{"id":8952,"date":"2025-06-02T11:06:00","date_gmt":"2025-06-02T14:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=8952"},"modified":"2025-06-02T11:06:00","modified_gmt":"2025-06-02T14:06:00","slug":"gaza-e-eleicoes-confirmam-a-natureza-racista-e-genocida-de-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/06\/02\/gaza-e-eleicoes-confirmam-a-natureza-racista-e-genocida-de-israel\/","title":{"rendered":"Gaza e elei\u00e7\u00f5es confirmam a natureza racista e genocida de Israel"},"content":{"rendered":"\n<p>Fica cada vez mais dif\u00edcil negar o verdadeiro car\u00e1ter do Estado de Israel. Depois do massacre na Faixa de Gaza em dezembro de 2008 e as recentes elei\u00e7\u00f5es que deram a vit\u00f3ria \u00e0s for\u00e7as mais direitistas, j\u00e1 n\u00e3o resta muita d\u00favida de que esse \u00e9 um Estado a servi\u00e7o do imperialismo no Oriente M\u00e9dio, constru\u00eddo e assentado sobre a for\u00e7a das armas e do apartheid. Os que advogam um car\u00e1ter democr\u00e1tico para Israel, ou mesmo um car\u00e1ter \u201csocialista\u201d e os que usam termos como \u201clar\u201d e \u201cterra santa\u201d para referir-se a esse Estado, t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de explicar os atos cometidos pelos sucessivos governos israelenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mundo terminou o ano de 2008 vendo pela TV imagens de crian\u00e7as mutiladas, ruas cobertas de sangue, fam\u00edlias destru\u00eddas, casas e pr\u00e9dios transformados em escombros em Gaza. Em dezembro, durante 22 dias, as for\u00e7as armadas sionistas, com avi\u00f5es despejando bombas de alto poder destrutivo e lan\u00e7ando m\u00edsseis de artilharia, al\u00e9m do emprego de armas proibidas pelas conven\u00e7\u00f5es de Genebra, como as bombas com f\u00f3sforo branco, arrasaram a Faixa de Gaza. Contaram-se 1285 habitantes mortos. Desses, 111 eram mulheres e 280 crian\u00e7as. Assassinaram pessoas que apenas andavam pela rua e usaram civis como escudos humanos de suas tropas. Bombardearam ambul\u00e2ncias, escolas, hospitais, mesquitas, e pr\u00e9dios da ONU. N\u00e3o s\u00e3o imagens in\u00e9ditas. J\u00e1 perdemos a conta de quantas vezes vimos esse filme onde os protagonistas s\u00e3o os soldados israelenses e as v\u00edtimas as popula\u00e7\u00f5es palestinas, quase sempre desarmadas e indefesas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o do governo sionista da \u00e9poca, Olmert\/Livni\/Barak, foi derrotar a resist\u00eancia palestina. Mas foi o que menos conseguiram. O que esse novo massacre, agora em Gaza, conseguiu, foi deixar o mundo indignado e estarrecido diante de tamanha brutalidade, selvageria e sangue frio com que Israel comete os seus crimes. Mas a barb\u00e1rie israelense n\u00e3o foi suficiente para derrotar o povo palestino, que luta por sua terra. Enganam-se aqueles que pensam que esse genoc\u00eddio foi fruto de uma conjuntura adversa de medo ao terror por parte de um governo espec\u00edfico, mais \u00e0 direita, como o Kadima, que teria usado o \u201cperigo dos m\u00edsseis de Gaza\u201d para demonizar os palestinos. E que, ao perceber a verdadeira realidade, o israelense m\u00e9dio iria reagir e votar em setores mais dispostos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o.\u00a0 Na verdade, havia uma press\u00e3o \u201cpopular\u201d para ir mais fundo na elimina\u00e7\u00e3o do \u201cperigo\u201d representado por Gaza. Tanto que a invas\u00e3o teve amplo apoio popular em Israel, e a falta de rea\u00e7\u00e3o aos massacres, aliado ao crescente \u00f3dio aos palestinos refletiram-se nas elei\u00e7\u00f5es e deixaram claro que existe um acordo geral entre os judeus israelenses, com exce\u00e7\u00e3o de poucos indiv\u00edduos ou grupos, de livrar-se dos palestinos, expulsando-os ou eliminando-os. A situa\u00e7\u00e3o interna \u00e9 t\u00e3o contr\u00e1ria a qualquer conviv\u00eancia pac\u00edfica com seus vizinhos e com os palestinos, que quem se expressa contra a limpeza \u00e9tnica \u00e9 amea\u00e7ado de puni\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o, o que faz com que alguns deles tenham preferido viver no autoex\u00edlio, como o professor Ilan Papp\u00e9, autor do livro <em>A limpeza \u00e9tnica da Palestina<\/em>. <sup data-fn=\"3c4c70ac-9f07-4b7c-996f-9e6600f7b1e5\" class=\"fn\"><a id=\"3c4c70ac-9f07-4b7c-996f-9e6600f7b1e5-link\" href=\"\/#3c4c70ac-9f07-4b7c-996f-9e6600f7b1e5\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>As