{"id":9031,"date":"2025-06-09T14:57:33","date_gmt":"2025-06-09T17:57:33","guid":{"rendered":"https:\/\/perspectivamarxista.com\/?p=9031"},"modified":"2025-06-09T14:57:33","modified_gmt":"2025-06-09T17:57:33","slug":"o-que-e-o-estado-de-israel-e-por-que-deve-ser-destruido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/perspectivamarxista.org\/index.php\/2025\/06\/09\/o-que-e-o-estado-de-israel-e-por-que-deve-ser-destruido\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 o Estado de Israel e por que deve ser destru\u00eddo?"},"content":{"rendered":"\n<p>A lenda sionista conta que a cria\u00e7\u00e3o de Israel foi como mais uma na\u00e7\u00e3o entre as que conseguiram sua independ\u00eancia pol\u00edtica no p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, com rebeli\u00f5es ou guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional contra seus colonizadores imperialistas. \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Arg\u00e9lia, Vietn\u00e3 s\u00e3o alguns dos exemplos mais marcantes desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>Jos\u00e9 Welmowicki<\/strong> e <strong>Alejandro Iturbe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a implanta\u00e7\u00e3o de Israel difere totalmente destes exemplos, pois ele \u00e9 um enclave instalado na Palestina para defender o imperialismo em terras estrat\u00e9gicas e com base na transplanta\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o externa \u00e0 regi\u00e3o, os judeus. Apoiada na persegui\u00e7\u00e3o antissemita, uma imigra\u00e7\u00e3o, em especial da Europa oriental, \u00e9 estruturada pela organiza\u00e7\u00e3o mundial sionista, financiada por milion\u00e1rios como Rothschild e estimulada por metr\u00f3poles como a Inglaterra, para garantir a fidelidade desses novos ocupantes a seus patrocinadores imperialistas. A compara\u00e7\u00e3o correta \u00e9 com os colonos ocidentais implantados nos s\u00e9culos XIX e XX, nas col\u00f4nias, a exemplo dos ingleses na Rod\u00e9sia (hoje Zimb\u00e1bue) e nas Malvinas ou dos franceses na Arg\u00e9lia, afric\u00e2neres no sul da \u00c1frica etc.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por acaso, as pot\u00eancias imperialistas os promoveram, e os l\u00edderes de todas essas empresas colonizadoras, como Cecil Rhodes, respeitavam-se e tiveram rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. <em>N\u00e3o s\u00e3o<\/em> uma nacionalidade local que \u00e9 oprimida pelos imp\u00e9rios, mas uma <em>popula\u00e7\u00e3o estrangeira que se instala nas terras dos nativos e exerce um papel opressor e a servi\u00e7o de seu imperialismo<\/em> nessa \u00e1rea. Como s\u00e3o transplantes de uma minoria colonizadora, para manter-se, tem um car\u00e1ter racista e militarista, assim como eram o governo <em>branco<\/em> da Rod\u00e9sia, os colonos franceses na Arg\u00e9lia e a \u00c1frica do Sul do <em>apartheid<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado de Israel serviu para as grandes pot\u00eancias imperialistas disporem de um c\u00e3o de guarda numa regi\u00e3o estrat\u00e9gica, o Oriente M\u00e9dio. O l\u00edder sionista Chaim Weizmann, depois presidente de Israel, chegou a garantir ao imperialismo ingl\u00eas no fim da Primeira Guerra Mundial: \u201c<em>uma Palestina judaica seria uma salvaguarda para a Inglaterra, em particular no que diz respeito ao canal de Suez<\/em>\u201d. Apoiado nessa popula\u00e7\u00e3o de colonos que se deslocaram para a Palestina atra\u00eddos pela prega\u00e7\u00e3o sionista, Israel sempre se comportou de acordo com esse projeto e a essa finalidade.