se a sofrer a press\u00e3o e a influ\u00eancia de outras classes. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O proletariado pode \u201ctolerar\u201d por bastante tempo uma dire\u00e7\u00e3o que j\u00e1 tenha sofrido uma degenera\u00e7\u00e3o interna completa, mas que n\u00e3o tenha tido a chance de demonstrar isso no decorrer de grandes eventos. <strong>\u00c9 necess\u00e1rio um grande choque hist\u00f3rico para revelar de forma aguda a contradi\u00e7\u00e3o que existe entre a dire\u00e7\u00e3o e a classe<\/strong>. Os choques hist\u00f3ricos mais potentes s\u00e3o as guerras e as revolu\u00e7\u00f5es. Por essa raz\u00e3o, a classe trabalhadora \u00e9, muitas vezes, pega de surpresa pela guerra e pela revolu\u00e7\u00e3o. Mas, inclusive quando a antiga dire\u00e7\u00e3o j\u00e1 revelou sua pr\u00f3pria corrup\u00e7\u00e3o interna, a classe n\u00e3o pode improvisar imediatamente uma nova dire\u00e7\u00e3o, especialmente se n\u00e3o herdou do per\u00edodo anterior quadros revolucion\u00e1rios s\u00f3lidos, capazes de tirar proveito do colapso do velho partido dirigente. A interpreta\u00e7\u00e3o marxista, isto \u00e9, dial\u00e9tica e n\u00e3o escol\u00e1stica, da rela\u00e7\u00e3o entre uma classe e sua dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa pedra sobre pedra dos sofismas legalistas de nosso autor.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"e59cb690-0674-4e44-bb02-9f00f17026a7\" class=\"fn\"><a id=\"e59cb690-0674-4e44-bb02-9f00f17026a7-link\" href=\"\/#e59cb690-0674-4e44-bb02-9f00f17026a7\">29<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Como se estivesse respondendo de antem\u00e3o \u00e0queles que, como Bensa\u00efd, atribuem as derrotas e determinam o seu programa a partir do retrocesso geral da consci\u00eancia ou \u00e0 mera rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, Trotsky exp\u00f5e o problema de \u201c<em>como se deu o amadurecimento dos oper\u00e1rios russos<\/em>\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A maturidade do proletariado \u00e9 concebida como um fen\u00f4meno puramente est\u00e1tico. No entanto, no decurso de uma revolu\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia de classe \u00e9 o processo mais din\u00e2mico que pode ocorrer, o que determina diretamente o curso da revolu\u00e7\u00e3o. Era poss\u00edvel, em janeiro de 1917 ou mesmo em mar\u00e7o, ap\u00f3s a derrubada do czarismo, dizer se o proletariado russo havia \u201camadurecido\u201d o suficiente para tomar o poder dentro de oito a nove meses? A classe oper\u00e1ria era, naquele momento, totalmente heterog\u00eanea social e politicamente. Durante os anos de guerra, tinha sido renovada em cerca de 30 ou 40%, a partir das fileiras da pequena burguesia, frequentemente reacion\u00e1ria, \u00e0 custa dos camponeses atrasados, \u00e0 custa das mulheres e dos jovens. Em mar\u00e7o de 1917, apenas uma insignificante minoria da classe oper\u00e1ria seguia o partido bolchevique e, al\u00e9m disso, em seu seio, reinava a disc\u00f3rdia. Uma esmagadora maioria de oper\u00e1rios apoiava os mencheviques e os socialistas revolucion\u00e1rios, ou seja, os sociais-patriotas conservadores. A situa\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito e do campesinato era ainda mais desfavor\u00e1vel. Devemos acrescentar, ainda, o baixo n\u00edvel cultural do pa\u00eds, a falta de experi\u00eancia pol\u00edtica das camadas mais amplas do proletariado, especialmente nas prov\u00edncias, para n\u00e3o mencionar os camponeses e soldados. Qual foi o trunfo do bolchevismo? No in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o, apenas Lenin tinha uma concep\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria clara, elaborada at\u00e9 mesmo nos m\u00ednimos detalhes. Os quadros russos do partido estavam espalhados e bastante desorientados. Mas o partido tinha autoridade sobre os oper\u00e1rios avan\u00e7ados e Lenin tinha grande autoridade sobre os quadros do partido. Sua concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica correspondia ao desenvolvimento real da revolu\u00e7\u00e3o e ele a ajustava a cada novo acontecimento. Esses elementos dos trunfos do bolchevismo fizeram maravilhas em uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, isto \u00e9, nas condi\u00e7\u00f5es de uma luta de classes encarni\u00e7ada. O partido alinhou rapidamente sua pol\u00edtica para faz\u00ea-la corresponder \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de Lenin, isto \u00e9, ao verdadeiro curso da revolu\u00e7\u00e3o. Gra\u00e7as a isso, encontrou um forte apoio entre dezenas de milhares de trabalhadores avan\u00e7ados. Em poucos meses, com base no desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o, o partido foi capaz de convencer a maioria dos trabalhadores do acerto de suas palavras de ordem. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Esta maioria, por sua vez, organizada nos soviets, foi capaz de atrair os oper\u00e1rios e camponeses. Como poder\u00edamos resumir este desenvolvimento din\u00e2mico, dial\u00e9tico, usando uma f\u00f3rmula sobre a \u201cmaturidade\u201d ou \u201cimaturidade\u201d do proletariado? Um fator colossal da maturidade do proletariado russo, em fevereiro de 1917, era Lenin. Ele n\u00e3o tinha ca\u00eddo do c\u00e9u. Encarnava a tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria. Uma vez que, para que as palavras de ordem de Lenin encontrassem o caminho das massas, era necess\u00e1rio que existissem quadros, por mais fracos que fossem no in\u00edcio, era necess\u00e1rio que estes quadros tivessem confian\u00e7a em sua dire\u00e7\u00e3o, uma confian\u00e7a baseada na experi\u00eancia passada. Rejeitar estes elementos de seus c\u00e1lculos \u00e9 simplesmente ignorar a revolu\u00e7\u00e3o viva, substitu\u00ed-la por uma abstra\u00e7\u00e3o, a \u201crela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as\u201d, j\u00e1 que o desenvolvimento das for\u00e7as n\u00e3o deixa de se modificar rapidamente sob o impacto das mudan\u00e7as na consci\u00eancia do proletariado, de modo que as camadas avan\u00e7adas atraem as mais atrasadas, e a classe adquire confian\u00e7a em suas pr\u00f3prias for\u00e7as. O principal elemento, vital, desse processo \u00e9 o partido, da mesma forma que o elemento principal e vital do partido \u00e9 a sua dire\u00e7\u00e3o. O papel e a responsabilidade da dire\u00e7\u00e3o em uma \u00e9poca revolucion\u00e1ria s\u00e3o de import\u00e2ncia colossal.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"c525e223-0108-4894-9d0c-d9d84ffd2b42\" class=\"fn\"><a id=\"c525e223-0108-4894-9d0c-d9d84ffd2b42-link\" href=\"\/#c525e223-0108-4894-9d0c-d9d84ffd2b42\">30<\/a><\/sup><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-medium-font-size\"><strong>Os partidos amplos e as consequ\u00eancias do giro p\u00f3s-Leste<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para a vis\u00e3o do SU desde 1995, era tamanho o retrocesso da consci\u00eancia no mundo que n\u00e3o era mais poss\u00edvel manter a constru\u00e7\u00e3o de partidos leninistas com um programa revolucion\u00e1rio como o centro de sua atividade. Por isso, a partir da\u00ed, a proposta foi organizar revolucion\u00e1rios e reformistas honestos no mesmo partido. Esse projeto levou-os a dissolver a antiga Liga Comunista Revolucion\u00e1ria (LCR) francesa, em 2004, e a formar o NPA, um partido eleitoral que opera com base no programa que eles consideram aceit\u00e1vel pelos reformistas honestos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ironia da hist\u00f3ria \u00e9 que resolveram fazer isso para melhor dialogar com os trabalhadores na nova \u00e9poca, em 1995. Por\u00e9m chegaram a essa conclus\u00e3o justamente no momento em que o trotskismo franc\u00eas come\u00e7ou a ter \u00eaxito no terreno eleitoral: a organiza\u00e7\u00e3o Lutte Ouvri\u00e8re (Luta Oper\u00e1ria) obteve 5,2% na elei\u00e7\u00e3o presidencial de 1995, e o trotskismo chegou a 10% nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. A pr\u00f3pria LCR teve 4,25% em 2002, mostrando como sua an\u00e1lise sobre a consci\u00eancia estava equivocada. Essa vis\u00e3o de mundo levou-os a um retrocesso real. A LCR, a antiga se\u00e7\u00e3o francesa do SU, rebaixou o seu programa e se dissolveu no NPA, procurando se aproximar desse n\u00edvel de consci\u00eancia e, agora, est\u00e1 sofrendo uma profunda crise ao ser superada pelos reformistas da Frente de Esquerda. Os militantes