elei\u00e7\u00f5es como express\u00e3o desse sentimento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Isso ficou expresso nas recentes elei\u00e7\u00f5es. Elas representaram um duro golpe \u00e0 ideologia dos \u201cdois Estados\u201d. <sup data-fn=\"3d4e89fc-a0b5-4f5d-8a7b-08c3559387b1\" class=\"fn\"><a id=\"3d4e89fc-a0b5-4f5d-8a7b-08c3559387b1-link\" href=\"\/#3d4e89fc-a0b5-4f5d-8a7b-08c3559387b1\">2<\/a><\/sup> Ao inv\u00e9s de alguma for\u00e7a moderada que pudesse salvar as propostas de \u201cpaz\u201d e dos dois Estados, o resultado das urnas mostrou a dimens\u00e3o da ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o israelense ao racismo e o desprezo aos palestinos. Os vencedores da elei\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma variante de correntes de ultradireita, algumas abertamente fascistas e racistas. Tanto que Uri Avneri, veterano pacifista israelense defensor da tese dos dois Estados e fiel \u00e0 solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica por dentro do sionismo, pergunta se n\u00e3o est\u00e1 na hora de encarar a realidade de uma irrup\u00e7\u00e3o do fascismo em Israel:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O Estado de Israel aproxima-se de uma crise existencial-moral, pol\u00edtica, econ\u00f4mica que o converteria em uma na\u00e7\u00e3o em perigo? \u00c9 poss\u00edvel que Lieberman, ou algu\u00e9m que tome seu lugar, seja uma personalidade demon\u00edaca como Hitler ou Mussolini? Em nossa situa\u00e7\u00e3o atual, h\u00e1 alguns ind\u00edcios perigosos. A \u00faltima guerra mostrou uma decad\u00eancia maior de nossos padr\u00f5es morais. O \u00f3dio \u00e0 minoria \u00e1rabe de Israel aumenta, bem como o \u00f3dio ao povo palestino ocupado, que sofre um lento estrangulamento.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"3e569caa-2c27-4729-ad91-c90c660793ac\" class=\"fn\"><a id=\"3e569caa-2c27-4729-ad91-c90c660793ac-link\" href=\"\/#3e569caa-2c27-4729-ad91-c90c660793ac\">3<\/a><\/sup><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora Avneri encerre o artigo com otimismo, revela a real situa\u00e7\u00e3o em Israel ao ser obrigado a colocar-se essa pergunta. A composi\u00e7\u00e3o atual do governo israelense mostra que sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 justa. Publicamos abaixo um quadro, baseado no jornal israelense Haaretz (17\/2\/09):<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"760\" height=\"398\" src=\"https:\/\/perspectivamarxista.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/eleicoes-israel-2009.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8954\" srcset=\"https:\/\/perspectivamarxista.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/eleicoes-israel-2009.png 760w, https:\/\/perspectivamarxista.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/eleicoes-israel-2009-300x157.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 760px) 100vw, 760px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fazem parte da coliga\u00e7\u00e3o de governo os j\u00e1 descritos Likud (15 minist\u00e9rios), Israel Beitenu (5), e Trabalhistas (5). Al\u00e9m deles, est\u00e3o nela: o Shas, partido religioso de extrema-direita, que det\u00e9m o Minist\u00e9rio do Interior, o Juda\u00edsmo Unido da Tor\u00e1 e o Lar Judaico (racistas ainda mais fan\u00e1ticos que o Likud). Esses partidos t\u00eam em comum sua base nos colonos que vivem nos territ\u00f3rios da Cisjord\u00e2nia, a defesa da expans\u00e3o cont\u00ednua dos assentamentos judeus nessa regi\u00e3o e a \u2018\u2019judaiza\u00e7\u00e3o\u2019\u2019 de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o significado dessa elei\u00e7\u00e3o \u00e9 que as ideias de Zev Jabotinsky, fundador do \u201csionismo revisionista\u201d, est\u00e3o totalmente em voga. Defensor declarado do fascismo nos anos 20 e 30, Jabotinsky defendia a necessidade de exercer uma estrat\u00e9gia de terror \u2013 a tal \u201cmuralha de ferro\u201d &#8211; para impor a coloniza\u00e7\u00e3o aos palestinos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>N\u00e3o cabe pensar em uma reconcilia\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria entre n\u00f3s e os \u00e1rabes, nem agora, nem em um futuro previs\u00edvel. Todas as pessoas bem-intencionadas, salvo os cegos de nascimento, compreenderam h\u00e1 muito a completa impossibilidade de se chegar a um acordo volunt\u00e1rio com os \u00e1rabes da Palestina para transformar a Palestina de pa\u00eds \u00e1rabe em um pa\u00eds de maioria judia. (&#8230;) Portanto, a coloniza\u00e7\u00e3o somente pode desenvolver-se sob um escudo que inclua uma muralha de ferro que jamais possa ser penetrada pela popula\u00e7\u00e3o local. Essa \u00e9 a nossa pol\u00edtica \u00e1rabe, formul\u00e1-la de qualquer outro modo seria hipocrisia.