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um Estado racista<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Israel, desde sua funda\u00e7\u00e3o, constitui-se como Estado racista, tanto no plano ideol\u00f3gico quanto no legislativo. Israel \u00e9 <em>oficialmente<\/em> um Estado judeu, ou seja, n\u00e3o de qualquer habitante que ali resida, mas somente daqueles que se consideram da f\u00e9 ou de descend\u00eancia judaica. Para ficar mais inequ\u00edvoco este car\u00e1ter, 90% das terras se reservam exclusivamente para os judeus via Fundo Nacional Judaico, que, por estatutos, n\u00e3o pode nem vender, nem arrendar, nem sequer permitir que essa terra seja trabalhada por um \u201cn\u00e3o judeu\u201d. Mais ainda, pro\u00edbe-se aos palestinos qualquer compra ou mesmo arrendamento das terras anexadas pelo Estado desde 1948.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, os judeus do mundo inteiro podem legalmente emigrar e obter, com a nacionalidade israelense, um sem n\u00famero de privil\u00e9gios sobre os nativos n\u00e3o judeus. Desde sua funda\u00e7\u00e3o, existe um sistema de discrimina\u00e7\u00e3o racial que domina absolutamente todos os destinos das vidas palestinas; o que se diria hoje de um pa\u00eds que tivesse como pol\u00edtica oficial a expropria\u00e7\u00e3o de terras de judeus ou que simplesmente proibisse que um cidad\u00e3o de seu pa\u00eds pudesse assentar-se nele se se casar com uma mulher judia? Obviamente se diria tratar-se de um flagrante caso de discrimina\u00e7\u00e3o, de antissemitismo e seguramente seria comparado com o nazismo ou com o <em>apartheid<\/em> sul-africano. No entanto, isso em Israel \u00e9 legal por meio de uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es e leis que restringem somente os cidad\u00e3os n\u00e3o judeus de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre essas leis, destacam-se algumas. A <em>Lei de Nacionalidade<\/em> estabelece n\u00edtidas diferen\u00e7as na obten\u00e7\u00e3o da cidadania para judeus e n\u00e3o judeus. Pela Lei de Cidadania, nenhum cidad\u00e3o israelense pode casar-se com um residente dos territ\u00f3rios ocupados da Palestina; em caso de se realizar a uni\u00e3o, os direitos de cidadania em Israel se perdem, e a fam\u00edlia, se n\u00e3o for separada, deve emigrar. Pela <em>Lei de Retorno<\/em>, qualquer judeu do mundo pode ser cidad\u00e3o israelense. No caso dos cidad\u00e3os palestinos do Estado de Israel que t\u00eam familiares no estrangeiro, estes n\u00e3o podem obter o mesmo benef\u00edcio somente pelo fato de n\u00e3o serem judeus. A <em>Lei do Ausente<\/em> permite a expropria\u00e7\u00e3o de terras que n\u00e3o tenham sido trabalhadas durante um tempo. Paradoxalmente, nunca foi expropriada a terra de um judeu, e a maioria delas foram expropriadas de refugiados palestinos no ex\u00edlio, assim como de palestinos cidad\u00e3os de Israel e todo palestino que, residindo na Margem Ocidental, tenha terras na \u00e1rea ampliada de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas leis \u2013 apenas uma parte do total utilizado exclusivamente contra a popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe em Israel \u2013 n\u00e3o s\u00f3 tem um elemento econ\u00f4mico importante (pela perda de numerosas extens\u00f5es de terras), mas principalmente possuem um componente social: a divis\u00e3o de fam\u00edlias, for\u00e7ando-as a emigrar. Come\u00e7ou a ser denunciado o fato de impedir at\u00e9 mesmo a realiza\u00e7\u00e3o de casamentos entre pessoas n\u00e3o judias que habitem \u00e1reas distintas dos territ\u00f3rios ocupados ou at\u00e9 mesmo a reunifica\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias, marido e mulher, pais e filhos:<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2000, similarmente eles \u201creavivaram\u201d regras que foram tomadas com respeito aos palestinos cujos c\u00f4njuges eram cidad\u00e3os de pa\u00edses \u00e1rabes, ou seja, n\u00e3o ocidentais. Eles n\u00e3o tiveram permiss\u00e3o para retornar a suas casas. Entre 1994 e 2000, durante os anos de Oslo, foram dadas instru\u00e7\u00f5es para atrasar o processo de \u201cunifica\u00e7\u00e3o familiar\u201d, pelo qual dezenas de milhares de fam\u00edlias nos territ\u00f3rios ocupados est\u00e3o esperando, a um m\u00ednimo. Estas fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e3o