do ex-SU na Fran\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o sequer a sombra do que era a antiga LCR no in\u00edcio dos anos 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>Avan\u00e7aram nessa din\u00e2mica e, hoje, aceitam programas ainda mais rebaixados do que o do NPA. Armados com suas elabora\u00e7\u00f5es p\u00f3s-Leste, transformaram-se em entusiastas e promotores dos partidos neorreformistas, aceitando seus programas de defesa da democracia burguesa radicalizada. \u00c9 o caso do Podemos (em que tamb\u00e9m dissolveram o seu partido, a Esquerda Anticapitalista, diante das amea\u00e7as de Pablo Iglesias) e do Bloco de Esquerda portugu\u00eas (em que tamb\u00e9m se dissolveram).<\/p>\n\n\n\n<p>Os militantes do SU j\u00e1 sequer prop\u00f5em o conceito de anticapitalista para a forma\u00e7\u00e3o desses partidos. Basta ser antiausteridade. Para eles, esses partidos neorreformistas s\u00e3o a alternativa poss\u00edvel nesta \u00e9poca. A proposta do ex-SU n\u00e3o \u00e9 o entrismo, mas sim entrar e ser parte permanente desses partidos e de sua dire\u00e7\u00e3o. Como prova, \u00e9 revelador ler as declara\u00e7\u00f5es de Teresa Rodr\u00edguez e Miguel Urb\u00e1n, dirigentes da Esquerda Anticapitalista do Estado Espanhol, quando proclamam orgulhosos que foram fundadores do Podemos, partido ao qual sa\u00fadam por ter canalizado uma \u201c<em>tempestade de entusiasmo pela mudan\u00e7a<\/em>\u201d e por ser uma \u201c<em>ferramenta de protagonismo popular e cidad\u00e3o<\/em>\u201d, bem como \u201c<em>uma ferramenta eleitoralmente mais flu\u00edda<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"4bf8aa0c-9c9b-443f-b222-5f6f91e43a39\" class=\"fn\"><a id=\"4bf8aa0c-9c9b-443f-b222-5f6f91e43a39-link\" href=\"\/#4bf8aa0c-9c9b-443f-b222-5f6f91e43a39\">31<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; <strong>Notas:<\/strong><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"a1356441-1f43-4a32-bbea-3b649e8b6754\">Referente \u00e0 corrente pol\u00edtica fundada pelo argentino Nahuel Moreno, um dos mais importantes dirigentes trotskistas. <a href=\"#a1356441-1f43-4a32-bbea-3b649e8b6754-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"df2b88c9-0334-45f4-b04a-a52e67aa3c73\">Referente ao dirigente trotskista do SU Michel Pablo, pseud\u00f4nimo do grego Michel Raptis. <a href=\"#df2b88c9-0334-45f4-b04a-a52e67aa3c73-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c4d3f23f-46e8-4432-b8d6-1a537cb34b3a\">Ernest Mandel (1923-1995): foi um importante dirigente trotskista, economista e pol\u00edtico alem\u00e3o. Passou a maior parte de sua vida e militou na B\u00e9lgica. Tamb\u00e9m era conhecido pelos pseud\u00f4nimos Ernest Germain, Pierre Gousset, Henri Vallin, Walter entre outros. <a href=\"#c4d3f23f-46e8-4432-b8d6-1a537cb34b3a-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"d467d504-8f7a-4bf5-9c1e-136e187db912\">LIT-CI. <em>Conferencia de fundaci\u00f3n. Resoluciones y documentos.<\/em> S\u00e3o Paulo: Ediciones Marxismo Vivo, 2012, p. 150. <a href=\"#d467d504-8f7a-4bf5-9c1e-136e187db912-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"172db5d3-994a-482a-9923-169f1f9d9d56\">Bensa\u00efd afirmou em 2004: \u201c<em>Na realidade, os grandes sujeitos da mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria \u2013 sobretudo os tr\u00eas Ps mai\u00fasculos: Povo, Proletariado e Partido \u2013 foram fantasmas como grandes sujeitos coletivos. [&#8230;] O problema hoje deveria ser colocado de outro modo: como, a partir de uma multiplicidade de protagonistas que s\u00e3o capazes de se unir por um interesse negativo \u2013 de resist\u00eancia \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o do mundo \u2013 conseguir uma for\u00e7a estrat\u00e9gica de transforma\u00e7\u00e3o sem recorrer a esta duvidosa metaf\u00edsica do sujeito<\/em> [&#8230;]\u201d. BENSA\u00cfD, Daniel. Entrevista in\u00e9dita. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.vientosur.info\/spip.php?article8797 <a href=\"#172db5d3-994a-482a-9923-169f1f9d9d56-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"cd1a1598-bbf2-4b34-b79c-0389eb3ce329\">Hugo Ch\u00e1vez (1954-2013), presidente da Venezuela entre 1999 e 2013. <a href=\"#cd1a1598-bbf2-4b34-b79c-0389eb3ce329-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"117992ab-d716-4237-8425-bf1855d3fa1c\">LIT-CI. <em>Conferencia de fundaci\u00f3n. Resoluciones y documentos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ediciones Marxismo Vivo, 2012, p. 65. <a href=\"#117992ab-d716-4237-8425-bf1855d3fa1c-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 7\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"eb303033-8f65-4a55-8518-ad2d6287c462\"> Ibid, p. 65.\u00a0 <a href=\"#eb303033-8f65-4a55-8518-ad2d6287c462-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 8\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"9b87aa10-87ee-44dc-b129-1e228b156fe6\">Ibid, p. 66. <a href=\"#9b87aa10-87ee-44dc-b129-1e228b156fe6-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"07da5900-0dd5-4f50-882d-08968e9bab7c\">Fidel Castro (1926-2016), l\u00edder da revolu\u00e7\u00e3o cubana, primeiro-ministro e presidente de Cuba entre 1959 e 2008. <a href=\"#07da5900-0dd5-4f50-882d-08968e9bab7c-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 10\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"6f0d1071-39cc-4fed-af69-4801f8525e09\">Refere-se aos seguidores das ideias e pol\u00edticas de Augusto C\u00e9sar Sandino (1895-1934), que dirigiu a revolta contra a presen\u00e7a militar dos Estados Unidos na Nicar\u00e1gua, iniciada em 1927. <a href=\"#6f0d1071-39cc-4fed-af69-4801f8525e09-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 11\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"98e18318-73a1-4f39-9299-99fce0315d67\">Violeta Chamorro (1929-): pol\u00edtica nicaraguense que se integrou \u00e0 Junta de Governo de Reconstru\u00e7\u00e3o Nacional, assumindo o controle do pa\u00eds por um breve per\u00edodo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de 1979. A junta levou a revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 derrota. <a href=\"#98e18318-73a1-4f39-9299-99fce0315d67-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 12\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b888732a-0823-4c86-827d-9f96842d0474\">BENSA\u00cfD, Daniel. Una nueva \u00e9poca hist\u00f3rica, julho de 1995. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.danielbensaid.org\/Una-nueva-epoca-historica?lang=fr\">http:\/\/www.danielbensaid.org\/Una-nueva-epoca-historica?lang=fr<\/a> <a href=\"#b888732a-0823-4c86-827d-9f96842d0474-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 13\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4c33d99a-50a0-4095-8d08-88598cdb362a\">Ibid. <a href=\"#4c33d99a-50a0-4095-8d08-88598cdb362a-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 14\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5aef0d53-f240-4344-a13d-4a2994a34c9a\">Ibid. <a href=\"#5aef0d53-f240-4344-a13d-4a2994a34c9a-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 15\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b74d0c52-76a3-4f4b-bb9d-2f41065a139b\">Ibid. <a href=\"#b74d0c52-76a3-4f4b-bb9d-2f41065a139b-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 16\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e78f1338-900d-401a-ba5c-6e4fc48f2f48\">Ibid. <a href=\"#e78f1338-900d-401a-ba5c-6e4fc48f2f48-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 17\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"321521df-0148-42b7-ae08-6af6dcfa3935\">Ibid. <a href=\"#321521df-0148-42b7-ae08-6af6dcfa3935-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 18\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c264f66f-8f95-467d-973e-36ebceb32a43\">Ibid. <a href=\"#c264f66f-8f95-467d-973e-36ebceb32a43-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 19\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1f524656-d4af-4e8c-a002-83ddf36ed3d9\">Ibid. <a href=\"#1f524656-d4af-4e8c-a002-83ddf36ed3d9-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 20\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"8917cf96-cd8f-4a7c-be17-9aaf10cfb4e8\">Ibid. <a href=\"#8917cf96-cd8f-4a7c-be17-9aaf10cfb4e8-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 21\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e2690fec-325a-4141-b6ed-12fb7df12be3\">Ibid. <a href=\"#e2690fec-325a-4141-b6ed-12fb7df12be3-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 