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"4adf7c0d-ae2a-4e1d-bf04-b068736cb684\" class=\"fn\"><a id=\"4adf7c0d-ae2a-4e1d-bf04-b068736cb684-link\" href=\"\/#4adf7c0d-ae2a-4e1d-bf04-b068736cb684\">4<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Nessas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, o eleitorado escolheu um novo parlamento cujos membros em sua ampla maioria s\u00e3o fascistas, como o Likud, cujo dirigente, Aryeh Eldad, prop\u00f4s que a Jord\u00e2nia se \u201ctransformasse\u201d num Estado palestino e que concedesse a cidadania jordaniana aos palestinos da Cisjord\u00e2nia. A proposta imporia a soberania israelense em \u201ctoda a Palestina do Mandato\u201d, do rio Jord\u00e3o at\u00e9 o Mediterr\u00e2neo, e prepararia o terreno legal e psicol\u00f3gico para a deporta\u00e7\u00e3o final de cerca de 5,1 milh\u00f5es de palestinos de sua terra ancestral. Essa era exatamente a proposta discutida nos congressos sionistas antes de 1948 (vide Box).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Somando-se as diferentes coaliz\u00f5es, 80% dos eleitos representam a continuidade da proposta de Jabotinsky. O primeiro-ministro Netanyahu \u00e9 um herdeiro direto de Jabotinsky e dos terroristas do Irgun e da gangue Stern, respons\u00e1veis diretos pelo massacre de Deir Yassin em 1948. Ele foi apadrinhado pelos l\u00edderes paramilitares Beguin e Shamir, que comandaram os massacres de mulheres e crian\u00e7as palestinas em 1948 e formaram o partido Herut, que depois se tornou o Likud. Tanto Begin como Shamir foram primeiros-ministros pelo Likud. Netanyahu defende a expans\u00e3o das col\u00f4nias judaicas na Cisjord\u00e2nia e em torno de Jerusal\u00e9m, iniciada pelos governos Sharon e Olmert, para dividir de vez os territ\u00f3rios palestinos e isol\u00e1-los uns dos outros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No importante Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores est\u00e1 o partido Israel Beitenu (Israel Nossa Casa), dirigido por Avigdor Lieberman, que teve 15% dos votos e chegou a propor o lan\u00e7amento de bombas nucleares sobre Gaza. Hoje prop\u00f5e a transfer\u00eancia for\u00e7ada dos \u00e1rabes israelenses, os palestinos que vivem no territ\u00f3rio tomado em 1948 e a perda de qualquer direito aos que n\u00e3o reconhecem o \u201ccar\u00e1ter judaico do Estado de Israel\u201d. <sup data-fn=\"eaea7747-af5f-4684-9847-b16fadbda75f\" class=\"fn\"><a id=\"eaea7747-af5f-4684-9847-b16fadbda75f-link\" href=\"\/#eaea7747-af5f-4684-9847-b16fadbda75f\">5<\/a><\/sup> O Beitenu descreve-se como \u201cum partido nacional com a meta de seguir o corajoso caminho de Zev Jabotinsky\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a m\u00eddia ocidental, essa direitiza\u00e7\u00e3o seria compensada pela entrada dos trabalhistas no governo. Ainda vistos como de \u201cesquerda\u201d ou \u201ccentro-esquerda\u201d, os trabalhistas s\u00e3o os mesmos que comandaram o massacre de Gaza via Ehud Barak, novamente Ministro da Defesa. V\u00e1rios parlamentares do partido Trabalhista no governo dirigido pelo Likud votaram a favor do envio da proposta de Eldad ao Knesset, citada acima, para discuti-la mais adiante. Ap\u00f3s servir para disfar\u00e7ar a natureza do Estado de Israel, dirigido por ele nos seus primeiros 40 anos, passados 60 anos de sua cria\u00e7\u00e3o, o sionismo \u201cde esquerda\u201d \u00e9 uma fraude t\u00e3o descarada que n\u00e3o tem mais espa\u00e7o para se postular aos olhos do mundo como alternativa negociadora e \u201cpacifista\u201d. Sua derrota pat\u00e9tica e a perda at\u00e9 mesmo do 3\u00ba lugar para o Beitenu demonstram que, para o eleitorado israelense, se \u00e9 necess\u00e1rio defender o car\u00e1ter racista do Estado, \u00e9 melhor escolher quem fala claro e quer ir ainda mais fundo na limpeza \u00e9tnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter sido o partido mais bem votado, o Kadima n\u00e3o p\u00f4de formar o&nbsp; governo por n\u00e3o contar com uma coaliz\u00e3o suficiente. Esse partido foi criado por Sharon, o genocida de Sabra e Chatila, e Ehud Olmert. Sharon tamb\u00e9m foi membro do Likud e defensor das ide ias de Jabotinsky, Begin e Shamir, al\u00e9m de respons\u00e1vel direto pela unidade 101 do ex\u00e9rcito, que praticou o massacre de Kybia em 1953. O governo do Kadima, com Olmert e Tzipi Livni \u00e0 frente, foi o respons\u00e1vel pelo bloqueio genocida de Gaza e pelo recente massacre.