morando em Haifa ou Ashkelon, mas na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Os postos de controle \u201cs\u00f3 para palestinos\u201d, com as esperas propositais e irritantes nas suas entradas impostas pelo ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o, contrastando com as modernas e livres estradas \u201cs\u00f3 para judeus\u201d, s\u00e3o outro elemento de exaspera\u00e7\u00e3o para fazer com que os palestinos desistam de ali ficar, mas ao mesmo tempo de revolta profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do Muro ao largo e dentro dos limites municipais de Jerusal\u00e9m impedir\u00e1 definitivamente a volta dos palestinos expulsos de Jerusal\u00e9m pelo confisco de suas terras, a demoli\u00e7\u00e3o de suas casas ou press\u00f5es de grupos de colonos extremistas. Perder\u00e3o seus direitos de resid\u00eancia permanente em Jerusal\u00e9m segundo a pol\u00edtica do \u201ccentro de vida\u201d e nunca mais poder\u00e3o entrar na cidade sem permiss\u00f5es especiais. As propriedades que tiverem abandonado em Jerusal\u00e9m podem ser desapropriadas segundo a lei israelense de Propriet\u00e1rios Ausentes.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma sociedade cada vez mais violenta e militarizada<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Um Estado como o israelense necessita exercer a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o dominada de forma permanente. Para manter seu car\u00e1ter colonial e racista, ele n\u00e3o pode tolerar resist\u00eancia interna nem desafios em suas fronteiras. Tem que ser expansionista e reprimir qualquer m\u00ednima contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde sua funda\u00e7\u00e3o, a fim de impor a ferro e fogo sua natureza racista, Israel praticou uma permanente limpeza \u00e9tnica dos palestinos arrancando-os de suas terras ancestrais. Por isso, sempre teve como pol\u00edtica consciente agredir os vizinhos \u00e1rabes, tanto para arrancar terra e fontes de \u00e1gua quanto para impor a vontade imperialista na regi\u00e3o, impedindo o desenvolvimento de qualquer nacionalismo que o amea\u00e7asse, como fizeram com Nasser, e perseguindo de modo implac\u00e1vel os lutadores palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos mais de dez mil presos pol\u00edticos que apodrecem nos c\u00e1rceres sionistas, centenas s\u00e3o menores. A tortura praticada sob autoriza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e os \u201cassassinatos seletivos\u201d nos territ\u00f3rios s\u00e3o a rotina que este monstro racista tem a apresentar como express\u00e3o de sua ess\u00eancia nazista. Isso porque, quando um Estado persegue um povo inteiro com objetivos de eliminar sua identidade, de torn\u00e1-lo escravo ou expuls\u00e1-lo, n\u00e3o h\u00e1 outro nome a dar ao regime desse Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para defender esse car\u00e1ter do Estado, a popula\u00e7\u00e3o israelense vive sempre em p\u00e9 de guerra. A popula\u00e7\u00e3o foi educada a estar sempre a servi\u00e7o do Ex\u00e9rcito, pois s\u00f3 a for\u00e7a das armas pode garantir uma situa\u00e7\u00e3o como essa. Por isso, as For\u00e7as Armadas s\u00e3o sua institui\u00e7\u00e3o mais importante. E o papel desse Ex\u00e9rcito \u00e9 impor aos palestinos e povos vizinhos a submiss\u00e3o, o saque de suas terras, com o uso extremo da viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas exig\u00eancias permanentes em nome da \u201cseguran\u00e7a de Israel\u201d criam uma realidade de permanente chamado \u00e0s armas. Todos os homens e mulheres servem respectivamente tr\u00eas e dois anos ao completar dezoito anos e s\u00e3o reservistas por quase toda a vida, fazendo treinamentos anuais de um m\u00eas. Mesmo assim, n\u00e3o conseguem a t\u00e3o ansiada \u201cseguran\u00e7a\u201d. At\u00e9 a primeira derrota, em 2000, ainda eram anestesiados pelo mito do ex\u00e9rcito invenc\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia em Gaza ou na Cisjord\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 noticiada em Israel. Afinal, os palestinos n\u00e3o s\u00e3o considerados seres humanos; serem mortos ou torturados pelas For\u00e7as Armadas, para o <em>establishment<\/em>, era uma decorr\u00eancia do \u201cdireito de se defender\u201d. Antes a quest\u00e3o nem entrava na pauta dos jornais israelenses, aparecia como um problema de <em>pol\u00edcia<\/em> exclusivo dos territ\u00f3rios. Era preciso apenas impedir os atentados suicidas com mais repress\u00e3o ainda e isol\u00e1-los totalmente, da\u00ed o projeto do \u201cMuro da Vergonha\u201d. O resto, o Tsahal (Ex\u00e9rcito) garantiria.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 desastrosa. Israel s\u00f3 sobrevive gra\u00e7as ao sustento estadunidense. Sua economia gira totalmente em torno da guerra em detrimento de todos os demais setores. O que se v\u00ea \u00e9 uma cultura militarista e sanguin\u00e1ria. Os mercen\u00e1rios israelenses s\u00e3o conhecidos no mundo inteiro, recrutados em guerras coloniais ou por ditaduras, caso semelhante aos mercen\u00e1rios sul-africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>As divis\u00f5es e desigualdades entre diferentes grupos da popula\u00e7\u00e3o e setores de imigrantes judaicos s\u00e3o patentes. Os judeus orientais ou sefaradis recebem melhor trato que os \u00e1rabes israelenses, mas s\u00e3o discriminados em rela\u00e7\u00e3o aos ashkenazis originais da Europa. A imigra\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de russos (judeus ou supostos judeus) originou um cl\u00e3 pouco apreciado pelos outros grupos sociais, por sua fama de aproveitadores e permanentes negociadores de subs\u00eddios do Estado. Os partidos que os representam s\u00e3o de extrema direita e est\u00e3o sempre a exigir suculentos cargos e negociatas para manter seu apoio ao governo de turno.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro setor que cumpre um papel de parasita e \u00e9 sustenta\u00e7\u00e3o direta da extrema-direita religiosa e de seus pol\u00edticos racistas e corruptos s\u00e3o os colonos que vivem nos territ\u00f3rios ocupados em 1967. Como se viu na \u201cdesocupa\u00e7\u00e3o\u201d de Gaza, seus interesses s\u00e3o exigir mais e mais regalias do Estado para ser a ponta de lan\u00e7a da coloniza\u00e7\u00e3o e da expuls\u00e3o dos palestinos. Geralmente quem cumpre esse papel s\u00e3o os judeus das \u00faltimas levas de imigrantes a chegar a Israel, os russos ou orientais, aos quais o Estado sionista destina terras financiadas, subs\u00eddios, com a condi\u00e7\u00e3o de que aceitem viver em <em>bunkers<\/em> ao lado da popula\u00e7\u00e3o \u00e1rabe e ser ponta de lan\u00e7a para agredi-los, atacar seus olivais, fazer com que saiam das poucas terras que lhes restam.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, nos \u00faltimos anos, tem havido uma popula\u00e7\u00e3o flutuante de imigrantes tempor\u00e1rios ilegais trazidos dos lugares mais distantes e sem conex\u00e3o com a regi\u00e3o, como Filipinas e outros pontos da \u00c1sia. Eles s\u00e3o trazidos para substituir a m\u00e3o de obra palestina, \u00e0 medida que o fechamento de fronteiras impede que eles trabalhem nas empresas dentro do territ\u00f3rio de 1948. Esses duzentos e cinquenta mil semiescravos n\u00e3o judeus s\u00e3o fundamentais em \u00e1reas como constru\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o tem nenhum direito, s\u00e3o p\u00e1rias que deixam ainda mais prec\u00e1rios os la\u00e7os da sociedade em Israel, vivendo \u00e0 sua margem.