22\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"56b5c541-90f6-4a8e-b619-aea5b459125d\">Ibid. <a href=\"#56b5c541-90f6-4a8e-b619-aea5b459125d-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 23\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0b73ae88-1a75-4dce-8d9f-993c6aa907cb\">Ibid. <a href=\"#0b73ae88-1a75-4dce-8d9f-993c6aa907cb-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 24\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"9b4b7dfd-0e42-4b5c-9a35-39ca0463bb73\">TROTSKY, Leon. O Programa de Transi\u00e7\u00e3o. <a href=\"#9b4b7dfd-0e42-4b5c-9a35-39ca0463bb73-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 25\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"fa4aa7c2-9bf1-4c39-83c4-01edf2880590\">BENSA\u00cfD, Daniel. Ibid. <a href=\"#fa4aa7c2-9bf1-4c39-83c4-01edf2880590-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 26\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"32194f70-a9d1-4abe-afce-f417e194f1df\">Ibid. <a href=\"#32194f70-a9d1-4abe-afce-f417e194f1df-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 27\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"28dc052d-0c38-46c9-9759-c8b2d41707aa\">TROTSKY, Leon. O Programa de Transi\u00e7\u00e3o. <a href=\"#28dc052d-0c38-46c9-9759-c8b2d41707aa-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 28\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e59cb690-0674-4e44-bb02-9f00f17026a7\">TROTSKY, Leon. Classe, partido e dire\u00e7\u00e3o. <a href=\"#e59cb690-0674-4e44-bb02-9f00f17026a7-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 29\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"c525e223-0108-4894-9d0c-d9d84ffd2b42\">Ibid. <a href=\"#c525e223-0108-4894-9d0c-d9d84ffd2b42-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 30\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4bf8aa0c-9c9b-443f-b222-5f6f91e43a39\">RODR\u00cdGUEZ, Teresa; URB\u00c1N, Miguel. Dos a\u00f1os de PODEMOS. Dispon\u00edvel em: http:\/\/blogs.publico.es\/otrasmiradas\/5852\/dos-a\u00f1os-de-podemos <a href=\"#4bf8aa0c-9c9b-443f-b222-5f6f91e43a39-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 31\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p>Publicado em novembro de 2016 na revista <em>Marxismo Vivo<\/em> N. 8<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O morenismo 1 surgiu da luta frontal contra as revis\u00f5es program\u00e1ticas do pablismo 2 na d\u00e9cada de 1950 e, em seguida, na luta contra a corrente majorit\u00e1ria do antigo Secretariado Unificado (SU), liderada por Ernest Mandel. 3 Livros como O Partido e a revolu\u00e7\u00e3o e A Ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado, ambos de Nahuel Moreno, s\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8921,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Referente \u00e0 corrente pol\u00edtica fundada pelo argentino Nahuel Moreno, um dos mais importantes dirigentes trotskistas.\",\"id\":\"a1356441-1f43-4a32-bbea-3b649e8b6754\"},{\"content\":\"Referente ao dirigente trotskista do SU Michel Pablo, pseud\u00f4nimo do grego Michel Raptis.\",\"id\":\"df2b88c9-0334-45f4-b04a-a52e67aa3c73\"},{\"content\":\"Ernest Mandel (1923-1995): foi um importante dirigente trotskista, economista e pol\u00edtico alem\u00e3o. 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[...] O problema hoje deveria ser colocado de outro modo: como, a partir de uma multiplicidade de protagonistas que s\u00e3o capazes de se unir por um interesse negativo \u2013 de resist\u00eancia \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o do mundo \u2013 conseguir uma for\u00e7a estrat\u00e9gica de transforma\u00e7\u00e3o sem recorrer a esta duvidosa metaf\u00edsica do sujeito<\/em> [...]\u201d. BENSA\u00cfD, Daniel. Entrevista in\u00e9dita. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.vientosur.info\/spip.php?article8797\",\"id\":\"172db5d3-994a-482a-9923-169f1f9d9d56\"},{\"content\":\"Hugo Ch\u00e1vez (1954-2013), presidente da Venezuela entre 1999 e 2013.\",\"id\":\"cd1a1598-bbf2-4b34-b79c-0389eb3ce329\"},{\"content\":\"LIT-CI. <em>Conferencia de fundaci\u00f3n. Resoluciones y documentos<\/em>. 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