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos de base judaica que seriam mais \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d, tidos pela imprensa ocidental como de centro-esquerda (Meretz, por exemplo) e que t\u00eam um discurso que fala de paz, n\u00e3o t\u00eam praticamente eleitores. Os \u00fanicos partidos que questionam at\u00e9 certo ponto o <em>status<\/em> racista t\u00eam sua base entre os \u00e1rabes israelenses, cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o eles o Hadash, Balad e Lista \u00c1rabe Unida, cuja vota\u00e7\u00e3o \u00e9 concentrada nos eleitores \u00e1rabes. Nesta elei\u00e7\u00e3o, esses partidos s\u00f3 foram autorizados a concorrer na \u00faltima hora, devido a uma senten\u00e7a da Corte Suprema. Por isso, quase a metade dos eleitores \u00e1rabes israelenses n\u00e3o votaram. Agora, para demonstrar o car\u00e1ter da \u201cdemocracia israelense\u201d, est\u00e3o sob a amea\u00e7a da nova lei, que exige a aceita\u00e7\u00e3o do Estado de Israel como de uma \u201cra\u00e7a\u201d, e a proibi\u00e7\u00e3o de comemorar a Nakba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma crise mais profunda<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Netanyahu introduz uma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao governo de Olmert\/Livni: um discurso&nbsp; direto contra qualquer tipo de Estado ou Autoridade palestina; ao contr\u00e1rio do que os EUA e a Uni\u00e3o Europeia gostariam, ele afirma abertamente que nem sequer se deve pensar em uma entidade palestina que leve o nome de \u201cestado\u201d. Seriam aceit\u00e1veis apenas \u201c\u00e1reas econ\u00f4micas\u201d sem continuidade e estranguladas pela expans\u00e3o dos assentamentos de colonos, do Muro da Vergonha e das estradas exclusivas a judeus constru\u00eddas na Cisjord\u00e2nia. Continua com a pol\u00edtica de bloqueio a Gaza, que deve ser condenada a um cerco at\u00e9 que se renda ou seus habitantes saiam do territ\u00f3rio palestino. Netanyahu tenta diluir o problema para sair do isolamento, apontando suas baterias para o perigo do Ir\u00e3 e de sua pol\u00edtica nuclear, como j\u00e1 faziam Olmert e Livni.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que poderia parecer \u00e0 primeira vista, essa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a de um pa\u00eds em processo de fortalecimento. Israel vem sendo derrotado militar e politicamente. Tenta se contrapor a uma poss\u00edvel negocia\u00e7\u00e3o de Obama com o&nbsp; Ir\u00e3, que poderia dar mais peso \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o e amea\u00e7ar sua hegemonia militar absoluta. A preocupa\u00e7\u00e3o de Obama e dos governos imperialistas da Europa \u00e9 que tal posi\u00e7\u00e3o seja fatal para o pr\u00f3prio Israel, que este una os povos \u00e1rabes cada vez mais contra si at\u00e9 sua situa\u00e7\u00e3o ficar insustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, Obama identificou esse como um dos problemas mais graves para o novo governo dos EUA. Afinal, ele tem que governar os EUA depois da derrota da pol\u00edtica mundial de \u201cguerra ao terror\u201d, simbolizada pela <em>d\u00e9bacle<\/em> de Bush frente \u00e0 resist\u00eancia dos povos e frente ao crescimento do rep\u00fadio ao imperialismo norte-americano. Por isso, tem que apelar muito mais \u00e0 ret\u00f3rica dos planos de paz, da solidariedade, falar em um novo \u201cdi\u00e1logo\u201d entre os povos. Sobretudo no Oriente M\u00e9dio. O resultado s\u00e3o os choques com o governo israelense, encabe\u00e7ado por for\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam a mesma preocupa\u00e7\u00e3o t\u00e1tica dos trabalhistas de outrora. Estes faziam toda uma encena\u00e7\u00e3o para aparecer como \u201cpombas\u201d, enquanto massacravam os palestinos, expandiam os assentamentos de colonos, torturavam e deixavam apodrecer os lutadores palestinos nas pris\u00f5es. Obama quer convencer Netanyahu que, frente ao isolamento de Israel, seria melhor voltar \u00e0 pr\u00e1tica tradicional desses governos trabalhistas da d\u00e9cada de 90 e mesmo do Kadima: falar em processo de paz e em Estado palestino, enquanto continuam a praticar o roubo das terras palestinas e a limpeza \u00e9tnica. A posi\u00e7\u00e3o de Netanyahu, aceitando um Estado palestino desde que n\u00e3o tenha qualquer institui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, renuncie a Jerusal\u00e9m e ao direito de retorno dos refugiados, deixa at\u00e9 mesmo o colaboracionista Mahmoud Abbas balbuciando que a defesa de tal proposta \u00e9 insustent\u00e1vel.