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Apesar das crises e diferen\u00e7as, os colonos defendem seu Estado<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Evidentemente, h\u00e1 um la\u00e7o comum que liga todos os cidad\u00e3os judeus israelenses: eles sabem que de uma maneira ou de outra vivem do saque a outro povo e do apoio que t\u00eam do imperialismo para cumprir o papel de c\u00e3o de guarda na regi\u00e3o. Sabem que os povos \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos s\u00e3o suas v\u00edtimas e temem que essa massa se una e os expulse. Por isso, a \u00fanica coisa que sustenta hoje a coes\u00e3o dessa sociedade racista e violenta \u00e9 o medo do \u201cinimigo comum\u201d, o que \u00e9 permanentemente lembrado com for\u00e7a pelos dirigentes israelenses de todas as cores. \u201cOu eles ou n\u00f3s\u201d \u00e9 a mentalidade primitiva usada para manter a uni\u00e3o, \u00e9 o \u00fanico nexo poss\u00edvel de uni\u00e3o, ou \u201cnosso direito \u00e0 exist\u00eancia\u201d enquanto Estado racista, enquanto privilegiados saqueando os nativos e explorando seus escravos.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido a isso, a maioria dos israelenses est\u00e1 a favor da \u201csepara\u00e7\u00e3o\u201d e da limpeza \u00e9tnica de palestinos e da destrui\u00e7\u00e3o do Hezbollah; apoiou a guerra contra o L\u00edbano, inclusive seu car\u00e1ter genocida. Por isso, a cada guerra, mesmo com as derrotas, os pol\u00edticos que se fortalecem s\u00e3o os mais fascistas do espectro pol\u00edtico sionista.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um ex\u00e9rcito em processo de corrup\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Mas se \u00e9 assim, por que a derrota abriu uma profunda crise? Porque mostrou que Israel \u00e9 \u201cum pa\u00eds vulner\u00e1vel\u201d. Que o Ex\u00e9rcito e a superioridade militar n\u00e3o lhes d\u00e3o uma garantia eterna, e os refugiados de Haifa e do norte do pa\u00eds provaram na carne essa situa\u00e7\u00e3o. E, depois de anos sem batalhas contra os ex\u00e9rcitos \u00e1rabes, j\u00e1 percebem que n\u00e3o conseguem enfrentar uma guerrilha. Uri Avnery, pacifista israelense da organiza\u00e7\u00e3o Gush Shalom escreveu um artigo em que faz um diagn\u00f3stico avassalador:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[\u2026] <em>a ocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 corrompendo nosso Ex\u00e9rcito [\u2026] A \u00faltima guerra s\u00e9ria de nosso Ex\u00e9rcito foi a Guerra do Yom Kippur (1973). Depois de v\u00e1rios importantes reveses, obteve uma vit\u00f3ria impressionante. Por\u00e9m, quando isso ocorreu, a ocupa\u00e7\u00e3o s\u00f3 tinha seis anos. Agora, trinta e tr\u00eas anos depois, vemos o dano feito pelo c\u00e2ncer chamado ocupa\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 se espalhou a todos os \u00f3rg\u00e3os do corpo militar.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Generais como Dan Halutz, comandante supremo que se preocupou em lucrar na Bolsa no mesmo dia em que se decidia a invas\u00e3o, s\u00e3o um sintoma do grau de deteriora\u00e7\u00e3o da moral e das rela\u00e7\u00f5es nas antes incensadas c\u00fapulas das For\u00e7as Armadas israelenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Avnery refere-se ao fato de que a descomunal desigualdade entre as For\u00e7as Armadas sionistas e os resistentes palestinos levou os oficiais e soldados israelenses a se acostumarem durante v\u00e1rios anos a atacar seus alvos sem ter de se preocupar com a resposta, como os pilotos da for\u00e7a a\u00e9rea que bombardearam e assassinaram \u00e0 vontade sem correr riscos. Mas agora eles t\u00eam de enfrentar uma verdadeira guerrilha, e a\u00ed n\u00e3o t\u00eam moral nem treinamento necess\u00e1rios:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Durante trinta e nove anos, foram obrigados a realizar o trabalho de uma for\u00e7a policial colonial: correr atr\u00e1s de meninos que atiram pedras e coquet\u00e9is molotov, arrastar mulheres que tratam de impedir que prendessem seus filhos, capturar pessoas que dormem em suas casas.