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Obama sustenta Israel com uma face mais negociadora<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Qual a l\u00f3gica dessa mudan\u00e7a t\u00e1tica? A pol\u00edtica para o Oriente M\u00e9dio tem que ser modificada para garantir a supremacia imperialista. Trata-se de conseguir via negocia\u00e7\u00e3o e chantagens, elogios e amea\u00e7as, o que a invas\u00e3o militar n\u00e3o arrancou.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de Obama na Universidade do Cairo em junho foi a express\u00e3o dessa nova cara do imperialismo, preparado habilidosamente para criar esperan\u00e7as na popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e mu\u00e7ulmana, aproveitando-se da nova imagem do presidente rec\u00e9m-empossado. S\u00f3 que o limite para essa mudan\u00e7a est\u00e1 dado pelo v\u00ednculo entre EUA e Israel, que faz com que seu limite m\u00e1ximo seja a retomada da pol\u00edtica dos dois estados, que levou aos acordos de Oslo. Tal pol\u00edtica levou Arafat a trair a causa palestina e a criar no lado palestino um simulacro de governo completamente servil a Washington e ao sionismo, do qual seu sucessor, Mahmoud Abbas, \u00e9 a express\u00e3o mais ultrajante.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse Ali Abunimah, da Electronic Intifada, referindo-se ao discurso de Obama no Cairo, \u00e9 como \u201cBush em pele de cordeiro\u201d. Sem deixar nenhuma das apostas estrat\u00e9gicas do imperialismo, Obama precisa mostrar um rosto amig\u00e1vel, aproveitando sua origem \u00e9tnica e as rela\u00e7\u00f5es familiares que teve com a cultura mu\u00e7ulmana. Por isso, pressionou seus parceiros sionistas para que os trabalhistas encabe\u00e7ados por Barak fizessem parte do governo com os fascistas do Likud para dar-lhe uma faceta mais \u201chumana\u201d. O convite de Netanyahu, com a pronta aceita\u00e7\u00e3o dos trabalhistas, foi patrocinado pelo novo governo dos EUA, ansioso para que os assassinos sionistas apresentem ao mundo uma cara mais palat\u00e1vel para melhor passar a proposta de impor aos \u00e1rabes o reconhecimento de Israel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, tanto Hillary Clinton, em visita a Israel, reafirmou o \u201cleal compromisso\u201d dos EUA com a seguran\u00e7a de Israel quanto Obama, dirigindo-se aos mu\u00e7ulmanos, enfatizou seu compromisso de \u201clealdade\u201d aos sionistas. O novo governo norte-americano continua sustentando a todo custo o regime nazi de apartheid, que det\u00e9m centenas de ogivas nucleares e um dos ex\u00e9rcitos mais fortes do mundo, com a desculpa de que a seguran\u00e7a de sua popula\u00e7\u00e3o civil est\u00e1 amea\u00e7ada pelos foguetes caseiros de Gaza. Obama aconselhou os palestinos a agir pacificamente depois de comparar sua condi\u00e7\u00e3o aos escravos negros. E ent\u00e3o se dedicou a condenar os atentados palestinos contra os transportes e a lamentar-se pelas crian\u00e7as israelenses feridas. Nem uma palavra sobre o massacre dos palestinos por Israel em Gaza. Disse que vai trabalhar com qualquer governo que o povo de Israel escolher, ou seja, mesmo com esses nazistas declarados, que prop\u00f5em e votam leis racistas e at\u00e9 a expuls\u00e3o dos palestinos, mas imp\u00f5e como condi\u00e7\u00f5es para conversar com o governo eleito pelos palestinos, encabe\u00e7ado pelo Hamas, o \u201creconhecimento de Israel\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed est\u00e1 o n\u00facleo central da pol\u00edtica de Obama para a Palestina: aconselha o povo palestino a desistir da resist\u00eancia armada, reconhecendo Israel, resignar-se a conviver com o estado racista, o que significa o mesmo que abandonar a luta por seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 fizeram a Al Fatah e os que ap\u00f3iam a Autoridade Nacional Palestina de Abbas. E essa pol\u00edtica pode ter impacto: segundo o jornal <em>The Independent<\/em>, o primeiro-ministro e dirigente do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, declarou, ap\u00f3s se entrevistar com o ex-presidente Jimmy Carter, que aceitaria um Estado palestino baseado em suas fronteiras de 1976 e que o movimento havia \u201cescutado atentamente\u201d Obama no Cairo, cujo discurso reconhecia o apoio do Hamas pelos palestinos, mas tamb\u00e9m a necessidade de assumir responsabilidades. \u201cEncontramos una nova l\u00edngua, uma nova linguagem, um novo esp\u00edrito\u201d, teria declarado Haniyeh.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de Obama mant\u00e9m a estrat\u00e9gia de defender Israel e seu \u201cdireito \u00e0 seguran\u00e7a\u201d, o que significa colonizar e massacrar os palestinos, e limita-se a dar alguns conselhos a seu governo. Mas, mais que pelas palavras, devemos julgar um governo por seus atos. O governo Obama j\u00e1 mostrou a que veio, ao colocar em seu or\u00e7amento para 2010 a soma de US$ 2,775 bilh\u00f5es em ajuda militar a Israel, que ser\u00e3o convertidos em m\u00edsseis, avi\u00f5es ultramodernos e farta muni\u00e7\u00e3o para manter a pr\u00e1tica do terror de Estado contra os palestinos.]<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">BOX<\/h3>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sionismo significa terror aos palestinos desde suas origens<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Quando os soldados sionistas apareceram na TV usando camisetas com inscri\u00e7\u00f5es que defendiam abertamente a morte de mulheres gr\u00e1vidas palestinas como forma de eliminar dois \u201cposs\u00edveis terroristas\u201d com um s\u00f3 tiro, a barb\u00e1rie nazista imperante em Israel ficou estampada aos olhos do mundo e fez crescer a campanha de boicote a Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de perda da imagem de \u201c\u00fanica democracia do Oriente M\u00e9dio\u201d do Estado sionista j\u00e1 vinha desde as d\u00e9cadas de 1970-80. At\u00e9 ent\u00e3o, um ponto de inflex\u00e3o e s\u00edmbolo dessa perda de imagem havia sido o massacre de Sabra e Chatila no L\u00edbano, em 1982, quando as mil\u00edcias crist\u00e3s fascistas a servi\u00e7o de Israel chacinaram os palestinos, sob o comando do ent\u00e3o ministro da defesa, Ariel Sharon.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O massacre de Gaza fez esse desgaste dar um salto: eram comuns nos atos ao redor do mundo inteiro as bandeiras em que a estrela de David era substitu\u00edda pela su\u00e1stica nazista, expressando claramente a real heran\u00e7a pol\u00edtica do Estado de Israel. Do mesmo modo, cartazes e discursos comparavam Gaza ao Gueto de Vars\u00f3via, e denunciavam como a ofensiva sionista fazia dos habitantes de Gaza as v\u00edtimas de um novo e mais prolongado Holocausto. O crescimento da campanha pelo boicote a Israel (BDS) \u00e9 uma express\u00e3o clara desse salto. Um exemplo desse rep\u00fadio foi o protesto contra o jogo entre Israel e a Su\u00e9cia pela Ta\u00e7a Davis de t\u00eanis logo depois da invas\u00e3o a Gaza. Mais de 7000 manifestantes marcharam da pra\u00e7a principal da cidade de Malmoe at\u00e9 o local onde se jogava aquela partida de t\u00eanis. Boicotes de portu\u00e1rios na Austr\u00e1lia e na \u00c1frica do Sul fizeram a for\u00e7a da a\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria ser sentida, na melhor tradi\u00e7\u00e3o dos boicotes ao regime do apartheid sul-africano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas hist\u00f3ricas e biografias publicadas mostram que a decis\u00e3o de expulsar os palestinos e realizar uma limpeza \u00e9tnica, a Nakba, <sup data-fn=\"bbfbf343-051c-4eec-be6e-61ca106f31e3\" class=\"fn\"><a id=\"bbfbf343-051c-4eec-be6e-61ca106f31e3-link\" href=\"\/#bbfbf343-051c-4eec-be6e-61ca106f31e3\">6<\/a><\/sup> para criar Israel, foi do primeiro governo do trabalhista Ben Gurion em 1948. Havia naquele momento um grande acordo e uma diferen\u00e7a t\u00e1tica com uma parte das correntes mais fascistas, origem dos atuais Likud e Kadima. Toda a regi\u00e3o entre o Mediterr\u00e2neo e o Jord\u00e3o deveria ser usurpada pela expuls\u00e3o dos \u00e1rabes para a cria\u00e7\u00e3o de um estado exclusivamente judeu, batizado de Eretz Israel (Terra de Israel). A diferen\u00e7a era que o Poale Zion, partido de Ben Gurion na \u00e9poca, depois Mapai, aceitava a partilha da ONU com o argumento de que, uma vez instalados, tornariam a vida dos palestinos um inferno, de tal forma que eles seriam obrigados a sair; enquanto os antecessores