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que isso vale n\u00e3o somente para os que perseguem palestinos nos territ\u00f3rios ocupados, \u00e9 a caracter\u00edstica intr\u00ednseca de um Estado policial colonial. E, para um enclave, ter um problema dessa gravidade em suas For\u00e7as Armadas \u00e9 aterrador, gera uma inseguran\u00e7a em todos os n\u00edveis da sociedade. \u00c0 medida que a realidade vai se mostrando cada vez mais perigosa como tend\u00eancia, muitos israelenses se cansam deste ambiente, fato que se traduz num n\u00famero n\u00e3o desprez\u00edvel de fugas. Eesconde-se essas cifras cuidadosamente, mas j\u00e1 s\u00e3o um fato: um n\u00famero consider\u00e1vel de israelenses, muitos deles da elite intelectual e profissional, busca uma solu\u00e7\u00e3o individual para sair do inferno da guerra permanente migrando. Esses migrantes saem com discri\u00e7\u00e3o, alegando ir estudar ou trabalhar no estrangeiro (principalmente Estados Unidos e Europa), mas muitos ficam fora e s\u00f3 visitam o pa\u00eds brevemente para ver as fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>Na propaganda sionista, nem se menciona esse fato; s\u00f3 se mostram os novos imigrantes judeus que chegam para se fixar em Israel, chegando ao aeroporto mesmo durante a guerra, tentando demonstrar uma ardente f\u00e9 sionista. Outra cifra que vai aumentando \u00e9 a deser\u00e7\u00e3o n\u00e3o expl\u00edcita, sa\u00edda de jovens em idade militar, que tratam de evitar as frentes e o servi\u00e7o em territ\u00f3rios palestinos ou libaneses.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>O povo israelense e seus oper\u00e1rios podem se voltar contra o sionismo?<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>As crises em Israel e em especial no Ex\u00e9rcito s\u00e3o muito importantes porque debilitam o Estado, abrem brechas para que a resist\u00eancia possa golpear e preparam sua derrota. Contudo, n\u00e3o pensemos que se trata de um pa\u00eds normal, inclusive se o compararmos com um pa\u00eds imperialista. Aqui a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por colonos que dependem da manuten\u00e7\u00e3o do Estado racista para manter seu n\u00edvel de vida e sua prote\u00e7\u00e3o contra as reivindica\u00e7\u00f5es dos povos espoliados. Vejamos o que conta uma cr\u00f4nica de uma militante espanhola que passou v\u00e1rias semanas com os palestinos e depois em Israel e nas col\u00f4nias sionistas da Cisjord\u00e2nia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[\u2026] <em>o sentimento de prepot\u00eancia e superioridade dos israelenses e sua concep\u00e7\u00e3o dos palestinos e \u00e1rabes em geral como seres inferiores, incivilizados, violentos e aos quais temem de uma forma totalmente irracional. Este sentimento se agu\u00e7a durante o servi\u00e7o militar e pode ser percebido com toda sua crueza em cada um dos checkpoints que se precisa atravessar. \u00c9 habitual ver como os soldados tratam os palestinos como animais.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao visitar uma col\u00f4nia na Cisjord\u00e2nia, ela relata:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>O que se v\u00ea e se sente quando se passeia por ali \u00e9 que s\u00e3o lugares sem alma. S\u00e3o lugares t\u00e3o artificiais, t\u00e3o alheios ao entorno que os rodeia, que indubitavelmente a maneira mais acertada de qualific\u00e1-los \u00e9 de \u201cc\u00e2ncer\u201d. C\u00e2ncer, como tecido que cresce totalmente diferente do tecido sobre o qual se localiza e que, al\u00e9m disso, \u00e9 daninho e pode ser letal. Outra coincid\u00eancia entre as col\u00f4nias e o c\u00e2ncer \u00e9 seu tratamento. Seu tratamento n\u00e3o pode ser outro que a destrui\u00e7\u00e3o desse novo, alheio e daninho tecido, sua destrui\u00e7\u00e3o ou sua extirpa\u00e7\u00e3o radical. E n\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>A chantagem do antissemitismo<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Desde que Israel surgiu, seus dirigentes e o sionismo utilizaram a chantagem do Holocausto nazista para impor sua pol\u00edtica. Frente ao massacre nazista, a como\u00e7\u00e3o mundial foi utilizada