do Likud, os paramilitares do Irgun e Lehi, recusavam-se a aceitar a partilha e queriam tomar todo o territ\u00f3rio do mandato da Palestina para o Estado judeu j\u00e1 em sua funda\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mas em rela\u00e7\u00e3o ao objetivo final e aos m\u00e9todos necess\u00e1rios havia um acordo, tanto assim que os massacres de palestinos marcaram a funda\u00e7\u00e3o de Israel, seja pela a\u00e7\u00e3o do Irgun e Lehi, como em Deir Yassin, como pela a\u00e7\u00e3o do Haganah, a organiza\u00e7\u00e3o militar sionista que deu origem ao ex\u00e9rcito israelense, em Al Dawayema em 1948 e mais tarde em Kybia, em 1953, entre outros. Ben Gurion dizia em 1936: \u201d<em>um acordo abrangente est\u00e1 fora de quest\u00e3o. Apenas o desespero total da parte dos \u00e1rabes pode fazer com que eles aceitem a cria\u00e7\u00e3o de um Eretz Israel judeu<\/em>\u201d. <sup data-fn=\"0cf3ab89-a8aa-49fd-b0eb-efda5309e7f2\" class=\"fn\"><a id=\"0cf3ab89-a8aa-49fd-b0eb-efda5309e7f2-link\" href=\"\/#0cf3ab89-a8aa-49fd-b0eb-efda5309e7f2\">7<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Essa mesma l\u00f3gica de impor a expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o palestina pela for\u00e7a do terror persiste e \u00e9 essencial para a pr\u00f3pria exist\u00eancia do Estado de Israel, cuja raz\u00e3o de ser \u00e9 a limpeza \u00e9tnica e o expansionismo. Por isso, continuam os assentamentos na regi\u00e3o ocupada em 1967 pelas tropas sionistas, a amplia\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o de construir casas em regi\u00f5es inteiras de Jerusal\u00e9m pelos palestinos, o avan\u00e7o na \u201cjudaiza\u00e7\u00e3o\u201d da cidade e as propostas de transfer\u00eancia for\u00e7ada da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, tanto dos territ\u00f3rios de 48 como dos ocupados ap\u00f3s 67. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma express\u00e3o cabal dessa pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista Amira Hass, uma das vozes solit\u00e1rias que defendem um tratamento humano aos palestinos, indignada com essa realidade, escreveu no jornal israelense <em>Haaretz<\/em> um artigo dirigido aos setores mais cultos da popula\u00e7\u00e3o israelense:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O que ocorre com voc\u00eas, pesquisadores do nazismo, do Holocausto e dos gulags? Poderiam voc\u00eas estar a favor das leis discriminat\u00f3rias sistem\u00e1ticas? Leis que colocam de forma clara que os \u00e1rabes da Galileia nem sequer ser\u00e3o compensados pelos danos de guerra com as mesmas quantias que seus vizinhos judeus ter\u00e3o direito? \u00c9 poss\u00edvel que estejam a favor de uma lei que pro\u00edba um \u00e1rabe israelense de viver com sua fam\u00edlia em sua pr\u00f3pria casa? Que estejam de acordo com mais expropria\u00e7\u00f5es de terras e com a demoli\u00e7\u00e3o de mais hortas para instala\u00e7\u00e3o de novos assentamentos de colonos e para outra estrada exclusivamente para judeus? Que todos voc\u00eas respaldem os bombardeios e os lan\u00e7amentos de m\u00edsseis que matam velhos e crian\u00e7as na Faixa de Gaza? (&#8230;) como judeus, todos n\u00f3s desfrutamos dos privil\u00e9gios que Israel nos oferece, o que tamb\u00e9m nos converte em colaboracionistas.<\/em>\u201d <sup data-fn=\"2c339764-f4c5-4a5c-a5b6-65e1c535c2df\" class=\"fn\"><a id=\"2c339764-f4c5-4a5c-a5b6-65e1c535c2df-link\" href=\"\/#2c339764-f4c5-4a5c-a5b6-65e1c535c2df\">8<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 existe uma sa\u00edda para que haja paz: o fim de tal anomalia, de um Estado em que o genoc\u00eddio de outro povo que ali habitava seja considerado v\u00e1lido. N\u00e3o h\u00e1 como sair da macabra sucess\u00e3o de guerras e massacres, a n\u00e3o ser com a destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. E para isso, a sa\u00edda \u00e9 a resist\u00eancia palestina e das massas \u00e1rabes. N\u00e3o h\u00e1 como fazer reformas nem como construir \u201cdois estados\u201d, como querem os colaboracionistas da ANP e a maior parte da esquerda mundial. A realidade comprova a cada dia que tal solu\u00e7\u00e3o \u00e9 invi\u00e1vel e significa o prolongamento da agonia palestina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"3c4c70ac-9f07-4b7c-996f-9e6600f7b1e5\">Papp\u00e9 recebeu amea\u00e7as de morte, obrigando-o a renunciar ao cargo de catedr\u00e1tico de ci\u00eancia pol\u00edtica na Universidade de Haifa e deixar o pa\u00eds. <a href=\"#3c4c70ac-9f07-4b7c-996f-9e6600f7b1e5-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"3d4e89fc-a0b5-4f5d-8a7b-08c3559387b1\">A cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino ao lado do Estado de Israel e uma paz baseada em uma reforma interna em Israel, tornando-o mais favor\u00e1vel \u00e0 conviv\u00eancia com os palestinos. <a href=\"#3d4e89fc-a0b5-4f5d-8a7b-08c3559387b1-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"3e569caa-2c27-4729-ad91-c90c660793ac\">www.rebelion.org, abril de 2009. <a href=\"#3e569caa-2c27-4729-ad91-c90c660793ac-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4adf7c0d-ae2a-4e1d-bf04-b068736cb684\">Citado em Brenner, <em>The iron wall<\/em>, 1984 <a href=\"#4adf7c0d-ae2a-4e1d-bf04-b068736cb684-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"eaea7747-af5f-4684-9847-b16fadbda75f\">Nota publicada em Gara, 28\/5\/09: \u201c<em>A Knesset (Parlamento israelense) aprovou ontem em primeira leitura uma proposi\u00e7\u00e3o de lei que estabelece um ano de pris\u00e3o para quem pe\u00e7a o fim de Israel como Estado judeu. O texto prop\u00f5e ainda a toda declara\u00e7\u00e3o contra Israel como Estado judeu que \u00abpossa levar a atos de \u00f3dio, desprezo, ou falta de lealdade em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, suas autoridades governamentais ou sistemas legais\u00bb. (&#8230;) Esta vota\u00e7\u00e3o ocorreu apenas quatro dias ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, pelo Governo israelense, de outra proposta destinada a castigar com at\u00e9 tr\u00eas anos de pris\u00e3o aqueles que participarem de atos comemorativos da Nakba, a cat\u00e1strofe que para os palestinos sup\u00f4s a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1948<\/em>\u201d. Uma das formas mais importantes com que os palestinos residentes no territ\u00f3rio de 1948 contestam o que significa o racismo \u00e9 justamente a comemora\u00e7\u00e3o da Nakba, que vem tendo manifesta\u00e7\u00f5es cada vez mais importantes nesses \u00faltimos anos. <a href=\"#eaea7747-af5f-4684-9847-b16fadbda75f-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"bbfbf343-051c-4eec-be6e-61ca106f31e3\">Nakba significa cat\u00e1sfrofe. <a href=\"#bbfbf343-051c-4eec-be6e-61ca106f31e3-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0cf3ab89-a8aa-49fd-b0eb-efda5309e7f2\">Citado em Shlaim, Avi, <em>The Iron Wall, Israel and the Arab world<\/em>, p.18-19 <a href=\"#0cf3ab89-a8aa-49fd-b0eb-efda5309e7f2-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 7\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"2c339764-f4c5-4a5c-a5b6-65e1c535c2df\">www.rebelion.org, 25\/5\/09. <a href=\"#2c339764-f4c5-4a5c-a5b6-65e1c535c2df-link\" aria-label=\"Saltar a la referencia de la nota 8\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p>Publicado em agosto de 2009 na revista <em>Marxismo Vivo<\/em> N. 21<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fica cada vez mais dif\u00edcil negar o verdadeiro car\u00e1ter do Estado de Israel. Depois do massacre na Faixa de Gaza em dezembro de 2008 e as recentes elei\u00e7\u00f5es que deram a vit\u00f3ria \u00e0s for\u00e7as mais direitistas, j\u00e1 n\u00e3o resta muita d\u00favida de que esse \u00e9 um Estado a servi\u00e7o do imperialismo no Oriente M\u00e9dio, constru\u00eddo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8953,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Papp\u00e9 recebeu amea\u00e7as de morte, obrigando-o a renunciar ao cargo de catedr\u00e1tico de ci\u00eancia pol\u00edtica na Universidade de Haifa e deixar o pa\u00eds.\",\"id\":\"3c4c70ac-9f07-4b7c-996f-9e6600f7b1e5\"},{\"content\":\"A cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino ao lado do Estado de Israel e uma paz baseada em uma reforma interna em Israel, tornando-o mais favor\u00e1vel \u00e0 conviv\u00eancia com os palestinos.\",\"id\":\"3d4e89fc-a0b5-4f5d-8a7b-08c3559387b1\"},{\"content\":\"www.rebelion.org, abril de 2009.\",\"id\":\"3e569caa-2c27-4729-ad91-c90c660793ac\"},{\"content\":\"Citado em Brenner, <em>The iron wall<\/em>, 1984\",\"id\":\"4adf7c0d-ae2a-4e1d-bf04-b068736cb684\"},{\"content\":\"Nota publicada em Gara, 28\/5\/09: \u201c<em>A Knesset (Parlamento israelense) aprovou ontem em primeira leitura uma proposi\u00e7\u00e3o de lei que estabelece um ano de pris\u00e3o para quem pe\u00e7a o fim de Israel como Estado judeu. 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