pelo sionismo para vender a ideia de que a \u00fanica sa\u00edda para a persegui\u00e7\u00e3o era a cria\u00e7\u00e3o de um Estado judeu na Palestina. Esse Estado seria um ref\u00fagio e a \u00fanica garantia de paz e seguran\u00e7a para todos os judeus do mundo. Essa gigantesca fal\u00e1cia agora se mostra em toda sua crua realidade. Ao se basear na espolia\u00e7\u00e3o de outro povo \u2013 o palestino \u2013, ao se converter neste monstro colonial, racista e opressor, transformou-se hoje na \u201c<em>maior f\u00e1brica de v\u00edrus do antissemitismo<\/em>\u201d segundo a express\u00e3o de Uri Avnery.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os sionistas n\u00e3o desistiram de usar o fantasma do antissemitismo, agora para impedir a divulga\u00e7\u00e3o e tirar a aten\u00e7\u00e3o de sua crueldade com os palestinos ou pelo menos inibir as cr\u00edticas e incitar mais judeus a se instalarem em Israel \u201cpara defender seu \u00fanico ref\u00fagio\u201d. Mas a chantagem do antissemitismo, esse terrorismo intelectual e moral, essas constantes mentiras fomentadas pelos pol\u00edticos imperialistas e pela m\u00eddia servem para tentar calar os cr\u00edticos. A manipula\u00e7\u00e3o permanente, pelos sionistas, quanto ao genoc\u00eddio dos judeus tamb\u00e9m acaba por se desgastar.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo do nazismo e do ascenso do fascismo mostraria que ele foi tolerado e estimulado pelos regimes \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d dos pa\u00edses imperialistas, pois esperavam que eles pudessem reprimir seus movimentos oper\u00e1rios e invadir a urss. E que o sionismo da \u00e9poca foi c\u00famplice e nada fez para salvar os judeus da Europa ocidental das c\u00e2maras de g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, em nome de evitar o antissemitismo, querem que se avalizem os m\u00e9todos genocidas de Israel, se calem perante os crimes de Israel e sobre o local onde est\u00e1 o verdadeiro fascismo de hoje.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>A pol\u00eamica sobre a natureza e a solu\u00e7\u00e3o para a Palestina<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Podemos dizer que \u00e9 cada vez maior o n\u00famero dos que se horrorizam com a a\u00e7\u00e3o genocida de Israel, repudiam os assassinatos e buscam uma sa\u00edda para essa situa\u00e7\u00e3o permanente de guerra na regi\u00e3o. Entre eles, h\u00e1 tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es sobre qual deve ser a sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>A mais difundida era a solu\u00e7\u00e3o dos \u201cdois Estados\u201d, um judeu e outro palestino, no mesmo sentido da proposta da onu de 1948. Desde os acordos de Oslo, havia uma press\u00e3o muito forte para que os palestinos aceitassem essa solu\u00e7\u00e3o, e a trai\u00e7\u00e3o da OLP, sob a dire\u00e7\u00e3o de Arafat, permitiu a implanta\u00e7\u00e3o deste \u201cengendro\u201d, a ANP, que legitima Israel e se coloca a tarefa imposs\u00edvel de articular um \u201cEstado\u201d de bantust\u00f5es totalmente dominados nos planos econ\u00f4mico e militar pelo opressor racista. Como bem classificou Edward Said na \u00e9poca, algo como o governo colaboracionista de Vichy sob a domina\u00e7\u00e3o nazista na Fran\u00e7a. Essa alternativa seria a coexist\u00eancia lado a lado de um Estado racista e outro das popula\u00e7\u00f5es exclu\u00eddas, ou seja, do c\u00e2ncer ao lado do tecido vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, depois de quase quinze anos de Oslo, alguns de seus partid\u00e1rios na esquerda come\u00e7aram a ver que a proposta \u00e9 cada vez mais invi\u00e1vel, por conta da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de Israel, que cada vez se apropria de mais terras e expulsa mais palestinos. O \u201cMuro da Vergonha\u201d, o roubo de mais da metade das terras da Cisjord\u00e2nia, das fontes de \u00e1gua etc. inviabilizaram at\u00e9 mesmo o miniestado destinado aos palestinos em Oslo. O enclave sionista n\u00e3o aceita se retirar de territ\u00f3rios ocupados em 1967 nem dar nenhuma autonomia real aos palestinos, muito menos anexar os territ\u00f3rios dando direitos aos palestinos, pois temem o \u201cperigo demogr\u00e1fico\u201d de anexar tr\u00eas milh\u00f5es de \u201cn\u00e3o judeus\u201d. N\u00e3o se pode p\u00f4r um fim \u00e0 pol\u00edtica de <em>apartheid<\/em> imposta na Palestina por uma sucess\u00e3o de leis e reformas pressionadas pela revolta palestina, algo como o que se passou no fim do <em>apartheid<\/em> na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamos a ter a grande quest\u00e3o colocada na ordem do dia: \u00e9 necess\u00e1rio destruir o Estado de Israel e qualquer outra solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 far\u00e1 perpetuar a opress\u00e3o e a expans\u00e3o do c\u00e2ncer. E essa destrui\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser feita pela luta pol\u00edtica e militar unificada, n\u00e3o somente das massas palestinas, mas tamb\u00e9m das massas \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas. Nessa luta, \u00e9 positivo cada golpe infligido ao Estado e seu Ex\u00e9rcito e a apari\u00e7\u00e3o de uma inseguran\u00e7a que leva cada vez mais gente a p\u00f4r em d\u00favida sua estada l\u00e1. S\u00f3 depois de anos de rebeli\u00e3o, a\u00e7\u00f5es guerrilheiras e uma campanha mundial a favor da independ\u00eancia da Arg\u00e9lia grupos fascistas como a OAS foram derrotadas, os colonos da Fran\u00e7a foram obrigados pela insurrei\u00e7\u00e3o argelina a abandonar seus enclaves, e a Arg\u00e9lia p\u00f4de comemorar sua independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui entra outro problema: em Israel por sua natureza de Estado policial, todas as estruturas s\u00e3o parte do sistema militar, por isso todos os judeus l\u00e1 s\u00e3o soldados na ativa ou na reserva at\u00e9 os cinquenta anos de idade. Um <em>kibutz<\/em> \u00e9 uma fortaleza armada dos colonos; uma cidade israelense, o mesmo. O quartel-general est\u00e1 em Tel Aviv. Assim, qualquer estrutura do Estado \u00e9 alvo necess\u00e1rio da guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional. Os foguetes que ca\u00edram sobre as cidades do norte s\u00e3o uma arma leg\u00edtima da resist\u00eancia e, ao abater o moral dos colonos, ajudam o objetivo de destruir o Estado genocida. Ademais, esse foi o efeito dos que atingiram Haifa ou outras cidades. Nada mais injusto que o \u201cmeio justo\u201d da Anistia Internacional, que condena os dois lados por igual, por \u201ccrimes de guerra\u201d. Essa destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel permitiria a recupera\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio hist\u00f3rico da Palestina e a constru\u00e7\u00e3o de uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, antiga reivindica\u00e7\u00e3o da OLP dos anos 1970. Nessa Palestina, sem muros nem campos de concentra\u00e7\u00e3o, os milh\u00f5es de refugiados poderiam retornar e todos os judeus que quisessem viver em paz poderiam permanecer da mesma forma como durante muitos s\u00e9culos viveram no mundo \u00e1rabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicada em outubro de 2006 na revista <em>Marxismo Vivo<\/em> N. 14, e no E-book <em>O Oriente M\u00e9dio na perspectiva marxista,<\/em> Ed. Sundermann. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lenda sionista conta que a cria\u00e7\u00e3o de Israel foi como mais uma na\u00e7\u00e3o entre as que conseguiram sua independ\u00eancia pol\u00edtica no p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, com rebeli\u00f5es ou guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional contra seus colonizadores imperialistas. \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Arg\u00e9lia, Vietn\u00e3 s\u00e3o alguns dos exemplos mais marcantes desse processo. 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